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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Porque o Xbox vai falhar

Após uma longa trajetória o Xbox está se dirigindo a se encontrar-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo que é empresa num só rebanho de condenados, porque tudo que vira artigo no Balada, falha.

Nas últimas semanas a Microsoft anunciou uma série de cortes profundos no Xbox, cortando pessoal em vários dos estúdios que ela comprou nos últimos anos (e que falamos que era um grande erro na época), totalizando por volta de 4.800 demissões.

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Os cortes incluem profundas demissões em estúdios como Bethesda, id Software, Obsidian, Arkane Lyon, Compulsion Games, Double Fine, Ninja Theory, Undead Labs, entre outras. Alguns desses estúdios já estão se encaminhando para serem fechados ou estão tentando ser vendidos para outras empresas para manter as portas abertas.

Tudo isso aconteceu após a entrada de uma nova CEO no Xbox chamada Asha Sharma em fevereiro de 2026, substituindo Phil Spencer que meio que foi aposentado à força. Há rumores que ela é a executiva do "Vai ou Rasha" que precisa tornar o Xbox lucrativo para ele continuar existindo ou que a função dela é realmente de ser a banda do Titanic em uma canção de despedida para toda a divisão.

Porém eu não resolvi fazer um artigo apenas para falar o óbvio que "demissões são ruins", mas para alertar que o Xbox entrou em uma zona de perigo que eu nunca imaginei que poderia entrar: O Xbox vai falir... Sério!

O sinal que ergueu a bandeira laranja vem do livro "A Solução do Inovador" (The Innovator's Solution) de Clatyon M. Christensen, sequência de "O Dilema do Inovador" (The Innovator's Dilemma). Precisamente quando Dinheiro Bom vira Dinheiro Ruim a partir da página 235 do Capítulo 9. Apesar dos termos iguais, isso não tem nada a ver com a Lei de Gresham, só avisando para não confundir.

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A Solução do Inovador - Clayton M. Christensen e Michael E. Raynor
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Curiosamente quando Dinheiro Bom vira Dinheiro Ruim entramos na "Espiral da Morte" do crescimento inadequado. Lembram-se da Espiral da Morte? Comentei sobre ela quando mencionei o quanto ela poderia custar à Nintendo ao ponto de levá-la à falência e agora, quem diria, estamos falando o quanto ela pode custar ao Xbox e levá-lo ao mesmo destino.

Recentemente o dinheiro do Xbox acabou de virar Dinheiro Ruim. Tecnicamente já era desde o início, mas quando houve a chance de virar, ela deu um 360° e não saiu do lugar. Quando você tem uma empresa no início, para ter certeza de que tem um sucesso, o Dinheiro Bom é impaciente pelo lucro e paciente por crescimento, pressionando a empresa a ser rentável. Desde o início esse nunca foi o objetivo do Xbox.

A estratégia da Microsoft, com certos traços monopolistas, sempre foi de investir muito no mercado, conquistar uma boa posição e lucrar com dominância no futuro. Por isso ela sempre foi impaciente com o crescimento do Xbox, fazê-lo ganhar espaço no mercado, mas muito paciente para que ele desse lucro, algo que era difícil de alcançar com subsídios na veda dos consoles, investimento na compra de estúdios, garantia estendida pelas 3 luzes da morte, etc.

Seguindo esta estratégia o investimento da Microsoft é quase um "Dinheiro Bom". É difícil dizer que o dinheiro durante este período era de fato "Bom" no sentido mais literal da palavra, já que não estava realmente fazendo nada positivo, estava até deixando o Xbox passivo já que ele sempre podia pedir mais dinheiro para a mamãe.

Porém, após tantos anos a paciência da Microsoft parece ter acabado e agora o investimento da empresa no Xbox se tornou de fato Dinheiro Ruim. A empresa está subitamente impaciente por lucro e impaciente por crescimento, de uma divisão que nunca precisou apresentar isso desde o início. Essa pressão é capaz de guiar a empresa por uma série de decisões ruins: uma Espiral da Morte.

As demissões no Xbox cortaram custos imediatos, porém destruíram um valor imenso que era o talento dos próprios times que trabalhavam para a empresa. Justamente as pessoas que fariam jogos que trariam lucro e crescimento para a companhia.

Os estúdios que sobraram foram então redirecionados para trabalharem apenas em suas franquias de maior valor. Ninja Theory fará Senua, Bethesda e Obsidian trabalhando em Elder Scrolls 6, Fallout 5, remasters de Fallout 3 e Fallout: New Vegas, um novo Fallout da Obsidian, pode apostar que veremos mais Halo, mais Forza, mais Gears.

É como se em uma crise a Nintendo se focasse em só lançar suas maiores franquias: Mario e Zelda. Isso acontece pois como o Dinheiro Ruim está impaciente, os únicos projetos que são aprovados são os que prometem o maior retorno. Sem perceber que estão fazendo muitas viagens ao poço, sem perceber que estão saturando seu próprio mercado e decepcionando consumidores que querem outras franquias ou variedade.

Aqui entra o Passo 1 da Espiral da Morte: Sucesso. Inicialmente as decisões tomadas por Asha Sharma podem trazer um aparente sucesso e se o Xbox está fazendo sucesso, ele vai crescer, não é mesmo? Então chegamos ao Passo 2, o Hiato de Crescimento (Growth Gap), quando o negócio não cresce como era o esperado.

Passo 3, Dinheiro Bom fica impaciente, e a Microsoft já está impaciente. Eles querem resultados e talvez por isso eles aceitem uma ideia de que o que está faltando para ganharem dinheiro é investirem mais, afinal é preciso gastar dinheiro para ganhar dinheiro. Esse é o Passo 4, Executivos toleram perdas temporárias. Por fim o Passo 5, Prejuízos se acumulam, pois as decisões tomadas foram péssimas.

Os passos 4 e 5 ficam sendo repetidos, cada vez afundando mais a empresa porque não tem como sair desse ciclo. Porém, a Microsoft já mostrou que está impaciente e talvez venda toda a divisão do Xbox ou a torne uma divisão independente. Vale mencionar que toda essa pressão de investimento é interna, a divisão do Xbox não tem ações na bolsa com investidores impacientes, apenas a Microsoft tem ações.

Caso o Xbox se torne independente e ganhe investidores com Dinheiro Bom e paciente, a divisão poderia respirar por mais tempo, porém a quantidade de valor que foi destruído pelas demissões pode fazer com que ela não consiga se recuperar independente do nível de paciência de seu dinheiro.

Perguntas da galera

Quais são os problemas do Xbox?
No momento, problemas demais. Péssima posição no mercado, baixo valor percebido da marca, consoles caros demais devido às tarifas (eles nem têm culpa disso), jogos que não empolgam, Xbox Game Pass segue desafiando a rentabilidade, falta de exclusivos, cancelamentos e mais.

O que está acontecendo com o Xbox?
Puro e simples desespero. O Xbox está tentando de todas as formas se manter relevante depois de campanhas desastrosas como "Isso é um Xbox" que tornaram o console totalmente indesejável. Além de toda a impaciência para se tornar rentável subitamente.

Porque a EB Games fechou o Xbox?
A loja EB Games do Canadá e várias outras como a Costco nos EUA, simplesmente desistiram de vender o Xbox. O console não tem demanda e não move jogos, sendo difícil convencer lojas a mantê-lo em estoque.

Porque o Xbox está em crise?
A plataforma sofreu de uma série de decisões ruins ao longo dos anos. Após conquistar uma boa fatia do mercado com o Xbox 360, a marca jogou tudo fora com o Xbox One e desde então está desesperada procurando uma forma de se salvar.

Com informações: Gematsu, Xbox Wire

domingo, 21 de abril de 2019

PlayStation 5, Xbox One SAD e Switch na China


Essa semana teve algumas notícias interessantes, porém com bem menos repercussões do que a maioria esperaria. Ainda assim tenho um pouco a falar sobre. A Sony soltou a configuração técnica do PlayStation 4, a Microsoft anunciou um console sem leitor de discos e a Nintendo licenciou a empresa Tencent para vencer o Nintendo Switch na China. Vamos falar um pouco sobre cada uma dessas notícias.

A revelação do PlayStation 5 foi apenas uma revelação das configurações técnicas, as quais provavelmente a Sony deve dar um up depois. Seria loucura dizer para o público qual é a configuração e permitir que a Microsoft simplesmente jogasse mais dinheiro e superasse esses números com facilidade. Um dos pontos principais que deram vantagem ao PS4 foi a utilização de surpresa de memória RAM GDDR5 no console, por exemplo.

A questão é apenas de botar o nome do videogame na boca das pessoas, dar início ao "buzz". Eu não vou comentar muito sobre o PlayStation 5 até ver de fato o console, porque no momento me falta apenas ver a proposta dele para dar um parecer muito negativo. Atualmente eu acredito que a Sony tem todo o necessário para fazer do PlaySation 5 um fracasso.

Todo o sucesso do PlayStation 4 veio de uma posição de humildade que a Sony estava após apanhar de vara de marmelo com o PlayStation 3. Não só isso, a empresa estava em uma tremenda crise financeira como um todo. Já há alguns anos eu vejo a arrogância da Sony voltando aos poucos, principalmente pela saída de vários dos responsáveis pela criação do PlayStation 4.


A empresa se reestruturou com um plano fantástico, o "One Sony" que inclusive colocou o PlayStation no centro do coração da empresa em uma época que seus celulares, smartphones e laptops iam mal. A Sony percebeu que o PlayStation era uma das melhores coisas que eles faziam e que deveriam fazer direito e dar a atenção devida. Agora que estão estáveis de novo, não acredito que pensem mais assim.

Mas não dá pra dizer ainda "Por que o PlayStation 5 vai falhar" porque a marca ainda é famosa e falta ver o que ela de fato irá apresentar como proposta para o videogame. Se apenas for um console genérico, tem uma grande chance de ser engolido pelo Xbox em uma alternância de poder que o público parece estar pedindo.

É incrível como a memória das pessoas sobre a marca Xbox parece fraca, considerando escândalos muito recentes como o lançamento do Xbox One empurrando conexão 24 horas obrigatória, obrigatoriedade do kinect e bloqueio de jogos usados e emprestados. Isso para não mencionar as três luzes vermelhas da morte no início do Xbox 360 e como eles negaram por muito tempo que fosse um problema.


Sim, vamos falar de Xbox One agora, mais precisamente o Xbox One S All Digital Edition, que já vem com a piada pronta de formar a sigla Xbox One SAD =(. É um modelo de Xbox One S sem disco, que funciona todo digital, uma ideia razoável para cortar custos no final de geração e pegar mais público, porém tem um problema muito sério, ele não é tão mais barato assim.

O novo modelo custa US$ 250 comparado a um modelo com disco por US$ 300 (que muitas vezes sai em promoção) então só de pensar que você poderia economizar mais talvez comprando jogos usados físicos, não vale tanto a pena. É mais como um modelo capado sem um real ganho. O preço ideal para captar um novo público teria sido US$ 200 e a Microsoft simplesmente não conseguiu chegar nele.

Uma questão curiosa é que se ele não tem leitor de disco você provavelmente também não pode utilizar a retrocompatibilidade dos seus jogos do Xbox 360. Apesar de o Xbox One baixar versões digitais compatíveis dos jogos do Xbox 360, ele usa o disco para validar sua "compra". Sem isso você teria que recomprá-los para ter acesso. Não são jogos caros, porém é mais um gasto embutido se os quiser.

Eu vou ter que culpar essa na incompetência da Microsoft. Desde os primeiros anos do Xbox One ela já devia ter percebido que não estava nas graças do público e precisava baratear muito o console. Durante essa geração inteira ela perdeu a oportunidade de lançar um Xbox de baixo custo para pegar mais público. Ok, o Xbox One era um projeto totalmente diferente no início e isso engessou ele por muito tempo, mas depois de cinco anos eles ainda não conseguem fazer uma versão de US$ 200 dele? Não dá pra entender.


Enquanto isso a Nintendo prepara-se para mergulhar em um possível pote de ouro com a entrada da empresa na China em parceria com a Tencent. A China é um mercado muito volátil mas com muito potencial que todas as empresas querem e as ações da Nintendo já subiram bastante com a possibilidade. Há uma série de discussões éticas também que nem todas as empresas deveriam se submeter, como no caso do Google que lançaria um mecanismo de pesquisas censurado. É um bom ambiente para lucrar, mas um pouco anti-ético às vezes.

A Tencent é uma empresa que tem se mostrado extremamente habilidosa e sagaz para fazer a ponte entre públicos, jogos e agora consoles. Eles prometem se tornar uma potência nos próximos anos só lucrando em cima de sucessos criados por outros. Não dizendo isso para desmerecê-la, ela faz um trabalho de adaptação digno de Tec Toy, PUBG Mobile é um exemplo com uma versão mobile que é melhor que o jogo para PC.

Entrar na China não é automaticamente uma garantia de sucesso. Como dito, é um mercado volátil, no qual a menor das coisas pode afetar muito os seus negócios, a política do governo em si pode ser alterada a qualquer momento e o público não está tão acostumado a pagar por jogos. Não estou dizendo que a entrada da Nintendo na China não vai dar certo, mas que pode não ser o passeio que todos esperam.

A Nintendo já tentou entrar na China anteriormente com umas empreitadas de segunda classe, como o console exclusivo iQue Player que basicamente rodava jogos de Nintendo 64 e foi descontinuado com apenas 14 títulos lançados, entre eles Super Mario 64, Mario Kart 64, Paper Mario, Super Smash Bros., The Legend of Zelda: Ocarina ofTime e Animal Crossing (que nos Estados Unidos apenas foi lançado no GameCube, mas no Japão existiu no Nintendo 64 como Doubutsu no Mori).

Recentemente a China demonstrou várias preocupações sobre os jogos como uma forma de vício e vale lembrar que todos os jogos lá são avaliados pelo governo antes de serem aprovados, um dos poucos pontos do regime do país que ainda lembram o comunismo. Assim como aqui no Brasil, é um governo que do dia para a noite pode decidir proibir certos jogos ou até mesmo parar o processo de aprovação por meses como aconteceu recentemente, o que gera um fator especulativo forte.

Ainda assim todo mundo quer entrar na China porque é um mercado enorme que vem descobrindo as vantagens do consumo nos últimos anos e isso cria explosões de interesse por certos produtos. Há desvantagens em corridas do ouro, mas as vantagens costumam ser maiores.

Essa semana de notícias é muito semelhante aos recentes eventos que tivemos sobre Stadia, jogos da Microsoft no Switch e Apple Arcade. Há muitas tendências e incertezas para o futuro, mas cada vez vemos mais empresas querendo entrar no mercado. O que realmente não tenho visto é um respeito aos jogadores como parte essencial da equação e não apenas como consumidores compulsivos.