sexta-feira, 29 de março de 2019

Review: Earth Defense Force 5 surpreende como melhor jogo da série


Earth Defense Force 5 é o mais novo capítulo pra PlayStation 4 de uma série de games meio tosca e escrachada da produtora japonesa Sandlot que surgiu como um minigame simplista no PlayStation 2 e desde então vem tomando proporções maiores. Eu sou fã da franquia há algum tempo, explodir alguns alienígenas é incrivelmente divertido, mas ainda assim não esperava que EDF 5 fosse me surpreender tanto.

A primeira vez que eu vi EDF 5 não me parecia muito impressionante, estava muito parecido com EDF 4, que sim é um ótimo jogo, mas não precisa de uma sequência igual. Havia alguns novos inimigos humanoides e eu até tinha medo que eles talvez não combinassem muito com o estilo do jogo. Então eu finalmente tive a oportunidade de jogar e o choque foi enorme. É facilmente o melhor EDF da série.

Aliens estão invadindo... de novo

A história é uma espécie de reboot, algo que sempre acontece na franquia após alguns jogos. Para os personagens a Terra está sendo invadida pela primeira vez, é o primeiro contato da humanidade com aliens, a primeira vez que insetos gigantes invadem as ruas. Curiosamente eles nunca são chamados de "insetos gigantes" como em outros jogos da série, mas de "Monstros". Alguns inimigos e essa atmosfera lembram os de Earth Defense Force 2 (disponível no PS Vita).


Você encarna o papel de um civil que estava visitando a sede da EDF, uma organização militar preventiva cuja função é ser a última linha de defesa da Terra em casos de emergência. Durante sua visita subitamente uma emergência real acontece e o mundo começa a ser invadido por alienígenas, veja só que coincidência. Você se torna um recruta "noob" ao lado de soldados treinados e aos poucos mostra seu potencial. Vale lembrar que você não interpreta o herói "Storm 1" dos jogos anteriores, mas ainda há uma ligação conceitual com essa ideia.

Os inimigos da vez são os Primers, alienígenas humanoides cinzentos. Eles também utilizam numerosas formigas, aranhas e vespas gigantes, o que aparentemente são exércitos de baixo custo já que vários aliens diferentes os utilizam através da série. Há versões reimaginadas de inimigos anteriores como drones e robôs trípodes. Sapos-bois voadores substituem os antigos dragões... uma frase que eu não achei que ia dizer hoje. Há também uma espécie de barata gigante que vira bola, como se fosse um tatuzinho coró de Gião, a qual eu acho que vem de Earth Defense Force 2.

O destaque entre os inimigos fica para as duas novas criaturas humanoides. Uma delas parede um sapo gigante, acredito que uma espécie escravizada pelos Primers, e a outra são os próprios Primers, os aliens cinzentos. Diferente dos monstros, eles carregam armas, são inteligentes, se escondem nos prédios e agem de maneiras que surpreendem o jogador. Eles adicionam uma dose extra de desafio que realmente combina com EDF 5.

A grande sacada da série Earth Defense Force está na escala das batalhas. São sempre centenas de inimigos atacando ao mesmo tempo. Diferentes tipos, diferentes comportamentos, agitando a ação. Quando não são monstros numerosos são criaturas gigantes, capazes de pisotear o jogador e que normalmente exigem um robô gigante para serem enfrentadas.


EDF! EDF! EDF!

A estrutura básica de EDF 5 lembra bastante o da série Diablo, se o jogo da Blizzard fosse de ação. Inicialmente o jogador tem quatro classes para escolher: Ranger, o soldado raso e mais simples classe, a experiência mais pura de EDF, já que foi com ele que tudo começou; Wing Diver, uma classe de média complexidade com guerreiras voadoras que usam a mesma barra de energia para atirar e voar; Air Raider, outra classe complexa especialista em combate indireto com bombardeios e veículos; e por último o Fencer, a classe mais difícil de jogar, basicamente o tanque do time.

O game consiste de 111 missões, a maior campanha de EDF até hoje, com cinco níveis de dificuldade cada: Easy, Normal, Hard, Hardest e Inferno. Ao jogar em cada nível de dificuldade você ganha equipamentos melhores que permitem avançar para o próximo nível de dificuldade e ganhar equipamentos ainda melhores em um ciclo viciante. Além de novos equipamentos o jogador acumula também "armadura" que seria o HP do jogo. Todas as caixas vermelhas coletadas durante as missões aumentam um pouco seu HP permanentemente e com mais resistência você pode aguentar missões mais difíceis.


As duas principais diferenças que mudam muito o jogo e não dava pra ver nos vídeos é que o sistema de armas mudou. Agora além de receber novas armas as que você já tem sobem de nível. Isso significa que às vezes você não precisa de uma nova arma para conseguir passar de uma fase, um upgrade pode ser o empurrãozinho que faltava. A segunda diferença é que agora mesmo quando você morre, ainda ganha uma porcentagem dos itens, 75% no Normal, 50% no Hard 25% no Hardest e apenas no Inferno uma derrota significa não ganhar nada.

As maiores novidades foram para a classe Ranger, que agora tem uma corrida que permite tanto escapar do perigo quanto coletar mais itens por área, e a capacidade de invocar veículos. Anteriormente apenas o Air Raider podia invocar veículos, então muitas vezes ele era o herói da história com seus veículos poderosos. Agora eu também roubo os holofotes às vezes. Para invocar veículos é preciso matar uma certa quantidade de inimigos para cobrir seu "custo" e então chamá-los por suporte aéreo.

A adição de veículos realmente deixa o jogo mais leve e divertido. Em uma missão um personagem me diz que a cidade está infestada de inimigos e teremos que ser sorrateiros para que não nos vejam. Ao invés disso eu invoco uma moto e passo arrebentando todos eles sem que consigam me pegar. Vale dizer no entanto que os veículos ainda são um pouco difíceis de controlar.


Talvez uma coisa que você já saiba sobre EDF 5, por ser uma das características mais faladas da série, é que toda a cidade pode ser destruída. Isso afeta um pouco a jogabilidade, pois você começa o jogo usando prédios como proteção e no final já está demolindo todos pelos motivos mais bobos como simplesmente estar na frente da sua linha de tiro ou algum inimigo estar escondido atrás dele.

Enquanto os inimigos bípedes são uma ótima adição ao jogo, há um detalhe que é simplesmente fenomenal e eu não imaginaria que seria adicionado nem nos meus sonhos mais loucos sobre EDF. A Sandlot trouxe para Earth Defense Force 5 o sistema de dano aos membros do jogo Zangeki no Reginleiv, um game desconhecido mas genial da produtora para o Wii que não saiu fora do Japão e era mais ou menos nos moldes de EDF.

Como funciona esse sistema? Os inimigos bípedes podem sofrer dano individualmente nos membros. Tiros são capazes de arrancar pernas e braços. O jogador pode diminuir a mobilidade de um inimigo ao lhe arrancar as pernas ou anular sua capacidade de atacar ao remover seu braço que segura a arma. Por último a cabeça sofre mais dano que o resto do corpo e ao atacá-la é possível matar um inimigo mais rápido. Isso adiciona belíssimas estratégias ao jogo e nunca me pareceu que os elementos dessas séries se cruzariam.


Monster! Giant monsters!

Visualmente, EDF 5 dá um upgrade na antiga engine de EDF 4.1. Basicamente, o EDF 4.1 parecia um jogo da geração passada com novos efeitos, rodava meio lento. Em EDF 5 dá pra ver que muita coisa foi refeita e o jogo começa rodando leve como se fosse da atual geração. Eventualmente há slowdowns, mas o lance em EDF é que eles são charmosos, como nos clássicos jogos de NES, o jogo está mais caótico do que nunca e há tanta coisa acontecendo na tela que você sente que o ele está no seu limite.

Formigas, aranhas e vespas agora tem um tipo de carapaça que você vê se despedaçar quando recebem tiros. Há um novo sistema de respingo de sangue que também pinta a cidade inteira de várias cores conforme você mata as criaturas, parece uma partida de Splatoon. Os Primeirs usam também armaduras, que podem ser despedaçadas para revelar os membros que podem ser danificados.


Há mais variedade no clima das batalhas, como estágios noturnos onde fica mais difícil enxergar. No entanto as cavernas onde era impossível enxergar sem luz foram removidas, uma decisão difícil que tem suas vantagens e desvantagens. Há mudanças climáticas como chuva, que não afeta muito, e um nevoeiro e tempestade de areia que prejudicam bastante a visibilidade e impossibilitam o uso de snipers.

A música está um pouco melhor, com uma atmosfera mais de filme classe B do que nunca. Me lembra um pouco a trilha sonora de EDF 2 também. Enquanto a dublagem está boa, eu senti falta de alguns personagens extremamente carismáticas de Earth Defense Force 4. Ainda assim ela consegue dar uns bons murros emocionais nas missões mais avançadas.

Multiplayer

Uma das maiores qualidade que cresceram com EDF conforme mais jogos da franquia foram sendo lançados é o multiplayer. É possível jogar em tela dividida com um amigo ou se unir a outros três defensores da Terra no modo online. Neste modo inimigos são mais fortes e normalmente há limites sobre qual equipamento pode ser usado de acordo com o nível de dificuldade.


Ainda assim é comum que jogadores mais experientes topem carregar novatos para que eles consigam melhores armas cedo no jogo. EDF tem uma comunidade online fantástica que parece se espelhar nos próprios temas da série de camaradagem e nunca desistir. Isso cria um espírito de equipe quase instantâneo que não se costuma ver em outros jogos.

Conclusão

Earth Defense Force 5 foi uma grata surpresa, mais do que eu poderia imaginar. Esperando apenas por um pacote de expansão do quarto jogo com mais do mesmo, certa acomodação e perda de tato da empresa, a Sandlot provou que ainda bate um bolão. Eu senti que faltou uma conclusão mais forte no fim do jogo, um final melhor, mas ainda houve momentos durante a campanha que foram de arrepiar e vão ficar tão marcados comigo quanto os finais dos outros jogos. Não importa o tamanho do inimigo ou das chances, the EDF deploys.

9,5/10


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