| Home | Notícias | Artigos | Eventos | Indies | Curiosidades | Reviews de Jogos | Reviews de Filmes |

domingo, 16 de junho de 2019

E3 2019: Quem ganhou?


Essa semana tivemos a E3 2019, a maior feira de jogos do mundo... por enquanto. As coisas andam meio ruins para a E3. Já andavam antes, é verdade, mas chegaram a melhorar e agora parecem estar piorando de novo bem rápido. Muitas empresas estão deixando de se apresentar na feira, seja de propósito ou porque têm estratégias próprias, e isso acabou por diluir um pouco o show.

A Microsoft foi a única das três grandes com uma conferência, a qual até foi razoável. Nintendo como nos últimos anos teve apenas uma Direct e Sony não teve absolutamente nada, ficou ausente do evento por completo. Algumas outras empresas chegaram a se destacar nesse vácuo, como Square Enix e principalmente a Devolver Digital.

Vamos dar uma olhada no que rolou nas conferências para ver quem ganhou.

Did You Know Gaming? de Ouendan / Elite Beat Agents


O Nintendo DS foi fonte de inspiração para alguns dos jogos mais inusitados e bizarros já lançados durante uma geração e no meio de tudo isso estava um pequeno jogo chamado Osu! Tatakae! Ouendan! que mudaria a vida de diversas pessoas. Desenvolvido pela iNis, a mesma produtora do jogo Gitaroo Man de PlayStation 2, o jogo carinhosamente chamado pelos fãs como "Ouendan" foi lançado em 2005 apenas no Japão, mas ganhou fama internacionalmente com seu carisma e diversão.

O canal de YouTube "Did You Know Gaming?" especializado em curiosidades de jogos lançou um vídeo com um resumo da história da criação da franquia, desde o original e sua sequência direta até o lançamento de uma versão americanizada (que é um outro jogo), lançado no ocidente como Elite Beat Agents.


Até mesmo um fã de Ouendan como eu pode encontrar muita informação nova nesse vídeo. Nunca imaginaria que a versão ocidental teria inspirações de grupos como Village People ou de filmes como Blues Brothers e ao mesmo tempo ao saber disso, tudo fez sentido e eu não esperaria menos dos criadores do jogo.

É um pouco difícil explicar Ouendan para quem não conhece, mas vou tentar. Ele conta sobre uma cultura japonesa de grupos de "animadores" chamados Ouendan, que normalmente são para levantar moral. No jogo, esse grupo aparece para ajudar pessoas a superarem situações do dia a dia, como ter que estudar pra uma prova, ir bem no escritório ou segurar uma dor de barriga no metrô, até ficar progressivamente mais absurdo.

A jogabilidade utiliza a tela de toque do DS para fazer bolas coloridas numeradas aparecerem e o jogador tem que clicar nelas no ritmo da música, todas japonesas. Quanto maior o nível de dificuldade do jogo, mais bolas e maior a velocidade. A jogabilidade é extremamente orgânica e puxa o jogador até ele se tornar um com a tela, com a música e com o jogo, sendo contaminado também pelo fervor do Ouendan, despertando um fogo dentro de você para superar tudo.


Fervor este que o vídeo menciona em um ponto interessante sobre o estilo de arte característico utilizado por Ouendan. Trata-se de um estilo chamado "Gekiga" no Japão, uma forma de criar imagens de uma maneira mais dramática para que saiam da tela e passem todo esse fervor e espírito para quem está lendo.

O Gekiga foi um passo na evolução dos mangás nos anos 60 e 70 por um dos discípulos de Osamu Tezuka, Yoshihiro Tatsumi. O estilo de Tezuka sempre foi o de mangás voltados para crianças, mesmo que de vez em quando ele tocasse em temas mais adultos como sacrifício e morte. Seus desenhos sempre foram bem fofinhos e arredondados.

Se você ainda não conhece o jogo, eu sugiro que dê um jeito de jogá-lo, o que eu sei que não é particularmente fácil hoje em dia. Caso seja totalmente impossível jogar por si próprio, veja um pouco no YouTube, mas nem de longe dá pra sentir a mesma sensação apenas assistindo.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Pokémon Sword & Shield ganham um mundo aberto


A mais recente conferência Nintendo Direct foi focada em Pokémon Sword e Shield, os novos games da franquia que ganharam data de lançamento para 15 de novembro no Nintendo Switch. Há duas grandes novidades dessa vez, finalmente uma área de mundo aberto (não tããããão aberto) chamada Wild Area e batalhas de pokémons gigantes chamadas Dynamax. Acho que vocês já sabem sobre o que eu vou falar bem e mal a partir daí.

Aparentemente o jogo se divide em momentos com a clássica câmera área em 3/4, momentos com a câmera não fixa, mas em um caminho predeterminado e a "Wild Area" com câmera livre que parece conectar os grandes espaços entre as cidades. Não dá pra entender direito como o jogo é dividido entre esses três momentos. As câmeras predeterminadas parecem ser principalmente das cidades. Parece ainda haver as rotas tradicionais e em algum momento não detalhado temos a Wild Area.

A Wild Area é claramente uma inspiração de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, uma área aberta na qual o jogador pode explorar livremente, ver e capturar pokémons, além de encontrar com outros treinadores localmente e online. É um enorme passo para a franquia, só poderia ser bem melhor se eles se comprometessem de vez a evoluir.



Apenas ter um mundo aberto onde você pode capturar monstros não altera pesadamente a jogabilidade de Pokémon. Outros jogos já fizeram isso como Dragon Quest Monsters, em matéria de jogabilidade é igualmente bidimensional caçar monstros em 2D ou 3D, apesar de que em 3D tudo é mais excitante porque podemos ver o horizonte.

O que falta à Wild Area de pokémon para realmente ser a evolução da franquia são ferramentas de exploração, como as ferramentas de física em Breath of the Wild. Você precisa enxergar pokémons distantes e ser um desafio chegar até eles, ou precisa ver pistas de um pokémon escondido que precisa investigar para descobrir onde ele está. Apenas encontrá-los em 3D é raso, como se botasse uma câmera livre em Pokémon Let's Go.

Então vem a parte da Direct que eu não gostei nada, as batalhas Dynamax. Esse é o gimmick da vez, um super poder que deixa os pokémons gigantes por 3 turnos. Durante esse período seus golpes ficam poderosíssimos, mas tem também a discrepância de quando um pokémon está gigante e o outro não, o que não causa um efeito visualmente muito legal.


Eu entendo o que eles estão tentando com Dynamax, Z-Moves e Megaevoluções, a ideia é criar algo bonito de se ver para deixar as batalhas mais emocionantes. Enquanto isso a engine das batalhas comuns é basicamente o mesmo desde Pokémon Battle Revolution, ou Pokémon Stadium se não contarmos a adição dos treinadores. Assim como os Z-moves e as Megaevoluções que um dia já foram o centro de outros jogos, o Dynamax também deverá ser deixado de lado no futuro.

Uma coisa legal do Dynamax é que haverá Raid Battles, batalhas na qual quatro jogadores podem se unir na Wild Area para enfrentar um único pokémon que fica gigante durante toda a duração do combate. Dá pra ver que a Pokémon Company está começando a flertar com elementos de MMO para encontrar o equilíbrio perfeito para Pokémon. Espero ver frutos em títulos futuros dos experimentos que estão fazendo agora.

Por último, foram apresentados os lendários Zacian e Zamazenta, os quais eu achei bem qualquer coisa. Um é um lobo com uma espada na boca e o outro que parece ser um leão cuja juba é um escudo. Oficialmente acho que não é um leão, mas eu acho que parece demais. O jogo também será oferecido em um Double Pack com as duas versões, algo inteligente pra faturar com irmãos, casais, colecionadores, etc.


Gostei da adição da Wild Area em Pokémon Sword & Shield, talvez ela até dê uma enganada no público que comprou o console por Breath of the Wild, mas ficou faltando um algo mais para o jogo realmente ficar promissor. Ainda assim, é legal ver para onde Pokémon está indo, especialmente se finalmente a franquia abraçar o mundo aberto que precisa.

O potencial de Death Stranding


Eu sou um fã de Hideo Kojima mas diferente da maioria, sou um fã apenas por Metal Gear Solid. Eu não cresci com um MSX na época para ter jogado os primeiros Metal Gear e as versões do Nintendo 8 Bits não faziam o menor sentido, então só fui conhecê-lo no PSOne. Eu também não gostei do que a série virou depois de Metal Gear Solid 2, tudo extremamente scriptado e com um fator bizarro que muitas vezes parecia só por ser. Por isso minhas expectativas para Death Stranding estavam um pouco baixas.

No entanto, eu também sabia que Hideo Kojima estava em processo de evolução. Após Metal Gear Solid 4 acabar muito limitado frente a sua visão inicial, ele começou a olhar para jogos ocidentais como Grand Theft Auto 5 e prestar atenção em seu sucesso. Assim tivemos Metal Gear Solid 5, um jogo que evoluiu bastante a franquia mas teve lá seus problemas com a Konami. Por conta desse processo de evolução de Kojima eu ainda achava que Death Stranding poderia surpreender... e me surpreendeu.

Após vários trailers bizarros que não ajudavam muito em vender o jogo, finalmente tivemos um trailer de gameplay e as coisas começaram a fazer sentido. O ator Norman Reeedus interpreta uma espécie de viajante que acredito precisar reconectar comunidades, uma jornada extremamente perigosa desde que alguma coisa invadiu o mundo (ou ficou presa nesse mundo?).


O inimigo principal é algum tipo de criatura de outra dimensão, invisíveis para o jogador, o qual pode detectá-las com a ajuda de um bebê bizarro. Estes inimigos são normalmente morte certa para o jogador e trazem um elemento de stealth e suspense/terror. No entanto há outros inimigos menores humanos que parecem caçar o jogador por outros motivos.

Kojima disse que Death Stranding não é um jogo Stealth, mas eu discordo um pouco porque é exatamente isso que eu vejo, mas ao mesmo tempo não é o Stealth de sempre, parece uma evolução do Stealth atual. Normalmente jogos de Stealth são sobre tentar entrar em uma base inimiga, realizar uma missão sem ser detectado ou eliminar alguém. É atacante silencioso versus defensor poderoso.

Em Death Stranding você não tem um local para invadir, não tem guardas mantendo um perímetro, você está sendo caçado por esse mundo. A qualquer momento algum desses inimigos caçadores podem aparecer em veículos e você precisa se esconder para não ser detectado ou correr enquanto eles jogam lanças em você. O combate é uma opção, mas claramente não a melhor, como em jogos Stealth.


Eu não sou fã de jogos Stealth, porque acho que é melhor quando um jogo te dá opções diferentes de resolver problemas, o que é um sinal de bom game design. Porém certos gêneros ecoam melhor com certos públicos ao impor limitações às opções do jogador, como é o caso dos jogos de stealth e dos jogos de terror, tornando-se às vezes meramente um gosto pessoal.

Meu principal receio com Death Stranding era que ele fosse um The Last of Us, uma história muito bonita, gráficos muito bem trabalhados e a jogabilidade linear de uma batata. Felizmente não é o caso, dá pra ver um grande mundo aberto para explorar, apesar de ele parecer meio vazio como em Shadow of the Colossus, e dá pra usar uma moto para se locomover rapidamente, mas isso não significa que ele vá ser um jogo de mundo aberto tradicional.

Pode ser uma impressão, mas eu acho que ainda falta algum grande elemento de jogabilidade para ser revelado. Acredito que Kojima liberou esse trailer para pensarmos "agora entendi" para só depois nos surpreender de novo. Vale ressaltar que os atores estão fantásticos em seus papéis e podem ter um ótimo papel complementar para o resto da ideia do jogo.


Eu gostei do que eu vi com Death Stranding e acho que o jogo pode chegar longe dependendo das decisões que tomar daqui pra frente. Talvez eu ainda não goste dele pessoalmente, mas se torne um dos grandes clássicos e o próximo passo na evolução de Hideo Kojima.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Super Mario Maker 2: nasce uma nova série?


Recentemente a Nintendo apresentou mais uma de suas conferências Nintendo Direct, dessa vez focada todinha em Super Mario Maker 2, o próximo jogo da série de construir fases do clássico Super Mario Bros.. Eu não sou um grande fã do primeiro jogo mas gostei bastante do que foi apresentado para o segundo, porém o motivo provavelmente surpreenderia a maioria.

Aqui está uma questão: não se pode ter uma série de um jogo só. Super Mario Bros. é uma série, de imenso sucesso inclusive. Então ao lançar Super Mario Maker a Nintendo estava lançado um jogo ligado a série Super Mario Bros., tentando capitalizar em cima de seu sucesso. Como uma forma de explorar Super Mario Bros. eu digo que Super Mario Maker falhou.

A franquia Super Mario Bros. é uma franquia de dezenas de milhões de vendas com um público extremamente diversificado. Super Mario Maker falhou em atingir esse público, vendeu 4 milhões no Wii U, menos de 3 milhões no 3DS e nem sabemos quantas dessas unidades podem ser dos mesmos consumidores comprando ambas as versões. Até New Super Mario Bros. U que é um jogo bem fraco da série vendeu mais que Super Mario Maker no Wii U.

Porém, aí que está a pegada da coisa. Super Mario Maker é comparado com a série Super Mario de onde tenta capitalizar. Super Mario Maker 2 já é o nascimento de sua própria série: "Super Mario Maker", assim como "Mario Kart" ou "Mario Party", que não mais capitalizam em cima do público de Super Mario, mas de si mesmas.


Atualmente ninguém compra Mario Kart porque Super Mario os divertia, o primeiro Mario Kart pegava a credibilidade de Mario emprestada para se vender. Agora quem compra um Mario Kart sabe exatamente o tipo de experiência que pode esperar com base nos jogos anteriores e isso passará a acontecer com Super Mario Maker.

Como uma série própria, vendas de alguns milhões ainda são ótimos resultados para a Nintendo e se algumas séries vendessem tantos milhões quanto Super Mario Maker hoje não estariam na geladeira da empresa. Vale lembrar que apesar de tudo, Super Mario Maker ainda tira água do poço da franquia Mario, mas provavelmente ela aguenta mais essa sem secar o poço.

Falando um pouco das novidades do jogo em si que eu achei ótimas: adição de um modo história e multiplayer cooperativo e competitivo. Só aqui entre nós, esses são modos que já deveriam estar presentes desde o primeiro jogo. Talvez se os fãs da Nintendo não engolissem com tanta facilidade o que a empresa oferece, poderíamos receber jogos com mais conteúdo.


O modo multiplayer parece bem divertido, com modos de corrida entre jogadores para ver quem consegue chegar ao final de uma fase aleatória e também fases de cooperação nas quais o objetivo é todo mundo se esforçar pra passar a fase junto (ou ser o único que consegue). O único defeito que vi aqui é que o modo multiplayer local exige vários Switches e várias cópias do jogo.

A criação de fases é uma questão que permanece com o nosso problema clássico: jogos com conteúdo criado por usuários são jogos sem conteúdo criado por profissionais. Super Mario Maker conserta um pouco isso com seu modo história que traz fases criadas por designers da própria Nintendo. Não parece que essas fases serão muito "Super Mario" e sim mais "Super Mario Maker", mas novamente, quem está comprando essa sequência já não vai mais estar esperando a experiência de Mario original.

Algo que talvez surpreenda a maioria das pessoas após tudo que eu falei de Super Mario Maker é que eu gostei de Super Mario Maker 2 e o acho um produto muito superior ao original. Pode se tornar facilmente uma série de sucesso da Nintendo e nem mesmo ficar atrelada apenas a Mario, com um The Legend of Zelda Maker. Não vou dizer que essa seja uma série ideal para o momento que a empresa vive, nem que fará o Switch vender mais, mas se vender alguns milhões, mal também não vai fazer.


Agora vem uma parte estranha. Eu gostei de Super Mario Maker 2, o Nintendo Switch está vendendo muito melhor que o Wii U, então as vendas de Super Mario Maker 2 deveriam ser muito boas, certo? Se eu tivesse que fazer uma previsão eu diria que sim, afinal eu vejo mais conteúdo nesse jogo e de melhor qualidade que o original.

No entanto tenho uma impressão estranha que me diz que ele pode vender menos que o original. Não seria um atestado sobre sua qualidade, mas como no fenômeno Super Mario Galaxy 1 e 2. Esperaríamos que a sequência de um dos jogos mais vendidos do Wii vendesse pelo menos tanto quanto o original em uma base instalada tão grande, mas estranhamente quase metade dos usuários do primeiro acabaram comprando o segundo na época (hoje o número é maior).

Vale ressaltar que não faço previsões por instinto, então com base apenas nos dados que temos, acho sim que Super Mario Maker 2 vai vender muito. Mas ainda estou com esse Goomba atrás da orelha me dando essa sensação estranha.

Review sem spoilers de Vingadores: Ultimato


Vingadores: Ultimato é a grande conclusão não só do filme anterior Vingadores: Guerra Infinita como da jornada mais épica de fantasia que já existiu no mundo do cinema. Descascar elogios para o filme é realmente desnecessário, mas se você ainda tinha algum medo de que eles fossem errar a mão, como eu também tinha, pode ficar tranquilo, eles fizeram tudo certo.

Diferente das outras reviews de filme em que fui mais a fundo, vou falar bem pouco de Vingadores: Ultimato porque há muito pouco o que se falar do filme e muito o que se sentir nos cinemas ou revendo em casa quando sair. Também não vou dar spoilers, porque apesar de muita gente já ter visto o filme, ele fica bem melhor com suas surpresas e eu não falaria muito mais se pudesse revelá-las.

Uma das grandes jogadas do filme já começou no marketing com os trailers. Tudo que foi mostrado era aproximadamente 1/3 do filme, jogando nossas mentes em uma certa direção, enquanto havia 2/3 de surpresas realmente chocantes e uma jornada inesperada para a história. Essa primeira hora que vimos nos trailers é um pouco cansativa pois eles demoram muito mostrando como o mundo está ferrado após os eventos de Guerra Infinita e nossa... eles tomam seu tempo. Dava pra terem sido mais concisos.


Depois desses momentos que complementam o filme anterior então Ultimato finalmente torna-se seu próprio filme sobre a jornada de trazer todo mundo de volta. Tá, eles vão trazer todo mundo de volta, não dá pra dizer que isso é um spoiler porque acho que todos já sabiam que os heróis teriam que voltar de algum jeito né? Tem Pantera Negra 2 confirmado, tem Homem-Aranha: Longe de Casa e a Marvel ainda tem que devolver o menino pra Sony depois. Se quebrar tem que pagar.

Sempre soubemos que eles teriam que dar um jeito de trazer todo mundo de volta, a grande questão sempre foi o "Como?" e as consequências que isso poderia trazer para o MCU (Marvel Cinematic Universe) como um todo. Nas histórias em quadrinhos é extremamente comum heróis morrerem e ressuscitarem o tempo todo, mas se isso passasse a acontecer no cinema zeraria o risco em todos os filmes e provavelmente seria o fim da era dos filmes de super-heróis.

Ultimato acerta na dose, os heróis conseguem uma forma de obter o que precisam mas é uma jornada longa, com consequências e que leva o filme para a direção inesperada que mencionei. Não parece uma coisa barata e nem algo que poderia ser repetido, parece uma saída que poderia ser usada uma vez só e daqui pra frente seria loucura tentar usar de novo.


Mais do que tudo, este é um filme sobre os Vingadores originais: Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. Ele realmente fecha o ciclo desses personagens no MCU, com exceção do Hulk que acredito que não fechou. Outro ponto que nos quadrinhos é bem diferente é que o contrato de alguns desses atores acabou, seus personagens precisam sair do MCU de alguma forma, o que não significa necessariamente morte e é legal ver como cada um tem lá as suas saídas.

Essa diferença entre os personagens não serem eternos nas telonas como nos quadrinhos é realmente um novo desafio da Marvel. Sagas que poderiam vir a seguir como a Morte do Capitão América, Invasão Secreta ou Guerra Civil 2 perdem muito de seu impacto sem esses personagens clássicos. Mas eles conseguiram fazer o primeiro Guerra Civil funcionar com menos participantes que uma partida de futebol, então quem sabe.

O foco nos Vingadores originais significa também que a Capitã Marvel está extremamente subaproveitada no filme e aparece só pra dar um tapinha no roteiro. Ela se tornou uma personagem problemática para o MCU, forte demais para o seu próprio bem. Sempre que ela aparece a tensão cai para zero e felizmente ela quase não aparece no filme.


Não preciso me aprofundar muito em todas as coisas que Vingadores Ultimato faz certo, porque o importante é isso, faz certo. É um filme onde a suspensão de descrença funciona a todo vapor. Você não liga que algo não faça sentido perfeitamente, porque está apresentado de uma maneira que te entretém e mantém a bola rolando.

Ao imaginar que esse é um projeto de dez anos com um imenso arco narrativo, é surpreendente que o final não tenha sido estragado. É a primeira vez que vemos algo tão brilhantemente conduzido assim. Fica o desafio de como a Marvel levará seu universo adiante porque Ultimato realmente satisfaz a fome de super-heróis com o maior banquete de todos os tempos.

State of Play com Final Fantasy 7 é bem melhor


Recentemente a Sony realizou sua segunda conferência "State of Play", a qual foi muito melhor em relação à primeira que foi basicamente um desastre como falamos antes. Por um lado as expectativas estavam bem baixas, mas por outro também tivemos algumas surpresas, como um novo trailer do remake de Final Fantasy 7.

O vídeo começou com um DLC de Monster Hunter World chamado Iceborne com cenários gelados e novos monstros para caçar. Não é muito relevante se você ainda não está na onda de Monster Hunter, mas ele se tornou o jogo mais vendido da Capcom recentemente, então era de se esperar que viessem alguns DLCs para faturar mais. Iceborne chega em 6 de setembro.


Depois foi apresentado um dungeon crawler simpático para quatro pessoas chamado Riverbond. O visual era agradável, mas não parecia ter personagens muito carismáticos. Ao invés disso ele tem crossovers com vários indies como Shovel Knight, Guacamelee e até alguns não tão indies como Psychonauts. Ele será lançado no "verão" norte-americano, nosso inverno.


O próximo anúncio também foi uma surpresa com Predator: Hunting Grounds. Seria um promissor multiplayer assíncrono com o Predator caçando jogadores enquanto eles tentam sobreviver contra todas as chances, mas... é da mesma equipe do jogo de Sexta-Feira 13... então eu não espero nada tão fantástico assim. Sairá só em 2020.


Então temos o que achávamos que era o jogo principal da apresentação: MediEvil, remake de um jogo originalmente do PlayStation One. Uma questão é que MediEvil já teve uma versão reimaginada no PSP e bem, não parecia precisar de um novo remake. Ratchet & Clank ficou ótimo no PS4, mas não me parece ser o mesmo caso.


Visualmente o estilo cartunizado de MediEvil promete funcionar muito bem com os gráficos atualizados, o que daria uma dose extra de carisma ao jogo. No entanto, o design de MediEvil é extremamente limitado pelo hardware do PSOne e sua jogabilidade em si é bem velha. Promete ficar ainda mais simples do que um Knack. O lançamento está planejado para 25 de outubro e provavelmente vai passar batido.

Meu interesse aumentou com o próximo jogo, chamado Away, mas foi temporário. Aparentemente nesse jogo você encarna o papel de um esquilo em meio a natureza. Precisávamos de mais jogos sobre animais e que explorem a beleza da natureza, mas... Away não parece ser isso. Tudo parece bem scriptado e pretensioso, mais sobre mostrar um monte de coisas do que simplesmente te deixar vivenciar uma experiência diferente.


Surgiu de repente um PlayStation 4 edição limitada da campanha Days of Play que eu realmente não sei qual foi a intenção, porque era um modelo bem sem graça, com símbolos dos botões do PlayStation na carcaça e nem mesmo vem com uns jogos maneiros pra animar quem queira comprar.

Então veio uma ótima surpresa, um novo trailer de Final Fantasy 7, mesclando cutscenes e gameplay. Há muita coisa nessa nova versão que me lembra de Final Fantasy 15, o que por um lado é bom e por outro nem tanto. Cloud está parecendo bastante com Noctis e em muitas vezes o príncipe era chato, mas Cloud é meio difícil de engolir durante boa parte do jogo. Espero que equilibrem bem isso.


Trata-se muito mais de uma releitura ou reimaginação do jogo do que de um remake, a sensação será muito mais atualizada e eu acho isso positivo, mas provavelmente gerará uma revolta considerável de pessoas que gostariam que fosse um remake fiel. Ele ainda será vendido em episódios, porque aparentemente algo deu muito errado no desenvolvimento desse jogo. Promessas de mais informações em junho, provavelmente na E3, apostaria em pelo menos o primeiro episódio no final do ano.

Na verdade já era pra Final Fantasy 7 ter saído desde o ano passado, mas parece que o desenvolvimento, supostamente terceirizado para um dos estúdios secretos do Japão, não atingiu o nível que a Square esperava e a fez recomeçar tudo do zero internamente. Eu não tenho como tirar conclusões até ver os rumos de alguns outros jogos que não são relacionados com Final Fantasy, mas aprecem ter envolvimento desse mesmo estúdio secreto.

Foi uma apresentação melhor que a anterior por dois motivos: primeiro... não dava pra ser pior que a anterior... segundo, o trunfo de Final Fantasy 7 que sempre agita. É um dos poucos jogos de peso que ainda esperamos para essa geração após os sonhos açucarados do remake de Resident Evil 2. Essa apresentação ao menos já fez valer mais a pena a existência do State of Play, mesmo que por pouco.

Posts relacionados
- State of Play: uma cópia infeliz da Nintendo

Amazon: