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sábado, 20 de julho de 2019

O que significa o Nintendo Switch Lite?


A Nintendo anunciou recentemente o Nintendo Switch Lite como eu já havia previsto e agora as coisas estão começando a ficar interessantes. Eu já falo que veríamos um novo portátil da Nintendo apesar de todo o papo do Switch ser um híbrido há algum tempo. Aqui no blog acredito que falei pela primeira vez a respeito disso em abril de 2018.

"Um dos motivos que eu acho que levará ao desaceleramento do Nintendo Switch é o eventual lançamento de um novo portátil da Nintendo, assim que ela se der conta de que pelo Switch não ser um portátil, ele não faz o trabalho de um portátil, tanto para o público quanto para a empresa."
A reação dos jogadores hardcores ao Nintendo Switch Lite foi o esperado, repulsa. Por que comprar um aparelho por 200 dólares se por um pouco mais eu compro um aparelho igual mas que também pode transmitir os jogos para a TV? Porém nem todos estão dispostos a gastar tanto com videogames e nem todos pretendem utilizá-lo como um console, especialmente no Japão.

O Nintendo Switch Lite supre a demanda de uma parcela do mercado que estava comprando portáteis e não comprou o Switch, talvez porque ele é muito caro. Contrário ao que esperariam os jogadores hardcores, o Nintendo Switch Lite deverá se tornar o modelo mais vendido no futuro.

No artigo "O novo portátil da Nintendo" eu citei quatro modelos que a empresa poderia seguir. O Nintendo Switch Lite é o terceiro, mencionado no artigo como "Nintendo Switch Jr." ou "Nintendo Switch Pocket". Para complicar um pouco as coisas eu chamei a quarta opção de "Nintendo Switch Lite", que acabou sendo o nome do console, mas não do conceito que eu expliquei no artigo.


O nome Nintendo Switch Lite é um erro da Nintendo e fará com que as pessoas pensem que o Switch Lite tem todas as funções do atual mas menor, o que não é verdade. Mencionei no artigo que esse modelo novo seria um portátil mais barato, menor, sem joycons destacáveis e com um nome que não o distanciasse o suficiente do Nintendo Switch atual. Uma confusão semelhante a do Wii e do Wii U que a Nintendo parece não ter aprendido.

Como eu sempre disse, o Switch não é um portátil e o fato de que a Nintendo está lançando uma versão portátil dele, irá abrir os olhos das pessoas pra isso. Demorou mais do que eu esperava, provavelmente por toda a confusão de troca de presidentes, a morte de Satoru Iwata, como já mencionado antes. Toda a agenda da Nintendo parece estar meio atrasada e o Switch Lite deveria ter sido mostrado na E3 quando todos esperavam e não depois.

Então vamos falar das grandes questões que teremos daqui para frente. Para continuar analisando o Nintendo Switch precisamente, será necessário que tenhamos acesso aos números de vendas de ambas as versões separadamente. A Nintendo e outros sites podem não considerar ambos plataformas separadas e somar suas vendas, o que seria um grande problema para nós.

É preciso medir a desaceleração do modelo atual e o crescimento do novo modelo, sendo que provavelmente jamais teremos informações adequadas a respeito de sobreposição, pessoas que terão mais de um modelo de Switch na mesma casa.


Por que é tão importante que tenhamos as vendas separadas? Porque agora temos dois Switchs no mercado, um que é console e um que é portátil, mas ao mesmo tempo pode ser considerado uma única plataforma. A pergunta que precisaremos nos fazer no futuro é: vale a pena para a Nintendo manter uma única plataforma?

Até então a Nintendo tinha consoles e portáteis e apesar de alguns tropeços nos consoles e no 3DS, seus portáteis sempre venderam muito bem. O desafio do Switch console é só vender tão bem quanto outros consoles Nintendo, o desafio do Switch portátil no entanto é vender tão bem quanto seus outros portáteis.

Como uma plataforma única no entanto, para valer a pena para a Nintendo manter apenas um aparelho e não dois, o Switch precisaria vender mais do que a soma de vendas dos consoles e portáteis da empresa. Dependendo da geração esse número pode ser de 100 milhões na pior das hipóteses (3DS + Wii U) como pode ser de 250 milhões (Wii + DS).

Eu não consigo ver o Nintendo Switch Portátil chegando a alturas tão altas, principalmente porque acho que parte de seu mercado foi canibalizado pelo Switch padrão, por pessoas que caíram no papo do híbrido. No momento não estou com tempo de fazer uma análise mais profunda que leve em consideração todos os fatores desse cenário inédito que estamos vivendo, mas imagino que pelo menos 120 milhões ambas as plataformas vão alcançar no pior dos cenários. Acredito em uma explosão de vendas do Switch Lite, mas não posso afirmar ainda.


Agora vamos falar um pouco dos problemas que o novo Switch portátil enfrenta, os mesmos problemas do Nintendo 3DS e do PSP. Seus jogos são em maioria jogos de console reduzidos para uma tela pequena. The Legend of Zelda: Breath of the Wild é um ótimo jogo, mas não é um jogo para se jogar em uma telinha pequena, assim como Xenoblade Chronicles não era para estar no Nintendo 3DS. Inclusive no post "Por que o Nintendo Switch vai falhar" (título irônico), mencionei:

"Um portátil cuja ideia de bons jogos seja apenas o de jogos de consoles para jogar em uma tela menor, está fadado a fracassar. A experiência que as pessoas procuram em um portátil, o trabalho que ele deve realizar, é completamente diferente do que um jogo para um console de mesa realiza. Caso o Switch tente realizar dois trabalhos, provavelmente deixará a peteca cair em um deles".
Para promover o Nintendo Switch Lite a Nintendo resolveu preparar o remake de The Legend of Zelda: Link's Awakening, provavelmente um dos jogos mais emblemáticos do Game Boy e provavelmente Super Mario Maker vá ganhar um tema de Super Mario Land para entrar nessa onda. Agora é a época de vender o Switch Lite como um portátil.

Mas... como? Com toda a bagagem que ele está carregando do Switch padrão como console? Com todos os jogos de console atualmente em desenvolvimento para ele? Com todos os jogos de console já lançados para ele? A mensagem do Nintendo Switch Lite é a menos clara possível e será um desafio homérico para a Nintendo vendê-lo ao público que deveria. Se ele pelo menos ficar no mercado por mais de três anos, provavelmente o boca a boca ajudarão ele a vender.

Porém já sabe o que vai acontecer nos próximos anos né? Isso mesmo, o Nintendo Switch Pro.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Por que Final Fantasy 7 vai falhar


Final Fantasy 7... o jogo mais empolgante da E3 2019... pode falhar. Não é uma previsão concreta de que vai dar errado, mas uma preocupação de que possa. Mas como? A demo apresentada pela Square Enix na E3 desse ano foi tão impressionante. Parece uma reimaginação perfeita de um dos maiores clássicos dos videogames. Por este motivo mesmo, está perfeito.

Perfeição custa caro, custa tempo de produção e a Square Enix não parece ciente do que significa isso para um jogo da dimensão de Final Fantasy 7. Quando foi anunciado que o jogo viria em capítulos é porque fazer um remake dessas proporções de FF7 significa literalmente que cada trecho do jogo original terá a complexidade de um jogo inteiro atual.

As coisas começam a ficar preocupantes quando um jornalista do site Kotaku pergunta em uma entrevista ao produtor do jogo, Yoshinori Kitase, quantos capítulos serão no jogo completo e ele responde: "Infelizmente não podemos dizer nada sobre os jogos futuros, porque nós mesmos não sabemos". Isso não soa muito bem planejado.

Isso me trouxe flashbacks da época da criação de jogos amadores e fangames, quando víamos projetos começar, mas nunca serem terminados. Um dos maiores problemas era sempre esse, a escala do projeto. Acabava se tornando uma piada recorrente porque montar um "demo" em alguns meses e receber elogios era fácil, realizar toda a obra sem receber um apoio moral constante era extremamente difícil.


Eu mesmo tenho um projeto de larga escala que nunca terminei, o jogo Pokémon Jumper. Minha ideia era relativamente simples, um jogo sobre os 84 episódios da primeira temporada de Pokémon. O problema é que eu levava meses para criar os gráficos e a jogabilidade de cada episódio e em muitos anos apenas consegui terminar 14 deles.

Em algum momento você faz as contas sobre o tempo de produção e chega a conclusões que inviabilizam o projeto: "Se eu levei 3 meses para adicionar 1 episódio e são 84 episódios no total... multiplica por três... sobe o um... corta o zero... move a vírgula... noves fora... eu levaria mais de 20 anos para terminar! D=". Contas essas que deveriam ter sido feitas bem antes, mas não foram devido à empolgação.

Agora voltemos para Final Fantasy 7 e pensemos. Levará entre dois a três anos para a Square Enix terminar apenas a parte de Midgard do jogo, a qual é de longe a mais simples e linear em todo o game. Final Fantasy 7 é um jogo de mais de 40 horas, se considerarmos que Midgard equivale a aproximadamente 5 horas de jogo ou mais, quantos anos a Square levaria para refazer todo o jogo?

Meu maior problema é a "perfeição" apresentada. Observem o gameplay da E3 2019, ele está perfeito. Essa é a questão, como poderiam fazer o resto do jogo com esse nível de perfeição? Não estou falando apenas de visual, mas de design, a complexidade da luta. Conseguem imaginar quanto tempo se leva para atingir esse nível de qualidade em um simples trecho de jogo que levará menos de uma hora para ser completado? São meses.


Tudo bem, a Square Enix é uma empresa grande. Se ela quiser dedicar, sei lá, 10 anos da agenda dela para publicar vários capítulos do remake de Final Fantasy 7, ela pode, não é mesmo? Eu comecei o Pokémon Jumper muito cedo, ainda no meu IBM 486 de 100 mhz com 8 MB de RAM e 256 cores, se contássemos desde aquela época até hoje eu poderia tê-lo terminado mesmo com a requisição de 20 anos de desenvolvimento.

Porém sabe o que também acontece em um período de tempo tão longo? As coisas mudam. O estilo de jogo que eu queria fazer com 15 anos é diferente do que eu queria fazer com 25, prioridades mudam, o jeito de fazer as coisas muda, a vida acontece. Eu ainda faço o jogo por hobby a propósito, mas como isso se aplica a Final Fantasy 7?

Uma agenda longa de desenvolvimento e lançamento significa que os capítulos poderão ser afetados pela época em que serão desenvolvidos, pelas pessoas que estarão tabalhando neles, pelo estado do mercado no momento, pela performance dos capítulos anteriores, entre outros. Se o Capítulo 2 vender abaixo do esperado o planejamento e orçamento do 3 permaneceria o mesmo? Provavelmente não.

Por alguns desses motivos eu estou preocupado que Final Fantasy 7 acabe virando outra coisa no meio do projeto. Ao invés de um remake do jogo completo, um revival de melhores momentos, uma reimaginação profunda que não tenha mais como objetivo trazer a mesma experiência jogável do original, apenas relembrar alguns de seus melhores momentos com partes jogáveis.


Algo semelhante aconteceu com Final Fantasy Versus XIII que de tantos atrasos e reviravoltas virou Final Fantasy 15. Apesar de eu ter adorado o jogo, dá pra ver que o projeto original tinha muito mais coisa originalmente planejada e que não teve tempo, ou orçamento, para ser produzido, levando a história a ser conectada através de capítulos.

A ideia de capítulos interligados de maneira mais solta funciona completamente em FF15 porque a história que eles querem contar ainda é contada e não vimos o que foi cortado. O mesmo acontece no segundo CD de Xenogears, no qual a história é contada através de narração para interligar partes de jogabilidade soltas. Agora imaginem se cortassem pedaços de FF7, se partes inteiras fossem substituídas por narração.

Meu estado de preocupação no momento é maior que meu estado de esperança, mas como sempre, espero estar errado. Seria ótimo se a Square Enix conseguisse entregar um remake fantástico de Final Fantasy 7, porque cá pra nós, é um jogo que merece como Resident Evil 2. Se não der, a gente joga logo o Cloud fora e revisita Crisis Core para fazer justiça pelo Zack.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Super Mario Maker 2: nasce uma nova série?


Recentemente a Nintendo apresentou mais uma de suas conferências Nintendo Direct, dessa vez focada todinha em Super Mario Maker 2, o próximo jogo da série de construir fases do clássico Super Mario Bros.. Eu não sou um grande fã do primeiro jogo mas gostei bastante do que foi apresentado para o segundo, porém o motivo provavelmente surpreenderia a maioria.

Aqui está uma questão: não se pode ter uma série de um jogo só. Super Mario Bros. é uma série, de imenso sucesso inclusive. Então ao lançar Super Mario Maker a Nintendo estava lançado um jogo ligado a série Super Mario Bros., tentando capitalizar em cima de seu sucesso. Como uma forma de explorar Super Mario Bros. eu digo que Super Mario Maker falhou.

A franquia Super Mario Bros. é uma franquia de dezenas de milhões de vendas com um público extremamente diversificado. Super Mario Maker falhou em atingir esse público, vendeu 4 milhões no Wii U, menos de 3 milhões no 3DS e nem sabemos quantas dessas unidades podem ser dos mesmos consumidores comprando ambas as versões. Até New Super Mario Bros. U que é um jogo bem fraco da série vendeu mais que Super Mario Maker no Wii U.

Porém, aí que está a pegada da coisa. Super Mario Maker é comparado com a série Super Mario de onde tenta capitalizar. Super Mario Maker 2 já é o nascimento de sua própria série: "Super Mario Maker", assim como "Mario Kart" ou "Mario Party", que não mais capitalizam em cima do público de Super Mario, mas de si mesmas.


Atualmente ninguém compra Mario Kart porque Super Mario os divertia, o primeiro Mario Kart pegava a credibilidade de Mario emprestada para se vender. Agora quem compra um Mario Kart sabe exatamente o tipo de experiência que pode esperar com base nos jogos anteriores e isso passará a acontecer com Super Mario Maker.

Como uma série própria, vendas de alguns milhões ainda são ótimos resultados para a Nintendo e se algumas séries vendessem tantos milhões quanto Super Mario Maker hoje não estariam na geladeira da empresa. Vale lembrar que apesar de tudo, Super Mario Maker ainda tira água do poço da franquia Mario, mas provavelmente ela aguenta mais essa sem secar o poço.

Falando um pouco das novidades do jogo em si que eu achei ótimas: adição de um modo história e multiplayer cooperativo e competitivo. Só aqui entre nós, esses são modos que já deveriam estar presentes desde o primeiro jogo. Talvez se os fãs da Nintendo não engolissem com tanta facilidade o que a empresa oferece, poderíamos receber jogos com mais conteúdo.


O modo multiplayer parece bem divertido, com modos de corrida entre jogadores para ver quem consegue chegar ao final de uma fase aleatória e também fases de cooperação nas quais o objetivo é todo mundo se esforçar pra passar a fase junto (ou ser o único que consegue). O único defeito que vi aqui é que o modo multiplayer local exige vários Switches e várias cópias do jogo.

A criação de fases é uma questão que permanece com o nosso problema clássico: jogos com conteúdo criado por usuários são jogos sem conteúdo criado por profissionais. Super Mario Maker conserta um pouco isso com seu modo história que traz fases criadas por designers da própria Nintendo. Não parece que essas fases serão muito "Super Mario" e sim mais "Super Mario Maker", mas novamente, quem está comprando essa sequência já não vai mais estar esperando a experiência de Mario original.

Algo que talvez surpreenda a maioria das pessoas após tudo que eu falei de Super Mario Maker é que eu gostei de Super Mario Maker 2 e o acho um produto muito superior ao original. Pode se tornar facilmente uma série de sucesso da Nintendo e nem mesmo ficar atrelada apenas a Mario, com um The Legend of Zelda Maker. Não vou dizer que essa seja uma série ideal para o momento que a empresa vive, nem que fará o Switch vender mais, mas se vender alguns milhões, mal também não vai fazer.


Agora vem uma parte estranha. Eu gostei de Super Mario Maker 2, o Nintendo Switch está vendendo muito melhor que o Wii U, então as vendas de Super Mario Maker 2 deveriam ser muito boas, certo? Se eu tivesse que fazer uma previsão eu diria que sim, afinal eu vejo mais conteúdo nesse jogo e de melhor qualidade que o original.

No entanto tenho uma impressão estranha que me diz que ele pode vender menos que o original. Não seria um atestado sobre sua qualidade, mas como no fenômeno Super Mario Galaxy 1 e 2. Esperaríamos que a sequência de um dos jogos mais vendidos do Wii vendesse pelo menos tanto quanto o original em uma base instalada tão grande, mas estranhamente quase metade dos usuários do primeiro acabaram comprando o segundo na época (hoje o número é maior).

Vale ressaltar que não faço previsões por instinto, então com base apenas nos dados que temos, acho sim que Super Mario Maker 2 vai vender muito. Mas ainda estou com esse Goomba atrás da orelha me dando essa sensação estranha.

domingo, 21 de abril de 2019

PlayStation 5, Xbox One SAD e Switch na China


Essa semana teve algumas notícias interessantes, porém com bem menos repercussões do que a maioria esperaria. Ainda assim tenho um pouco a falar sobre. A Sony soltou a configuração técnica do PlayStation 4, a Microsoft anunciou um console sem leitor de discos e a Nintendo licenciou a empresa Tencent para vencer o Nintendo Switch na China. Vamos falar um pouco sobre cada uma dessas notícias.

A revelação do PlayStation 5 foi apenas uma revelação das configurações técnicas, as quais provavelmente a Sony deve dar um up depois. Seria loucura dizer para o público qual é a configuração e permitir que a Microsoft simplesmente jogasse mais dinheiro e superasse esses números com facilidade. Um dos pontos principais que deram vantagem ao PS4 foi a utilização de surpresa de memória RAM GDDR5 no console, por exemplo.

A questão é apenas de botar o nome do videogame na boca das pessoas, dar início ao "buzz". Eu não vou comentar muito sobre o PlayStation 5 até ver de fato o console, porque no momento me falta apenas ver a proposta dele para dar um parecer muito negativo. Atualmente eu acredito que a Sony tem todo o necessário para fazer do PlaySation 5 um fracasso.

Todo o sucesso do PlayStation 4 veio de uma posição de humildade que a Sony estava após apanhar de vara de marmelo com o PlayStation 3. Não só isso, a empresa estava em uma tremenda crise financeira como um todo. Já há alguns anos eu vejo a arrogância da Sony voltando aos poucos, principalmente pela saída de vários dos responsáveis pela criação do PlayStation 4.


A empresa se reestruturou com um plano fantástico, o "One Sony" que inclusive colocou o PlayStation no centro do coração da empresa em uma época que seus celulares, smartphones e laptops iam mal. A Sony percebeu que o PlayStation era uma das melhores coisas que eles faziam e que deveriam fazer direito e dar a atenção devida. Agora que estão estáveis de novo, não acredito que pensem mais assim.

Mas não dá pra dizer ainda "Por que o PlayStation 5 vai falhar" porque a marca ainda é famosa e falta ver o que ela de fato irá apresentar como proposta para o videogame. Se apenas for um console genérico, tem uma grande chance de ser engolido pelo Xbox em uma alternância de poder que o público parece estar pedindo.

É incrível como a memória das pessoas sobre a marca Xbox parece fraca, considerando escândalos muito recentes como o lançamento do Xbox One empurrando conexão 24 horas obrigatória, obrigatoriedade do kinect e bloqueio de jogos usados e emprestados. Isso para não mencionar as três luzes vermelhas da morte no início do Xbox 360 e como eles negaram por muito tempo que fosse um problema.


Sim, vamos falar de Xbox One agora, mais precisamente o Xbox One S All Digital Edition, que já vem com a piada pronta de formar a sigla Xbox One SAD =(. É um modelo de Xbox One S sem disco, que funciona todo digital, uma ideia razoável para cortar custos no final de geração e pegar mais público, porém tem um problema muito sério, ele não é tão mais barato assim.

O novo modelo custa US$ 250 comparado a um modelo com disco por US$ 300 (que muitas vezes sai em promoção) então só de pensar que você poderia economizar mais talvez comprando jogos usados físicos, não vale tanto a pena. É mais como um modelo capado sem um real ganho. O preço ideal para captar um novo público teria sido US$ 200 e a Microsoft simplesmente não conseguiu chegar nele.

Uma questão curiosa é que se ele não tem leitor de disco você provavelmente também não pode utilizar a retrocompatibilidade dos seus jogos do Xbox 360. Apesar de o Xbox One baixar versões digitais compatíveis dos jogos do Xbox 360, ele usa o disco para validar sua "compra". Sem isso você teria que recomprá-los para ter acesso. Não são jogos caros, porém é mais um gasto embutido se os quiser.

Eu vou ter que culpar essa na incompetência da Microsoft. Desde os primeiros anos do Xbox One ela já devia ter percebido que não estava nas graças do público e precisava baratear muito o console. Durante essa geração inteira ela perdeu a oportunidade de lançar um Xbox de baixo custo para pegar mais público. Ok, o Xbox One era um projeto totalmente diferente no início e isso engessou ele por muito tempo, mas depois de cinco anos eles ainda não conseguem fazer uma versão de US$ 200 dele? Não dá pra entender.


Enquanto isso a Nintendo prepara-se para mergulhar em um possível pote de ouro com a entrada da empresa na China em parceria com a Tencent. A China é um mercado muito volátil mas com muito potencial que todas as empresas querem e as ações da Nintendo já subiram bastante com a possibilidade. Há uma série de discussões éticas também que nem todas as empresas deveriam se submeter, como no caso do Google que lançaria um mecanismo de pesquisas censurado. É um bom ambiente para lucrar, mas um pouco anti-ético às vezes.

A Tencent é uma empresa que tem se mostrado extremamente habilidosa e sagaz para fazer a ponte entre públicos, jogos e agora consoles. Eles prometem se tornar uma potência nos próximos anos só lucrando em cima de sucessos criados por outros. Não dizendo isso para desmerecê-la, ela faz um trabalho de adaptação digno de Tec Toy, PUBG Mobile é um exemplo com uma versão mobile que é melhor que o jogo para PC.

Entrar na China não é automaticamente uma garantia de sucesso. Como dito, é um mercado volátil, no qual a menor das coisas pode afetar muito os seus negócios, a política do governo em si pode ser alterada a qualquer momento e o público não está tão acostumado a pagar por jogos. Não estou dizendo que a entrada da Nintendo na China não vai dar certo, mas que pode não ser o passeio que todos esperam.

A Nintendo já tentou entrar na China anteriormente com umas empreitadas de segunda classe, como o console exclusivo iQue Player que basicamente rodava jogos de Nintendo 64 e foi descontinuado com apenas 14 títulos lançados, entre eles Super Mario 64, Mario Kart 64, Paper Mario, Super Smash Bros., The Legend of Zelda: Ocarina ofTime e Animal Crossing (que nos Estados Unidos apenas foi lançado no GameCube, mas no Japão existiu no Nintendo 64 como Doubutsu no Mori).

Recentemente a China demonstrou várias preocupações sobre os jogos como uma forma de vício e vale lembrar que todos os jogos lá são avaliados pelo governo antes de serem aprovados, um dos poucos pontos do regime do país que ainda lembram o comunismo. Assim como aqui no Brasil, é um governo que do dia para a noite pode decidir proibir certos jogos ou até mesmo parar o processo de aprovação por meses como aconteceu recentemente, o que gera um fator especulativo forte.

Ainda assim todo mundo quer entrar na China porque é um mercado enorme que vem descobrindo as vantagens do consumo nos últimos anos e isso cria explosões de interesse por certos produtos. Há desvantagens em corridas do ouro, mas as vantagens costumam ser maiores.

Essa semana de notícias é muito semelhante aos recentes eventos que tivemos sobre Stadia, jogos da Microsoft no Switch e Apple Arcade. Há muitas tendências e incertezas para o futuro, mas cada vez vemos mais empresas querendo entrar no mercado. O que realmente não tenho visto é um respeito aos jogadores como parte essencial da equação e não apenas como consumidores compulsivos.

sábado, 13 de abril de 2019

Stadia, Apple Arcade, Game Pass e Cuphead: O novo mercado da atenção


Recentemente o mundo dos jogos deu uma sacudida violenta com a entrada de novos competidores e quebras de paradigmas. O Google está entrando no mercado com Stadia, a Apple com seu Apple Arcade, a Epic com a Epic Store, a Microsoft transformando seus jogos em serviços como o Game Pass, além do fato que eles saem também no PC e até no Switch, tudo está meio estranho. E o curioso é que tudo tem o mesmo motivo.

Se você reparar o mesmo está acontecendo no mercado de Streaming, que antes era dominado unicamente pela Netflix e agora lidará com competição ferrenha de Disney+, além da existência de serviços menores como Amazon Prime, mas vale lembrar que a Amazon também é uma grande jogadora nesse mercado. Estou falando sobre streaming apenas para exemplificar? Não, eles também são parte da questão.

Lembra-se quando a maioria das empresas viam os consumidores como carteiras ambulantes? Sempre foi essa a visão de empresas mais inescrupulosas como EA e Activision, por isso o desafio delas sempre foi sobre como tirar mais dinheiro de cada consumidor com dlcs, edições especiais, lootboxes. Ironicamente, um dia ainda sentiremos saudade dessa visão.


Porque EA e Activision são como adolescentes em um parquinho, parecem grandes perto das outras crianças, mas são pequenas comparadas ao mundo dos adultos. Veja que o desafio dessas empresas é encontrar novas formas de tirar seu dinheiro, fazer você gastar com um produto, mas o que aconteceria se empresas já soubessem como tirar seu dinheiro e agora só precisassem retirá-lo continuamente. Este é o novo paradigma do consumidor no capitalismo moderno. Ele virou o produto.

Empresas gigantes como Microsoft, Disney, Apple, Google, Amazon e algumas menores em comparação a essa escala como Epic, Warner e Netflix estão lutando para ter você no curral delas. Seu dinheiro não é mais o que elas querem... bom, é... mas já é tão garantido que elas conseguirão tirá-lo de você que não é mais uma questão de como elas tirarão e sim de quanto. Você agora está sendo ordenhado e a única limitação é quanto tempo está conectado à máquina e o ideal seria um quarto coberto de telas como no episódio "Quinze milhões de méritos" de Black Mirror.

Isso significa que a moeda não é mais o dinheiro e sim sua atenção, o "Watch Time". Quanto mais atenção você dá, mais dinheiro você gera para essas empresas, seja direta ou indiretamente, como anunciantes que pagam para elas exibirem propaganda pra você ou compram seus dados. Por que a Microsoft está lançado seus produtos em mais plataformas do que antes? Até mesmo em plataformas que seriam rivais? Porque ela é uma empresa gigante e para ela agora importa mais o tempo que você olha para algo dela, do que os produtos que você compra dela. "We're in the Endgame now".


A questão é que para manter seu tempo no site, seu "Watch Time" otimizado, as empresas utilizam algoritmos que tentam prever o que você gostaria de assistir para que então fique mais tempo lá assistindo. Veja que nesse momento estamos falando de plataformas como YouTube ou Facebook, mas como seria o futuro dos games no qual um algoritmo te convence qual jogo experimentar a seguir e isso com base em quanto esse jogo te prenderia no sistema deles e não por suas qualidades.

Para não mencionar que algoritmos podem ser manipulados e já é o que estamos vendo hoje em dia, mesmo além do Facebook e YouTube. Atualmente alguns dos jogos mais baixados que vemos no Google Play e App Store são da empresa Voodoo. Eles não são jogos bons, muitas vezes copiam outros jogos melhores, para não mencionar que quase todos os seus jogos simulam multiplayer com outras pessoas quando na verdade são apenas bots. Mas eles são ótimos em manipular os algoritmos que os colocam no topo. Tão bons que atraíram investimentos do grupo financeiro Goldman Sachs, o que é no mínimo um pouco suspeito.

Mas ok, eu falei bastante de Microsoft, que é uma empresa gigante e fabricante de consoles, mas o que tudo isso significa para empresas menores como Sony e Nintendo? Elas não têm a mesma capacidade das outras empresas citadas, a Sony mal se recuperou de uma crise na empresa que quase a faliu e a Nintendo é uma empresa unicamente de videogames.


A primeira coisa que você deve notar é que nenhum plano dessas empresas inclui a Sony em nada. Se a Microsoft não vê mais a Nintendo como rival porque agora está competindo por atenção, por que ela ainda veria a Sony como tal? Porque a Sony é atualmente a líder do mercado de consoles e isso a torna um inimigo a ser derrubado.

Quando a Microsoft tentou barrar jogos usados bastou um vídeo da Sony dizendo que o PlayStation 4 não teria essa limitação para destruir completamente a geração para a Microsoft. Imagine se a Sony resolvesse apontar as falhas de conceito do Stadia, da ideia de pagar por uso de jogo e não pela posse de jogo como no Game Pass. Com as estratégias certas ela poderia matar algumas dessas empreitadas, virar a opinião do público, se tornar uma pedra no sapato. Por esse ponto de vista ela tem que ser eliminada.

E a Nintendo simplesmente corre por fora, ela não faz parte desse mundo das megacorporações e sempre existe o risco de ser engolida se não for forte o suficiente. Um CEO como Satoru Iwata jamais deixaria isso acontecer, mas eu não tenho tanta fé no CEO atual. Ainda assim sempre existe aquela mágica única da Nintendo capaz de protegê-la e de até fazê-la despontar no meio de megacorporações.


Agora falando sobre algo até um pouco ridículo que talvez devesse ser o foco disso tudo. Esse modelo de caça ao Watch Time sequer é sustentável? Muito provavelmente não, pode ser uma bolha como as da Netflix ou Uber. Seria um alívio para o futuro já que veríamos várias dessas empresas quebrarem a cara enquanto alguma novata desconhecida causaria uma disrupção e ditaria os novos rumos do mercado.

Mesmo nesse mundo tão controlado por empresas gigantes ainda existe a possibilidade de uma disrupção vir de uma empresa pequena, como veio da Netflix há pouco tempo. O que vemos atualmente é o período de benchmarking, no qual todas as empresas estão correndo atrás das líderes com medo de ficarem para trás. Nessa febre do ouro em nenhum momento se questiona se as líderes de fato estão na frente ou se o seu modelo de negócios é bom.

Como presumo que saibam, a Netflix amarga prejuízos gigantescos atualmente, na casa de dezenas de bilhões, enquanto recebe centenas de milhões de lucro. A ideia é que ela crescerá exponencialmente e seus lucros um dia superarão seus prejuízos, porém trata-se de uma bolha especulativa, pode estourar antes do esperado... e ainda assim a Disney segue logo atrás dela.


A questão é que durante um tempo muitos terão Netflix, durante um tempo muitos terão Disney+ e durante um tempo muitos terão Game Pass e durante esse tempo ideias como um PlayStation ou um Nintendo podem começar a parecer ultrapassadas e talvez deixem de existir a longo prazo mesmo que no fundo sejam opções melhores. As pessoas simplesmente vão se acostumando com novos modelos de consumo independente de serem sustentáveis ou não.

A tecnologia algorítmica de big data e a inteligência artificial têm alterado profundamente a forma como nos relacionamos com a tecnologia, até caindo no cliché clássico do homem como escravo da máquina. Megacorporações não parecem se incomodar de usar isso para lucrar e o limite disso será um dos grandes desafios que enfrentaremos nos próximos dez anos. Quando menos notarmos, a forma como jogamos videogame pode mudar para sempre.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Mais Indies? ID@Xbox Game Pass


Lembram que a Microsoft também anunciou um vídeo de anúncios depois da Nintendo Nindies e do State of Play da Sony? O vídeo dela é chamado ID@Xbox Game Pass e foca-se mais em games independentes, especificamente alguns que vao entrar no Game Pass desde seu lançamento.

Temos apresentadores semelhantes ao Nintendo Nindies, porém com mais espaço para os desenvolvedores. No início eu achei legal colocar os desenvolvedores para falarem de seus jogos, mas eles enrolam um bocado e apesar de ser um vídeo curto de 13 minutos fez eu me sentir vendo algo de meia hora.

Normalmente eu não linko o vídeo inteiro, só os vídeos dos jogos individuais, mas a Microsoft nem mesmo postou os vídeos de todos os jogos no seu canal do YouTube, então melhor que vejam por aqui alguns deles. Alguns canais fizeram cortes da apresentação, mas esse tipo de vídeo é mais temperamental e pode sair do ar com o tempo.


Killer Queen Black

Um jogo multiplayer com gráficos 2D oito bits que parece uma partida de Towerfall com 4 pessoas. Eu não acho que gráficos 2D tão pequenos funcionem bem para jogos multiplayer onde você tem que estar tão ciente de tudo. Dois times com quatro jogadores se enfrentam com diferente classes de abelhas humanoides e há diferentes formas de vencer, seja por confronto direto, por coleta de itens ou... lesma? Não entendi essa. Sai para Xbox One, Switch e PC no terceiro trimestre de 2019.


Outer Wilds

Este é um jogo um pouco estranho de exploração espacial que tem algo que eu particularmente gosto: looping de tempo. Há algum grande mistério sobre por que esse universo está em looping (não é sempre um buraco negro?) e você precisa explorar sempre com essa limitação de que tudo voltará atrás e só o seu conhecimento permanece. Infelizmente parece focado demais na narrativa e um pouco chato de jogar. Será lançado para Xbox One e PC, ainda sem data.


Cinco jogos, quatro caixas

Na sequência houve um vídeo com um pouco sobre cinco jogos: Void Bastards, Operencia, Supermarket Shriek, The Good Life e After Party. Também foram sorteados quatro Xbox personalizados desses jogos, exceto por The Good Life, para quem tweetasse sobre o evento. Note que nem Nintendo nem Sony costumam fazer sorteios para se promover nesses casos, uma das vantagens do cheat de dinheiro infinito da Microsoft.


Void Bastards

O primeiro deles foi Void Bastards, um jogo que eu gostei bastante. O visual em cel-shading com cores vibrantes é muito agradável e o combate parece simples de começar e cheio de elementos para se aprofundar. Em alguns momentos o jogo pareceu excessivamente complicado em seu balanço entre ação e estratégia mas ainda parece muito bom. Sai ainda esse ano para Xbox One e PC.


Operencia: The Stolen Sun

Eu até queria olhar para Operencia com bons olhos, pois é da Zen Studios e eu gosto bastante da companhia, porém não tá com cara de que vai ser algo muito fora do comum. Basicamente é um dungeon crawler com movimentação predeterminada por blocos, no estilo de séries como Etrian Odyssey. É um pouco básico demais e para piorar o jogo só sai em 2020 no Xbox One e PC.


Supermarket Shriek

Uma divertida corrida em um carrinho de supermercado pilotado por um garoto e um bode que controlam o movimento do carro de acordo com o quanto se inclinam individualmente. Visualmente o jogo é agradável e o conceito parece divertido, porém também não é nada muito profundo e não imagino durando mais do que um dia ou como um party game leve. Ele sai no verão norte-americano, nosso inverno, para Xbox One, PlayStation 4 e Switch.


The Good Life

Este é um jogo de aventura bem charmoso que estou esperando mesmo que não seja tão bom. Houve um bocado de polêmicas ao redor do seu desenvolvimento com kickstarters, criadores nervosos, entre outros. O jogo segue a história de Naomi, uma jornalista falida de Nova York que se muda para a cidade britânica do interior chamada Rainy Woods. Aos poucos o jogador trabalha documentando as notícias da cidade e desvenda seus mistérios, como o fato de que durante a noite todos viram cães e gatos. O jogo sai no final do ano para Xbox One, PlayStation 4 e PC.


Afterparty

Aqui temos o jogo mais bizarro da apresentação, então terei um pouco de dificuldade de descrevê-lo. Afterparty é um jogo de aventura sobre Milo e Lola, dois amigos de faculdade que subitamente morrem e vão parar no inferno. Para voltar à Terra eles precisam desafiar e vencer Satã em um duelo de quem bebe mais.


Não entendi bem como o jogo anda, mas presumo que o jogador vá construindo resistência ao álcool em vários bares antes de enfrentar Satã. O jogo parece focado demais na história, com a maior parte do conteúdo focada em acessar diálogos e ponderar sobre qual o significado da amizade... *suspiro* eu achei bem chato. Ele sai em 2019 para Xbox One e PC.

Blazing Chrome

O mais novo jogo brasileiro da Joymasher, estúdio criador de títulos como Oniken e Odallus. Enquanto estes dois últimos não faziam muito o meu gosto, Blazing Chrome parece incrível e muito promissor. A jogabilidade segue a vibe do clássico Contra: Hard Corps de Mega Drive, um jogo repleto de ação com reviravoltas constantes na forma de jogar.


Conclusão

O evento da Microsoft mostrou alguns jogos bons, mas foi bem mais aleatório que uma direct. Alguns deles são multiplataforma, outros nem data de lançamento tem e a Microsoft estava mais focada no lance de "Quando lançar, vai estar no Game Pass". Acho que anúncios mensais com o que entra no serviço naquele mês são mais práticos do que anunciar com mais de um ano de antecedência que um Indie vai entrar no serviço quando sair.

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terça-feira, 26 de março de 2019

State of Play: uma cópia infeliz da Nintendo


Hoje a Sony realizou uma conferência em vídeo chamada State of Play para mostrar algumas de suas novidades e rapaz, deixe-me te contar como foi fraca. Assim que eles anunciaram a conferência os fãs da Nintendo ficaram um pouco agitados demais dizendo que seria uma cópia da Nintendo Direct, como se a Nintendo tivesse inventado a ideia de fazer vídeos para dar notícias.

Eu imaginei que seria algo mais focado em jogos Indies, como a própria Microsoft anunciou um evento semelhante recentemente. Então qual não foi minha surpresa quando o vídeo começou e realmente era uma cópia descarada da Nintendo Direct, porém com uma seleção bem ruim de anúncios. Foram quase 20 minutos de pura chatice. Eu não esperava nada e ainda assim saí desapontado.

Por algum motivo a Sony decidiu focar 90% do tempo do vídeo em títulos para realidade virtual. Alguns deles são bons e têm bastante apelo, como é o caso de Iron Man VR, porém o público que estava assistindo não era apenas de consumidores de VR ou de pessoas esperando para serem convertidas. Se ela não pretendia anunciar uma versão barata e acessível do PSVR nos moldes do Nintendo Labo: VR Kit, não tinha razão para fazer uma conferência inteira voltada para isso.

Após o vídeo a Sony chegou a soltar um dado que o PSVR já vendeu 4,2 milhões de unidades no total, o que é bastante para um visor de realidade virtual. No momento a Sony é dona da maior empreitada de realidade virtual de sucesso no mercado, mas a vasta maioria de seu público não quer saber disso. Vamos falar um pouco dos anúncios.

Iron Man VR

Assim que a conferência começou com algo sobre o Homem de Ferro muita gente se empolgou pensando que era o projeto d'Os Vingadores da Square Enix que após o anúncio oficial desapareceu. Porém quando foi revelado que seria apenas uma experiência em realidade virtual os ânimos se esfriaram. Parece uma experiência razoável, acredito que tenha um bom apelo comercial, mas fica por aí. Nesse momento o público ainda não estava muito revoltado. O lançamento de Iron Man VR está marcado ainda pra esse ano.


Crash Team Racing Nitro-Fueled

O remake de Crash Team Racing anunciou que Crash, Coco e o Dr. Neo Cortex receberiam skins que deixariam seus visuais semelhantes aos dos modelos clássicos do PlayStation One. São modelos charmosos, mas uma adição meio pequena para o vídeo. Não é como quando revelaram os modelos clássicos de Leon e Claire para o remake de Resident Evil 2 no auge da popularidade do jogo. Segundo a Sony esses modelos serão exclusivos do PS4, mas pode ser exclusividade temporária. Também mostraram um pouquinho do modo multiplayer. O jogo sai em 21 de junho para PS4, Xbox One e Switch.


No Man's Sky

É, de novo No Man's Sky em uma peça promocional da Sony, quem diria. A atualização No Man's Sky Beyond irá adicionar suporte ao PSVR. Anos atás se No Man's Sky tivesse sido o jogo que a maioria do público esperava, o anúncio de suporte ao PSVR seria um grande incentivo para comprar o acessório. Hoje em dia é quase uma piada pronta. Apesar disso ainda é legal ter um jogo de exploração espacial em VR. A atualização deve sair por volta de junho ou depois, no verão norte-americano e vai estar disponível para PC também.


Ready Set Heroes

Este não é para PSVR. Ready Set Heroes é um jogo estilo dungeon crawler bem genérico com personagens fofinhos e jogabilidade medíocre, o qual fica pior por um conceito que não condiz com sua apresentação. Trata-se de uma competição, dois times avançarão pelo mesmo dungeon ao mesmo tempo, competindo sobre quem pega o melhor loot e depois se enfrentam no final para ficar com esse loot. Basicamente, um jogo que poderia ser simples o bastante para jogar com amigos viraria uma competição onde ninguém se divertiria devido à pressão ou derrota. Sai ainda esse ano, por enquanto acho que confirmado só no PS4.


Blood & Truth

Para o PlayStation VR, Blood & Truth é na verdade um jogo de ação bem promissor para realidade virtual. A maioria dos jogos não coloca muita ação para não sobrecarregar o jogador, mas esse parece um bom simulador de filme de ação nos moldes de algo estrelado por Tom Cruise como Missão Impossível ou Jack Reacher. Só me faz pensar como faz falta um PSVR de baixo custo. Sai em 28 de maio no PS4.


Jogos Diversos

O evento então tirou um instante para uma sequência de jogos em VR menores: Mini-Mech Mayhem (18/6), Jupiter & Mars (22/4), Falcon Age (9/4), Trover Saves the Universe (31/5), Everybody's Golf VR (21/5), Table of Tales (16/4) e Vacation Simulator (18/6). Alguns até parecem legais, mas limitados por um único conceito como a maioria dos jogos de VR. Ao menos Vacation Simulator deve ser divertidíssimo como os outros da série.


Observation

Não para o PSVR. Aparentemente é um Indie da Devolver Digital desenvolvido pela NoCode que será lançado em 21 de maio para PS4 e PC, mas os gráficos estão um pouco bons demais para um indie então talvez tenha um dedo da Sony? Não sei dizer. O jogo se passa em uma estação espacial e uma curiosidade é que você não controla nenhum personagem mas sim uma A.I. que ajuda uma cientista a descobrir o que está acontecendo. Infelizmente esse tipo de jogo costuma se focar em contar uma história bem linear ao invés de oferecer uma boa experiência de jogo.


Five Night at Freddy's VR: Help Wanted

Ok, já tem um tempo que a febre de Five Nights at Freddy's passou, mas um jogo de realidade virtual no universo da série ainda é algo que funciona muito bem. Os novos gráficos em 3D fazem muito bem para o jogo e sustos em VR simplesmente é algo que funciona excepcionalmente bem. Sai no verão norte-americano para o PS4, deve sair no PC também.


Concrete Genie

Me parece o típico Indie que será aclamado pelas análises devido ao seu estilo artístico no qual você pinta criaturas nas paredes e elas ganham vida em um mundo mágico e maravilhoso anti-bullying. Pra mim só parece um jogo bem genérico, com visual que me lembra um "Infamous: Second Son" Kids sem maiores atrativos. Sai no final de 2019 para PS4.


Days Gone

Finalmente a Sony resolveu mostrar um jogo mais parrudo, mas... bem, é Days Gone né. Esse é um jogo que vai bombar, as pessoas já estão prontas para odiá-lo, público e crítica, mas eu pelo menos gosto do conceito da jogabilidade dele e estou ansioso mesmo sabendo disso. Talvez você se pergunte, por que tantos trailers desse jogo? Por que ainda não foi lançado? Realmente já foram muitos, mas isso é uma das coisas positivas que eu posso falar a respeito.


A Sony testou o jogo com focus groups/grupos focais e eles não curtiram o protagonista Deacon, acho que ninguém curtiu. Ele tentava demais ser durão e ficava antipático. Desde então eles estão retrabalhando o personagem para torná-lo mais relacionável... o que também não vai fazer uma grande diferença, mas ajuda um pouco o jogo que o seu protagonista não seja detestável, até para que você possa ignorá-lo.

A tarefa de salvar Days Gone do escrachamento que ele sofrerá é difícil, mas acho que se a Sony tivesse um pouco mais de vontade teria colocado um modo multiplayer nele. A Saber Interactive ofereceu toda a estrutura, mas a empresa recusou e acabou virando o jogo oficial de world War Z... o qual também tem cara que vai afundar. Days Gone sai em 26 de abril, esse é exclusivo do PS4.

Mortal Kombat 11

Eu não estou particularmente empolgado por Mortal Kombat 11 depois de Mortal Kombat X porque foi bem fraco, mas uma coisa eu admiro na NetherRealm. A história de MKX foi bem ruim, eles poderiam ter parado e ido em outra direção, ao invés disso eles estão buscando uma história mais próxima do que fez MK9 um sucesso, algo que envolva as raízes de Mortal Kombat, com a ideia de diferentes versões dos personagens através dos tempos. Eu posso não ligar para uma versão de um personagem atual, mas gostaria de ver o que o original tem a dizer sobre ela.



Mortal Kombat 11 sai em 23 de abril para PlayStation 4, Xbox One e PC. O Switch receberá uma versão feita por um estúdio terceirizado e não pela NetherRealm. Não sei se é um estúdio bom, mas até mesmo o PS Vita teve uma boa conversão de Mortal Kombat 9, então espero que façam um trabalho decente no Switch.

Falando rapidamente sobre uma notícia bem legal não relacionada com o State of Play, a NetherRealm recentemente anunciou Shang Tsung para o jogo com um modelo baseado no ator japonês Cary-Hiroyuki Tagawa que interpretou o personagem no primeiro filme de Mortal Kombat. O único problema é que o anunciaram como DLC e... bem, o jogo ainda nem saiu.

Conclusão

Foi um vídeo bem sem graça e a Sony parece ter tido uma ideia errada de que as pessoas assistindo seriam o novo público que ela iria converter para o PSVR. Os desafios da realidade virtual são complexos e exigem uma abordagem diferente. Se ela tivesse anunciado agora um kit PSVR Lite de baixo custo, acho que muitas pessoas teriam saído para comprar empolgados com os jogos apresentados. Se eu já não fosse tão ocupado talvez até comprasse um parcelado.

O que não era de PSVR não teve impacto e não fez valer o tempo que usuários não interessados em VR tiveram que esperar para ver. No geral, um desastre para uma primeira apresentação, era melhor ter focado no básico e mostrado alguns indies promissores.

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segunda-feira, 25 de março de 2019

Aproveite sua Stadia


Essa semana foi realmente recheada de novidades, talvez a maior tenha sido a entrada do Google no mercado de games, ou a expansão pra ser mais exato, com o anúncio de seu novo serviço de streaming "Stadia". Para quem não sabe, streaming significa que seu jogo não roda no seu PC, ele roda nos super PCs do Google e você apenas recebe uma transmissão ao vivo de tudo. Dá pra ver que não é uma coisa muito legal logo de cara.

O problema com streaming de jogos é muito semelhante ao problema que o Kinect e a PS Camera enfrentaram ao tentar bater de frente com o Wii Remote. Uma câmera, por melhor que seja, apenas pode reagir depois que algo acontece. Com o avanço da tecnologia supõe-se que podemos chegar a um atraso tão mínimo de milissegundos que possa se tornar quase imediato e eliminar a estranheza, porém até agora não temos isso.


A tecnologia de streaming local do PS4 para o PS Vita funciona perfeitamente, porque são duas plataformas próximas se comunicando entre si, sem problemas. Tente fazer isso pela internet e nada funciona direito. A tecnologia que a Sony comprou do Gaikai para a PlayStation Now é bastante limitada e constantemente considerada inferior à retrocompatibilidade do Xbox One que simplesmente permite que você baixe os jogos antigos fisicamente e os jogue.

Para alguns jogos streaming não é um problema, jogos que não requeiram reflexos rápidos. Porém pegue um jogo até mesmo simples como Rocket League e um atraso de milésimos de segundo é a diferença entre você acertar uma bola e você acertar uma bola... mas ela logo depois atravessar você como se você nunca tivesse estado na frente dela. Considere alguns dos jogos mais populares hoje em dia como Fortnite, Apex Legends, Call of Duty, todos sofreriam imensamente.

Alguma vez já jogou um jogo antigo e pensou "nossa, eu costumava ser muito melhor nisso"? Descartamos apenas como falta de prática, mas na verdade muitos jogos antigos hoje sofrem delays causados pela emulação e hardware diferente do original. Talvez você não esteja errado, os jogos realmente respondam mais devagar. Por exemplo, um NES Classic ou SNES Classic tem um tempo de resposta muito melhor que uma máquina de emulação caseira montada com base em um Raspberry.


Vamos ser sinceros, se qualquer outra empresa dissesse que vai lançar jogos por stream, ninguém ligaria muito. A Microsoft mesmo anunciou seu xCloud e não houve muito interesse. estamos prestando atenção porque é o Google. Normalmente o Google não brinca com tecnologias e tem poder suficiente para dar o máximo de suporte para o que interessa à empresa.

Por ora o serviço apenas vai ser lançado em alguns países mais ricos e de conexões melhores, o que já significa uma taxa de exclusão para a maior parte do mundo. Porém se funcionasse neles já seria um ponto de partida. O Google pode ter mais servidores, mais potentes e mais próximos do que a maioria das empresas poderia pagar. Se a internet de algum país fosse uma barreira, ele consegue até mesmo melhorar a conexão daquele país se tiver vontade.

Porém digamos que se tratasse apenas de uma questão de força bruta. Que o Google vai botar sua força ao máximo para fazer isso funcionar... faz sucesso onde funciona no mínimo de uma forma decente? No Japão as conexões são bem potentes e acessíveis com grande velocidade na maior parte do país e eles já tiveram experiências com jogos por Stream.


Lá foram lançadas versões de Dragon Quest X para o Nintendo 3DS por Stream, e mais recentemente o Nintendo Switch recebeu versões de Phantasy Star Online 2, Resident Evil 7 e Assassin's Creed Odyssey. Nenhum desses jogos fez sucesso, mesmo Dragon Quest X que é uma série de grande porte no Japão.

Por ora não há nada que sugira que o Stadia será algo excepcional, porém sempre há aquela ponta de mistério quando se fala de uma empresa tão grande quanto o Google. Eles têm portas diretas para 80% dos dispositivos móveis do mundo, como smartphones, e não têm medo de usá-las. não acredito que a tecnologia já tenha atingido um ponto em que possa ser considerada "boa o bastante" para o usuário final, então acredito que o Stadia fracassará a menos que algo mude ou o Google force extremamente a barra.

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domingo, 24 de março de 2019

Nindies Showcase Spring 2019 - O Bom, o Mau e o... Rítmico?

arte de Brian Bear

Nesta última semana a Nintendo apresentou uma de suas "Nindie Showcases", um vídeo de destaque para vários jogos independentes que serão lançados em breve. Houve duas enormes surpresas no início e no final da conferência respectivamente.

A primeira foi a revelação de que Cuphead, outrora exclusivo do Xbox One, seria lançado para o Nintendo Switch. A segunda foi a revelação de Cadence of Hyrule, um jogo rítmico que mistura Crypt of the NecroDancer com The Legend of Zelda. vamos falar um pouco de tudo que foi apresentado.

Cuphead

De longe a maior surpresa da conferência, uma quebra de paradigma no que diz respeito a consoles e seus exclusivos. Cuphead era um exclusivo do Xbox One, do tipo que a Microsoft investiu seu próprio dinheiro nele para garantir que fosse a única capaz de explorá-lo. Ainda assim ela resolveu agora lançá-lo no Nintendo Switch, fruto dessa relação estranha que ela e a Nintendo vêm tendo.


Isso é diferente de Minecraft que já estava disponível em várias plataformas quando a Microsoft comprou a série e nem sabemos se entre as cláusulas do contrato estavam algumas exigências sobre manter o jogo funcionando nas plataformas em que já estava. Isso é realmente uma empresa lançando um de seus exclusivos em outra plataforma. Halo no PlayStation 4! Mario no Xbox! God of War no Switch! Histeria em massa! Cães e gatos vivendo juntos!

Ok, tirando o choque da quebra de exclusividade, que não me entendam errado, é algo enorme, o quanto Cuphead funciona no Switch? Acho que não muito. Cuphead é um jogo que tem uma aparência bonitinha, mas que é também muito difícil, causando uma certa dissonância entre o que as pessoas que o compram esperam e o que recebem.

O problema é que a dificuldade do jogo não será mexida e se tem uma coisa que Cuphead precisava era de um rebalanceamento no desafio. Como o jogo é apenas de lutas contra chefes, se você bater em uma barreira de dificuldade simplesmente não há mais conteúdo a menos que você os supere. Normalmente há mais de um chefe para escolher enfrentar, mas às vezes tudo que está entre você e o resto do jogo é uma batalha que não consegue vencer.


Não que Cuphead não possa ser difícil, mas ele não precisa. A melhor parte dele não é sua dificuldade e ela acaba por excluir muitas pessoas por conta dessa barreira. O jogo tem um modo mais fácil porém claramente recrimina o jogador por usá-lo ao cortar as últimas fases das batalhas e não permitir que o jogo seja terminado nesse modo.

Tecnicamente parece que o jogo será bem convertido para o Switch a 1080p no modo console e 720p no modo portátil, mas sempre rodando a 60 FPS, o que é bem impressionante. O lançamento está marcado já para 18 de abril.

Overland

Estou bem em cima do muro sobre Overland porque vimos pouco do jogo. Eu adorei o visual e adoraria jogar algo naquele estilo, porém a jogabilidade em si parece estranha. Primeiro, é um jogo de estratégia em um mundo pós-apocalíptico, dois temas que não casam muito bem. Segundo, sinto que ele pode cair para algo mais próximo de um puzzle. Vou ficar de olho por enquanto sem um parecer definitivo. Sai no final do ano para Switch, PS4 e Xbox One.


My Friend Pedro

Este promete ser um dos jogos mais divertidos do ano, um jogo de ação que mais parece uma sessão de ação louca do Deadpool. Não é preciso falar sobre o jogo, basta assistir ao trailer e sentir. My Friend Pedro sai em junho para Switch e PC. Eu havia lido sobre uma versão para PS4, mas parece que foi um engano da Kotaku. Ainda assim tem cara que sairá para outras plataformas depois.

Neo Cab

Parece um jogo bem entediante no estilo Indie de foco na história acima de qualquer jogabilidade. Você dirige uma espécie de Uber futurista e interage com diversas reações tentando agradar seus clientes para receber boas notas, porém o foco mesmo com certeza está na história. Nada promissor. Sairá no verão norte-americano, nosso inverno.


The Red Lantern

Visualmente, The Red Lantern é exatamente o que eu adoraria jogar, algo refrescante para os olhos, com um visual belíssimo e uma localidade única. Na prática, eu senti que o jogo parece muito mais focado em uma narrativa e eventos scriptados do que ele deixa transparecer. Aparentemente há elementos de sobrevivência, mas não estou muito convencido.


Este é o primeiro jogo do estúdio e essa história me lembra muito a de Firewatch e como ele acabou saindo um jogo super linear. The Red Lantern sai ainda esse ano para o Nintendo Switch e por enquanto é bem difícil encontrar informações sobre ele, mas apostaria que pelo menos para PC também deve sair.

Darkwood

Darkwood é um jogo meio rogue de terror com visão aérea e bem bacana. Você tem sua base, a fortalece, monta armadilhas e explora o mundo ao seu redor em busca de mais suprimentos. Eu gosto desse estilo de sobrevivência rogue, mas quando vou passar tanto tempo assim em um jogo eu prefiro que ele não seja tão sombrio. Porém sem dúvida há público para isso, como é o caso de The Forest.

Curiosamente Darkwood é o único jogo que não teve o vídeo publicado no canal oficial da Nintendo

Ele sairá em maio para Nintendo Switch, mas já está disponível para PC. Uma coisa legal é que o criador do jogo o colocou de graça a versão para PC para quem não puder pagar em um torrent no Pirate Bay sem DRM (proteção de cópia). Ele apenas pediu que se as pessoas gostarem e puderem pagar que comprem o jogo em uma das lojas oferecidas.

Katana Zero

Há vários jogos nesse estilo particular de Katana Zero como N++, Mark of the Ninja e Not a Hero, uma ação 2D lateral em que você precisa eliminar inimigos rapidamente de certas formas para continuar sobrevivendo. Não sou muito fã desse estilo de jogo, acho que algumas pessoas gostam, mas definitivamente não é uma jogabilidade que eu enalteceria. Sai em 18 de abril no Switch e já está disponível para PC.

Rad

Parece um jogo divertido inicialmente, mas há algo nele que não cheira muito bem. Rad parece que vai ser um jogo leve, com um pouco de ação auto-consciente de sua superficialidade, mas aos poucos cruza perigosamente essa linha que separa o descompromissado do desleixado. Parece ser um jogo de baixo custo que não realizará seu potencial de ser algo simples e divertido. Sai no verão norte-americano, nosso inverno, para Switch e PC. Talvez haja mais plataformas porque não consegui achar informações suficientes sobre ele.


Creature in the Well

Apesar de visualmente até ser promissor, lembrando um pouco Hyper Light Drifter, esse Creature in the Well desaponta um pouco. Seria em teoria um jogo de ação porém com elementos de pinball que funcionam quase como quebra-cabeças. Parece um gimmick para justificar a existiência do jogo e que simplesmente não se sustenta por mais do que alguns minutos. Creature in the Well sai também no verão norte-americano, nosso inverno, para o Switch e PC.


Bloodroots

Mais um que gosto do visual, vejo alguns defeitos, mas diferente dos outros acho que se salvará. O jogador controla um personagem chamado Mr. Wolf que sai por aí matando todos em seu caminho usando o cenário como arma. Sinto que falta um pouco de variedade e espontaneidade para que não vire um quebra-cabeça de matar os inimigos com as armas certas, mas acho que ainda se salva.

A ação é frenética e a forma como o jogador sai matando um inimigo atrás do outro com o que vai encontrando pela frente chega até a me trazer uma vibe de Hotline Miami. Espero que esse realmente vingue. Bloodroots é outro que vai ter lançamento no verão norte-americano, inverno aqui, para Switch e PC.

Pine

Digamos que Pine é um jogo de aventura genérico tentando muito não parecer um jogo de aventura genérico. Sua jogabilidade parece bem fraca, um pouco amadora até, mas o jogo tenta tirar o foco ao dizer que o principal é a aventura, a exploração, facções brigando entre si por comida, etc. Uma dica é que se um jogo não faz bem algo tão simples quanto bater em um inimigo, muito provavelmente seus sistemas mais avançados não são tão bons quanto as promessas sugerem.


Vale a pena dizer que às vezes simplicidade pode passar por genérico, então eu poderia estar enganado. Porém acredito que o menu de itens do jogo é o que realmente o denuncia, algo pouco intuitivo e desnecessariamente complexo que não combinaria com simplicidade. Ele sai em agosto para o Switch e sairá também para PC porém não há uma data ainda no Steam. Pode ser em agosto também e a página apenas estar desatualizada.

Vlambeer Arcade / Nuclear Throne / Super Crate Box

O estúdio Vlambeer teve direito a um pequeno bloco na apresentação para falar de três jogos. Não há tanto o que falar sobre eles, então vamos aos poucos. O único anúncio de um jogo novo foi "Vlambeer Arcade", uma coletânea de minigames que receberá atualizações mas não parece nada promissora. A Vlambeer sabe criar bons conceitos e jogabilidades, mas eu quero vê-los em jogos completos, não minigames. O primeiro dos minigames será "Ultra Bugs" e sai ainda esse ano.


Nuclear Throne é um jogo um pouco antigo de 2015 para PlayStation 4, PS Vita e PC que recebeu um port no dia da conferência para o Switch. Apesar de tão antigo curiosamente eu nunca o joguei, acabei optando por "Enter the Gungeong" (os dois parecem semelhantes), mas ele parece bom. Já Super Crate Box sai em Abril e é basicamente um minigame também, muito divertido, mas que não dura mais do que algumas horas de entretenimento.


Swimsanity!

Há coisas que inicialmente eu até gosto em Swimsanity! como uma jogabilidade de tiro cooperativa, mas há um clima estranho de baixo custo e cara de que o design é bem limitado e deixará o jogo sem graça. O lançamento está marcado para o verão norte-americano, nosso inverno para Switch, com uma versão PC planejada para a primavera norte-americana, porém talvez essa data esteja só desatualizada.


Blaster Master Zero II

Criado pela Inti Creates, que é um bom estúdio, Blaster Master Zero II é um novo jogo na série e não um remake como o primeiro Blaster Master Zero. A jogabilidade provavelmente será ótima e não duvido que ela seja muito divertido, porém o visual do jogo me incomodou um pouco. Ele utiliza gráficos em 8 Bits e acho que era um jogo que realmente se beneficiaria de um upgrade visual. O jogo foi lançado no mesmo dia da conferência para o Switch.


Stranger Things 3: The Game

O jogo baseado na terceira temporada da série Stranger Things já estava anunciado há algum tempo para Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e PC, mas agora foi confirmado que ele chegará em 4 de julho, junto com a série na Netflix. Eu gostei bastante da primeira temporada de Stranger Things e acho que esse jogo tem potencial para ser uma boa companhia para a série. No entanto eu realmente gostaria que lançassem também o anterior, que ironicamente tinha charmosos gráficos em 8 Bits.


Cadence of Hyrule

A última surpresa da Direct, apesar de não ter sido mais chocante que Cuphead, ainda foi bastante inesperada. O início do trailer dá a entender que é um novo jogo da série Crypt of the NecroDancer, o qual eu até gostei apesar de não ser tão bom em administrar ritmo com jogabilidade e surpreendentemente consegui zerar, algo que eu achei que não conseguiria.



Porém depois entram elementos de The Legend of Zelda... e aí eu realmente não gostei muito. Se fosse Crypt of the NecroDancer 2 provavelmente eu compraria, mas Cadence of Hyrule me parece um mau uso da franquia The Legend of Zelda. Os remixes das músicas de Zelda são bons, gosto do visual dos gráficos que me lembram um pouco o GameBoy Advance porém com sprites maiores, mas por que Zelda?

O próprio título dá mais destaque para Cadence, o que dá a impressão que é um Crypt of the NecroDancer com conteúdo especial de Zelda, quando deveria no mínimo ser um jogo original de The Legend of Zelda com a jogabilidade de NecroDancer para ser aceitável. Não é uma questão de semântica. Mesmo que involuntariamente, Cadence é a protagonista do jogo, Link e Zelda são seus ajudantes.


A ideia de aplicar uma jogabilidade já existente na franquia The Legend of Zelda funcionou muito bem em Hyrule Warriors. No entanto como participações especiais é mais fácil Link e Zelda estragarem o equilíbrio da jogabilidade de Crypt of the NecroDancer do que terem a experiência moldada ao seu redor. Cadence é a personagem padrão e se você jogou o original dá pra notar como Link e Zelda são fortes demais em relação a ela.

Definitivamente Cadence of Hyrule foi uma viagem desnecessária ao poço de The Legend of Zelda.