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sábado, 19 de setembro de 2026

Diretor de Final Fantasy 7 Revelation se inspirou em The Witcher 3 e Horizon

O diretor de Final Fantasty 7 Rebirth e Final Fantasty 7 Revolution, Naoki Hamaguchi, comentou em uma entrevista para a Game Spot que se inspirou bastante nos jogos The Witcher 3: The Wild Hunt e a série Horizon (Zero Dawn/Forbidden West) para a criação de FF7 Revelation.

É bem legal ver ele falando como aprendeu com as qualidades de outros jogos, já que é bem comum que diretores sejam mais afastados e digam que não jogam outros jogos, como Shigeru Miyamoto ou Yu Suzuki.


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Segundo Hamaguchi, The Witcher 3 e Horizon ajudaram a equipe a entregar "narrativa cinematográfica nativa para mídias interativas", assim como agência do jogador sobre personalização e exploração escalável de mundo. São termos um pouco genéricos soltos, mas ele explica a seguir.

Ele não queria adicionar cenas cinematográficas no mundo do jogo, então estudou como The Witcher 3 e Horizon criam momentos cinematográficos dentro da estrutura de suas mecânicas de gameplay.

"Precisamos reconhecer que há certos momentos que trazem satisfação que só podem ser alcançados ao realizá-los pelo formato de videogame. Eu acho que isso é exatamente algo que The Witcher 3 e jogos como Horizon realmente se destacam, simplesmente entregando esses momentos satisfatórios. Eles passam uma sensação cinematográfica. Isso foi algo que estávamos tentando seguir" - Naoki Hamaguchi

"Final Fantasy 6 foi um título muito impactante para mim quando eu estava jogando os jogos de quando era mais jovem. Mas, como criador, eu diria que The Witcher 3 preencheria esse papel do que inspirou a criação de jogos (...) Quando comecei a trabalhar na série Remake, eu frequentemente voltava para The Witcher 3 e simplesmente me maravilhava com as coisas em que o jogo se destaca. É um que eu revisito frequentemente" - Naoki Hamaguchi

Eu acho que Final Fantasy 7 Revelation tem o potencial para ser o melhor dos jogos da trilogia de remakes e o único que acredito que captará bem a essência do original. Esses comentários sobre passar sensações que só são possíveis pelos videogames me lembram muito comentários de Hideo Kojima, de Metal Gear Solid e Death Stranding.

A primeira parte, Final Fantasy 7 Remake, encheu muita linguiça em Midgar, como se eles não soubessem como refazer um jogo tão grande com aquele nível de cuidado. No primeiro jogo, o diretor era Tetsuya Nomura e Hamaguchi era apenas um codiretor.


Em Final Fantasy 7 Rebirth, Naoki Hamaguchi assumiu como diretor e eu acho que as coisas já melhoraram bastante, culminando neste ótimo design de Mundo aberto de Final Fantasy 7 Revelation que finalmente resgate elementos como a sensação de estar em um grande mundo como na época do PlayStation One.

Eu adoraria ver a trilogia inteira de remakes refeita nos moldes de FF7 Revelation, mas sabemos que isso não vai acontecer.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

terça-feira, 25 de junho de 2019

Por que Final Fantasy 7 vai falhar


Final Fantasy 7... o jogo mais empolgante da E3 2019... pode falhar. Não é uma previsão concreta de que vai dar errado, mas uma preocupação de que possa. Mas como? A demo apresentada pela Square Enix na E3 desse ano foi tão impressionante. Parece uma reimaginação perfeita de um dos maiores clássicos dos videogames. Por este motivo mesmo, está perfeito.

Perfeição custa caro, custa tempo de produção e a Square Enix não parece ciente do que significa isso para um jogo da dimensão de Final Fantasy 7. Quando foi anunciado que o jogo viria em capítulos é porque fazer um remake dessas proporções de FF7 significa literalmente que cada trecho do jogo original terá a complexidade de um jogo inteiro atual.

As coisas começam a ficar preocupantes quando um jornalista do site Kotaku pergunta em uma entrevista ao produtor do jogo, Yoshinori Kitase, quantos capítulos serão no jogo completo e ele responde: "Infelizmente não podemos dizer nada sobre os jogos futuros, porque nós mesmos não sabemos". Isso não soa muito bem planejado.

Isso me trouxe flashbacks da época da criação de jogos amadores e fangames, quando víamos projetos começar, mas nunca serem terminados. Um dos maiores problemas era sempre esse, a escala do projeto. Acabava se tornando uma piada recorrente porque montar um "demo" em alguns meses e receber elogios era fácil, realizar toda a obra sem receber um apoio moral constante era extremamente difícil.


Eu mesmo tenho um projeto de larga escala que nunca terminei, o jogo Pokémon Jumper. Minha ideia era relativamente simples, um jogo sobre os 84 episódios da primeira temporada de Pokémon. O problema é que eu levava meses para criar os gráficos e a jogabilidade de cada episódio e em muitos anos apenas consegui terminar 14 deles.

Em algum momento você faz as contas sobre o tempo de produção e chega a conclusões que inviabilizam o projeto: "Se eu levei 3 meses para adicionar 1 episódio e são 84 episódios no total... multiplica por três... sobe o um... corta o zero... move a vírgula... noves fora... eu levaria mais de 20 anos para terminar! D=". Contas essas que deveriam ter sido feitas bem antes, mas não foram devido à empolgação.

Agora voltemos para Final Fantasy 7 e pensemos. Levará entre dois a três anos para a Square Enix terminar apenas a parte de Midgard do jogo, a qual é de longe a mais simples e linear em todo o game. Final Fantasy 7 é um jogo de mais de 40 horas, se considerarmos que Midgard equivale a aproximadamente 5 horas de jogo ou mais, quantos anos a Square levaria para refazer todo o jogo?

Meu maior problema é a "perfeição" apresentada. Observem o gameplay da E3 2019, ele está perfeito. Essa é a questão, como poderiam fazer o resto do jogo com esse nível de perfeição? Não estou falando apenas de visual, mas de design, a complexidade da luta. Conseguem imaginar quanto tempo se leva para atingir esse nível de qualidade em um simples trecho de jogo que levará menos de uma hora para ser completado? São meses.


Tudo bem, a Square Enix é uma empresa grande. Se ela quiser dedicar, sei lá, 10 anos da agenda dela para publicar vários capítulos do remake de Final Fantasy 7, ela pode, não é mesmo? Eu comecei o Pokémon Jumper muito cedo, ainda no meu IBM 486 de 100 mhz com 8 MB de RAM e 256 cores, se contássemos desde aquela época até hoje eu poderia tê-lo terminado mesmo com a requisição de 20 anos de desenvolvimento.

Porém sabe o que também acontece em um período de tempo tão longo? As coisas mudam. O estilo de jogo que eu queria fazer com 15 anos é diferente do que eu queria fazer com 25, prioridades mudam, o jeito de fazer as coisas muda, a vida acontece. Eu ainda faço o jogo por hobby a propósito, mas como isso se aplica a Final Fantasy 7?

Uma agenda longa de desenvolvimento e lançamento significa que os capítulos poderão ser afetados pela época em que serão desenvolvidos, pelas pessoas que estarão tabalhando neles, pelo estado do mercado no momento, pela performance dos capítulos anteriores, entre outros. Se o Capítulo 2 vender abaixo do esperado o planejamento e orçamento do 3 permaneceria o mesmo? Provavelmente não.

Por alguns desses motivos eu estou preocupado que Final Fantasy 7 acabe virando outra coisa no meio do projeto. Ao invés de um remake do jogo completo, um revival de melhores momentos, uma reimaginação profunda que não tenha mais como objetivo trazer a mesma experiência jogável do original, apenas relembrar alguns de seus melhores momentos com partes jogáveis.


Algo semelhante aconteceu com Final Fantasy Versus XIII que de tantos atrasos e reviravoltas virou Final Fantasy 15. Apesar de eu ter adorado o jogo, dá pra ver que o projeto original tinha muito mais coisa originalmente planejada e que não teve tempo, ou orçamento, para ser produzido, levando a história a ser conectada através de capítulos.

A ideia de capítulos interligados de maneira mais solta funciona completamente em FF15 porque a história que eles querem contar ainda é contada e não vimos o que foi cortado. O mesmo acontece no segundo CD de Xenogears, no qual a história é contada através de narração para interligar partes de jogabilidade soltas. Agora imaginem se cortassem pedaços de FF7, se partes inteiras fossem substituídas por narração.

Meu estado de preocupação no momento é maior que meu estado de esperança, mas como sempre, espero estar errado. Seria ótimo se a Square Enix conseguisse entregar um remake fantástico de Final Fantasy 7, porque cá pra nós, é um jogo que merece como Resident Evil 2. Se não der, a gente joga logo o Cloud fora e revisita Crisis Core para fazer justiça pelo Zack.