terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Review sem spoilers de Star Wars: A Ascensão Skywalker


Star Wars: A Ascensão Skywalker é o capítulo final da nova trilogia de Star Wars e também da saga como um todo desde o Episódio 1 ou os originais dos anos 70 dependendo de como você conta. Apesar de alguns tropeços pelo caminho a conclusão é incrivelmente sólida e prazerosa e garante que Star Wars não tenha ficado estragado daqui para frente, apesar de também não fazer nada de novo.

Houve um claro problema de planejamento na nova trilogia de Star Wars composta pelos episódios 7, 8 e 9. Deixaram os diretores soltos demais para inventarem o que quisessem e no final não há uma narrativa coesa através dos três filmes. Apesar disso as coisas funcionam surpreendentemente bem e eu tenho que bater palmas pro diretor dos episódios 7 e 9, J.J. Abrams, que conseguiu soluções criativas para manter um final satisfatório.

A história se passa algum tempo após o Episódio 8, quando praticamente toda a Resistência foi destruída no filme anterior, Luke Skywalker está morto e uma das grandes novidades é que o imperador Palpatine, vilão de todos os outros filmes até agora, está vivo. Acredito que alguém poderia considerar isso um spoiler, mas está nos trailers e é a primeira frase do filme.

Isso muda a dinâmica do filme da Resistência contra a Primeira Ordem e Rey contra Kylo Ren para simplesmente Rey contra Palpatine. Assim como o episódio 7 era extremamente baseado no episódio 4 agora o 9 é muito próximo do 6. A Resistência ainda existe e parece que vai ter um papel grande mas no fundo tudo se resume ao duelo entre o mocinho e o vilão.


Um grande problema da nova trilogia é que praticamente nenhum personagem tem um arco satisfatório. Rey não consegue carregar o manto do herói, Poe é empurrado vergonhosamente como um novo Han Solo apesar de não ser e Finn não chega a lugar nenhum enquanto seu romance com Rose no filme anterior e a própria Rose são totalmente ignorados. Apenas Kylo Ren é um personagem realmente interessante através dos filmes e surpreende após parecer apenas uma versão genérica de Darth Vader.

O que segura o filme são os fortes alicerces da trilogia original. Sempre que um dos personagens clássicos está em cena o filme fica melhor. A princesa Leia aparece bastante no filme apesar da morte da atriz Carrie Fisher e não só convence como nos faz acreditar que ela estava presente gravando na maioria das cenas.

Quando o Episódio 9 começou eu tinha um limite bem claro, não podia morrer mais ninguém da trilogia original, porque essa nova trilogia não tinha ganhado o direito de matar esses personagens. Após algum tempo de filme eu estava satisfeito o bastante com os esforços para deixar que um ou outro personagem se fosse caso necessário.

Como muitos críticos já falaram, o filme perde um bom tempo desfazendo o que foi feito no Episódio 8, que ficou como um Homem de Ferro 3 na trilogia, quando Tony Stark destrói todas as suas armaduras e ainda assim volta logo depois como se nada tivesse acontecido. Isso aumenta a duração do filme não de uma forma prazerosa, mas é compensado com um pouco de ação. Há momentos em que há muita ação e eu senti que ela estava cobrindo uma falta de história.


Diferente de muitos, eu gostei do Episódio 8 e acho que ele quebrou expectativas da única forma que se poderia fazer atualmente. Seria impossível puxar um arco como o dos Episódios 5 e 6 com a revelação de que Darth Vader era o pai de Luke e depois ainda ter uma conclusão satisfatória nesses tempos de hiper informação.

Quando no Episódio 5 Han Solo é preso em carbonita, Luke é derrotado por Darth Vader e Leia é revelada sua irmã, não sabemos por qual caminho o Episódio 6 irá. No entanto assim que Vingadores: Guerra Infinita acabou já sabíamos que aqueles personagens teriam que voltar de alguma forma e viagem no tempo parecia a opção mais óbvia. O fato de que o Episódio 8 foi tão diferente nos fez não saber o que esperar do 9.

Dá pra sentir essa segurança extremamente formulaica da Disney no filme que também atinge os filmes da Marvel, uma cerca ao redor do perigo pra ninguém cair e que faz com que poucos riscos sejam tomados com a história e seus personagens. Porém, assim como nos filmes da Marvel, é algo que funciona e entrega um produto sólido de entretenimento. O único problema é que saímos do cinema com a impressão que não vimos nada novo.

Enquanto para a Marvel eu espero que os filmes tragam mais riscos no futuro por estarem no topo, Star Wars não estava tão saudável assim. Eu me lembro de como a trilogia das prequels com os Episódios 1, 2 e 3 foi decepcionante e essa nova trilogia ao menos não foi isso. Mais do que tudo, ela garantiu que Star Wars não estivesse estragado e nem com um gosto amargo intragável. Daqui pra frente poderemos curtir séries baseadas nesse universo sem estar chateados com os filmes.


O único problema realmente grande é a falta de uma narrativa maior, algo que indicasse um caminho evolutivo para a franquia. Star Wars continua com a mesma dinâmica como um todo. O mal surge, então surge também o bem para enfrentá-lo, de uma forma que o universo sempre esteja em equilíbrio. Essa natureza cíclica da Força e dos filmes não é explorada.

Seria muito mais fácil encarar que a nova trilogia é parecida com a clássica por um motivo maior, porque a história é cíclica e então esse ciclo seria quebrado para ir a um lugar novo da próxima vez. Ao invés disso, sem riscos eles apenas nos contam a mesma história que estamos acostumados. Uma boa história, porém sem surpresas.

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