| Home | Notícias | Artigos | Eventos | Indies | Curiosidades | Reviews de Jogos | Reviews de Filmes |

sábado, 29 de junho de 2019

Review de Bloodstained: Ritual of the Night


Bloodstained: Ritual of the Night é um sucessor espiritual de Castlevnaia: Symphony of the Night desenvolvido através de uma campanha de financiamento coletivo no site Kickstarter por Koji Igarashi, o criador da série Castlevania. Ele demorou um bocado para ser lançado e muitos acharam que iria pelo mesmo caminho de outros projetos que não deram muito certo, porém ele acabou por surpreender a todos.

Um adendo, eu estou fazendo a análise da versão do PlayStation 4, que é a mesma do Xbox One e PC. Aparentemente a versão do Nintendo Switch teve alguns problemas e não está recomendável. Os gráficos estão piores, a taxa de quadros a 30 FPS e com lentidão constante. Eu ainda acho o jogo bom o bastante para valer se for a sua única plataforma, mas se puder optar por outras, faça-o.

Primeiramente, eu não achava que Bloodstained fosse ficar tão bom, eu achei que ele estaria no nível dos Castlevanias de GameBoy Advance e DS, que são bons, mas não no nível de Symphony of the Night que é memorável. Após um início um pouco comum que parece culminar em um final sem graça, Bloodstained se transforma e mostra a que veio. Este é o verdadeiro sucessor de Symphony of the Night que fãs estavam esperando e jogá-lo hoje é como participar de toda a empolgação que houve na época do PSOne.


A história começa com uma invasão de demônios que começa a devastar o mundo, o que leva uma sociedade secreta a preparar armas para lutar contra eles. Essas armas são os fragmentários, humanos com parte de cristal em seu corpo que permite absorver o poder dos demônios e utilizá-los contra eles. No caso só dois fragmentários sobrevivem após a batalha: Gebel e Miriam.

Por algum motivo Miriam cai em um coma profundo por anos e só desperta quando um castelo surge do nada e uma nova invasão começa. Curiosamente quem está liderando essa nova invasão? Ele mesmo, Gebel. Miriam então desperta e vai tirar satisfação com seu antigo companheiro e a história se desenvolve a partir daí. Não é nada formidável mas funciona e tem umas boas reviravoltas.

O jogo é o mais "Metroidvania" que poderia ser, já que é sequência da série que cunhou o termo. O jogador começa fraco na entrada do castelo e até o final do jogo irá se fortalecer bastante e explorar as mais diferentes áreas que estranhamente coexistem dentro desse castelo. Assim como em Metroid, novas habilidades adquiridas pelo jogador abrem novas possibilidades de exploração.

A evolução que deixa o jogador mais forte é extremamente variada. É possível subir de nível ao ganhar XP por matar monstros, conseguir armas, armaduras e acessórios melhores que aumentem seus status, conseguir fragmentos de monstros que seriam como as almas em Symphony of the Night, evoluir esses fragmentos, usar seus poderes e assim por diante.


Em alguns momentos essa variedade causa uns saltos de dificuldade, porque você pode estar muito abaixo em capacidade de causar dano do que o jogo espera, mas isso pode ser superado por mais esforço e um pouco de pesquisa. É um jogo que funciona melhor com uma comunidade que te dê umas dicas de quais armas são excepcionalmente boas, apesar de seus status nem sempre darem a entender isso.

Demora até você entender que pode ser melhor ficar com uma arma mais fraca que você se dê melhor do que avançar para uma mais forte que exige outro estilo de jogo. A variedade de armas é enorme, de adagas, espadas curtas, espadas de duas mãos, lanças, machados, armas de fogo e mais. Algumas se portam ainda de maneiras únicas e eu mesmo achei uma preferida independente dos status.

O jogo realmente brilha na capacidade de "builds" diferentes que um jogador pode montar, praticamente ninguém terá uma Miriam igual a outra. Ela pode ser da pancadaria, focada em só bons equipamentos e boas armas; da magia, focada em usar os fragmentos e equipamentos que aumentem seus status mágicos; pistoleira, focada em armas de fogo; além de novos builds que são revelados pra você mais pra frente, como transformar-se em outras criaturas.

As primeiras 10 horas do jogo foram um pouco confusas pra mim. Os inimigos eram fracos, havia um certo tédio em explorar. Os chefes davam saltos de dificuldade que não condiziam com os inimigos que eu enfrentava. Naquele momento eu estava sentindo bem aquela sensação que jogos Kickstarter costumam dar, de às vezes não serem muito bons em equilíbrio e em trazer uma experiência mais concisa. Seria bom se houvesse um Easy Mode para oferecer uma experiência mais relaxada no início.


Porque após essas horas iniciais o jogo simplesmente se transforma e vira o Symphony of the Night que todos esperavam. Ele vai revelando camadas e mais camadas embaixo de algo que você pensou que já havia se revelado por completo e cada vez que você pensa que é a última camada, tem mais uma por baixo.

Há várias áreas diferentes para se explorar que muitos provavelmente não imaginariam que existem dentro de um castelo, todas com inimigos cada vez mais fortes e chefes opcionais. Existem também formas de se fortalecer permanentemente e então um New Game+ para carregar quase todo seu progresso e desafiar o jogo de novo em um nível de dificuldade maior, como Diablo.

Os gráficos são bonitos, o que realmente não costuma acontecer em um Kickstarter que tinha um visual mais lavado durante a maior parte de sua produção. Em um vídeo Igarashi simplesmente apareceu e disse que iria provar que todos estavam errados e revela os novos gráficos, muito mais coloridos e detalhados. Provavelmente houve uma empresa terceirizada envolvida e o resultado é ótimo. Imagine se Mighty No. 9 tivesse gastado um pouquinho mais pra isso.


Minha única reclamação a respeito dos gráficos é que tudo está um pouco claro demais. Em um jogo com perspectiva lateral, a ação está acontecendo em um plano, mas o cenário supostamente está mais atrás, deveria ser mais escuro. Em Bloodstained tudo parece iluminado como se estivesse no mesmo plano, o que dá mais cor, mas não parece tão natural. Curiosamente a versão do Switch tem cenários de fundo mais escuros, mas... é escuro demais. Acho que o ideal seria um meio-termo entre as duas versões.

O setor sonoro é incrível, desde músicas muito Castlevania até bons efeitos sonoros, gritos de golpes e uma boa dublagem, com um ou outro momento menos brilhante. A trilha sonora não está no nível de Symphony of the Night, mas só porque a barra de comparação está em um nível tão alto. Ainda são música fantásticas e muito acima do que estamos acostumados a ver em jogos de financiamento coletivo.

Eu poderia listar muitos pequenos defeitos no jogo, como essas horas iniciais, travadas ao matar um inimigo logo após entrar em uma área nova, itens de inimigos mortos que às vezes ficam presos no cenário, mas nada disso chega nem perto de manchar o que o jogo consegue realizar, são meros arranhões superficiais.


Por exemplo, uma das coisas que mais atrasou minha review de Bloodstained é que eu não consigo parar de jogar Bloodstained. Eu daria facilmente um 9,5 por ser simplesmente incrível em todos os sentidos e já ser um pacote sensacional do jeito que é. É inevitável que haja uns 0,5 de decréscimos pelos pequenos defeitos porque também não posso ignorar que eles existem e atrapalham.

No entanto a versão que temos do jogo atualmente não é nem mesmo a completa. Há várias promessas da campanha de financiamento que ainda serão adicionadas, como dois personagens jogáveis extras, modo cooperativo, um modo com dungeon estilo rogue, um modo boss rush, um modo speed run. Simplesmente qualquer mínimo modo extra que seja adicionado seria o suficiente para soprar esses decréscimos pro alto.

Bloodstained: Ritual of the Night é definitivamente um novo Castlevania: Symphony of the Night, sem necessariamente parecer uma sequência, é quase como se fosse o mesmo jogo feito em uma época diferente, gerando a mesma empolgação e cativando novos fãs. É facilmente o melhor jogo já feito através de uma campanha de financiamento coletivo. Por isso Bloodstained vai levar um 10 completo com louvor.

10/10

terça-feira, 25 de junho de 2019

Por que Final Fantasy 7 vai falhar


Final Fantasy 7... o jogo mais empolgante da E3 2019... pode falhar. Não é uma previsão concreta de que vai dar errado, mas uma preocupação de que possa. Mas como? A demo apresentada pela Square Enix na E3 desse ano foi tão impressionante. Parece uma reimaginação perfeita de um dos maiores clássicos dos videogames. Por este motivo mesmo, está perfeito.

Perfeição custa caro, custa tempo de produção e a Square Enix não parece ciente do que significa isso para um jogo da dimensão de Final Fantasy 7. Quando foi anunciado que o jogo viria em capítulos é porque fazer um remake dessas proporções de FF7 significa literalmente que cada trecho do jogo original terá a complexidade de um jogo inteiro atual.

As coisas começam a ficar preocupantes quando um jornalista do site Kotaku pergunta em uma entrevista ao produtor do jogo, Yoshinori Kitase, quantos capítulos serão no jogo completo e ele responde: "Infelizmente não podemos dizer nada sobre os jogos futuros, porque nós mesmos não sabemos". Isso não soa muito bem planejado.

Isso me trouxe flashbacks da época da criação de jogos amadores e fangames, quando víamos projetos começar, mas nunca serem terminados. Um dos maiores problemas era sempre esse, a escala do projeto. Acabava se tornando uma piada recorrente porque montar um "demo" em alguns meses e receber elogios era fácil, realizar toda a obra sem receber um apoio moral constante era extremamente difícil.


Eu mesmo tenho um projeto de larga escala que nunca terminei, o jogo Pokémon Jumper. Minha ideia era relativamente simples, um jogo sobre os 84 episódios da primeira temporada de Pokémon. O problema é que eu levava meses para criar os gráficos e a jogabilidade de cada episódio e em muitos anos apenas consegui terminar 14 deles.

Em algum momento você faz as contas sobre o tempo de produção e chega a conclusões que inviabilizam o projeto: "Se eu levei 3 meses para adicionar 1 episódio e são 84 episódios no total... multiplica por três... sobe o um... corta o zero... move a vírgula... noves fora... eu levaria mais de 20 anos para terminar! D=". Contas essas que deveriam ter sido feitas bem antes, mas não foram devido à empolgação.

Agora voltemos para Final Fantasy 7 e pensemos. Levará entre dois a três anos para a Square Enix terminar apenas a parte de Midgard do jogo, a qual é de longe a mais simples e linear em todo o game. Final Fantasy 7 é um jogo de mais de 40 horas, se considerarmos que Midgard equivale a aproximadamente 5 horas de jogo ou mais, quantos anos a Square levaria para refazer todo o jogo?

Meu maior problema é a "perfeição" apresentada. Observem o gameplay da E3 2019, ele está perfeito. Essa é a questão, como poderiam fazer o resto do jogo com esse nível de perfeição? Não estou falando apenas de visual, mas de design, a complexidade da luta. Conseguem imaginar quanto tempo se leva para atingir esse nível de qualidade em um simples trecho de jogo que levará menos de uma hora para ser completado? São meses.


Tudo bem, a Square Enix é uma empresa grande. Se ela quiser dedicar, sei lá, 10 anos da agenda dela para publicar vários capítulos do remake de Final Fantasy 7, ela pode, não é mesmo? Eu comecei o Pokémon Jumper muito cedo, ainda no meu IBM 486 de 100 mhz com 8 MB de RAM e 256 cores, se contássemos desde aquela época até hoje eu poderia tê-lo terminado mesmo com a requisição de 20 anos de desenvolvimento.

Porém sabe o que também acontece em um período de tempo tão longo? As coisas mudam. O estilo de jogo que eu queria fazer com 15 anos é diferente do que eu queria fazer com 25, prioridades mudam, o jeito de fazer as coisas muda, a vida acontece. Eu ainda faço o jogo por hobby a propósito, mas como isso se aplica a Final Fantasy 7?

Uma agenda longa de desenvolvimento e lançamento significa que os capítulos poderão ser afetados pela época em que serão desenvolvidos, pelas pessoas que estarão tabalhando neles, pelo estado do mercado no momento, pela performance dos capítulos anteriores, entre outros. Se o Capítulo 2 vender abaixo do esperado o planejamento e orçamento do 3 permaneceria o mesmo? Provavelmente não.

Por alguns desses motivos eu estou preocupado que Final Fantasy 7 acabe virando outra coisa no meio do projeto. Ao invés de um remake do jogo completo, um revival de melhores momentos, uma reimaginação profunda que não tenha mais como objetivo trazer a mesma experiência jogável do original, apenas relembrar alguns de seus melhores momentos com partes jogáveis.


Algo semelhante aconteceu com Final Fantasy Versus XIII que de tantos atrasos e reviravoltas virou Final Fantasy 15. Apesar de eu ter adorado o jogo, dá pra ver que o projeto original tinha muito mais coisa originalmente planejada e que não teve tempo, ou orçamento, para ser produzido, levando a história a ser conectada através de capítulos.

A ideia de capítulos interligados de maneira mais solta funciona completamente em FF15 porque a história que eles querem contar ainda é contada e não vimos o que foi cortado. O mesmo acontece no segundo CD de Xenogears, no qual a história é contada através de narração para interligar partes de jogabilidade soltas. Agora imaginem se cortassem pedaços de FF7, se partes inteiras fossem substituídas por narração.

Meu estado de preocupação no momento é maior que meu estado de esperança, mas como sempre, espero estar errado. Seria ótimo se a Square Enix conseguisse entregar um remake fantástico de Final Fantasy 7, porque cá pra nós, é um jogo que merece como Resident Evil 2. Se não der, a gente joga logo o Cloud fora e revisita Crisis Core para fazer justiça pelo Zack.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

O potencial de Avengers


Avengers é o mais novo jogo dos Vingadores apresentado pela Square Enix durante a E3 2019 e após uma produção de dois anos... tá horroroso. Essa foi a reação de praticamente todos os jogadores vendo a apresentação do jogo após tanta expectativa. Anunciado pela primeira vez em janeiro de 2017 apenas como The Avengers Project, o resultado final apresentado na E3 simplesmente não estava à altura do mínimo que se esperaria de um grande estúdio de games em parceria com a Marvel.

Toda essa repercussão negativa causou muito barulho nas redes sociais, muitos memes (culpado) falando mal sobre os gráficos e sobre como o jogo em si parece a pior coisa desde Homem-Aranha 3, tanto o filme quanto o jogo. Porém essa revolta acabou por abafar um ponto muito interessante do jogo que tem potencial para deixá-lo incrível: Nós só vimos metade.

Esse novo jogo dos Vingadores é como se fosse um 2 em 1, dois jogos diferentes mesclados em uma mesma experiência para atender a diferentes tipos de jogadores. Segundo Noah Hughes, diretor criativo da Crystal Dynamics, que está desenvolvendo o jogo: "É uma mistura entre single-player cinematográfico narrativo e uma experiência multiplayer rejogável". Mas o que isso significa?

domingo, 16 de junho de 2019

E3 2019: Quem ganhou?


Essa semana tivemos a E3 2019, a maior feira de jogos do mundo... por enquanto. As coisas andam meio ruins para a E3. Já andavam antes, é verdade, mas chegaram a melhorar e agora parecem estar piorando de novo bem rápido. Muitas empresas estão deixando de se apresentar na feira, seja de propósito ou porque têm estratégias próprias, e isso acabou por diluir um pouco o show.

A Microsoft foi a única das três grandes com uma conferência, a qual até foi razoável. Nintendo como nos últimos anos teve apenas uma Direct e Sony não teve absolutamente nada, ficou ausente do evento por completo. Algumas outras empresas chegaram a se destacar nesse vácuo, como Square Enix e principalmente a Devolver Digital.

Vamos dar uma olhada no que rolou nas conferências para ver quem ganhou.

Did You Know Gaming? de Ouendan / Elite Beat Agents


O Nintendo DS foi fonte de inspiração para alguns dos jogos mais inusitados e bizarros já lançados durante uma geração e no meio de tudo isso estava um pequeno jogo chamado Osu! Tatakae! Ouendan! que mudaria a vida de diversas pessoas. Desenvolvido pela iNis, a mesma produtora do jogo Gitaroo Man de PlayStation 2, o jogo carinhosamente chamado pelos fãs como "Ouendan" foi lançado em 2005 apenas no Japão, mas ganhou fama internacionalmente com seu carisma e diversão.

O canal de YouTube "Did You Know Gaming?" especializado em curiosidades de jogos lançou um vídeo com um resumo da história da criação da franquia, desde o original e sua sequência direta até o lançamento de uma versão americanizada (que é um outro jogo), lançado no ocidente como Elite Beat Agents.


Até mesmo um fã de Ouendan como eu pode encontrar muita informação nova nesse vídeo. Nunca imaginaria que a versão ocidental teria inspirações de grupos como Village People ou de filmes como Blues Brothers e ao mesmo tempo ao saber disso, tudo fez sentido e eu não esperaria menos dos criadores do jogo.

É um pouco difícil explicar Ouendan para quem não conhece, mas vou tentar. Ele conta sobre uma cultura japonesa de grupos de "animadores" chamados Ouendan, que normalmente são para levantar moral. No jogo, esse grupo aparece para ajudar pessoas a superarem situações do dia a dia, como ter que estudar pra uma prova, ir bem no escritório ou segurar uma dor de barriga no metrô, até ficar progressivamente mais absurdo.

A jogabilidade utiliza a tela de toque do DS para fazer bolas coloridas numeradas aparecerem e o jogador tem que clicar nelas no ritmo da música, todas japonesas. Quanto maior o nível de dificuldade do jogo, mais bolas e maior a velocidade. A jogabilidade é extremamente orgânica e puxa o jogador até ele se tornar um com a tela, com a música e com o jogo, sendo contaminado também pelo fervor do Ouendan, despertando um fogo dentro de você para superar tudo.


Fervor este que o vídeo menciona em um ponto interessante sobre o estilo de arte característico utilizado por Ouendan. Trata-se de um estilo chamado "Gekiga" no Japão, uma forma de criar imagens de uma maneira mais dramática para que saiam da tela e passem todo esse fervor e espírito para quem está lendo.

O Gekiga foi um passo na evolução dos mangás nos anos 60 e 70 por um dos discípulos de Osamu Tezuka, Yoshihiro Tatsumi. O estilo de Tezuka sempre foi o de mangás voltados para crianças, mesmo que de vez em quando ele tocasse em temas mais adultos como sacrifício e morte. Seus desenhos sempre foram bem fofinhos e arredondados.

Se você ainda não conhece o jogo, eu sugiro que dê um jeito de jogá-lo, o que eu sei que não é particularmente fácil hoje em dia. Caso seja totalmente impossível jogar por si próprio, veja um pouco no YouTube, mas nem de longe dá pra sentir a mesma sensação apenas assistindo.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Pokémon Sword & Shield ganham um mundo aberto


A mais recente conferência Nintendo Direct foi focada em Pokémon Sword e Shield, os novos games da franquia que ganharam data de lançamento para 15 de novembro no Nintendo Switch. Há duas grandes novidades dessa vez, finalmente uma área de mundo aberto (não tããããão aberto) chamada Wild Area e batalhas de pokémons gigantes chamadas Dynamax. Acho que vocês já sabem sobre o que eu vou falar bem e mal a partir daí.

Aparentemente o jogo se divide em momentos com a clássica câmera área em 3/4, momentos com a câmera não fixa, mas em um caminho predeterminado e a "Wild Area" com câmera livre que parece conectar os grandes espaços entre as cidades. Não dá pra entender direito como o jogo é dividido entre esses três momentos. As câmeras predeterminadas parecem ser principalmente das cidades. Parece ainda haver as rotas tradicionais e em algum momento não detalhado temos a Wild Area.

A Wild Area é claramente uma inspiração de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, uma área aberta na qual o jogador pode explorar livremente, ver e capturar pokémons, além de encontrar com outros treinadores localmente e online. É um enorme passo para a franquia, só poderia ser bem melhor se eles se comprometessem de vez a evoluir.



Apenas ter um mundo aberto onde você pode capturar monstros não altera pesadamente a jogabilidade de Pokémon. Outros jogos já fizeram isso como Dragon Quest Monsters, em matéria de jogabilidade é igualmente bidimensional caçar monstros em 2D ou 3D, apesar de que em 3D tudo é mais excitante porque podemos ver o horizonte.

O que falta à Wild Area de pokémon para realmente ser a evolução da franquia são ferramentas de exploração, como as ferramentas de física em Breath of the Wild. Você precisa enxergar pokémons distantes e ser um desafio chegar até eles, ou precisa ver pistas de um pokémon escondido que precisa investigar para descobrir onde ele está. Apenas encontrá-los em 3D é raso, como se botasse uma câmera livre em Pokémon Let's Go.

Então vem a parte da Direct que eu não gostei nada, as batalhas Dynamax. Esse é o gimmick da vez, um super poder que deixa os pokémons gigantes por 3 turnos. Durante esse período seus golpes ficam poderosíssimos, mas tem também a discrepância de quando um pokémon está gigante e o outro não, o que não causa um efeito visualmente muito legal.


Eu entendo o que eles estão tentando com Dynamax, Z-Moves e Megaevoluções, a ideia é criar algo bonito de se ver para deixar as batalhas mais emocionantes. Enquanto isso a engine das batalhas comuns é basicamente o mesmo desde Pokémon Battle Revolution, ou Pokémon Stadium se não contarmos a adição dos treinadores. Assim como os Z-moves e as Megaevoluções que um dia já foram o centro de outros jogos, o Dynamax também deverá ser deixado de lado no futuro.

Uma coisa legal do Dynamax é que haverá Raid Battles, batalhas na qual quatro jogadores podem se unir na Wild Area para enfrentar um único pokémon que fica gigante durante toda a duração do combate. Dá pra ver que a Pokémon Company está começando a flertar com elementos de MMO para encontrar o equilíbrio perfeito para Pokémon. Espero ver frutos em títulos futuros dos experimentos que estão fazendo agora.

Por último, foram apresentados os lendários Zacian e Zamazenta, os quais eu achei bem qualquer coisa. Um é um lobo com uma espada na boca e o outro que parece ser um leão cuja juba é um escudo. Oficialmente acho que não é um leão, mas eu acho que parece demais. O jogo também será oferecido em um Double Pack com as duas versões, algo inteligente pra faturar com irmãos, casais, colecionadores, etc.


Gostei da adição da Wild Area em Pokémon Sword & Shield, talvez ela até dê uma enganada no público que comprou o console por Breath of the Wild, mas ficou faltando um algo mais para o jogo realmente ficar promissor. Ainda assim, é legal ver para onde Pokémon está indo, especialmente se finalmente a franquia abraçar o mundo aberto que precisa.

O potencial de Death Stranding


Eu sou um fã de Hideo Kojima mas diferente da maioria, sou um fã apenas por Metal Gear Solid. Eu não cresci com um MSX na época para ter jogado os primeiros Metal Gear e as versões do Nintendo 8 Bits não faziam o menor sentido, então só fui conhecê-lo no PSOne. Eu também não gostei do que a série virou depois de Metal Gear Solid 2, tudo extremamente scriptado e com um fator bizarro que muitas vezes parecia só por ser. Por isso minhas expectativas para Death Stranding estavam um pouco baixas.

No entanto, eu também sabia que Hideo Kojima estava em processo de evolução. Após Metal Gear Solid 4 acabar muito limitado frente a sua visão inicial, ele começou a olhar para jogos ocidentais como Grand Theft Auto 5 e prestar atenção em seu sucesso. Assim tivemos Metal Gear Solid 5, um jogo que evoluiu bastante a franquia mas teve lá seus problemas com a Konami. Por conta desse processo de evolução de Kojima eu ainda achava que Death Stranding poderia surpreender... e me surpreendeu.

Após vários trailers bizarros que não ajudavam muito em vender o jogo, finalmente tivemos um trailer de gameplay e as coisas começaram a fazer sentido. O ator Norman Reeedus interpreta uma espécie de viajante que acredito precisar reconectar comunidades, uma jornada extremamente perigosa desde que alguma coisa invadiu o mundo (ou ficou presa nesse mundo?).


O inimigo principal é algum tipo de criatura de outra dimensão, invisíveis para o jogador, o qual pode detectá-las com a ajuda de um bebê bizarro. Estes inimigos são normalmente morte certa para o jogador e trazem um elemento de stealth e suspense/terror. No entanto há outros inimigos menores humanos que parecem caçar o jogador por outros motivos.

Kojima disse que Death Stranding não é um jogo Stealth, mas eu discordo um pouco porque é exatamente isso que eu vejo, mas ao mesmo tempo não é o Stealth de sempre, parece uma evolução do Stealth atual. Normalmente jogos de Stealth são sobre tentar entrar em uma base inimiga, realizar uma missão sem ser detectado ou eliminar alguém. É atacante silencioso versus defensor poderoso.

Em Death Stranding você não tem um local para invadir, não tem guardas mantendo um perímetro, você está sendo caçado por esse mundo. A qualquer momento algum desses inimigos caçadores podem aparecer em veículos e você precisa se esconder para não ser detectado ou correr enquanto eles jogam lanças em você. O combate é uma opção, mas claramente não a melhor, como em jogos Stealth.


Eu não sou fã de jogos Stealth, porque acho que é melhor quando um jogo te dá opções diferentes de resolver problemas, o que é um sinal de bom game design. Porém certos gêneros ecoam melhor com certos públicos ao impor limitações às opções do jogador, como é o caso dos jogos de stealth e dos jogos de terror, tornando-se às vezes meramente um gosto pessoal.

Meu principal receio com Death Stranding era que ele fosse um The Last of Us, uma história muito bonita, gráficos muito bem trabalhados e a jogabilidade linear de uma batata. Felizmente não é o caso, dá pra ver um grande mundo aberto para explorar, apesar de ele parecer meio vazio como em Shadow of the Colossus, e dá pra usar uma moto para se locomover rapidamente, mas isso não significa que ele vá ser um jogo de mundo aberto tradicional.

Pode ser uma impressão, mas eu acho que ainda falta algum grande elemento de jogabilidade para ser revelado. Acredito que Kojima liberou esse trailer para pensarmos "agora entendi" para só depois nos surpreender de novo. Vale ressaltar que os atores estão fantásticos em seus papéis e podem ter um ótimo papel complementar para o resto da ideia do jogo.


Eu gostei do que eu vi com Death Stranding e acho que o jogo pode chegar longe dependendo das decisões que tomar daqui pra frente. Talvez eu ainda não goste dele pessoalmente, mas se torne um dos grandes clássicos e o próximo passo na evolução de Hideo Kojima.