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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Review de He-man: Mestres do Universo

 Mestres do Universo é a mais nova adaptação com atores reais do desenho animado dos anos 80, conhecido pelo personagem He-Man e seus amigos, como Mentor, Teela, Pacato, entre outros. A marca que começou como brinquedos da Mattel teve várias versões, inclusive uma outra versão com atores em 1987, incluindo Dolph Lundgren como He-Man.

A nova versão é uma comédia de ação dirigida por Travis Knight (de Bumblebee e ParaNorman) com o ator Nicholas Galitzine em destaque como Príncipe Adam e o herói He-Man, o homem mais poderoso do universo. A seguir acompanhe nossa review sem spoilers do novo filme, já disponível para assistir no Amazon Prime Video.

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Review de Backrooms: Um Não-Lugar

Um dos novos filmes de terror baseados em um fenômeno da internet, Backrooms: Um Não-Lugar, subtítulo específico do Brasil, é uma obra da produtora A24 e o filme de estreia do diretor Kane Parsons, talvez o diretor mais jovem a já ter trabalhado em uma obra para cinema. Confira a seguir uma review sem spoilers do filme.

Para quem nunca ouviu falar, "Backrooms" é um tipo de "creepypasta", histórias de terror da internet um tanto sem dono, passadas por fóruns e outros meios. Elas contavam sobre este estranho labirinto de salas amarelas que de certa forma existiam fora do mundo e que pessoas podiam acabar caindo nelas acidentalmente.

Kane Parsons pegou essa ideia e criou alguns vídeos sobre o assunto, criando sua própria mitologia, o que o fez ser chamado pela A24 para dirigir o filme. A versão dos cinemas ainda tem o labirinto de salas misterioso como foco, mas adiciona alguns novos elementos e explicações curiosas. Além de uma organização que as investiga, o Async Research Institute, apesar de ter um papel pequeno no filme.

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segunda-feira, 22 de março de 2021

Review sem spoilers de Liga da Justiça de Zack Snyder

Liga da Justiça de Zack Snyder, também conhecido como o "Snyder Cut", é uma versão de diretor do filme Liga da Justiça lançado em 2017. A nova versão do filme visa restaurar a visão original do diretor Zack Snyder, o qual foi trocado no meio das filmagens por Joss Weadon de Vingadores e criou um bocado de polêmica. Porém, se tudo que Zack Snyder queria fazer era essa versão do filme... foi muito barulho pra nada. Confira mais a respeito na review abaixo sem spoilers.

Aviso: esse filme tem 4 horas

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Review sem spoilers de Star Wars: A Ascensão Skywalker


Star Wars: A Ascensão Skywalker é o capítulo final da nova trilogia de Star Wars e também da saga como um todo desde o Episódio 1 ou os originais dos anos 70 dependendo de como você conta. Apesar de alguns tropeços pelo caminho a conclusão é incrivelmente sólida e prazerosa e garante que Star Wars não tenha ficado estragado daqui para frente, apesar de também não fazer nada de novo.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Review sem spoilers de Coringa


Coringa foi um filme que eu não tive a chance de ver no cinema porque quis evitar o risco de algum atirador achar que era uma boa noite para estrear junto com o filme e após assisti-lo acho que foi bom que isso tenha acontecido pois acho que pude absorver melhor vendo em casa. Toda a histeria sobre o lançamento do filme que acabou felizmente não dando em nenhum tiroteio é algo que não acho completamente injustificado. Abaixo minha modesta review sem spoilers.

Sobre as preocupações, há mensagens em Coringa que eu diria que são perigosas, sementes de ideias que conversam diretamente com mentes perturbadas como gatilhos para tomarem ação. Ele puxa muitas ideias de Taxi Driver do Scorsese, o qual eu também acredito que tenha certas mensagens perigosas. Não quer dizer que filmes polêmicos não devam ser feitos, mas acho que devemos ser responsáveis com algumas coisas.

Tirando isso do caminho, veio então minha surpresa... eu não gostei muito de Coringa. Não achei genial, não achei profundo, não achei uma boa história... talvez porque também não gostei muito de Taxi Driver. Apesar de tudo é um filme que me dá vontade de conversar a respeito e acredito que algumas interpretações possam fazê-lo alcançar mais profundidade, porém eu não tenho certeza de que seja completamente intencional.

Teoricamente o filme se passa em 1981 mas eu sinto como se ele fosse mais antigo, pouco após o fim da Guerra do Vietnã. Gotham está em frangalhos com lixo pelas ruas, lojas falindo, sem emprego e simboliza uma certa época dos Estados Unidos que não significa a mesma coisa para nós. Eles eram um país extremamente rico que de repente sentiu um freio em seu estilo de vida, não é algo que fale diretamente para nós da eterna república de bananas.


Acompanhamos a história do ponto de vista de Arthur Fleck, o homem que até o final do filme se transformará no Coringa. Ele é uma pessoa pobre, mora com a mãe, tem um emprego ruim de palhaço e tem alguns problemas psicológicos como depressão. Além de tudo ele sofre de um distúrbio que o faz rir incontrolavelmente em certos momentos, um pouco como uma síndrome de Tourette, que o torna meio excluído socialmente.

Dá pra ver que Arthur é uma pessoa que sofre bastante com seus problemas e em vários momentos sentimos empatia por ele e gostaríamos que ele não sofresse tanto, pois vemos também que ele é esforçado mas coisas ruins estão acontecendo em sequência em sua vida. No entanto talvez nada disso tenha acontecido de verdade e ele apenas quisesse que tivéssemos essa empatia por ele. Arthur é um "narrador não confiável".

Logo no início do filme é possível notar que algumas coisas que são mostradas na tela na verdade não estão acontecendo. O termo "narrador não confiável" da literatura é quando você não pode acreditar completamente em quem está contando os fatos. O problema é que quando você tem um narrador não confiável revelado tão cedo fica difícil de investir emocionalmente na história pois você nunca tem certeza de que ela está acontecendo.

Nesse ponto acho que filmes com uma reviravolta perto do final que alteram nosso nível de confiança pelo narrador, como Clube da Luta, fazem um trabalho melhor. Mesmo que às vezes vistos como aquela expressão americana "pônei de um truque só", como se apoiassem completamente no truque, mas ao menos eles apresentam uma história coerente e que vale a pena ser revisitada, seja em lembranças ou assistindo de novo. Eu não sinto vontade de assistir Coringa novamente.


A história em sua superfície me parece ser sobre como o surgimento do Coringa a partir do lixo de Gotham acaba por incendiar toda a população da cidade para que eles despertem sobre o conflito de classes, para que os pobres comecem a exigir dignidade dos ricos. É um tema relevante atualmente mas que não se desenvolve realmente no filme. Como se mostrasse que a solução para um problema grave da sociedade fosse um vilão de quadrinhos erguer uma revolução.

Muitos falaram que esta é uma história de origem do Coringa, mas eu não consigo vê-la dessa forma, não consigo ver como essa pessoa se tornaria a figura que conhecemos como Coringa. Eu também não acredito que o Coringa precise ter motivos de ser ou um ponto de partida, como o Coringa de O Cavaleiro das Trevas que cada vez conta uma história de origem diferente.

Não deveria ser possível virar o Coringa porque algumas coisas ruins aconteceram com uma pessoa com problemas psicológicos, o Coringa simplesmente é. Quando se tenta explicar o Coringa acho que ele deixa de sê-lo. Eu vejo ali Arthur Fleck, não o Jóquer, o palhaço. Gostaria muito que todas as coisas que acontecem no filme para justificar essa transformação simplesmente nunca tenham acontecido, sejam todas coisas da cabeça de Arthur e na verdade ele só as tenha imaginado como justificativa para se tornar o Coringa e que no fundo ele simplesmente o seja.

Preciso confessar que achei o ritmo da narrativa bem lento, com uma hora e meia de preparação para vinte e cinco minutos de Coringa no final. Durante a maior parte do filme ele não faz você se sentir muito bem, as cores são depressivas, há ótimos ângulos de câmera, tudo colabora para você se sentir tão desconfortável como Arthur. No final as cores e a música se libertam um pouco como o próprio Arthur, ele passa a trazer cor e alegria para o mundo, talvez como imagine em sua mente.


Curiosamente eu acho que o filme podia ser mais quieto e silencioso em algumas cenas. Há momentos em que músicas tocam para invocar sentimentos de tristeza ou tensão mas que poderiam funcionar bem melhor se fossem simplesmente em silêncio com som ambiente. As cenas são bem filmadas, era possível que o próprio espectador chegasse ao sentimento sozinho pelo estímulo visual e de uma maneira muito mais prazerosa por não ter sido guiado.

Joaquin Phoenix está ótimo no papel e se não fosse por ele o filme desabaria. Ele te vende cada coisa que você precisa comprar. Ele te vende Arthur como um desajustado social com crises de riso incontroláveis. Ele te vende o Coringa como um psicopata assassino que cruzou a linha da sanidade. E mais importante, ele te vende a transformação, como se uma pessoa normal pudesse virar um personagem de histórias em quadrinhos de uma forma que a história não faz.

Ao encarar o filme como uma história com uma mensagem eu não vejo nem uma boa história e nem acho a mensagem no meio dele. O que o filme queria dizer? Os pobres devem comer os ricos? Isso é uma solução bem superficial. No entanto, ao interpretá-lo como um estudo do personagem, como uma forma de entender o Coringa, acho que ele funciona melhor. Se pensarmos em todas as cenas não como uma sequência linear que está contando uma história mas como piadas que passam pela cabeça de Arthur, subitamente o filme é bem interessante.

Em um dos trailers do filme Arthur fala que ele pensava que sua vida era uma tragédia, mas que é na verdade uma comédia. Se as tragédias que vemos acontecer com Arthur pudessem ser o próprio personagem pensando nessas cenas como piadas e dizendo para si mesmo: "não seria engraçado se isso acontecesse?", acredito que haja muita mais substância. "Não seria engraçado se os pobres se voltassem contra os ricos?" e o punchline é a realidade cruel que eles não o fazem e continuam oprimidos.


Imagine se cada coisa terrível e cruel que acontece com Arthur durante o filme fosse interpretado por sua mente como coisas engraçadas. Assim como ele vê graça na crueldade que acontece com ele, ele vê graça na crueldade que acontece com os outros. A mente de uma pessoa que pensa na crueldade como um punchline da realidade, que acha engraçado o fato da vida ser cruel com pessoas boas. Me parece que esta seria a mais perfeita explicação da mente do Coringa, completamente incapaz de nos explicar onde está a graça e em completa agonia tentando nos fazer enxergar uma piada que só ele entende.

No final eu senti uma pontinha de crítica a quadrinhos no filme, as mesmas críticas que Alan Moore e Scorsese já fizeram antes sobre a inviabilidade dos super-heróis no mundo real e sua superficialidade em conceito. É como se Arthur visse uma grande piada no fato de que idolatramos o Batman e esperamos que uma criança com um grande trauma vire um super-herói enquanto o punchline é a cruel realidade, as odiamos quando elas viram Coringas.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Review de Turma da Mônica: Laços


Laços é provavelmente a minha graphic novel preferida da coleção MSP de Mauricio de Sousa, escrita e desenhada pelos irmãos Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi. Sua história serviu de base para o filme Turma da Mônica: Laços com atores reais que surpreende como o melhor filme já feito dos personagens. Ele conta com inspirações em várias ideias de filmes dos anos 80 como Goonies, Conta Comigo e até mesmo IT, mas no fundo se sobressai por contar uma história realmente da Turma da Mônica, sobre os laços de amizade inocente que unem esses personagens.

Eu nunca gostei muito dos filmes da Turma da Mônica como "A Princesa e o Robô", "A Estrelinha Mágica" ou mesmo "Um Amor de Ratinho", pois nesses filmes a turminha sempre era transportada para um mundo fantástico e eram heróis no sentido mais "Campbelliano" da palavra, agentes de transformação. Eles vinham, viam e venciam. Transformavam o mundo para o qual foram chamados e depois retornavam ao seu mundo comum sem terem mudado.

A história em Laços no entanto é muito mais simples: Floquinho, o cachorro do Cebolinha, sumiu e eles precisam encontrá-lo. É algo que qualquer um que já teve um bichinho que fugiu pode se relacionar. É algo que nos faz torcer pelo sucesso dos protagonistas simplesmente porque nos faz querer proteger a inocência e felicidade de uma criança.


No original Floquinho desaparece por um acidente, um portão esquecido aberto, algo que eu acho mais interessante que no filme, onde ele é raptado. Há toda uma história extra que não existe na Graphic Novel e nos apresenta um vilão mais caricato, o que deixa o filme um pouco mais infantil de uma maneira que acho desnecessária.

Os atores mirins escolhidos para viverem os personagens são ótimos e realmente me surpreenderam com suas interpretações perfeitas. Há muitos filmes nacionais em que os diálogos e as interpretações parecem robóticas, pausadas, como se subestimassem a capacidade do público de entender algo mais rápido ou os próprios atores mirins não conseguissem deixar as falas naturais. Isso simplesmente não acontece em Laços e até mesmo o jeito de falar elado do Cebolinha que achei que ficaria irritante acaba se tornando natural após a exposição aos minutos iniciais.

Assim como no recente filme do Snoopy e Charlie Brown há uma certa atemporalidade na Rua do Limoeiro no filme que a faz parecer uma rua dos anos 80 ou 90. Não há smartphones à vista e todo o clima é de uma cidade de interior na infância, mesmo que em nenhum momento o filme se mostre como um filme de época. É como se simplesmente ainda houvesse um lugar puro e intocado em algum lugar do Brasil. Para completar, Mauricio de Sousa ainda faz uma pontinha nos moldes de Stan Lee.


Um dos poucos erros que acho que o filme comete é quebrar, acredito que acidentalmente, uma estrutura narrativa importante da graphic novel. Há um confronto contra crianças mais velhas, as quais nos gibis eram chamadas de "Garotos da Rua de Cima" que acontece em momentos diferentes no filme e na HQ e suas consequências se ramificam de maneiras diferentes.

No filme desde o início a turminha tem bicicletas e a jornada pela busca do Floquinho é contínua, se estendendo por dois dias. Na HQ a história se divide em dois dias distintos e eles ganham as bicicletas dos garotos mais velhos após passarem por uma provação e retornarem para casa inteiros, ganhando seu respeito.

Na graphic novel, ao final do primeiro dia a turma já havia procurado à pé o máximo que podia e as bicicletas permitiam que eles explorassem mais a frente no segundo. Esse é um passo clássico da "Jornada do Herói", descrito como "O Primeiro Limiar". Quando os personagens enfrentam seu primeiro desafio e ganham nele algo que permite que eles vão além, um upgrade por assim dizer. Na HQ as bicicletas são usadas como uma brilhante ferramenta narrativa, algo que não acontece no filme.


Porém, se por um lado o filme perdeu algumas cenas que considero importantes, por outro adicionou uma sensacional que não está presente na graphic novel. O personagem "Louco" marca presença em certo momento do filme, interpretado muito bem pelo ator Rodrigo Santoro. Essa incrível cena ajuda a colar perfeitamente alguns pedaços que antes talvez estivessem soltos ou subentendidos demais para um filme.

O vilão é um ponto que me decepcionou um pouco por ser caricato demais, apenas mais um vilão de histórias em quadrinhos que precisa ser derrotado porque é malvado. Na graphic novel este é o momento mais sombrio da história, como se as crianças ao se afastarem da Rua do Limoeiro cada vez mais deixassem seu mundo inocente e entrassem no mundo real. Um mundo onde não há vilões malvados caricatos e sim algo mais assustador: pessoas más.

Talvez diminuir o papel do vilão tenha sido necessário para deixar o filme mais palatável para crianças, o que para um filme nacional muitas vezes pode ser uma questão de sobrevivência. Porém não há como negar que deixou a história mais infantil. Foi o único momento em que senti que subestimaram o público e realmente estava vendo um filme para crianças.


Apesar de algumas reclamações, eu achei Laços fenomenal, de longe o melhor filme já feito da Turma da Mônica e quase à altura da graphic novel, a qual por sua vez já tinha um nível fantástico difícil de alcançar. Há um final que não estava na HQ e eu achei forçado, mas já estávamos nos acréscimos mesmo então vou deixar passar. Turma da Mônica: Laços é uma história incrível que faz jus ao legado dos personagens.

9/10

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Review sem spoilers de Vingadores: Ultimato


Vingadores: Ultimato é a grande conclusão não só do filme anterior Vingadores: Guerra Infinita como da jornada mais épica de fantasia que já existiu no mundo do cinema. Descascar elogios para o filme é realmente desnecessário, mas se você ainda tinha algum medo de que eles fossem errar a mão, como eu também tinha, pode ficar tranquilo, eles fizeram tudo certo.

Diferente das outras reviews de filme em que fui mais a fundo, vou falar bem pouco de Vingadores: Ultimato porque há muito pouco o que se falar do filme e muito o que se sentir nos cinemas ou revendo em casa quando sair. Também não vou dar spoilers, porque apesar de muita gente já ter visto o filme, ele fica bem melhor com suas surpresas e eu não falaria muito mais se pudesse revelá-las.

Uma das grandes jogadas do filme já começou no marketing com os trailers. Tudo que foi mostrado era aproximadamente 1/3 do filme, jogando nossas mentes em uma certa direção, enquanto havia 2/3 de surpresas realmente chocantes e uma jornada inesperada para a história. Essa primeira hora que vimos nos trailers é um pouco cansativa pois eles demoram muito mostrando como o mundo está ferrado após os eventos de Guerra Infinita e nossa... eles tomam seu tempo. Dava pra terem sido mais concisos.


Depois desses momentos que complementam o filme anterior então Ultimato finalmente torna-se seu próprio filme sobre a jornada de trazer todo mundo de volta. Tá, eles vão trazer todo mundo de volta, não dá pra dizer que isso é um spoiler porque acho que todos já sabiam que os heróis teriam que voltar de algum jeito né? Tem Pantera Negra 2 confirmado, tem Homem-Aranha: Longe de Casa e a Marvel ainda tem que devolver o menino pra Sony depois. Se quebrar tem que pagar.

Sempre soubemos que eles teriam que dar um jeito de trazer todo mundo de volta, a grande questão sempre foi o "Como?" e as consequências que isso poderia trazer para o MCU (Marvel Cinematic Universe) como um todo. Nas histórias em quadrinhos é extremamente comum heróis morrerem e ressuscitarem o tempo todo, mas se isso passasse a acontecer no cinema zeraria o risco em todos os filmes e provavelmente seria o fim da era dos filmes de super-heróis.

Ultimato acerta na dose, os heróis conseguem uma forma de obter o que precisam mas é uma jornada longa, com consequências e que leva o filme para a direção inesperada que mencionei. Não parece uma coisa barata e nem algo que poderia ser repetido, parece uma saída que poderia ser usada uma vez só e daqui pra frente seria loucura tentar usar de novo.


Mais do que tudo, este é um filme sobre os Vingadores originais: Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. Ele realmente fecha o ciclo desses personagens no MCU, com exceção do Hulk que acredito que não fechou. Outro ponto que nos quadrinhos é bem diferente é que o contrato de alguns desses atores acabou, seus personagens precisam sair do MCU de alguma forma, o que não significa necessariamente morte e é legal ver como cada um tem lá as suas saídas.

Essa diferença entre os personagens não serem eternos nas telonas como nos quadrinhos é realmente um novo desafio da Marvel. Sagas que poderiam vir a seguir como a Morte do Capitão América, Invasão Secreta ou Guerra Civil 2 perdem muito de seu impacto sem esses personagens clássicos. Mas eles conseguiram fazer o primeiro Guerra Civil funcionar com menos participantes que uma partida de futebol, então quem sabe.

O foco nos Vingadores originais significa também que a Capitã Marvel está extremamente subaproveitada no filme e aparece só pra dar um tapinha no roteiro. Ela se tornou uma personagem problemática para o MCU, forte demais para o seu próprio bem. Sempre que ela aparece a tensão cai para zero e felizmente ela quase não aparece no filme.


Não preciso me aprofundar muito em todas as coisas que Vingadores Ultimato faz certo, porque o importante é isso, faz certo. É um filme onde a suspensão de descrença funciona a todo vapor. Você não liga que algo não faça sentido perfeitamente, porque está apresentado de uma maneira que te entretém e mantém a bola rolando.

Ao imaginar que esse é um projeto de dez anos com um imenso arco narrativo, é surpreendente que o final não tenha sido estragado. É a primeira vez que vemos algo tão brilhantemente conduzido assim. Fica o desafio de como a Marvel levará seu universo adiante porque Ultimato realmente satisfaz a fome de super-heróis com o maior banquete de todos os tempos.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Reviews de filmes


Olá pessoal, adicionei duas reviews de filmes aqui no blog: Capitã Marvel e Shazam, que foram os dois últimos filmes que vi no cinema. Estava dividido sobre colocar reviews de filmes aqui já que é um blog de games, então achei melhor deixar vocês decidirem se querem que eu poste esse tipo de conteúdo ou não.

Não seria algo frequente, pois eu não costumo ir muito ao cinema, é preciso algo meio excepcional pra me tirar de casa e os únicos filmes futuros que eu tenho certeza que vou ver na tela grande são Vingadores: Ultimato e Star Wars IX, então não faria sentido tipo abrir um segundo blog só pra isso, mas às vezes eu sinto que tem muito que eu gostaria de falar sobre um filme e não tenho onde.

Também não tiraria meu foco de videogames porque são coceiras diferentes. Quando dá vontade de escrever sobre uma coisa não dá pra pegar aquela mesma energia e escrever sobre outra, o que significa que um tipo de conteúdo não subtrai do outro.

Diferente de videogames eu não sou um especialista em cinema, mas entendo o suficiente de cultura pop para dizer se um filme entretém ou não. Dificilmente faria review de algum filme mais profundo, só os blockbusters mesmo. Deem uma olhada no que foi postado e me digam o que acham.

Review sem spoilers de Capitã Marvel


Capitã Marvel é um filme que eu tinha algumas ressalvas por estar sanduichado entre Vingadores 3 e 4, mas resolvi ir assistir justamente para conhecer bem a personagem que estará no quarto filme. É um filme de origem, segue muito da fórmula da Marvel e não fala tanto sobre questões feministas quanto se esperava por ser o primeiro filme de uma heroína da empresa, diferente de Mulher Maravilha. Confiram uma pequena review sem spoilers.

Por ser um filme de origem, Capitã Marvel tem um aspecto meio datado e formulaico da Marvel. É semelhante em estrutura a filmes como Homem de Ferro, Thor, Homem-Formiga, a conhecida primeira fase que introduziu os personagens principais de Vingadores. Era um filme que deveria já ter saído bem antes, pois parece muito mais velho do que Doutor Estranho, por exemplo. Prova que a Marvel tem alguns desafios futuros pra sacudir sua fórmula e introduzir novos personagens após Ultimato.

O primeiro ato, aproximadamente a primeira hora do filme, começa um pouco devagar com a origem alienígena da personagem e entedia um pouco com essa parte completamente desconectada do mundo comum. As coisas começam a melhorar quando ela vem pra Terra e surgem algumas boas cenas de ação que empolgam. O filme também gera uma boa atmosfera de suspense com toda a ideia de que qualquer pessoa pode ser um Skrull, os vilões do filme.


Os Skrulls são apresentados de uma forma bem diferente dos quadrinhos da Marvel, mas suas principais características ainda estão lá. Eles são polimorfos, podem virar qualquer coisa, mas no filme apenas exploram sua capacidade de virar outras pessoas. Isso cria uma atmosfera de "não confie em ninguém" bem legal, mas sem reviravoltas muito grandes como "Oh meu Deus, ele era um Skrull esse tempo todo?".

No começo Capitã Marvel empolga muito, por isso é meio decepcionante quando o filme desacelera no segundo ato. Foi quase como se a Marvel estivesse com medo de o filme dar errado por ter uma protagonista mulher e fez meio que dois filmes em um pra cobrir suas bases. Além da Capitã Marvel ele é praticamente um filme de origem do Nick Fury.

Como já devem saber, o filme se passa nos anos 90 e Samuel L. Jackson que interpreta Nick Fury teve um rejuvenescimento digital pra atuar o filme inteiro com carinha de bebê, uma tecnologia impressionante. A ambientação do filme nos anos 90 no entanto entra pouco em questão. Com exceção de uma ou outra piada, a história que está sendo contada não depende em nada desse período específico na Terra.


O segundo ato do filme se segura praticamente só no alívio cômico com Nick Fury e o fofo gato Goose. O carisma de Samuel L. Jackson praticamente interpretando ele mesmo ajuda, pois a personagem da Capitã Marvel é um pouco dura. Não acho que Brie Larson a interpretou mal, mas que a personagem foi escrita para ser distante, alienígena, excessivamente poderosa e isso a torna pouco relacionável. Ela me lembra um pouco como seria um Superman da Marvel e em mais de um momento eu senti os mesmos problemas que em histórias do Homem de Aço.

Nick Fury talvez esteja leve e engraçado demais nesse filme, de forma que é difícil entender como ele vira aquele líder turrão em Os Vingadores. Não parece que deu tempo de acontecer tanta coisa ferrada assim com ele. Vale lembrar que Nick Fury se soltou nos filmes mais recentes, mas é como se estivéssemos vendo o Nick Fury atual em um filme que se passa anos antes.

Devido a esse segundo ato mais parado e engraçado o filme desacelera um pouco e com certeza poderia ser uma meia hora mais curto para não ser cansativo. As piadas ainda são boas, obviamente, mas destoa bastante do que é apresentado na primeira hora. Então vem o ato final e encerra tudo meio mais ou menos, com umas músicas bem fora do lugar.


Durante todo o filme a Capitã Marvel não tem um antagonista realmente forte, ela tem um ou outro inimigo, mas não um vilão digno de uma cena final e isso fica aparente. Acaba que cria-se uma ameaça imediata para ela enfrentar e o final do filme parece insosso. Se a primeira metade do filme fosse muito boa, a segunda meio parada e engraçada e o final empolgante, Capitã Marvel não teria problemas em se enturmar com os grandes da Marvel, mas ao escorregar também no final, cria-se um efeito ladeira.

Não que Capitã Marvel seja ruim, mas ele também não impressiona. É muito como os filmes da Marvel pareciam antes de Vingadores, quando ainda tinham que apresentar Homem de Ferro, Thor e Capitão América antes de reuni-los em algo maior. Estamos falando de um universo Marvel pós Soldado Invernal, pós Guerra Civil, pós Doutor Estranho, filmes que já sacudiram muito bem a fórmula muito antes de Capitã Marvel sair.

Talvez a Marvel não tenha arriscado muito por todas as polêmicas de ser o primeiro filme com uma protagonista mulher. Há momentos em que até mesmo a direção do trailer mostra um filme melhor do que o que foi apresentado, então talvez eles tenham se segurado bastante ao medir a reação do público aos trailers e toda a controvérsia que o precedeu.


Ainda assim, vale lembrar que Capitã Marvel ainda está melhor que outros filmes de herói que saíram na mesma época, como Aquaman. Porém, não acho que será um filme muito lembrado daqui pra frente, como o primeiro Thor que hoje quase ninguém assiste. A personagem tem potencial para um Capitã Marvel 2 e Guerra Civil 2. Assim como o Superman funciona muito melhor como parte da Liga da Justiça, a trajetória de Capitã Marvel pode acabar vindo a ser bem mais interessante que seu começo.

Atenção: os comentários podem conter spoilers

Review sem spoilers de Shazam!


Shazam! é o mais recente filme da DC com promessas de ser um redentor da empresa de quadrinhos que vem tendo uma trajetória meio difícil nas mãos da Warner Bros. com filmes sombrios e que não representam bem seus personagens. Shazam! é um incrível passo a frente nesse sentido com uma aventura divertida e um pouco diferente do tradicional. Tem seus altos e baixos mas fecha com saldo positivo e se equipara em qualidade às produções de sucesso da Marvel sem copiá-las.

Para quem não conhece o personagem, Shazam! conta de um garoto órfão chamado Billy Batson que é escolhido como o campeão de um antigo mago para receber seus poderes. Ao dizer a palavra Shazam ele se transforma no herói, o que me deixou um pouco confuso sobre como ele diz pros outros qual seu nome sem acabar se destransformando por acidente. Antigamente o personagem se chamava Capitão Marvel, mas acabou mudando de nome.

A primeira coisa que se percebe no filme é que ele é um ponto fora da curva nesse universo de filmes de heróis. Não é formulaico como os da Marvel e nem segue o estilo de outros da DC (Nolan/Snyder), ele tem uma identidade própria que seria mais próxima de um Deadpool para toda a família, bem colorido e com grande foco em piadas.


O filme é muito familiar, um pouco mais maduro em certos momentos que alguns da Marvel. Me parece que é um filme para o qual você poderia levar seus pais com tranquilidade. Enquanto eles talvez não se interessassem por um Vingadores ou mesmo pela ação em Shazam, há toda uma história sobre amadurecimento e valores familiares com a qual eles poderiam se conectar.

O filme tem uma grande vibe de Sessão da Tarde, dizendo isso de forma positiva. Enquanto assistia parecia que estava vivendo um momento histórico ao ver o filme que será o mais famoso do bloco da tarde da Globo daqui a uns 10 anos, ao lado de "Curtindo a Vida Adoidado". Ele tem todo o necessário pra isso, uma premissa curiosa, piadas, valores familiares, uma receita de sucesso bem administrada.

Não quer dizer que o filme é fantástico o tempo todo, ele tem altos e baixos, mas é aí que ele se beneficia de não ser formulaico. A fórmula da Marvel às vezes cria filmes mais insossos, mornos, sempre se mantendo em um nível de qualidade esperado, sem pontos baixos mas também sem pontos altos. Como diria Maurílio no Choque de Cultura: "se todo filme fosse genial a sétima arte seria medíocre, porque a média seria a genialidade".


Em comparação com Capitã Marvel, acredito que em seus pontos mais baixos, Shazam vai mais baixo do que o filme da Marvel, porém em seus pontos mais altos é excepcional de uma forma que Capitã Marvel não é em momento nenhum. O vilão é carismático, apesar de sobrar um pouco na história, e a resolução de todo o conflito no final surpreende, mesmo que se estenda um pouco demais.

Zachary Levi está ótimo no papel, mas não parecem ter explicado bem pra ele quantos anos o Billy tinha. Na maioria das histórias, Billy tem 10 anos, mas no filme ele tem 14. Quando transformado em Shazam, ele parece mais uma criança de 10 anos que de 14, o que é bem esquisito porque ele parece mais infantil como Shazam do que como Billy.

A trilha sonora é fantástica, algumas ótimas músicas e sempre bem inseridas no contexto do filme. Gostei muito dos efeitos especiais, dá pra ver que tem uma mistura equilibrada entre computação gráfica e efeitos práticos, o que cria uma sensação muito melhor ao assistir do que quando é tudo CG. A ação não é tão exagerada a ponto de destruir cidades e por isso parece muito mais acreditável.


Como filme em si no período que estamos, eu diria que ele é tão bom quanto Capitã Marvel, que por sua vez é tão bom quanto a média dos filmes da Marvel, mas Shazam te empolga muito mais. É muito melhor do que o recente Aquaman, não supera alguns dos projetos mais ambiciosos da Marvel como Soldado Invernal e Guerra Civil, mas atinge um público mais velho que a Marvel não pega.

Por mais que o cenário de filmes de heróis atualmente se baseie muito na comparação, qual filme é melhor que o outro, especialmente entre Marvel e DC, Shazam corre por fora como Deadpool. É claramente um filme atemporal que independente da sua recepção atual vai ser lembrado de uma forma impressionante no futuro.

Tem duas cenas pós-créditos e uma animaçãozinha iradíssima no final. A primeira cena pode esperar pra ver, a segunda é só uma piadinha, pode ver em casa se quiser porque os créditos são meio longos.