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sábado, 14 de janeiro de 2017

Switch Child o' Mine, a Nintendo nunca muda


Recentemente a Nintendo realizou uma transmissão ao vivo no Japão para seu novo videogame, o Nintendo Switch. Foram apresentados mais detalhes sobre o console como data de lançamento para 3 de março e preço de US$ 300. Entretanto, uma coisa muito importante esteve ausente nessa transmissão: mudança. Veja do que eu estou falando.

A palavra "Switch" do inglês pode significar "trocar" e "mudar", mas o que vimos foi a mesma Nintendo de sempre. "Switch" também significa "interruptor", um dispositivo que só funciona em dois estados: ligado ou desligado. Este por sua vez representa o bom senso da Nintendo, que parece não existe em meio termo, apenas em ON e OFF.

Eu não esperava muito do Switch e a Nintendo me entregou exatamente isso, algo razoável mas não impressionante. No entanto muitas pessoas esperavam ser impressionadas pelo Switch e mais uma vez a Nintendo desperdiçou uma oportunidade e a boa-fé de quem ainda esperava que ela pudesse fazer diferente.

Para começo de conversa, o horário da conferência: 2 da tarde no Japão, 2 da manhã no Brasil e em fusos semelhantes para o ocidente. A Nintendo sabe que o interesse no Switch é global, que seus fãs irão querer saber as novidades de seu console o mais cedo possível, e qual horário ela marca? Um que apenas faz sentido para o Japão.

Conferência tão cedo que ainda tava dando Globo Rural

Há muito tempo a Nintendo parece cega para o resto do mundo e pensa apenas no que se passa no Japão, depois fica surpresa com a disparidade entre regiões, como foi a falta de preparo para a demanda do NES Classic. Por que o Switch tenta se vender como portátil? Porque no Japão o público prefere comprar portáteis e não investe mais tanto em consoles.

O papo de híbrido caiu por terra como já estava esperando. O Nintendo Switch não é um híbrido de console de mesa e portátil, ele é o Wii U 2 disfarçado. Durante a apresentação não houve um jogo sequer com natureza portátil, um jogo que poderíamos dizer que poderia ser lançado no Nintendo 3DS.

A única coisa que ele apresentou foi Remote Play, a capacidade de jogar longe da televisão. Porém, com bateria fraca e grande demais para ser um portátil. O forte rumor de uma versão de Pokémon Sun & Moon (fonte confiável) ainda deve se realizar, mas o fato permanece que até agora o Switch só possui jogos de console e o público já está formando sua opinião sobre ele.

Praticamente não há jogos. Os que estão anunciados deixaram uma impressão bem fraca do console. A janela de lançamento está extremamente vazia, pior do que a do Wii U. O único título forte é The Legend of Zelda: Breath of the Wild, um jogo de Wii U atrasado para segurar a barra do Switch. Não pega bem.


Em certo momento da apresentação foi dito que a Nintendo sempre tentou inovar e fala que já havia tentado trazer o conceito de portabilidade como o do Switch com o GameCube, já que ele era fácil de carregar, resistente e tinha uma alça. Então é dito que "parece que era cedo demais".

Sim, esse é o problema do GameCube para a Nintendo, ele chegou cedo demais. Nós que não estávamos ainda preparados para esse brilhante conceito de levar seu videogame com você a qualquer lugar. Nunca é a Nintendo, nunca são os jogos da Nintendo, é sempre outra coisa, como o timing, o marketing, o público que "não entendeu".

Enquanto a Nintendo não admitir os seus erros, como o GameCube, ela está fadada a repeti-los. O Nintendo Switch é o GameCube, pois o Nintendo Switch é também o Wii U e o Wii U também era o GameCube. A Nintendo está repetindo o erro do GameCube há várias gerações porque ela nunca conseguiu admitir que era um erro e que deveria mudar.

Como de costume vimos o Wii ser ignorado completamente no Switch. Não há jogos como os de Wii no Switch, apenas jogos de Wii U. A questão é que os jogos de Wii U não estavam vendendo o Wii U, por que eles venderiam o Switch? Se Xenoblade Chronicle X não vendeu o Wii U, por que Xenoblade Chronicles 2 venderia o Switch? Super Mario Odyssey? Mario Kart 8 e Splatoon?


Para quem é o Nintendo Switch? Não pode ser para o jogador de PlayStation 4, pois não tem jogos de thirds e não tem espaço de armazenamento sem um HD externo. Não pode ser para o jogador de 3DS e PS Vita, porque não é muito portátil, não tem boa bateria e em 32 GB não pode levar tantos jogos (só Zelda é 13 GB). Não pode ser para homens adultos pois o controle é do tamanho de um brinde do McLanche Feliz.

O único público que o Switch consegue atender de fato é, surpresa, surpresa, o do próprio Wii U. Afinal, ambos têm os mesmos tipos de jogos e os títulos que o Switch passará a receber são praticamente os mesmos que estavam em desenvolvimento anteriormente para o Wii U.

Por último temos a cereja no topo, o modo online do console será pago. Oras, se Sony e Microsoft cobram pelas suas redes online, por que não a Nintendo? Porque Sony e Microsoft querem ser sua primeira opção de console e alternam-se na liderança. Um dia foi o Xbox 360, hoje é o PlayStation 4.

Você só paga uma rede pra jogar online no console que você mais gosta, onde mais passa o seu tempo, onde estão seus Call of Duty, Fifa, Rocket League, Overwatch. Já há algum tempo a Nintendo não oferece esse tipo de console, então muitas pessoas ficarão sem modo online no Switch porque já estarão pagando a rede de outro videogame.

As plataformas Nintendo não tem mais tentado brigar pela primeira posição. Desde o Wii a empresa apenas lança ideias novas e torce pelo sucesso, como se o Wii tivesse sido sorte. Isso fez com que os videogames da Nintendo se tornassem plataformas secundárias, boas para jogar um ou outro exclusivo, como era na época do GameCube, porém sem moral para cobrar pelo serviço online, pois não são sua plataforma principal.


Toda essa mentalidade de GameCube irá prender o Nintendo Switch na casa dos 20 a 25 milhões de consoles, com um teto de 40 milhões. As pessoas até curtirão o videogame, acharão legal tê-lo, mas não haverá um grande motivo para comprá-lo. Diferente do Wii U, que não atendia ninguém, a ideia de um console com Remote Play irá agradar a algumas pessoas, mas elas acabarão insatisfeitas com a falta de jogos de qualidade.

Não, o Switch não vai falhar, mas só porque o Wii U foi tão ruim. Quando a Nintendo estabeleceu uma meta de mais de 100 milhões de Wii U, vender 10 milhões foi um fiasco monumental. O Switch não parece ter metas, a Nintendo aparenta apenas querer sair do buraco em que se meteu.

Ele será um console ideal para fãs da Nintendo, obviamente, e irá alcançar um pouco do Tier 2, consumidores latentes, o que dará a impressão que ele não é tão ruim assim. Porém, ele não conseguirá atingir a grande massa, o Tier 3, os consumidores casuais que fizeram o Wii ser um fenômeno.

Tudo porque os consoles mudam, mas a Nintendo continua a mesma.

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domingo, 18 de dezembro de 2016

Top 25 Jogos de PS Vita - Parte 2

Recentemente o PlayStation Vita completou 5 anos de vida e 2016 ainda foi um ano surpreendente para ele. Considerado por muitos um portátil "morto", ele continua a receber uma grande quantidade de jogos de grande calibre, mesmo que nem sempre exclusivos.


A primeira parte do Top 25 eu fiz durante o primeiro ano de vida do PS Vita e desde então muita coisa foi lançada para ele, então nada mais justo do que fazer uma parte 2 com ainda mais jogos. Porém vale deixar claro que este não é um Top 26 a 50, esses jogos não estão abaixo do Top original, mas lado a lado.

25 - Duke Nukem 3D Megaton Edition

Sempre aposte no Duke. A coletânea Duke Nukem 3D Megaton Edition mostra por quê. Esqueça todos os jogos péssimos do personagem nas últimas décadas e veja o jogo original que o fez ser um sucesso de verdade. Duke Nukem 3D era um FPS com ótima ação, level design muito bacana repleto de segredos e uma pitada de humor.

Uma coisa legal dessa edição é que você ganha o poder de "rebobinar" o jogo, então se tiver dificuldade em alguma parte basta voltar até conseguir passar. Ele tem também inclusos três pacotes de expansão lançados na época que trazem ainda mais coisa pra fazer além da campanha.


24 - Dragon Ball Z: Battle of Z

Um dos meus jogos favoritos da época do PlayStation One era Dragon Ball Z Legends e de certa forma Battle of Z me fez lembrar dele ao trazer batalhas em grupo, algo que agora está mais comum na franquia. Dragon Ball Xenoverse hoje toma todo o foco nos consoles com seu multiplayer online, mas e se você quiser algo mais rápido e portátil?

É nesse ponto que Dragon Ball Z: Battle of Z oferece algo relativamente raro para um portátil, um jogo de luta em 3D com muita ação, muitos personagens em tela ao mesmo tempo e golpes sendo trocados sem parar. É possível participar de combates até de 4 vs 4 seguindo as tradicionais sagas do desenho animado, só não conte com o modo online.


23 - Monster Monpiece

Existem muitos jogos de cartas tipo "TCG" por aí mas raros são os que ousam introduzir uma jogabilidade própria para videogames, como é o caso de Monster Monpiece. Aqui, além de montar um deck de cartas com garotinhas fofinhas (oi Japão) você precisa também movê-las por uma espécie de tabuleiro arena para que assim entrem em confronto.

A cada turno as cartas se movem sozinhas, então para vencer é preciso calcular quando sua carta irá colidir com o inimigo, qual o tipo da sua guerreira, se vale a pena sacrificá-la para invocar uma mais forte e mais. O jogo tem umas partes safadinhas desnecessário no qual para evoluir personagens você precisa passar por um minigame de toque.


22 - The Hungry Horde

É óbvio que existe uma grande quantidade de jogos de zumbis, isto é algo que não se pode negar, porém não há tantos jogos assim que colocam você no controle dos mortos-vivos. The Hungry Horde faz isso em um jogo divertido estilo arcade com um método de controle criativo, onde você controla a horda com os dois analógicos juntos.

Os desafios são coisas como desviar de obstáculos, ativar botões e morder outras pessoas para aumentar seu exército sem estourar seu limite de tempo enquanto tenta completar uma fase. Por utilizar os dois analógicos ele exige que você consiga realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo com coordenação para economizar preciosos segundos.


21 - Dragon's Crown

Este jogo é da produtora Vanillaware, a mesma de Muramasa Rebirth e por isso conta com seu tradicional estilo de 2D em alta qualidade. Trata-se de uma mistura entre Beat'em Up (sair batendo em todo mundo) com RPG na qual você controla personagens medievais clássicos como guerreiros e magas em aventuras semelhantes a Dungeons & Dragons.

Eu não vou mentir e dizer que não preferia que Dragon's Crown fosse um jogo muito mais arcade como Golden Axe, mas o que recebemos como produto final aqui também não é ruim. Há muito espaço para melhorar seu personagem através dos níveis e mesmo sendo difícil de encontrar alguém para multiplayer você pode contratar mercenários para ajudar na jornada, apesar de a ação ficar meio caótica às vezes.


20 - History: Legends of War - Patton

Este é um jogo que eu nunca compraria por conta própria e jamais imaginaria ser bom, mas que tive a chance de jogar pela PS Plus. Normalmente você não espera que um jogo criado pelo Hystory Channel tenha qualidade, mas Legends of War consegue ao acompanhar a campanha do general Patton durante a Segunda Guerra Mundial.

Trata-se de um jogo de estratégia no qual você passará por uma série de missões baseadas na campanha de Patton, algumas com objetivos variados e outras apenas para eliminar forças inimigas. Você poderá recrutar seu próprio pelotão com vários tipos diferentes de soldados, tanques e veículos de apoio em um jogo acessível e divertido. Mas no fundo eu ainda preferia o Churchill.


19 - Civilization Revolution 2 Plus

Lançado originalmente para iOS e Android, a sequência de Civilization Revolution traz uma versão simplificada da clássica série Civilization, a qual acaba ficando perfeita para partidas portáteis por serem mais rápidas e deixarem os detalhes extremamente técnicos apenas para a versão PC.

Aqui você poderá escolher um dos seus líderes preferidos e lutar por vários tipos de dominação mundial, como força militar, cultura, economia e corrida espacial. Uma vantagem da versão PS Vita é que você ainda tem direito a alguns líderes extras, além dos botões físicos que acabam funcionando melhor que a tela de toque para a interface simplificada.


18 - Digimon Story: Cyber Sleuth

Há algum tempo os jogos de Digimon vem sendo RPGs bem bacanas e Digimon Story: Cyber Sleuth não é exceção. Você segue em uma aventura como um "Cyber Sleuth", uma espécie de detetive virtual tentando descobrir os mistérios por trás de casos estranhos de pessoas presas no mundo digital e pedaços de dados se mesclando com o mundo real. Há também uma pitada de Persona na mistura.

O charme da jogabilidade assim como em Pokémon fica por conta de você poder criar seu próprio time de monstros e evolui-los da forma que preferir para enfrentar os inimigos que virão pela frente. O jogo não tem aquela profundidade estratégica de Pokémon, mas ainda é divertido criar seu próprio time de monstrinhos e escolher entre suas várias evoluções possíveis.


17 - The Walking Dead: Season 2

A primeira temporada de The Walking Dead foi incrível ao trazer uma aventura emocionante com escolhas difíceis de serem tomadas e a segunda simplesmente não deixa a peteca cair. Após a emocionante história de Lee e Clementine agora a menina precisa viver sozinha nesse mundo perigoso em que é inevitável ver rostos conhecidos ficarem pra trás.

Em muitos momentos é possível ver reflexos das escolhas da primeira temporada, além de termos os novos desafios de controlar Clem, já que ela é mais frágil que Lee. Ironicamente a história fica ainda mais interessante quando um rosto conhecido reaparece e nos apresenta um novo dilema.


16 - Gal*Gun: Double Peace

Imagine jogar Virtua Cop, só que ao invés de bandidos os seus alvos são garotas apaixonadas por você e ao invés de tiros você as atinge com... "euforia". Essa é uma proposta sem vergonha típica de um jogo japonês safadinho, mas é justamente por isso que é tão surpreendente quando ele se mostra um bom jogo e não apenas um monte de fanservice sem sentido.

A história é profunda e fala de uma "cupido" que acidentalmente despeja toda a carga de atração da vida de um jovem de uma vez, por isso todas as garotas ficam apaixonadas de repente, porém se ele não encontrar seu verdadeiro amor naquele dia ficará sozinho para sempre. Além de uma jogabilidade bem divertida o jogo ainda se aprofunda com itens, missões e vários finais diferentes dependendo de com quem você queira ficar no final.


15 - Hyperdevotion Noire: Goddess Black Heart

Normalmente eu evito colocar mais de um jogo da mesma franquia em um Top para assim aumentar a variedade, mas a série Hyperdimension Neptunia ganhou seu espaço aqui porque realmente abraçou o PS Vita e lançou vários spin-offs. Caso não conheça a série, dê uma lida na posição 12 antes.

O melhor desses spin-offs foi Hyperdevotion Noire, um jogo de estratégia focado em Noire, a personagem que representa o PlayStation 3 na série. Hyperdimension Neptunia tem muito carisma e humor, mas nem sempre agrada como RPG. Aqui você canaliza todo esse carisma em um jogo de estratégia com personagens para upar e cuja personalidade e aparência representam séries populares dos consoles da Sony.


14 - Senran Kagura Shinovi Versus

Senran Kagura é uma das melhores séries de ação disponíveis atualmente para o PS Vita com muita ação contra dezenas de inimigos ao mesmo tempo, num estilo semelhante ao de Dynasty Warriors, e um monte de personagens diferentes para usar, cada uma com personalidades excêntricas, histórias próprias e golpes especiais distintos.

Ele tem também muitos elementos sensuais que parecem inevitáveis nos jogos japoneses atuais, com seios enormes balançando e roupas que se rasgam ao receber golpes. No entanto há muita substância na história por baixo desse nível superficial de apelo visual. Essa posição pode ser também ocupada por sua sequência: Senrna Kagura Estival Versus.


13 - Hotline Miami

Foi uma pena que quando eu escrevi a primeira parte do Top 25 eu ainda não tinha colocado as mãos em Hotline Miami porque ele é um jogo simplesmente perfeito para o PS Vita. O jogo traz um desafio tipo "mate todos nesse lugar" com visão aérea e um tiro sendo o bastante para você morrer.

Isso significa que é preciso rejogar várias vezes a mesma missão, tentar coisas diferentes, contar com a sorte e habilidade até conseguir matar todos e sobreviver. Esse design se encaixa muito bem com um portátil e ainda por cima há uma história bem psicodélica no estilo anos 80 para manter você entretido.


12 - Hyperdimension Neptunia Re;Birth 3 - V Generation

Hyperdimension Neptunia é o terceiro capítulo de uma série sobre garotinhas deusas que representam consoles, como Wii, PlayStation 3 e Xbox 360, além da protagonista que seria o "Neptune" da Sega. Há muito humor, alegorias e referências para quem prestar atenção. Blanc, o Wii, é isolada e fria, não aceita concorrentes como dignas, enquanto Plutie, o Mega Drive, é uma Dominatrix devido ao marketing agressivo da Sega na época.

Por que recomendar o 3 e não o 1 ou 2? Bom, a cada jogo a série foi melhorando, pois nos primeiros havia muito grind e uns saltos de dificuldade grandes que exigiam dominar demais os sistemas do jogo. O terceiro além de ser mais leve nesse quesito ainda cobre os anos 80 e 90, especificamente a época do Super Nintendo vs. Mega Drive com a entrada do PlayStation, o que torna a história muito mais interessante.


11 - Earth Defense Force 2: Aliens from Planet Space!

Eu sou um grande fã da série Earth Defense Force com suas batalhas de escala sem igual contra formigas gigantes e robôs alienígenas, ação constante e progressão viciante através de upgrades e vários níveis de dificuldade a lá Diablo. Porém Earth Defense Force 2 é um jogo mais antigo da série, então apesar de ótimo, ele não é tão legal quanto Earth Defense Force 2017 Portable.

Originalmente ele foi lançado para PlayStation 2, mas nunca saiu nos Estados Unidos, e depois teve um port para PSP que ficou apenas no Japão. Essa versão para o PS Vita é um upgrade da original do PSP, então os gráficos são mais caídos, porém o segundo jogo tem uma variedade de missões e inimigos um pouco maior que o 2017. Vale a pena conhecer ambos para saber sobre as origens da série, mas não espere nada do modo online.


10 - Persona 4 Golden

No primeiro Top não coloquei a série Persona pois na época havia jogado até o terceiro jogo e não a recomendaria a franquia para qualquer um. Porém, vi em Persona 4 Golden um jogo que pode ser a porta de entrada para fãs de um bom RPG. A jogabilidade em si não é tão forte e confia em labirintos aleatórios onde você enfrenta monstros, mas há uma jornada de umas 150 horas pra compensar e sessões de interação com a vida escolar do seu personagem com toques de visual novel.

A história é intrigante e fala de um canal que à meia-noite transmite o lado obscuro de uma pessoa, seus desejos mais profundos, antes de ela aparecer morta no dia seguinte. Você controla um grupo de amigos que após despertarem o poder de suas "Personas" tentam salvar essas pessoas e descobrir quem as está matando.


9 - Minecraft: PlayStation Vita Edition

Um clássico da era moderna, o jogo independente Minecraft traz um mundo de aventuras para jogar na palma da mão com o PS Vita sem ter que fazer os sérios comprometimentos das versões Pocket Edition para smartphones e tablets, como a falta de botões. Um ano atrás provavelmente eu o colocaria numa posição mais alta porém eu não gosto muito da direção que atualizações mais recentes levaram o jogo.

Na versão do PS Vita os mundos têm o mesmo tamanho das versões do PlayStation 3 e Xbox 360, bem menores que os do PlayStation 4 e Xbox One, porém sempre com as mesmas novidades dessas versões. Às vezes o jogo enfrenta alguma lentidão, mas ele ainda diverte imensamente. Caso seu mundo fique entediante em algum momento é possível também exportá-lo para o PlayStation 4 e aumentar seu tamanho.


8 - Resident Evil Revelations 2

Em uma das raras rasteiras que o PS Vita deu no Nintendo 3DS, a Sony conseguiu garantir que a sequência de um dos jogos mais legais do portátil, Resident Evil Revelations, não fosse lançada na plataforma da Nintendo, mas sim no PS Vita. Até foi um feito impressionante, mas aí Revelations 2 acabou não sendo tão legal quanto seu antecessor, com gráficos aquém do esperado.

Ainda assim há méritos no jogo como um bom game de ação que vale a pena ter sua campanha terminada. O destaque no entanto fica para o robusto Raid Mode, uma das melhores partes do primeiro Resident Evil Revelations agora expandida. Ele é um pouco como um RPG do modo Mercenaries onde você enfrenta hordas de inimigos mas ainda reúne upgrades pra ficar mais forte.


7 - Shantae Half-Genie Hero

Demorou três anos mas finalmente o novo capítulo da série Shantae saiu e é o melhor deles até agora. Eu não sou um grande fã de Shantae então foi uma enorme surpresa ver um bom jogo dela, com gráficos muito legais em 2D, extremamente bem animados e um Level Design divertido e cheio de segredos para explorar de uma forma que me lembrou Astro Boy do GameBoy Advance.

A aventura é um pouco curta, mas muito intensa e divertida, dando motivos ao jogador para retornar várias vezes aos mesmos lugares e encontrar novos segredos que talvez você nunca tenha pensado que estivessem lá. Ainda há obviamente alguns problemas tradicionais de Shantae, como inimigos sendo jogados na sua cara quase sem tempo de reação, mas eles são diminuídos devido ao jogo atuar com um sistema de fases desde Pirate's Curse.


6 - Corpse Party: Blood Drive

O primeiro Corpse Party para PSP é uma obra-prima do terror, perturbador até o talo e extremamente desconfortável, porém não dá pra negar que é também muito linear. A sequência não têm tantos momentos assustadores como o original mas traz o mesmo estilo macabro de escola assombrada, porém com mais jogabilidade

Dessa vez há armadilhas para evitar, fantasmas que te perseguem, locais para se esconder, o que é bem mais legal propriamente de jogar. A história viaja um pouco, traz alguns personagens tipicamente japoneses e é preciso ter um conhecimento básico do jogo original, porém recomendo bastante a fãs de terror que vejam os dois.


5 - LEGO Avengers

Eu esperava muito de LEGO Avengers nos consoles pois ele era a sequência do ótimo LEGO Marvel Super Heroes. Não preciso dizer que foi decepcionante. Então bastante tempo depois eu esbarrei na versão do PS Vita do jogo, que é bastante diferente do console, e me surpreendi pois consertaram vários dos defeitos das versões portáteis dos jogos de LEGO.

Pela primeira vez um jogo licenciado de LEGO portátil trouxe um mundo aberto para explorar e as fases são rápidas e divertidas em contrapartida com algumas que se arrastam nos consoles. no fim das contas eu me diverti muito mais com LEGO Avengers no PS Vita do que no PlayStation 4.


4 - Rayman Legends

Se tem um jogo que eu nunca imaginei que iria gostar é Rayman Legends. Isso porque eu já havia jogado Rayman Origins e odiado o level design dele. Então a única coisa que eu esperava de Rayman Legends era mais do mesmo. Imagine minha surpresa ao descobrir um jogo totalmente diferente e fantástico.

A jogabilidade é basicamente a mesma mas o level design foi totalmente repensado para criar um estilo de aventura muito diferente, mais dinâmico, frenético, emocionante, com direito até a fases musicais especiais. Obviamente nem tudo é perfeito, há algumas fases incômodas remanescentes do Wii U nas quais você tem que usar a tela de toque, mas dá pra relevar.


3 - Tales of Hearts R

Originalmente lançado para o Nintendo DS em 2008, Tales of Hearts R é um remake desse capítulo da série Tales Of que nunca antes havia chegado ao ocidente. Ele segue a história de um garoto chamado Kor Meteor que acidentalmente espalha o "coração" de uma garota pelo mundo e precisa recuperá-lo emoção por emoção.

O jogo não é tão parrudo quanto outros RPGs da série Tales Of, já que veio de um portátil. Há menos coisas a se fazer do que em Tales of the Abyss, Vesperia ou Symphonia, mas ele ainda traz muita qualidade e tudo que se espera de um jogo da franquia, incluindo seu sistema de batalha focado na ação.


2 - Odin Sphere Leifthrasir

Mais uma das incríveis pérolas da Vanillaware, Odin Sphere é um RPG originalmente lançado em 2007 para o PlayStation 2 e agora melhorado para o PS4 e PS Vita. Ele traz a história de um reino em guerra por um caldeirão mágico capaz de fornecer recursos infinitos para quem o tiver através de cinco personagens diferentes.

Como já é tradicional para o estúdio, o jogo conta com gráficos 2D belíssimos de altíssima qualidade, um sistema de batalha viciante e profundo e uma história bonita com toques nórdicos. No entanto ele é mais voltado para a parte RPG, então tem menos ação do que jogos que vieram depois, como Muramasa Rebirth.


1 - Adventures of Mana

Um dos meus jogos mais esperados de 2016, Adventures of Mana é na verdade um remake do jogo Final Fantasy Adventure lançado para o GameBoy em 1991, o qual não era um Final Fantasy, apenas aproveitava o sucesso do nome. Porém, mais detalhes de Final Fantasy acabaram entrando no jogo, como personagens, chocobos e mais, os quais também estão no remake e dão um charme extra.

A história segue uma espécie de cavaleiro gladiador que após escapar de seu cativeiro se envolve em uma aventura de resgate e proteção de uma garota especial. A jogabilidade tem base no clássico do GameBoy e algumas pessoas podem pensar que isso deixa o jogo datado sem perceber como são preciosos os valores daquela época.


Grand Master - Dragon Quest Builders

Se tem algo que eu não esperava após 5 anos do PS Vita era jogar algo tão bom quanto Dragon Quest Builders nele. Muito mais do que um mero clone de Minecraft, o jogo toma o mundo de blocos como inspiração mas não faz dele seu principal charme. Pelo contrário, não se satisfaz em ser apenas mais um e evolui a fórmula além.

Em Dragon Quest Builders você terá construção e combate como em Minecraft, porém também toda uma pequena sociedade se formando nos locais onde você estabelecer sua base, capazes de realizar contribuições e oferecer missões. Há uma campanha com quatro territórios para serem salvos por suas construções e muitos chefões para enfrentar pelo caminho.


Ausências justificadas

Danganronpa: Trigger Happy Havoc
- Não tive a oportunidade de jogar
Yomawari: Night Alone - Um pouco linear demais, mas charmoso
Severed - Ouvi boas coisas mas não pude jogar pessoalmente
OlliOlli 2: Welcome to Olliwood - Sei que muita gente gosta mas não consegui me empolgar
Shakedown: Hawaii - Bom, ainda não lançou, mas imagino que estaria aqui se tivesse
Attack on Titan - Também não pude comprar, está muito caro, acho que estaria no top


Zero Escape: Zero Time Dilemma - Não tive a oportunidade de jogar, também poderia ganhar uma posição
World of Final Fantasy - Não pude jogar, não sei se entraria
J-Stars Victory Vs - Poxa, eu esqueci dele na hora, estaria no top com certeza... mas no lugar de quem?
Mighty No. 9 - Eu colocaria o jogo, mas... a versão para o PS Vita ainda não saiu... e aí Inafune?
Hatsune Miku: Project Diva X - Não tive como jogar, poderia ter entrado
XCOM: Enemy Unknown Plus - Comprei mas não tive tempo de jogar
Alguns indies - Deixei de fora por uns motivos aí...

Senteiu falta de algum jogo (Não esqueça de checar a Parte 1 também)? Deixe um comentário.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Small Radios Big Televisions: a TV que vai derreter o seu cérebro


Eu sou um grande fã dos jogos do Adult Swim, o canal de desenhos mais sérios que de vez em quando tinha uma ponta no Cartoon Network, porque eles costumam trazer uma boa jogabilidade, levemente viciante e são bem bizarros, tipo Robot Unicorn Attack (ALWAYS!!!). Então eu quis jogar Small Radios Big Televisions apesar de não conseguir entender o jogo de cara.

Como sabem, é estranho pra mim não entender um jogo. A questão é que Small Radios Big Televisions não é bem um jogo, mas uma experiência psicodélica com um quebra-cabeça emaranhado de leve. É até um pouco jogável, mas eu não diria que há jogabilidade, apenas a resolução linear de um grande puzzle com cenas enlouquecedoras no meio. Não acredita em mim? veja o trailer.


Pequenas empresas grandes confusões

Vamos começar a explicar isso. Esses locais que parecem plataformas de petróleo devem ser as estações de transmissão de rádio ou TV, não deu pra entender muito bem. Você entra nelas ao clicar nas portas e passa a então movimentar-se pelos corredores desses locais sempre clicando apenas nas portas. Não há um personagem andando, apenas você.

Conforme você vai andando pode acabar dando a volta e sair por outra porta, ora do mesmo lado por onde entrou, ora por um lado diferente, como em Fez e aí o jogo vai ficando mais complicado e exigindo que você mantenha uma certa noção de por onde está andando. Algumas portas estão também trancadas e exigem algum raciocínio para descobrir como abri-las interagindo com objetos do cenário na mesma sala ou em outras.

All we hear is Radio Gaga

Toda essa movimentação pelo local tem um único objetivo, encontrar fitas K7. O que? O que são fitas K7? Sai daqui. Volte em alguns anos. Voltando ao assunto... cada fita K7 contém um "mundo" próprio bem psicodélico onde você encontra o que parecem ser octaedros que agem como chaves para certas portas das instalações e permitem que você avance mais.


Porém, não é só isso, diria o Bob do Polishop. Há salas especiais que contam com ímãs no meio do trajeto, então você pode usar suas fitas K7 neles para corrompê-las e assim alterá-las. Então uma fita que originalmente tinha uma visão psicodélica aparentemente sem o octaedro pode ser alterada para uma onde ele está visível. Como uma vistosa árvore que vira um tronco quase morto e revela o objeto que estava escondido em suas folhas.

Não há nada errado com a sua televisão

Até mesmo para quem curte experiências diferenciadas, Small Radios Big Televisions é um pouco demais... e ao mesmo tempo um pouco de menos. Falta mais conteúdo para realmente entreter e as partes de quebra-cabeça são meio monótonas. Por mais que eu quisesse ver mais mundos e ser surpreendido por suas bizarrices, eram poucos e curtos separados por grandes porções de corredores.

Se fosse um jogo eu daria uma nota baixa pra ele, mas nem mesmo o reconheço como tal, está mais para uma experiência. O problema é que é uma experiência com um precinho bem salgado, então se quiserem dar uma olhada, chequem por vídeo mesmo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Quando Mario enfrentou o capeta no Halloween


Acredito que poucas pessoas conheçam essa história, mas em 1996 a revista oficial Club Nintendo na Alemanha criou uma história em quadrinhos própria para o Halloween, chamada de "Die Nacht des Grauens" (A Noite do Horror), a qual colocava o mascote Mario, além de Kirby e Link, em uma aventura extremamente bizarra contra demônios e figuras clássicas do terror.

Inicie seu contador de absurdos: A história segue o cliché de todo filme de terror ao começar com Mario e Peach tentandodar uns amassos, quando um raio causa uma queda de energia. Mario, Kirby e Link então vão checar os fusíveis do prédio (onde moram todos os personagens Nintendo aparentemente) e lá encontram Wario fazendo um pacto com um demônio chamado "Abigor", um nome verdadeiro que é usado em rituais.

O plano de Wario é utilizar forças do inferno como Jason de Sexta Feira 13, Chucky de O Brinquedo Assassino e Leatherface de O Massacre da Serra-Elétrica para enfrentar Mario. Apesar disso, Peach ainda tem sua alma tragada para o inferno. É, esse é o fim da história.

Aí você se pergunta: "Meu Deus, a Nintendo permitiu um absurdo desses?". Não... só esse não. Ela permitiu esse e uma sequência que ainda foi lançada em 1997, na qual Mario vai até o inferno para resgatar a alma da Peach, onde enfrenta o próprio Abigor. Abaixo eu traduzi os dois volumes para vocês mesmos lerem.

Volume 1



Volume 2




sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Review: No Man's Sky é um sonho para fãs de ficção científica


No Man's Sky era um dos jogos mais esperados da geração com uma promessa fantástica de criar um universo praticamente infinito. Porém, após vários anos de desenvolvimento e muitas promessas, ele acabou se envolvendo em uma grande polêmica por não trazer exatamente o que todos os jogadores esperavam. O que é uma pena, pois debaixo de tanta confusão há um jogo realmente incrível esperando ser desbravado.

Não entre em pânico!

A premissa de No Man's Sky sempre foi incrivelmente ambiciosa: dar ao jogador um número quase infinito de planetas para se explorar. Com o uso de fórmulas matemáticas que geram esses mundos proceduralmente o jogo é capaz de trazer quintilhões de planetas para você visitar, o que significa que nem todos esses locais serão visitados por seres vivos enquanto a humanidade durar.

Uma vez estabelecido esse universo gigantesco, a pergunta na mente dos jogadores é "Ok, como se joga?", e nem todos gostaram da resposta. No Man's Sky é um jogo de ficção científica e este é um gênero que não agrada a todos. Sua ambição acabou por torná-lo atraente para jogadores que normalmente não ficariam animados por esse tipo de jogo e isso causou uma forte onda negativa quando eles tiveram seu primeiro contato e viram do que se tratava.

Passado esse impacto inicial, no entanto, o que é afinal No Man's Sky? É um jogo sobre exploração e descoberta em um grande universo cujo tamanho depende apenas da sua imaginação. Você nunca conseguirá visitar todos os planetas para ter certeza de que aquilo que você imaginou não existe. Essa fagulha de improbabilidade infinita pode povoar esse universo com teorias e histórias sobre as quais o jogo apenas lança insinuações, sem certezas.


No início não havia nada

Não existe um enredo em No Man's Sky per se. Ao começar o jogo você é lançado em um planeta com sua nave quebrada e sem equipamentos, com um objetivo de consertá-la para poder voltar ao espaço e partir em jornadas para saber mais sobre o universo ou chegar ao centro da galáxia.

Chegar ao centro do universo é o principal objetivo e pode levar por volta de 100 horas, uma jornada realmente difícil de se completar. Porém há caminhos alterativos que você pode considerar sua aventura completa, como o "Caminho do Atlas", uma entidade alienígena comprometida ao conhecimento cujo caminho levaria apenas umas 40 horas.

A verdadeira história de No Man's Sky já aconteceu, há milhares ou talvez milhões de anos nessa mesma galáxia. Você pode desvendá-la através de monólitos e ruínas deixados nos planetas. Eles contarão sobre a história de cada uma das três raças alienígenas: os Korvax, os Vy'Keens e os Geks, além de também falar sobre os sentinelas, uma espécie de polícia espacial automatizada que está em toda parte.


Essa forma de apresentar a história é inteligente por ser opcional. Você não é obrigado a acompanhá-la, mas pode descobrir o que aconteceu nesse universo se quiser. Aos poucos é possível ver que nem todos estão satisfeitos com os sentinelas, que algumas raças já estiverem em guerra entre si, outras já foram escravizadas e que houve um grande caminho de transformação até chegar onde elas estão hoje.

Tanto a história quanto os diálogos das interações com alienígenas e ruínas têm uma forte carga de ficção científica em sua escrita, com muitas referências para quem é fã de Isaac Asimov e Douglas Adams. Há especificamente uma grande quantidade de detalhes que apontam para a série O Guia do Mochileiro das Galáxias.

No começo você não entenderá o que os alienígenas falam, precisará aprender cada uma das três línguas antes, mas ainda precisará tomar decisões baseadas no contexto da conversa que estão tendo. Isso gera algumas situações interessantes de adivinhação com base na personalidade de cada raça e resultados inusitados.


Perdidos no espaço

Como dito, assim que o jogo começa você é deixado em um planeta aleatório em algum canto do universo com sua nave quebrada e seu objetivo é consertá-la. O jogo simplesmente começa do nada e você que se vire, o que é bem prazeroso. Um ponto curioso é que como cada pessoa começará em um planeta diferente, sua experiência inicial deve ser bem diferente.

Mesmo assim o jogo não te deixará totalmente perdido. Consertar sua nave e dar seus primeiros passos será uma espécie de tutorial que fica no canto da tela até você entender as mecânicas básicas. Uma vez que as complete você fica por conta própria para explorar essa imensidão da forma que achar melhor, ou mesmo não explorá-la, a decisão é sua.

Em todos os planetas é possível encontrar certos recursos que podem ser extraídos com sua ferramenta. Quebre pedras e você receberá Ferro, destrua árvores e receberá carbono, além de outros elementos espalhados em plantas e concentrações pelo terreno. A coleta de recursos é uma grande parte de No Man's Sky, porém não se trata de um Minecraft no espaço.


Você decidirá o quanto a coleta de recursos ocupará seu tempo com o passar do jogo. No início sua arma será ineficiente e lenta, mas você poderá fazer upgrades nela. Seu inventário será pequeno e você poderá carregar poucas coisas, mas também poderá aumentá-lo. Sua nave terá pouco espaço para estoque, mas você poderá obter uma nave maior e assim por diante.

O inventário é um dos grandes dilemas de No Man's Sky, pois ele é bem limitado no começo. Eventualmente você pode ter até 48 slots em seu traje e nave, sendo que a nave ainda carrega o dobro da quantidade de elementos que seu traje. Porém, upgrades ocupam o mesmo espaço dos itens, então em alguns momentos você terá que decidir entre estar bem equipado ou carregar muitas coisas.

Vale a pena mencionar também um upgrade para sua arma que permite explodir pedaços dos planetas, como chão e paredes, o que te dá total liberdade de locomoção pelos mesmos. Se um recurso estiver subterrâneo você pode "escavar" até ele, se ficar preso em uma caverna pode criar sua própria saída e se atmosferas nocivas tentarem matar você, pode criar um abrigo temporário.

Uma vez equipado com sua nave você poderá começar a explorar o planeta que está, o que inclui: visitar instalações para obter novas tecnologias para seu traje, nave e ferramenta, visitar ruínas para aprender a língua dos alienígenas e sua história, procurar por naves abandonadas ou abatidas para adquiri-las, catalogar formas de vida do planeta ou mesmo buscar por recursos para criar algum upgrade.


Há uma grande quantidade de coisas para fazer e durante as primeiras dezenas de horas você apenas tentará administrar tudo isso para chegar a um bom personagem que pode aguentar algumas brigas, coletar recursos rapidamente e carregar itens sem precisar reorganizar sua mochila toda hora. Para chegar ao máximo seriam necessárias mais algumas dezenas de horas.

Além dessa jornada de auto-melhoramento o jogo ainda oferece 9 desafios específicos em 9 categorias, chamados de "Marcos" ou "Milestones". Cada um deles vai do nível 1 ao 10 e exige que você realize feitos progressivamente mais difíceis, como destruir uma certa quantidade de naves inimigas em batalhas espaciais ou catalogar todas as formas de vida de um planeta.

A lista completa de marcos registra: quanto você já andou, quantos alienígenas conheceu, número de palavras que aprendeu, quanto dinheiro acumulou, quantas naves inimigas destruiu, quantos sentinelas destruiu, quanto tempo já sobreviveu em planetas com condições extremas, quantos saltos de dobra já realizou e em quantos planetas você descobriu todas as espécies.


Estes objetivos são bem desafiadores e dão ao usuário mais um pouco de senso de propósito nesse universo tão esmagador de opções. Eles compõe também o troféu de Platina do jogo, então se você completar todos irá ganhar o troféu, mesmo que não tenha sequer chegado ao centro do universo.

Praticamente inofensivo

Em pouco tempo você terá capacidade também para sair do planeta em que começa, que é quando o jogo decola. Você pode visitar qualquer outro planeta ao seu redor a qualquer momento e com células de dobra pode mudar de sistema e visitar ainda outros planetas. No início tudo é um pouco parecido, pois o jogo utiliza um método de classificação de planetas que inicialmente te deixa preso nos mais sem graça, os G e F.

Planetas tipo G e F são basicamente rochas com pouca vida e sem nada interessante acontecendo neles. Conforme você aprende a construir reatores de dobra melhores começa a poder acessar os K e M, levemente melhores mas ainda sem graça, e finalmente planetas tipo E, bem vivos e com muitos recursos. Por último você terá acesso a planetas tipo B e O que costumam ter condições adversas, perfeitas para viver aventuras.

Pode parecer estranho oferecer os piores planetas de início, mas isso permite que essas primeiras horas de No Man's Sky sejam focadas apenas em você, melhorar o seu personagem através do traje, nave e ferramenta. Uma vez lá fora o universo é perigoso e algumas coisas podem acabar te matando se você não estiver preparado.


O nível de risco em No Man's Sky normalmente é baixo, praticamente inofensivo, pois poucas coisas realmente querem e podem matar você. Um animal selvagem pode ficar invocado e resolver te perseguir por você ter entrado em seu território, mas ele não causará dano suficiente para matar você e não é tão difícil escapar dele, a menos que esteja em um grande bando.

Porém em alguns planetas mais avançados, condições extremas como radição, temperaturas altas/baixas ou toxinas podem impedir que você fique mais do que alguns minutos em sua atmosfera. Esses mundos muitas vezes guardam recursos raros que podem ser usados em upgrades avançados ou coisas que podem ser vendidas a preços altos. Às vezes a força dos Sentinelas nesses locais também é extrema e atacará ao avistar você ou virá persegui-lo se pegar algum item valioso.

Quando você finalmente achar que se deu bem ao encher seu estoque de itens para revender, pode ser atacado por uma frota de piratas no espaço que tentarão pegar sua carga. No entanto, mesmo que você morra, seus itens ficam exatamente no mesmo lugar esperando por você, apenas sua nave sofrerá dano em alguma de suas tecnologias.


É um pouco chato que os piratas apenas existam nas naves, eles não descem aos planetas para te perseguir nem nada do gênero. Os Sentinelas por sua vez, protegem tanto o universo, mas não farão nada para ajudar você. Algumas vezes naves de fugitivos surgem também de repente no espaço e há recompensas por abatê-las.

Gráficos e Som

Visualmente No Man's Sky oscila em seu visual de acordo com o planeta em que você está. Alguns dos mundos mais desinteressantes não são muito bonitos visualmente, parecem apenas grandes áreas de pedras e montanhas. Porém, há outros com vegetação rica, animais exóticos, grama colorida que se agita com tempestades, nuvens de poeira que passam pelo ar, belas cavernas submarinas e assim por diante.

Há momentos em que se você parar e apreciar o pôr do sol irá sentir uma beleza incrível no jogo e há mundos que simplesmente serão prazerosos aos olhos de explorar. Tecnicamente é incrível o que o jogo realiza, com transições entre espaço, estratosfera e solo como se fossem um único mundo. Durante essas transições ocorre um certo "granulado", mas nada que incomode.


O setor musical é estranhamente muito bom, com músicas que combinam com o estilo do jogo, porém elas não tocam por muito tempo. Na maior parte da aventura você terá apenas o silêncio do espaço. Os animais possuem sons próprios, apesar de um pouco repetitivos, mas tudo soa bem futurista e cheio de lasers como seria de se esperar.

O Centro do Universo

Normalmente eu não dou spoilers sobre um jogo, mas aqui está algo que todos precisam saber. O objetivo de No Man's Sky, chegar ao centro do universo, não leva a nada. Uma vez que você chega lá a câmera se distancia, você é removido da galáxia onde estava e colocado em outra, com todos os seus equipamentos quebrados para começar tudo de novo.

É importante que as pessoas saibam disso antes de começar a jogar para decidirem se elas preferem a jornada ou o destino. No Man's Sky não recompensa no destino e jogadores devem estar cientes sobre isso. Para muitos o fato de não haver nada significa que o jogo é uma completa porcaria, para outros, é um ponto de reflexão.


O troféu de platina desse jogo, obtido ao conseguir todos os outros troféus, chama-se "Vórtice da Perspectiva Total". Esse nome vem de um aparelho de tortura da série O Guia do Mochileiro das Galáxias que aniquila a alma das pessoas ao mostrar como elas são pequenas no universo. Muitas pessoas acreditam que é isso que significa chegar ao centro de No Man's Sky, ser lembrado da nossa própria insignificância no universo.

Porém eu tenho outra resposta, também da série de Douglas Adams: "Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu".

Conclusão

No Man's Sky é um jogo interessante e ambicioso que teve dificuldades para lidar com a própria fama. Apesar de ter lá sua dose de problemas, como bugs no lançamento, não era um jogo que merecia ser tratado como se fosse só mais um capítulo anual de alguma série lançado às pressas. Em seu primeiro mês praticamente todos os bugs foram consertados.

Este é um jogo indie onde o único momento que eu lembro da palavra "indie" é no final dessa review, quando penso como é incrível que um time de 14 pessoas possa ter realizado tal façanha. Em um mundo que aclama jogos em preto e branco que poderiam muito bem ser assistidos no YouTube, No Man's Sky traz algo diferente, uma aventura única para cada jogador.


Para fãs de ficção científica No Man's Sky é um sonho, com um universo acreditável, explorável e com muitas coisas para fazer nele. Sua ambição de não se contentar com o caminho fácil e tentar fazer aquilo que antes parecia impossível não é diferente da mesma ambição que levou o homem ao espaço em primeiro lugar e isso será inspirador para esse tipo de jogador.

Porém, como no dilema de Ícaro, algumas pessoas veem em No Man's Sky apenas soberba e arrogância, uma figura que ousou voar perto demais do Sol e que merece ser punida por isso. Já eu brindo a tal ousadia e espero que no futuro nos lembremos de No Man's Sky pela sua grandeza. Não a grandeza de seu universo, mas a de acreditar que poderiam fazer um jogo impossível que deu asas a nossa imaginação.

Nota: 9/10

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