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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Assassin's Creed Black Flag Resynced e Halo são destaques nos Lançamentos de Games Julho 2026

Fala pessoal, beleza? Pensei em agitar por aqui com uma materiazinha de lançamentos mensais, me digam se gostaram da ideia depois e podemos conversar nos comentários sobre os que curtirem.

O mês de julho de 2026 vem abarrotado de jogos (mas ainda menos que setembro) com muitos jogos legais como Assassin's Creed Black Flag Resynced e Halo: Campaign Evolved, apesar de que, na prática, são remakes.

Tem monstro de bolso pra caramba com Digimon e Palworld enquanto no Nintendo Switch vão tentar um Splatoon que não é multiplayer e eu não achei lá uma boa ideia.

Há também alguns ótimos jogos malucos como Denshattack! e Truck-kun is Supporting Me from Another World?! que cumprem a cota de estranheza para o mês, onde se encaixa também Rhythm Heaven Groove.

Confira a seguir alguns dos melhores lançamentos de games Julho 2026. Novos títulos serão adicionados com cores em destaque na lista.

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Principais lançamentos de games Junho 2026

  • Rhythm Heaven Groove (SW) - 2 de julho
  • Moonlight Peaks (SW2, SW, And, PC) - 7 de julho
  • DOOM: The Dark Ages - Revelations DLC (PS5, XBSX/S, PC) - 7 de julho
  • Assassin's Creed Black Flag Resynced (PS5, XBSX/S, PC) - 9 de julho
  • Digimon Story: Time Stranger (SW2, SW) - 10 de julho
  • Palworld (PS5, XBSX/S, XB, PC) - 10 de julho
  • Denshattack! (PS5, XBSX/S, SW2, PC) - 15 de julho
  • Culdcept Begins (SW2, SW) - 16 de julho
  • Avatar Legends: The Fighting Game (PS5, XBX/S, SW2, SW, PC) - 23 de julho
  • Splatoon Raiders (SW2) - 23 de julho
  • Final Fantasy X/X-2 HD Remaster (SW2) - 23 de julho
  • Forever Skies (XBSX/S) - 27 de julho
  • Halo: Campaign Evolved (PS5, XBX, PC) - 28 de julho
  • Truck-kun is Supporting Me from Another World?! (XBSX/S, PC) - 29 de julho
  • Blue Reflection Quartet (PS5, SW2, SW, PC) - 30 de julho

Rhythm Heaven Groove

SW - 2 de julho

Eu nunca fui particularmente fã da série Rhythm Heaven Groove apesar de gostar de jogos malucos da Nintendo como Wario Ware, com o qual ele tem alguma semelhança. Um dos motivos é que eu acho ele menos claro e não tenho tanto ritmo, sofrendo em jogos como Patapon (inclusive Ratatan sairia esse mês, mas foi adiado).

Em Rhythm Heaven Groove e outros títulos da série você tem minigames rítmicos intuitivos nos quais várias coisas aleatórias começam a acontecer e dão a deixa para você participar. Por exemplo, se houver 4 crianças pulando amarelinha, você provavelmente é a quarta e as outras 3 irão pular em um certo ritmo para você seguir.

Basicamente o jogo conta com diversas variações desta mesma ideia, ocasionalmente jogando umas bolas curvas pra você ficar ligado. Um lance legal desse novo jogo é um modo mais profundo meio RPG chamado Beatspeel em que você usa magias rítmicas para enfrentar monstros. Mas não dá pra saber quão profundo ele realmente é.

Rhythm Heaven Groove no geral é simples e vale a pena pegar em promoção porque o preço é meio salgado, saindo por R$ 219,90 no Nintendo Switch, menos que lançamentos tradicionais, mas ainda caro.


Moonlight Peaks

SW2, SW, And, PC - 7 de julho

Um simpático simulador de vida para quem curte Animal Crossing e Stardew Valley, Moonlight Peaks da produtora Little Chicken tem uma temática gótica de criaturas noturnas, colocando os jogadores como um vampiro filho do Conde Drácula, convivendo com outras espécies e pregando o convívio com humanos.

Algo meio inesperado é que parte do seu trabalho como vampiro será plantar vegetais "místicos" como se fosse um Harvest Moon e usá-los para fazer poções. Além de decorar sua casa sombria como um Animal Crossing. Um detalhe legal é que você também pode se transformar em animais como morcego e gato. Há também um sistema de romance com 12 candidatos, incluindo lobisomens e bruxas.

Moonlight Peaks chega um pouco mais caro no Nintendo Switch 2 por R$ 159,99 e no Nintendo Switch 1 e PC sai por R$ 139,99. Não havia mencionado antes, mas o jogo sai também no Android, pelo mesmo preço do Switch 1 e PC.


DOOM: The Dark Ages - Revelations DLC

PS5, XBSX/S, PC - 7 de julho

O mais recente game de tiro da id Software (que Deus a tenha, após o banho de sangue da Microsoft), ganhou um pacote de expansão por DLC. Em Revelations o protagonista Slayer/Doomguy é lançado em um purgatório e precisa encarar verdades perturbadoras para escapar de sua própria mente, guiado por um aliado misterioso.

O gameplay recebe uma nova Lança-corrente com uns efeitos bem bacanas que permitem girar ao redor de inimigos usando a corrente e rapidamente mudar para o escudo para criar combos devastadores, com batalhas mais verticais.

Eu não sou super fã do estilo de gameplay de DOOM: The Dark Ages que envolve parry de projéteis com o escudo de uma forma que mais parece um jogo rítmico ou um Bullet Hell como Returnal ou Saros, mas a Lança-corrente é realmente maneira e parecem haver umas cenas bem bacanas em Flashbacks no DLC.

DOOM: The Dark Ages chega no PS5, Xbox Series X/S e PC (Steam, Battle.net) por R$ 349,90 e o DLC Revelations sai por volta de R$ 99,90 em cada plataforma. O jogo base também já está disponível no Xbox Game Pass Premium.


Assassin's Creed Black Flag Resynced

PS5, XBSX/S, PC - 9 de julho

Para muitas pessoas Assassin's Creed 4: Black Flag foi um ponto marcante na série da Ubisoft. Logo após o término da "trilogia" original do Desmond foi o ponto em que elas se perguntaram se continuariam seguindo a série ou se a conclusão original foi suficiente.

Black Flag segue o pirata Edward Kenway que se finge de assassino para faturar uma boquinha e acaba envolvido na guerra eterna com os Templários, até que acaba se unindo de verdade à ordem. O gameplay foi atualizado tanto no parkour quanto combate, design de missões e stealth. Até hoje acho que é a melhor fantasia de pirata pra se viver (vai jogar o que, né? Captain Blood?).

Porém tomaram uma decisão bem estranha de remover todas as partes modernas do jogo. Para quem não sabe, Assassin's Creed se passa no mundo real em um tempo moderno e os personagens visitam memórias antigas em seu DNA. Acho que remover essas partes modernas podem deixar o jogo melhor, mas assassinam a ideia da série. Recomendo jogar o original antes do remake para ter uma experiência mais autêntica.

Assassin's Creed Black Flag Resynced chega para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC pelo Steam, Epic Games Store e Ubisoft Store a partir de R$ 299,90. Melhor jogar nos consoles pra escapar do Ubisoft+/Uplay.


Digimon Story: Time Stranger

SW2, SW - 10 de julho

Um dos jogos que estou mais animado para jogar e ainda não pude porque custa os olhos da cara (na Summer Sale do Steam tá com 43% de desconto) é Digimon Story: Time Stranger. Ele é um RPG bem tradicional de Digimon do tipo coletar monstrinhos e botar eles pra brigar que já estava disponível no PS5, Xbox e PC, mas agora chegou também ao Nintendo Switch 2 e 1.

A história que é bem esquisita, quando um evento fora do comum lança o protagonista personalizado pelo jogador pra um passado onde ele poderá investigar o que causou o evento e impedi-lo. Alguns RPGs de Digimon têm um estilinho mais Persona, como a saga Cyber Sleuth, mas acho que esse tem uma identidade própria.

Digimon Story: Time Stranger está bem caro no PS5 por R$ 399, um pouco menos no Xbox por R$ 349, e no PC ainda caro por R$ 319,90 no Steam, mas ao menos no PC tem descontos grandes. As versões do Nintendo Switch 2 e 1 estão perto do Xbox por R$ 339,90. O jogo é bacana, mas vamos esperar promoção.


Palworld

PS5, XBSX/S, XB, PC - 10 de julho

Nosso querido Pokémon com armas finalmente vai ser lançado oficialmente, saindo do acesso antecipado e ganhando sua versão 1.0. Apesar de toda a rixa entre a Pocketpair e Nintendo, a verdade é que Palworld é muito mais parecido com Ark: Survival Evolved que Pokémon.

Você vai ralar pra caramba pra sobreviver e conseguir suas coisas e constantemente inimigos poderão tomar tudo de você. Ele é um jogo divertido, mas bem desequilibrado, então eu recomendo sim dar uma olhada, mas não com a ideia de encontrar um novo Pokémon.

Palworld está disponível no PS5 por R$ 159,90, no Xbox Series X/S por R$ 112,45 e no PC pelo Steam por R$ 88,99 (quando será que sai pro Switch?). Eu recomendo comprar no PC em acesso antecipado, para quem for assinantes do Xbox Game Pass Premium/Ultimate ou PC Game Pass, ele está disponível no serviço. Porém, se curtir, recomendo comprar, pois é o tipo de jogo que se investe horas e um dia pode sair do catálogo. Os desenvolvedores confirmaram que o preço não vai subir com a versão 1.0.


Denshattack!

PS5, XBSX/S, SW2, PC - 15 de julho

Um maravilhoso jogo absurdo do estúdio independente Undercoders, Denshattack! é uma espécie de jogo de corrida infinito misturado com Tony Hawk's Pro Skater em que dá pra fazer grind com um trem por um Japão distópico e isso já deveria ser o bastante dito.

Você vai enfrentar gangues rivais, uma megacorporação do mal e diversos trens personalizados inimigos enquanto corre por percursos repletos de trilhos, objetos para fazer grind, corridas pelas paredes e mais. Tudo com um estilo de visual de alto impacto inspirado por animes e trilha sonora pauleira, contando inclusive com o Tee Lopes que manda bem demais.

Claro, o perigo em jogos malucos é que eles não tenham substância por baixo do estilo, então vamos com calma. Denshattack! ainda não teve seu preço revelado na maioria das plataformas, exceto no Switch 2 onde vai custar R$ 59,99. Ele também vai estar no Game Pass Ultimate.


Culdcept Begins

SW2, SW, PC - 16 de julho

Uma série muuuuuuito pouco conhecida no ocidente, Culdcept é uma mistura de Banco Imobiliário/Monopoly com um jogo de cartas que vem sendo lançada no Japão desde os anos 90 no Sega Saturn. Jogadores assumem o papel de Kamur, um Cepter, uma pessoa capaz de usar cartas chamadas "Culds" para invocar monstros.

A jogabilidade é como um jogo de tabuleiro, você rola dados, cruza o mapa e assim como em Banco Imobiliário, quando para em uma casa, toma posse dela ao colocar um monstro e outros jogadores precisam pagar tributo ou lutar com os monstros.

A história se passa no continente de Bavrashka criado pelos deuses e envolve conflitos entre diferentes nações, com destaque para Kamur, parte da Academia Cept Real e que se torna parte do Regimento da Guarda Cepter Real.

Eu nunca joguei um jogo dessa franquia, as avaliações estão razoáveis, então se alguém arriscar depois nos conte se é bom. Culdcept Begins sai mais caro no Nintendo Switch 2 por R$ 300 e no Nintendo Switch 1 sai por R$ 250. Ele seria lançado também para PC na mesma data, mas foi adiado para o final do ano.


Avatar Legends: The Fighting Game

PS5, XBX/S, SW2, SW, PC - 23 de julho

Não, não aquele dos Smurfs. Aang e sua galera vai cair na porrada em Avatar Legends: The Fighting Game, um jogo de luta dos personagens da animação Avatar. Ele está sendo desenvolvido pela Gameplay Group International, mesmo pessoal que fez um fangame de luta de Meu Pequeno Pônei e depois o transformou em um título original chamado Them's Fightin' Herds.

O elenco vai incluir personagens como Aang, Korra, Katara, Toph, Sokka, Azula, Zuko, Kyoshi, Zaheer e Lord Ozai, cada qual com suas técnicas de dobra elemental, controlando fogo, vento, ar e terra. Há também duas variantes de Aang e Korra no "Modo Avatar" que nada mais é que contar o Goku e Vegeta Sayajin como personagens separados como Dragon Ball sempre faz.

Não sou especialista em jogos de luta como o chapa Bruno Magalhães, então eu não sei se o jogo vai ser bom ou relevante competitivamente em meio a tantos títulos como Invincible Vs, Marvel Tokon e outros mais antigos de maior peso. Ao menos ele vai ter Rollback Netcode, que é ideal para um competitivo online mais preciso.

Também vai haver um modo história com uma narrativa original que cobre várias eras, o que pode ser interessante para misturar Aang, Korra e Kyoshi, mas duvido que o suficiente pra valer o jogo todo. Eu achei o elenco meio magro, talvez seja melhor assim competitivamente, mas eu sou mal acostumado por Mortal Kombat Trilogy, Marvel vs. Capcom 2 e Super Smash Bros. Brawl.

Avatar Legends: The Fighting Game vai sair no PS5 por R$ 169,90, no Nintendo Switch 2 e Nintendo Switch por R$ 155 e no PC por R$ 88,99 e esta versão está barata o bastante pra valer a pena. Uma pequena atualização: a versão do Xbox Series X/S sofreu um atraso para 3 de setembro (e eu não sei por que pensei que o jogo não ia sair no Switch antes).


Splatoon Raiders

SW2 - 23 de julho

Uma doideira da Nintendo este mês é lançar um Splatoon focado em Single Player e com multiplayer cooperativo online sendo que é uma franquia que sempre foi conhecida pelo seu modo competitivo. Jogadores viram náufragos nas Spirhalite Islands e partem em busca de tesouro por diversas ilhas, enfrentando os Salmonids pelo caminho.

A mecânica de gameplay básica é um pouco repetitiva, mas também viciante, levando seu Squid Kid para diversas ilhas onde terá que enfrentar hordas de inimigos, resolver desafios de plataforma e mais. Ao derrotar inimigos você sobe de nível e ganha peças, podendo ficar mais poderoso. Os visuais são um pouco genéricos, no entanto.

Splatoon Raiders será lançado por um preço de R$ 279,90, abaixo do padrão, mas ainda um pouco caro para o que é. Parece que estão vendendo separadamente um modo Roguelite de um jogo completo de Splatoon.


Final Fantasy X/X-2 HD Remaster

SW2 - 23 de julho

Eu não sou um grande fã de Final Fantasy X, acho que a série perdeu bastante em sua transição do PlayStation One para o PS2, ficando mais linear e talvez um pouco pop demais, porém sei que é também o preferido de muita gente que teve contato com a série pela primeira vez no PlayStation 2 ou simplesmente gosta dessa vibe pop do jogo.

Agora jogadores podem curtir a história de Tidus e Yuna também no Nintendo Switch 2 com melhorias como modo acelerado, batalhas aleatórias desligadas e mais. A Square Enix não explicou o que vai ter de diferente na versão do Switch 2, presumimos que maior resolução e loadings mais rápidos.

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster será lançado por R$ 284,90 e pelo menos dessa vez o lançamento chegará à Nintendo eShop brasileira, pois o do Nintendo Switch 1 não estava disponível, era preciso comprar a versão física em lojas ou mesmo importar em compras internacionais.

As versões do Nintendo Switch 2 e 1 não interagem, são produtos separados. Sem transferência de save ou ugprade para quem já tem os jogos no Switch 1, o que é vacilo da Square Enix. O jogo também está disponível em várias outras plataformas como PlayStation, Xbox e PC.


Forever Skies

XBSX/S - 27 de julho

Lembram de Forever Skies? Um jogo de sobrevivência da produtora Far From Home Inicialmente exclusivo do PlayStation 5 que chamou atenção desde seu anúncio e aparições em em eventos da Sony até o lançamento em acesso antecipado em 2023 e a versão 1.0 em abril de 2025.

Agora ele chega também ao Xbox Series X/S, mas mesmo para quem não tem o console vale a pena dar uma segunda olhada nas versões PS5 e PC pois o jogo mudou muito ao longo desses anos. Forever Skies coloca os jogadores em uma base flutuante em meio a uma Terra em ruínas infestada por uma nuvem tóxica, desafiando-os a coletar recursos em ruínas de arranha-céus e o conceito por si só já me prende.

Ao longo do jogo os materiais e plantas (blueprints) que você obtém podem ser usados para construir novos equipamentos para você e novos ambientes úteis para sua base, como locais para gerar comida. Enquanto isso também há muito para se descobrir o que aconteceu com a Terra por pistas no ambiente.

Os desenvolvedores de Forever Skies não se ajudaram muito lançando o jogo em um estado muito básico e só depois adicionando coisas essenciais como multiplayer cooperativo e inimigos, mas agora também o jogo tá pimpão e pode ter um ressurgimento com a chegada ao Xbox (se alguém ainda tiver um).

Nos consoles o jogo está consideravelmente mais caro, saindo por R$ 214,90 no PS5 (em promoção até o dia 29 por R$ 107,44) e no Xbox Series X/S por R$ 194,95. No PC o preço é mais de acordo por R$ 88,99, então esperem por uma promoção se precisar.



Halo: Campaign Evolved

PS5, XBX, PC - 28 de julho

É, Halo está de volta de novo com um novo remake. Mais vistoso com gráficos belíssimos, melhorias no gameplay e mais Master Chief contra os fanáticos religiosos alienígenas do Covenant. Halo é uma das maiores franquias de FPS de todos os tempos e o remake a melhora, sem esquecer ainda do modo cooperativo, que agora inclui suporte para 4 pessoas.

Se você nunca jogou Halo, eu recomendo dar um jeito de jogar o original que é uma experiência mais especial, depois o remake Halo: Combat Evolved Anniversary. O novo Halo: Campaign Evolved de 2026 é pra quem já está careca de tanto Halo, quem ainda está começando deve dar preferência aos mais antigos ao invés de um remake de um remake que já diluiu o caldo. Criticamos a Nintendo por refazer Star Fox tantas vezes, mas se Halo continuar assim vai se aproximar no retrovisor.

Halo: Campaign Evolved tá baratinho no PS5, Xbox Series X/S e PC pelo Steam por R$ 249,90, além de estar no Xbox Game Pass Ultimate e PC Game Pass. Jogadores de PlayStation que nunca jogaram a franquia, tá proibido começar por esse, vão atrás dos originais.


Truck-kun is Supporting Me from Another World?!

XBSX/S, PC - 29 de julho

Agora falando de um jogo doido exclusivo do Xbox, que provavelmente chegará a outras plataformas no futuro, temos aqui Truck-kun is Supporting Me from Another World?! do estúdio independente Strange Scaffold (El Paso Elsewhere e I Am Your Beast), um jogo pra lá de simpático no meu gênero favorito de animes: Isekai (aqueles em que a pessoa vai parar em outro mundo e tem um roteiro que deixa o cérebro liso como peito de frango)

A jogabilidade é toda no controle de um caminhão, o Truck-kun, atropelando tudo que vê pela frente para enviar como recursos para uma jovem chamada Carissa Ward que foi enviada para outro mundo após você atropelá-la. É um conceito bem bonitinho, mesmo que não seja muito profundo, então não espere uma aventura super épica.

Truck-kun is Supporting Me from Another World?! chega inicialmente só no Xbox Series X/S e PC, ainda sem preços revelados, disponível no Xbox Game Pass Ultimate e PC Game Pass. Tem uma demo grátis agora mesmo no Steam.


Blue Reflection Quartet

PS5, SW2, SW, PC - 30 de julho

Esta é uma coletânea da série Blue Reflection, uma série de RPGs muito legal da Koei Tecmo que é a favorita da minha amiga Sophie que jogo em live, mas que eu não sei falar tanto sobre e estou ansioso pra ter a oportunidade de jogar todos os games agrupados assim.

A personagem principal é uma bailarina chamada Hinako que após se machucar seriamente não pode mais dançar, mas em compensação vira uma espécie de garota mágica. Além de Hinako outras personagens também se destacam em outros títulos. O jogo tem batalhas de RPG em turnos e momentos de socialização e "encontros" com forte indicação de romances.

A coletânea inclui versões melhoradas e com extras dos jogos: Blue Reflection (console), Blue Reflection: Ray (anime), Blue Reflection: Sun (mobile) e Blue Reflection: Second Light (Console). Há também um banco de dados que explica tudo sobre a franquia.


Perguntas da galera

O que vai lançar em 2026 de jogos?

Depois de julho, claro que temos GTA 6 em novembro (se não adiarem de novo), tem uma cabeçada de jogo em setembro (todos fugindo de GTA 6) como o Wolverine do PS5 e o novo Onimusha, enquanto outros como Fable escorregaram pra 2027.

Jogos que serão lançados em julho?

Os principais lançamentos de julho são Assassin's Creed Black Flag Resynced e Halo: Campaign Evolved como mencionado. Tem também Rhythm Heaven Groove, Splatoon Raiders, a versão para Nintendo Switch de Digimon Story: Time Stranger e a versão 1.0 de Palworld.

Quais são os 10 jogos mais aguardados para 2026?

Segundo o site Releases, entre jogos saindo em 2026, são: GTA 6; Marvel's Wolverine; Phantom Blade 0; Control Resonant; Onimusha: Way of the Sword; The Blood of Dawnwalker; Beast of Reincarnation; Ace Combat 8: Wings of Theve; Assassin's Creed Black Flag Resynced; e Resonance: A Plague Tale Legacy.

Próximos eventos de games 2026?

Depois da Summer Game Fest ainda temos:

  • San Diego Comic-Con 2026 [23-26 Julho]
  • China Joy [31Julho-3Agosto]
  • QuakeCon [6-9 Agosto]
  • Gamescom [25-30 Agosto]
  • Pax West [4-7 Setembro]
  • BlizzCon [12-13 Setembro]
  • Tokyo Game Show [17-21 Setembro]
  • Brasil Game Show [8-12 Outubro]
  • The Game Awards [10 Dezembro]

sábado, 27 de junho de 2020

Analisando Crash Bandicoot 4 em 1 minuto e meio


Crash Bandicoot 4: It's About Time foi revelado recentemente em um trailer de 1 minuto e meio pela Activision e pela Toys for Bob, companhia que cuidou dos remakes dos três jogos originais e da série Spyro The Dragon. O novo jogo será lançado para PlayStation 4 e Xbox One em 2 de outubro e seguirá o estilo do Crash clássico com fases em corredores porém com uma nova temática de viagem no tempo. Vamos falar um pouco sobre por que o jogo deverá ser legalzinho, mas não excepcional como os originais.

A Toys For Bob é uma companhia competente, com alguns jogos que eu realmente gosto ou admiro, como Tony Hawk's Downhill Jam e Skylanders, porém eles não são uma Naughty Dog ou Traveller's Tales. Para não mencionar que após a aquisição pela Activision e ter sido forçada a trabalhar praticamente só em Skylanders e Remakes, as melhores mentes criativas da empresa já devem ter saído.


Como o subtítulo dá a entender a temática da vez será viagem no tempo, algo que muitas séries exploram atualmente. Viagem no tempo é um ótimo tema para criar conteúdo de maneira fácil e barata. Seu personagem está viajando no tempo e por isso ele terá contato com diversas localidades e eras riquíssimas de detalhes e mitologias, eras por si só que já são excitantes. Crash no Velho Oeste? Crash na era Mesozoica? Crash na Segunda Guerra Mundial? talvez não esse último.

Há no entanto um defeito em viagem no tempo, o mesmo defeito de quando um personagem simplesmente visita um mundo fantástico como um herói que irá salvá-lo. Você pega mitologias e conteúdos de terceiros, sem ampliar seu próprio mundo ou mitologia. Em outras palavras, enquanto Crash estiver visitando todas essas épocas interessantes, seu mundo continuará o mesmo. É um pônei de um truque só.

Um dos melhores exemplos de jogo que amplia a mitologia da série é Super Mario Bros. 3 que mostrou reinos vizinhos ao Reino dos Cogumelos. Era incrível ter um reino de deserto, um reino de gigantes e um reino nas nuvens, locais que Mario nunca mais visitou naquele mesmo formato. O mesmo acontecerá com Crash ao criar mundos que nunca mais poderá visitar.


A jogabilidade em si é como o clássico Crash, porém com alguns problemas novos. Só o fato de ser a jogabilidade clássica não seria um problema, pois há muitos anos não temos um Crash novo, porém é uma pena que não vejamos alguma evolução. Isso acontece principalmente porque a empresa que está fazendo o jogo não é a mesma que criou a série, eles não têm o DNA inicial que permitiria uma evolução natural. É possível entender as origens de uma franquia e evolui-la, porém é mais difícil.

A grande novidade aqui são power-ups, como antigravidade e desacelerar o tempo. O único problema é que esses power-ups são usados de maneira errada. Simplesmente há momentos no jogo em que você precisa deles para passar por algum desafio. Isso não é um "aumento de poder", se você não pode realizar o que precisa sem o power-up, ele é meramente uma ferramenta.

Novamente tomando Super Mario Bros. como exemplo, completar as fases de Mario com power-ups é mais fácil e a experiência de cruzar as fases com cada um deles é diferente. Como Mario pequeno você é cuidadoso e procura por um cogumelo. Como Super Mario você já tem uma garantia de poder e de ser atingido sem morrer, mas quer mais, uma flor de fogo, por exemplo. Quando está com a Flor de Fogo, foca-se em confrontar inimigos, algo que não faria se precisasse pular na cabeça deles.


Acredito que a Activision como publisher também vai interferir no nível de dificuldade do jogo, mostrando que algumas das maiores reclamações são sobre o jogo ser muito difícil e como provavelmente Spyro teve mais sucesso com o público infantil do que Crash. Posso estar errado e eles estarem convencidos que a dificuldade faz parte do que torna o jogo essencial, mas o normal é a publisher querer abaixar a barra para aumentar o público.

Crash Bandicoot 4: It's About Time até tira uma página do manual da Nintendo de coadjuvantes irritantes com uma nova máscara no lugar de Aku Aku, então seria bom se eles tivessem tirado um pouco mais de coisas legais para deixar a jogabilidade melhor. Simplesmente fazer Crash como na época do PlayStation One mas com tecnologia melhor só nos levará para algo semelhante a Crash Bandicoot: Wrath of Cortex, algo que não parecia uma evolução real e que com o tempo matou o fogo da franquia.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Review de Dead or School


Eu gosto de jogar jogos ruins. Não jogos ruins ruins, mas aqueles jogos que são ruins em alguns setores para se sobressaírem em outros. A indústria de jogos é permeada por jogos pretensiosos com visuais fotorrealistas e narrativas supostamente profundas que acreditam que isso garante enaltecimento automático, então constantemente eu me vejo procurando a antítese deles, jogos ruins que não têm bons gráficos, não têm boa história mas garantem que você vai se divertir.

Dito isso, uma jornada por jogos ruins que acabam sendo bons traz também muitos jogos ruins... ruins. Jogos ruins que não têm as qualidades redentoras que você esperava que os tornaria bons, então ficam sendo apenas.. ruins. Dead or School tenta ser um jogo ruim bom e falha, mas não chega a ser um jogo ruim ruim, o que o coloca em uma categoria que também não é tão interessante, o medíocre.

A história do jogo se passa em um futuro não tão distante no qual criaturas mutantes forçaram a humanidade a fugir para o subsolo, onde viveram por duas gerações. O jogador controla Hisako, uma menina da terceira geração criada no subterrâneo que possui grande força e começa a ter o desejo de retornar à superfície.


A principal motivação dela, no entanto, é bem ridícula. Hisako quer ser uma estudante e frequentar uma escola com amigos porque isso parece muito divertido, tudo graças a um uniforme de colegial guardado pela avó dela. A história ridícula quase funciona pra mim, mas ela me deu mais cringe do que eu gostaria. Ainda assim eu vou dar o benefício da dúvida de que ela é um ruim do tipo bom.

No quesito jogabilidade, no entanto, dá pra ver um certo amadorismo. Dead or School é um jogo independente, do tipo que a jogabilidade parece ter sido feita por uma única pessoa em qualidade e por muitas pessoas na falta de foco. A ação se desenrola lateralmente em fases com gráficos 3D, vulgarmente, 2.5D.

Você tem três tipos diferentes de ataque, com espada, com uma arma de fogo de médio porte e com uma arma de fogo de grande porte. Todos os ataques usam seu fôlego e você não pode simplesmente atacar sem parar ou a personagem fica cansada. Os golpes não parecem que encaixam e mesmo os tiros não têm peso, naquele estilo RPG onde só causam dano, sem real impacto.

O jogo tem vários sistemas e subsistemas, um em cima do outro, como se quantidade fosse torná-lo profundo. Cada arma pode ser melhorada, pode receber upgrades, têm uma árvore de habilidades própria, desviar de golpes no momento certo pode causar um momento de câmera lenta, se a personagem sofrer dano demais suas roupas se rasgam e seu poder de ataque aumenta em troca de baixa defesa e mais.


São tantas coisas acontecendo que você não consegue dominar nenhum desses sistemas e nem sentir o suficiente a influência de cada um deles na jogabilidade para se importar com algum deles. A jogabilidade parece uma colcha de retalhos, um amontoado de coisas incoerentes que acaba atrapalhando e deixando o jogo mais devagar porque você precisa investir muito mais tempo para entendê-lo.

Visualmente a aparência do jogo não é muito inspirada, parece um amontoado de recursos comprados em lojas da Unreal ou Unity. A personagem principal até é bacana e os inimigos têm um efeito legal de saltarem da frente da tela para a ação, porém os cenários são muito genéricos e de má qualidade. Se o resto do jogo fosse bom eles poderiam ser mais toleráveis como um conjunto consciente de sua própria baixa qualidade. A música foi onde senti que estava um pouco acima do resto do jogo e é até agradável.

Eu não gostei muito de Dead or School, mas apesar de tudo ele não é ruim. Seu preço atualmente é um pouco caro, mas em uma promoção dá pra se arriscar e ver se ele bate naquele exato ponto de equilíbrio de jogo ruim que é bom pra você individualmente, pois ele é um jogo popular com algumas pessoas. Eu esperava algo mais próximo da série Senran Kagura mas acabei com algo que se assemelha aos jogos independentes de Touhou.

Nota: 6/10

Review de Hidden Through Time


Hidden Through Time é um jogo de encontrar objetos, um pouco no estilo de "Onde está o Wally?", porém com várias coisas ao invés do famoso personagem. Não é um jogo muito ambicioso, ele se propõe a algo e realiza essa tarefa perfeitamente, o que me dá um certo dilema para analisá-lo já que o mesmo tempo ele faz tão bem seu trabalho mas não apresenta muita profundidade além disso. O jogo está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Switch, PC, Mac e Android. A versão analisada foi a do PS4.

A parte "Through Time", "através do tempo" em português, é a grande sacada do jogo. O tema de cada fase é uma parte da história da raça humana, desde os tempos das cavernas até eras mais modernas. É divertido ver o mundo evoluindo ao seu redor e o conteúdo de épocas como Antigo Egito e revolução industrial são conteúdos fantásticos.


Ao início de cada fase você recebe uma lista de itens e cada um deles tem uma dica, próximo de uma charada, que indica onde você poderá encontrá-lo. Não é preciso encontrar todos os itens em uma fase para passar adiante, apenas alguns, porém para desbloquear fases futuras é preciso ter um certo número de itens. Caso o jogador não encontre todos os itens de primeira, pode voltar à fase posteriormente. O jogo também salva seu progresso o tempo todo, então é fácil parar de jogar e voltar depois.

Os cenários e animação são extremamente parecidos com os livros do Wally e isso significa também aquela dose de carisma que inclui ver várias situações engraçadas espalhadas pelo campo de busca que não tem necessariamente a ver com o que você está procurando. É possível também olhar dentro de construções com um clique que faz as paredes sumirem.

O visual é simpático, com personagens 2D estilo vetorial e com animações básicas. Houve alguns momentos em que senti lentidão, o que não é muito perdoável para um jogo 2D simples em um PlayStation 4, apesar de não atrapalhar muito. A música é tranquila e relaxante, algo necessário se você demorar muito em uma fase.


O jogo acaba rápido, mas é interessante para jogadores que gostam de troféus / conquistas já que dá pra se guiar por eles para ter algum conteúdo extra. Também há um modo de criação de mapas no qual você pode criar suas próprias fases com facilidade e também baixar fases de outros jogadores para jogar. Em teoria isso deveria estender muito a vida útil do jogo, mas não há muitos mapas bons para experimentar.

Eu me diverti bastante com Hidden Through Time, toda sua execução do que se propõe a fazer é perfeita, porém senti falta de um algo mais, mesmo que irrisório. Algo que talvez desse uma sensação de progressão, construção, algo que permitisse você sentir que além de vencer as fases estivesse fazendo algo mais como reconstruindo uma cidade ou criando um museu. Ainda assim só posso elogiá-lo e recomendá-lo para jogadores que gostam desse estilo.

Nota: 8,5/10

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Impressões de Call of Duty: Warzone


Recentemente Call of Duty: Warzone foi lançado de surpresa como um Battle Royale gratuito da Activision que utiliza a mesma base de Call of Duty: Modern Warfare, mas não exige o jogo, funciona independente do mesmo. Como de costume eu embarquei por motivos de trabalho, mas então aconteceu o que eu não esperava, eu adorei o jogo.

Quando PlayerUnknown's Battlegrounds foi lançado eu comprei o jogo e joguei um pouco, mas logo vi que não era um jogo pra todo mundo, exigia um compromisso de tempo e habilidade muito grandes. Se você não tivesse tempo não tinha como esperar as partidas de quase uma hora e se não tivesse habilidade morreria assim que encontrasse alguém depois de 20 minutos vagando sozinho. Eu vi o potencial mas não podia recomendar pra um grande público.

O tempo passou, PUBG inspirou uma onda de outros jogos semelhantes, dos quais provavelmente o mais popular é Fortnite. No entanto a mistura de mecânica de tiro e construção também não é nada intuitiva para a maioria dos jogadores. Depois tivemos um outro Battle Royale bem expressivo, Apex Legends, da Respawn Entertainment, a mesma equipe de Titanfall, então isso me chamou a atenção. Porém, ainda assim não era muito legal.


Ao chegar em Call of Duty: Warzone realmente me senti em casa, era esse o Battle Royale que eu queria todo esse tempo. Ele tem toda a boa jogabilidade FPS de um Call of Duty, a qual eu esperava de Apex Legends, com uma mecânica de Battle Royale rápida e divertida que atualiza a fórmula para funcionar bem também para quem não tem tanto tempo nem tanta habilidade.

As partidas são rápidas porque o circulo que se fecha ao redor dos jogadores e incentiva o confronto, uma marca dos Battle Royale, é realmente rápido e mais mortal que em outros jogos. A habilidade conta menos porque você pode coletar dinheiro pela partida e comprar itens que te ajudam a sobreviver. Seus companheiros de time também podem te ressuscitar por dinheiro. É um Battle Royale que realmente suporta diferentes tipos de jogadores.

Acredito que a principal evolução da fórmula aqui são os "Contratos", algo semelhante a side quests que o jogador pode pegar e completar em troca de dinheiro e itens. Normalmente em um Battle Royale pode haver um grande período de tempo em que nada está acontecendo, quando não tem ninguém por perto e todos se escondem até sua posição não ser mais segura. Isso não acontece em Warzone porque todos querem e sabem como obter mais dinheiro e itens, então se arriscam mais.


Posso me imaginar facilmente viciado nesse jogo, apesar de infelizmente não ser bom o bastante nele. Eu jogo bem FPS, se jogar algumas horas fico calibrado para ir muito bem, consigo matar um bocado de gente no início, mas não sou tão bom a ponto de nunca morrer em um confronto 1 x 1. O maior problema é o de vários jogos online do PlayStation 4, o quanto de espaço eles ocupam no HD. São dezenas de GB apenas para um jogo, nunca houve tão pouca coisa instalada no meu PS4.

Apesar disso, recomendo que todos deem uma chance para Call of Duty: Warzone e talvez se surpreendam tanto quanto eu.

sábado, 7 de março de 2020

Kratos e o Navio de Teseu


Quando joguei o novo God of War de 2018 me lembrei como já falei aqui no blog que não o considero God of War. Isso porque tudo que tornava God of War um God of War foi removido e apenas usaram o nome do protagonista e o título em algo novo. Normalmente eu falo muito isso de franquias da Nintendo como "Super Mario Odyssey não é Mario" ou "Skyward Sword não é The Legend of Zelda", mas God of War é um exemplo ainda melhor. Me fez pensar como era um bom momento para explorar um exercício de filosofia: o Navio de Teseu.

Existe na filosofia esse exercício de pensamento sugerido pelo filósofo Plutarco na Grécia Antiga, com diversas variantes: Imagine o herói mitológico Teseu, conhecido por ter derrotado o minotauro, e que ele tem um navio. Então o Kratos o mata e rouba seu navio. Tá, isso não acontece no exercício original, mas a gente sabe que o Kratos faria isso. Após sua aventura, Teseu retorna para casa e é recebido com entusiasmo pelo povo. Eles ficam tão animados com sua história que decidem exibir o seu navio em um museu.

Há apenas um problema, uma das tábuas estava quebrada da aventura. Eles decidem então trocá-la por outra e exibir o navio normalmente. O navio permanece em exibição por anos e aos poucos as outras tábuas de madeira começam a apodrecer. Conforme é necessário elas vão sendo substituídas, aproximadamente uma por ano, até que depois de muitos anos nenhuma parte original do navio permaneceu. Resta então a pergunta: "Este ainda é o Navio de Teseu?" (ou do Kratos?). Normalmente a maioria concorda que não, então vem outra questão: "Quando deixou de ser?".

Essa pergunta levanta vários dilemas em torno do Navio, como um objeto, mas também sobre o conceito de identidade como um todo, inclusive de pessoas. Nós não somos a mesma pessoa durante toda a nossa vida. Nossas células morrem, são substituídas e de tempos em tempos não resta nada do nosso eu anterior. Então como nossa identidade se mantém através do tempo?


Se por um lado é uma pergunta antiquíssima, por outra é um dilema moderno que teremos que resolver se um dia quisermos ensinar a inteligências artificiais como determinar por conta própria o que são as coisas, como nomeá-las e diferenciá-las. Nós temos um certo conhecimento abstrato que não conseguimos explicar que nos diz quando uma coisa é uma coisa e quais características a definem, mas mesmo esse conhecimento nos falha às vezes. Por exemplo, cariocas e paulistas não conseguem chegar a um consenso sobre o que são bolachas e biscoitos.

Ao repararmos no cerne do dilema veremos que ela está em alta também na indústria de entretenimento como um todo com reboots de filmes clássicos, desenhos animados e filmes/séries de super-herói. Quando os personagens não são fiéis aos originais, eles ainda mantêm sua identidade? Sabemos que o Batman é o Batman, mas se ele vestisse um uniforme verde limão em um filme, o aceitaríamos como Batman? Temos um julgamento automático e abstrato de senso comum que nos faz saber o que é ou não o Batman.

Isso se estende a recente polêmica por inclusividade em Hollywood. Um personagem mantém sua identidade se tiver sua raça alterada? Seu gênero? Sua orientação sexual? Provavelmente há pessoas preconceituosas de verdade levantando a voz contra a diversidade, mas muitas reclamações sobre esse assunto são na verdade sobre "Transitividade de Identidade". Uma mudança, não diferente das tábuas de madeira do navio de Teseu, impede que a identidade de A seja transmitida para B.

Essa sensação estranha que sentimos quando a identidade de algo não passa por completo é o que Freud descreveu como "Unheimlich", uma palavra sem tradução mas que significa basicamente "estranheza", ou "uncanny" em inglês. É o mesmo conceito por trás do "Vale da estranheza" / "Uncanny Valley" que nos faz sentir aversão a coisas que parecem muito com humanos mas não chegam a ser humanos, como robôs ou modelos 3D de pessoas. O conceito está por trás também de Doppelgänger que se assemelham a alguém conhecido como no filme "Nós".


O "familiar porém estranho" causa essa sensação devido a uma dissonância cognitiva, quando recebemos ao mesmo tempo duas informações opostas de nossa mente, positiva e negativa, de que algo "É" e "Não é" ao mesmo tempo. Nosso cérebro recebesse uma mensagem de que "A é uma certa coisa" (ou está em um certo estado como "vivo" ou "morto", como na estranheza por robôs e zumbis) e ao mesmo tempo recebesse a mensagem que "A não é essa coisa". Então um God of War que não é God of War causa certa estranheza e até repulsa.

Vale ressaltar que não há uma resposta certa para o paradoxo do Navio de Teseu e provavelmente não vamos resolver os mistérios da alma humana hoje, mas os pensamentos desenvolvidos para esse exercício podem nos ser úteis para desvendar coisas mais simples. Por exemplo: "Quando jogos mudam toda a sua essência, ainda são o mesmo jogo?". Eu acredito que não.

Pequenas mudanças

A interpretação mais radical seria a dos fãs mais hardcore de jogos, filmes e outros produtos de entretenimento: "O Navio de Teseu deixa de ser o Navio de Teseu assim que a primeira placa de madeira é removida". Neste caso apenas a reprodução mais perfeita da identidade mais primordial de algo seria aceito. O próprio Plutarco no entanto rebate essa ideia.

O Navio de Teseu não deixa de ser o navio se apenas uma placa for substituída, assim como uma camisa não deixa de ser aquela camisa porque perdeu um botão. Um novo botão pode ser costurado nela sem alterar em nada sua identidade. Podemos perder uma parte do nosso corpo, colocar uma prótese e ainda sermos a mesma pessoa. Plutarco concluiu: "Objetos sobrevivem a pequenas mudanças".


Há um problema aqui no que se refere a "pequeno", pois é um termo abstrato. O botão não é "pequeno" porque representa apenas 1% da camisa ou porque mede 1 cm. Se esta fosse uma famosa camisa de botões de marfim, perder um botão afetaria sua identidade. Tem algo a ver com a relevância da mudança. Novamente, relevância é algo abstrato.

Nós sentimos relevância, mas cada um sente de uma maneira diferente. Acredito que todos concordariam que se Robert Downney Jr. tivesse sido trocado em Homem de Ferro 2, seria uma mudança relevante. Porém se eu tentasse dizer que trocar o ator que fazia o Máquina de Combate por Don Cheadle estragou o filme, duvido que alguém me daria atenção. Até porque a maioria das pessoas pensava que era o Cuba Gooding Jr. no primeiro filme. Não é, o ator se chama Terrence Howard, pode pesquisar.

Em outras palavras, o que é "pequeno" para uma pessoa, pode não ser pequeno para outra. Eu gosto dos meus personagens bem fiéis aos seus conceitos primordiais para que transpareçam suas nuances, algo que muitas vezes se perde em adaptações. No entanto focar apenas no que eu gosto ou o que eu quero, serve apenas pra mim. Só podemos descobrir o que é de fato relevante se descobrirmos o que é relevante para muitas pessoas. Filmes da Marvel são um bom exemplo onde várias concessões são feitas mas muitas vezes a identidade dos personagens originais ainda está lá.


Eu não acredito que The Legend of Zelda perdeu sua identidade quando Link deixou de ser canhoto em The Legend of Zelda: Twilight Princess para o Nintendo Wii, era uma mudança pequena. Eu acho no entanto que ele perdeu sua identidade quando seus jogos pararam de ser sobre se aventurar e começaram a ser sobre side quests, ficar falando com pessoas e tentando descobrir como resolver seus problemas mundanos.

Todos ficaram satisfeitos quando a série voltou as suas raízes com Breath of the Wild, isso significa que essas mudanças eram relevantes para um grande grupo de jogadores. Acredito que nesse pensamento tenhamos uma das chaves para resolver o problema do navio em relação a mudanças nos jogos. Guarde-o para mais tarde.

Dois navios

Digamos que todas as tábuas foram substituídas. Neste caso acho que a maioria concorda que este não é mais o Navio de Teseu. Mas quando isso aconteceu? Quando ele deixou de ser? No exato momento quando a última tábua foi substituída? Porém quando a última tábua é substituída ele não é tão diferente de como estava uma tábua atrás. Sua identidade se agarrou a uma única tábua? Quando mais da metade das tábuas foram trocadas?  Quando trocaram um terço? Entre duas a quatro? Trinta e sete? Não há uma resposta concreta para isso.

Então o filósofo inglês Thomas Hobbes decidiu complicar ainda mais o paradoxo. Imagine que as placas de madeira do Navio de Teseu não estavam apodrecendo, elas apenas estavam sendo substituídas ano a ano. Todos os anos uma tábua do navio era removida e uma nova tábua era colocada em seu lugar. Enquanto isso as tábuas velhas eram passadas para uma outra armação e lentamente formavam outra embarcação igual à original.

Então este novo barco que recebeu todas as tábuas do Navio de Teseu é o Navio de Teseu? Quando se tornou? Os dois são o Navio de Teseu? Nenhum deles? Essa vertente sobre a troca de tábuas entre dois navios nos ajuda a entender que não dá pra dizer por exemplo que o navio de Teseu deixa de sê-lo ao perder metade das tábuas, pois em dado momento ficaríamos ilogicamente com dois navios, quando ambos tivessem metade das tábuas.


Essa segunda interpretação criada por Hobbes diz: "Um objeto vai para onde suas partes vão". Porém essa interpretação também não soa correta já que identidade parece vir de algo mais do que apenas uma soma de todas as partes. Normalmente videogames mantêm seus títulos e personagens, como é o caso de God of War e Kratos, mas não necessariamente suas identidades.

Quando uma franquia de jogos deixa de parecer aquela franquia específica? Para algumas pessoas se o personagem e o nome estão lá, está valendo. Afinal o jogo é daquela companhia, ela faz o que quiser com ele. No entanto, a Nintendo poderia colocar Mario em um FPS com uma pistola e chamar de Super Mario World 3? Ele não seria reconhecido como um jogo de Mario apesar do título e do personagem. Assim como Super Mario World 2: Yoshi's Island não é lembrado como a sequência de Super Mario World mas como um jogo do Yoshi.

Sabemos que o novo God of War tem Kratos, mas há tantas outras coisas que não foram passadas dos antigos God of War para o novo que ele parece apenas uma única tábua de madeira que restou. Sua personalidade não é a mesma, a jogabilidade não é a mesma, seu estilo de jogo não é o mesmo e assim por diante. Qual God of War é realmente God of War? Os originais de ação ou este novo de aventura? Assim como o navio, não podem haver dois God of War atrelados ao mesmo título.

Se pegarmos toda a jogabilidade de um jogo e colocarmos em outro título e personagem, como em sucessores espirituais, ele é o mesmo jogo? Bloodstained parece Castlevania. Mighty No. 9 não parece Mega Man. Yooka-Laylee não parece Banjo-Kazooie... mas Banjo-Kazooie: Nus & Bolts também não. Bomberman Act Zero definitivamente não parece Bomberman. Wreckfest é praticamente FlatOut sem o título, talvez porque carros não são personagens?


Não temos uma resposta para isso e acredito que muitas vezes nos iludiríamos a julgar pela qualidade. Bloodstained poderia ser Castlevania porque é bom, mas Mighty No. 9 não poderia ser Mega Man porque não é tão bom. Porém tanto Castlevania quanto Mega Man já tiveram jogos ruins e isso nunca fez ninguém questionar sua identidade a ponto de serem excluídos da série.

Dizemos que é um "jogo ruim de Castlevania" ou um "jogo ruim de Mega Man", mas nunca "não é Castlevania" ou "não é Mega Man" para jogos ruins. A perda de identidade não tem a ver com a qualidade como âncora e temos que resistir a usá-la como tal.


Já te contei a definição de identidade?

Uma coisa que eu sempre falo é que Mario não era Mario antes de ser Mario. O personagem apareceu em jogos como Donkey Kong, Mario Bros. e Wrecking Crew, mas nada daquilo ainda era Mario. Mario passou a ser "Mario" quando Super Mario Bros. fez um sucesso estrondoso. Aquilo passou a ser Mario porque foi como a grande maioria do público conheceu o personagem. Ninguém diria que Mario perdeu sua identidade em Super Mario Bros. porque não tinha a marreta de Donkey Kong ou porque agora pulava em cima das tartarugas ao invés de bater no chão embaixo delas.


Então a Nintendo nos propõe um desafio com Super Mario Bros. 2 nos Estados Unidos, uma versão editada do jogo japonês Doki Doki Panic com Mario inserido no lugar do protagonista, pulando mal e tirando legumes do chão para matar inimigos. Aceitamos Super Mario Bros. 2 como Mario? Apesar de tecnicamente não o ser em seu cerne?

The Legend of Zelda 2: Adventure of Link é totalmente diferente do primeiro jogo, o aceitamos como The Legend of Zelda? Talvez esse último seja o caso que mais se assemelha a God of War, uma mudança completa da jogabilidade. Porém a identidade de explorar e se aventurar parece ter sido mantida em The Legend of Zelda 2 enquanto eu acredito que a identidade de God of War se perdeu.

Saber se um jogo, ou qualquer outra coisa, mantém sua identidade parece passar por como definimos a identidade em primeiro lugar. A identidade não está diretamente atrelada ao personagem ou título. Em jogos uma boa parte para estar relacionada à jogabilidade, mas arrisco dizer que o elemento principal é: a identidade de um jogo é o que a maior parte de seu público considera como sua identidade. Essa interpretação por sua vez passa necessariamente por como o jogo ficou popular.

Quando Super Mario Bros. ficou popular ele era um jogo sobre andar por fases para chegar ao final, comer cogumelos e salvar a princesa. Não era como Donkey Kong, Mario Bros. ou Wrecking Crew. Mario continuou fazendo basicamente as mesmas coisas até Super Mario World com pequenas mudanças e sem ter sua identidade questionada. Em Super Mario 64 porém de repente seu objetivo não era mais atravessar fases nem comer cogumelos. O desafio agora era resolver quebra-cabeças para ganhar estrelas.


Muitas pessoas sentiram que aquele não era o mesmo Mario que elas conheciam, quem conseguia jogar ele em 2D muitas vezes não conseguia jogá-lo em 3D, não entendia os objetivos, não se adaptava aos seus controles, não sentia prazer na sua jogabilidade. Para essas pessoas a identidade de Mario não passou para o jogo. Esse problema nunca aconteceu com Mario Kart que sempre foi o mesmo desde o Super Nintendo e nunca teve um momento em que as pessoas disseram "Isso não é Mario Kart".

Enquanto Mario Kart cada vez vendia mais em cada plataforma, a série Super Mario principal caiu em vendas. Jogadores pediam pelo retorno de Mario em 2D e quando isso aconteceu, com New Super Mario Bros para Nintendo DS e New Super Mario Bros. Wii para o Nintendo Wii, eles venderam muito mais do que Mario em 3D. Foram 30 milhões de unidades cada, enquanto Super Mario Odyssey chegou à metade disso. Há 15 milhões de pessoas que compraram um desses jogos e que não compram o outro.

Isso significa que uma franquia de jogos nunca pode mudar? Não é isso que estamos falando. Essa mudança porém precisa vir acompanhada da maioria de seu público já existente ou conquistar um novo público ainda maior, como aconteceu com Fire Emblem. Se uma franquia mudar para formas em que cada vez tem menos público, irá rumar para sua própria auto-destruição.

Qu4tro Causas

Ao trabalhar com a definição de coisas, Aristóteles definiu 4 "causas", que são na verdade como "explicações para o ser", pois não é o mesmo uso tradicional da palavra "causa" em nosso idioma. Elas eram: Formal (Eidos), Material (Hyle), Agente/Eficiente (Kinoun) e Fim/Final/Propósito (Telos). As duas primeiras acredito que não nos servem por serem mais voltadas para objetos físicos.


A Causa Formal significaria que definimos uma coisa pelo seu formato, como as mesmas tábuas de madeira organizadas de uma certa maneira são um navio, mas organizadas de uma maneira diferente podem ser uma casa. Poderíamos tentar esticar esse conceito para significar o design do jogo, a forma do jogo em si.

Se considerássemos a Causa Formal como a forma abstrata que os elementos de um jogo são organizados para formar um jogo de ação, de aventura, de RPG, talvez pudesse haver algum significado. No entanto acho que essa ideia é um tanto quanto frágil para colocarmos muito peso em cima dela. É algo interessante de se pensar, mas não nos levaria onde queremos.

A Causa Material é propriamente a matéria-prima de algo, por exemplo, um objeto que identificamos pelo material do qual ele é feito. Acho que para videogames o "material" significa que a sequência de um jogo de videogame precisa ser necessariamente um jogo de videogame, não poderia ser um jogo de tabuleiro ou qualquer outra coisa. Não é algo que se aplique no que estamos pensando. Agora vamos para as causas que realmente importam.

A causa Agente ou Eficiente seria quem criou o objeto e como. Aqui temos menos uma questão autoral e mais uma questão de transformação. Quem transformou aquela matéria-prima em um objeto? No God of War original foi David Jaffe com a equipe da Sony Santa Monica, enquanto o novo jogo foi Cory Balrog com o mesmo estúdio, porém com algumas pessoas diferentes obviamente. Segundo Aristóteles, duas coisas não poderiam ser a mesma coisa se fossem feitas por pessoas diferentes ou métodos diferentes.


Isso não deixa de ser uma resposta, porém talvez não seja satisfatória para nós. Por essa ideia apenas os desenvolvedores originais de um jogo e uma mesma equipe poderiam de fato passar a identidade dele para outro, mas não é o que vemos na prática. The Legend of Zelda: Breath of the Wild recebe perfeitamente a identidade de The Legend of Zelda sem seu autor, Bloodstained recebe a identidade de Castlevania com o autor mas com outra equipe.

Por mais que seja tentador ver exemplos de pessoas que não são os criadores das séries desvirtuando-as, como Cory Balrog em God of War, Eiji Aonuma assassinando a série com The Legend of Zelda: Skyward Sword ou Kenta Motokura criando algo que não é Mario em Super Mario Odyssey, parece difícil atrelar uma série inteira a apenas um autor.

Isso significaria que os novos Star Wars não são Star Wars porque não tem George Lucas e eu acredito que muitas pessoas sentiriam que isso é verdade, mas provavelmente por pensarem na qualidade do produto final e não realmente na identidade dele. Apenas lembrem-se que os Episódios 1, 2 e 3 também não foram muito bons e foram feitos por George Lucas. Eu não descarto completamente a possibilidade de o autor definir a identidade, mas vamos tentar não nos ater a essa resposta.

Agora a causa realmente interessante para nós: a Causa Final, Fim ou Propósito. Esta causa é simplesmente com que propósito aquela coisa foi feita. Claro que poderíamos presumir que jogos são feitos para divertir e terminar por aqui mesmo em um belo mundo de arco-íris no qual desde que um jogo seja "bom" e "divirta" ele faz parte de uma mesma série. No entanto existe um nível mais profundo de propósito nos jogos.


Cada tipo de jogo diferente exerce um tipo de trabalho diferente e mata uma fome diferente do jogador. Às vezes você quer uma refeição completa, às vezes algo para beliscar, outrora está com vontade de um doce. Cada jogo é feito para preencher uma sensação específica. Por isso muitas vezes jogos que são genéricos, repetitivos e anuais ainda fazem sucesso, pois podem oferecer uma experiência confortável e sem riscos para momentos em que não queremos nada pesado, como um mingau da Ubisoft.

Se pensarmos sobre o propósito dos jogos, de repente fica muito óbvia a diferença entre o God of War original e o novo God of War. Um é um jogo de extrema ação e violência, uma catarse selvagem do dia a dia pacato para despertar instintos primitivos. O outro é uma jornada focada na história, feita para fazer o jogador pensar e sentir-se como os personagens dessa história, com ação inserida apenas como conflito ocasional.

Ambos os jogos têm propósitos completamente diferentes, despertam sensações totalmente distintas, oferecem experiências que são praticamente dois jogos diferentes. O mesmo pode ser dito entre The Legend of Zelda: Breath of the Wild e The Legend of Zelda: Skyward Sword ou Super Mario Odyssey e New Super Mario Bros. Wii ou Super Mario 3D Land.

As analogias constantes com comida ao falar de jogos é porque todos nós sofremos de uma questão muito simples: fome. Quando não temos um certo tipo de jogo para jogar, ficamos com fome daquele jogo. Se uma empresa para de fazer um tipo de jogo ficamos famintos durante anos até outro surgir para tomar seu lugar.


Por mais que tentem dizer que o novo God of War é God of War, ele não mata a fome de quem jogava as versões antigas de God of War. Isso também vale para vários outros jogos que falamos aqui. Acredito que essa é a segunda chave para resolvermos essa questão, a fome deixada por jogos que abandonam seu propósito.

You got the Big Key

Como pudemos ver, em produtos de entretenimento, e especificamente em jogos, há dois pontos essenciais para que ocorra a transitividade de identidade, para que muitas pessoas considerem algo novo como uma nova versão ou novo capítulo de algo já existente. Nos distanciamos aqui da questão filosófica para tentar entender o que o público entende de maneira abstrata como um produto fazendo parte de uma franquia.

Primeiro: Aceitação. É preciso que um público igual ou superior ao da franquia original considere esse novo produto como parte da série original, normalmente atrelado a vendas. O novo God of War vendeu mais do que o primeiro jogo, então por essa lógica God of War agora é isso, um jogo focado na história que explora os sentimentos de paternidade de Kratos e seu filho chamado "Boooy".


No entanto faltaria o segundo elemento: Propósito. Para sabermos se uma nova direção foi realmente aceita temos que considerar as pessoas que começarão a ter fome pelo que aquele produto costumava representar e saciar, quantas clamarão por um retorno às origens daquele produto conforme essa fome aumentar. Hoje vemos isso com Star Wars, no qual dois episódios da nova trilogia foram basicamente um retorno aos moldes originais porque o público não aceitou as mudanças feitas como Star Wars.

Se nos próximos anos o novo God of War saciar completamente o público do antigo de forma que essas pessoas nunca mais peçam por um retorno ao que Kratos era antes, ele passa a se tornar o novo God of War. Pessoalmente eu prefiro o Kratos original, assim como prefiro os Fire Emblem clássicos, mas a questão é o que o grande público decidirá como a identidade daquela série.

Existe mais uma interpretação para o Navio de Teseu... mas já está tarde, vamos falar disso em um futuro artigo sobre nostalgia.