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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Desafio dos 10 Jogos e 10 Livros

Recentemente muitas pessoas estavam me marcando no Facebook para o Desafio dos 10 Jogos, no qual falamos sobre dez jogos que nos marcaram profundamente, chapas como o Leonardo Lira, Rafael Mauss, Felipe Vinha, e com certeza mais gente que eu estou esquecendo. Porém, o tempo andou muito escasso e só pude fazer minha lista agora.

No entanto, antes do Desafio dos 10 Jogos as pessoas estavam fazendo o Desafio dos 10 livros, com a mesma ideia porém falando sobre livros que os marcaram. Pensei comigo mesmo: "Sabe de uma coisa? Por que separar duas formas de cultura?", e misturei as duas listas.

10º Livro: A Sabedoria das Multidões
James Surowiecki

Eu sempre me interessei por comportamentos de grupo, pois eles eram muito irracionais. Pegue as pessoas mais inteligentes que você conhece, coloque-as em um grupo e elas rendem menos do que sozinhas, além de criar grupinhos e começarem a brigar entre si. É um efeito espantoso.

Assim como eu já havia entendido fenômenos como Disrupção com Christensen (mais a frente na lista) e Valor Excepcional com A Estratégia do Oceano Azul (idem), eu precisava entender um outro grande fenômeno do mundo dos jogos: os fóruns de videogames. A Sabedoria das Multidões me ajudou a entender a massa de indivíduos e os grupos conscientes, e como a massa é mais inteligente que os grupos.

10º Jogo: Minecraft
PC / Xbox 360

Minecraft foi o jogo mais recente a entrar na minha lista, mas é também um dos mais marcantes. Minecraft renovou toda uma geração de jogos para PC, Indies e YouTubers que muitas vezes podem nem mesmo parecer interligados. Títulos como Goat Simulator nunca teriam existido sem Minecraft ter revitalizado toda essa indústria em volta.

A ideia de uma única pessoa fazer um jogo tão divertido é realmente inspiradora, para não mencionar que um único projeto poder te dar dinheiro suficiente para a vida toda é uma perspectiva que acredito que todos almejam.


9º Livro: O Hobbit
J. R. R. Tolkien

Acredito que muitos preferem, como eu, O Hobbit à trilogia O Senhor dos Anéis, ambos do mesmo autor. O Hobbit é um livro mais leve, muito mais interessante e divertido sobre Hobbits, enquanto O Senhor dos Anéis é muito mais épico, mas também muito mais chato de se ler, com as partes de Frodo e Sam sendo intoleráveis.

Curiosamente, na adaptação para os filmes O Senhor dos Anéis acabou ficando muito melhor, enquanto o Hobbit perdeu muito de seu charme. Eu trocaria facilmente a versão escrita de O Senhor dos Anéis pelo filme, mas trocaria ainda mais facilmente os filmes de O Hobbit pelo livro.

9º Jogo: Xenogears
PlayStation One

Assim como Final Fantasy 7, Xenogears é um daqueles jogos que todos dizem "Você precisa jogar, a história é ótima", sem perceber que são frases um pouco contraditórias. Se eu preciso jogar é porque o jogo deve ser ótimo, mas se a história é que é ótima, eu não preciso jogar, posso apenas assistir ou ler.

Na época do PSOne, quando ainda havia locadoras, eu tive acesso a Xenogears em japonês e adorei o jogo, sem entender nada da história (algo que um dia explicarei aqui). E depois joguei entendendo a história e foi muito bom também, mas não necessariamente melhor. Isso foi parte da minha base para entender que a história é uma cereja no sundae, que a ausência dela não deixa o sundae ruim, mas que muitas pessoas projetam a imagem da perfeição do sundae na cereja do topo.

8º Livro: O Lobo
Joseph Smith

Este livro me foi recomendado por uma amiga com quem infelizmente não mantenho mais contato. Ele conta os fatos pelo ponto de vista de um lobo, já envelhecido, faminto e fraco, que está enfrentando o inverno mais rigoroso que já viu. Será que este inverno está sendo mais rigoroso que os outros? Será que ele quem já está chegando ao seu fim?

É um bom livro para nos relembrar dos nossos instintos animais mais primordiais, para nos ensinar sobre desespero e as decisões que tomamos quando pensamos que não temos escolha, como depositamos esperanças em lugares errados e confiamos em quem não devemos confiar apenas porque não parece haver mais nada.

8º Jogo: Final Fantasy 7
PlayStation One

Assim como Xenogears, Final Fantasy 7 foi aclamado por sua história na época, mas será que é isso que o torna um grande jogo? Muitas pessoas dizem que Final Fantasy 6 é melhor, porém o que vemos no começo do sexto capítulo é uma história que fica jogando você de personagem em personagem, sem se importar com o que você está achando, só para que a história seja contada.

Isso não acontece em Final Fantasy 7, pois apesar de você ter claramente locais a ir para prosseguir a história, há uma grande liberdade de exploração e coisas para fazer fora da história principal. Isso é um RPG de verdade, ter a liberdade de escolha em como você vai encarar seus desafios e poder ditar seu próprio ritmo, não um corredor de 40 horas de duração.

7º Livro: Fahrenheit 451
Ray Bradbury

Em 1953 Ray Bradbury colocou todo o seu medo de uma idiocracia em Fahrenheit 451, muito antes da Televisão se tornar uma ferramenta de lobotomia ou do surgimento de comentários na Internet. Ray Bradbury imaginou um mundo sem livros e como isso destruía as pessoas de dentro para fora.

Fahrenheit 451 conta de um futuro distópico onde livros são proibidos e bombeiros são pessoas que carregam lança-chamas para queimar livros que possam surgir. Sem livros as pessoas se contentam com programas imbecilizantes de TV e pensam estar felizes, enquanto por baixo dessa camada superficial, estão em frangalhos. Existe uma adaptação em quadrinhos, mas eu realmente recomendo o texto original.

7º Jogo: Mega Man Legends
PlayStation One

Existe um grande nicho de fãs de Mega Man que simplesmente amam Mega Man Legends de paixão, no qual eu estou incluso. Legends era um jogo de aventura extremamente carismático e simpático, apesar de estar em uma plataforma pouco propícia para isso no PlayStation One. Ele conseguiu trazer Mega Man para o 3D com uma releitura ainda mais profunda que Super Mario 64.

Porém, foi Mega Man Legends também que me ensinou que você não pode vender Nescau de morango. As pessoas possuem expectativas sobre os nomes que elas esperam serem cumpridas. Não adianta Mega Man Legends ser um bom jogo se não carrega os valores que as pessoas esperam encontrar atreladas ao nome Mega Man, e isso valeu também para Super Mario 64. Independente de eu gostar desse jogo, ele não era o que a franquia precisava.

6º Livro: O Alquimista
Paulo Coelho

Há muito preconceito contra Paulo Coelho no mundo literário e lendo O Alquimista até que entendo de onde ele vem. Não é um livro muito bem escrito, nota-se um certo nível de inexperiência, mas o importante é que O Alquimista tem uma boa mensagem e isso o tornou um dos livros de maior sucesso do mundo.

Normalmente a alquimia é ligada à ciência, mas O Alquimista a explica sob uma ótica diferente. É um livro que fala sobre a lenda pessoal de cada indivíduo, sobre seus objetivos e sonhos, sobre como o universo pode ajudar você com seus primeiros passos. Mais importante que tudo, é um livro que explica que a alquimia é entender a necessidade de mudança, ser o que é necessário ser.

6º Jogo: The Legend of Zelda: Ocarina of Time
Nintendo 64

No início da geração PlayStation One / Nintendo 64 / Sega Saturno, eu comecei com o console da Nintendo e eventualmente fiquei insatisfeito com a seca de jogos e o estilo deles em geral. Super Mario 64, Mario Kart 64 e Banjo-Kazooie eram divertidos, mas eu estava perdendo uma variedade de títulos muito grande do PlayStation One, coisas novas e excitantes, enquanto o Nintendo 64 estava meio estagnado nas franquias da Nintendo.

Porém, havia um jogo que fazia valer o console, The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Super Mario 64 era um tutorial básico de como fazer um jogo em 3D, mas Ocarina of Time era o produto refinado disso. Muitos dos conceitos modernos que temos sobre jogos se originaram ali, tanto para o bem quanto para o mal, em uma ótima conversão do que era a franquia em 2D para o 3D.

5º Livro: O Guia do Mochileiro das Galáxias
Douglas Adams

Confesso que não conheço muitos livros engraçados, pois é muio raro a comédia ser tão precisa a ponto de funcionar por escrito, sem um comediante para determinar timing, botar personalidade na piada e outros detalhes. Mas Douglas Adams, autor da série O Guia do Mochileiro das Galáxias, sabia fazer isso como ninguém.

Tudo em O Guia do Mochileiro das Galáxias é irônico, sarcástico, cômico e puramente engraçado de alguma forma. É uma leitura leve que de alguma forma adiciona algo abstrato ao seu jeito de pensar, uma vontade de encontrar sentidos improváveis nas coisas, como uma improbabilidade infinita. É essencial para o público nerd.

5º Jogo: Mega Man
NES / Nintendo 8 Bits

Assim como muitos jogos do Nintendo 8 Bits, o Mega Man original é um dos conceitos mais básicos dos jogos. É algo cuja sofisticação máxima está em sua simplicidade, como prezava Leonardo da Vinci. Mega Man é como uma Monalisa de sorriso enigmático e traços perfeitos, é pura técnica, sem truques.

Se quiser aprender algo sobre jogos é impossível não passar por Mega Man. Um dos fatores mais curiosos é que eu não costumo terminar os Mega Mans, é meu próprio jeito de jogar, e Mega Man marca muito bem essa época do "jogue enquanto estiver com vontade", contrária ao que temos hoje de "preciso terminar esse jogo".

4º Livro: 20 Mil Léguas Submarinas
Júlio Verne

Quando Einstein mencionou que a imaginação é mais importante que o conhecimento, ele não poderia estar mais certo. O escritor francês Júlio Verne ultrapassou todos os limites da sua época com sua imaginação e criou histórias que se tornariam previsões do futuro. Submarinos, viagens à Lua, entre outras.

Em 20 Mil Léguas Submarinas, Júlio Verne contou a história do capitão Nemo e do seu submarino, o Nautilus. O submarino é, figurativamente falando, um portal para um mundo submarino, misterioso e paralelo, que guarda segredos que só a imaginação pode suprir enquanto ainda anda às bordas do mundo como o conhecemos. É um livro que li ainda na infância e até hoje é encantador.

4º Jogo: Pitfall
Atari

Assim como Mega Man, Pitfall era um jogo que não precisava ser terminado para ser divertido. Sua mera mecânica funcionava, oferecendo caminhos alternativos, permitindo que você pensasse como queria tentar enfrentar o perigo agora. O desafio do jogador era "quão longe eu consigo ir dessa vez?".

Por ser uma época sem internet, sem revistas de jogos, ninguém sabia se Pitfall tinha um final e por serem os primórdios dos videogames, ninguém sabia o que havia na tela adiante. Isso significa que poderia não haver nada e poderia haver qualquer coisa. É essa imaginação precisa ser canalizada para dentro dos jogos.

3º Livro: O Dilema da Inovação / A Solução da Inovação
Clayton M. Christensen

Estes são dois livros onde fica realmente difícil dizer onde um termina e o outro começa. Escritos por Clayton M. Christensen, eles contam de um fenômeno que Christensen estudou, o qual chamou de Disrupção. Uma vez compreendendo este fenômeno foi possível entender coisas que nunca pareceram fazer sentido: "Como empresas vão à falência fazendo tudo certo?".

A Disrupção chega a ser quase uma força da natureza e com ela foi possível explicar coisas que antes pareciam inexplicáveis, como a "Maldição do Terceiro Console" que dizia que sempre o terceiro console de uma empresa dava errado após dois consoles de sucesso, como NES -> SNES -> N64 e PSOne -> PS2 -> PS3. Infelizmente eu não recomendo pois é uma leitura muito técnica, então é fácil interpretar errado se não tiver um conhecimento prévio.

3º Jogo: Super Mario Bros. / Super Mario Bros. 3
NES / Nintendo 8 Bits

Tão essencial quando Mega Man, o Super Mario Bros. original marcou muito a minha infância, como a de muitas pessoas. Era um jogo que valorizava a habilidade, mas mantinha-se acessível para todas as pessoas. Super Mario Bros. era simplesmente divertido de jogar, várias e várias vezes.

Porém, enquanto Super Mario Bros. tem seu valor por ter sido o começo de tudo, a excelência da série veio mesmo em Super Mario Bros. 3, uma revolução que foi como uma explosão controlada de alegria. Era um jogo que sabia exatamente como expandir cada migalha do universo Mario criada anteriormente e não à toa se firmou como um dos melhores de todos os tempos, um exemplo do que uma sequência deve ser.

2º Livro: A Estratégia do Oceano Azul
W. Chan Kim e Renée Mauborgne

Este é um bom livro complementar para O Dilema do Inovador / A Solução do Inovador, pois ele é como uma aplicação mais prática e mais leve dos conceitos de Christensen, sem necessariamente ser menos eficiente. Este foi um dos livros que Satoru Iwata leu para conceber a criação dos sucessos Nintendo DS e Nintendo Wii.

A Estratégia do Oceano Azul preza pela "não concorrência", por torná-la irrelevante ao oferecer "Valor excepcional". O livro ensina a cortar o que não é essencial e usar isso como trampolim para o excepcional, como um carro de Fórmula 1 que fica mais leve para alcançar mais velocidade ou o Nintendo Wii que teve gráficos piores para ter controles diferentes.

É uma leitura bastante acessível que recomendo para todos que quiserem mudar suas vidas e perceber o mundo de uma maneira diferente.

2º Jogo: Alex Kidd in Miracle World
Master System

Há algo de errado, porém, na idolatria a Mario. Somos brasileiros e a Nintendo não estava aqui na época do NES. Tínhamos os clones como o Dynavision, o Phantom System, mas o NES não era lançado oficialmente aqui. Nem todos podiam jogar Super Mario Bros. naquela época.

Enquanto a Nintendo não estava aqui, a Sega estava e nos deu muita atenção, graças a uma parceria certeira com a Tec Toy. Isso criou uma diferença muito grande entre a cultura de jogos do Brasil e dos Estados Unidos, pois eles cresceram com Mario, e nós com Alex Kidd.

Durante a grande guerra dos 16 Bits, onde o Super Nintendo enfrentou o Mega Drive da Sega, muitas pessoas lutaram para esquecer essa diferenciação, sem notar que os próprios sucessores dos consoles, estavam esquecendo muito do que o NES e o Master System simbolizavam.

Com o nosso complexo de vira-lata, muita gente luta para esquecer os tempos da Sega, de Alex Kidd, para fingir que jogamos Mario desde criancinha. Eu, por outro lado, prefiro abraçar essa diferença e aceitá-la como um diferencial latino que tem tudo a ver com o nosso jeito de fazer jogos. Por um tempo no Brasil, Alex Kidd foi maior que Mario.

1º Livro: O Caçador de Pipas
Khaled Hosseini

Este é um livro bastante controverso devido a um evento que acontece logo no seu começo, porém O Caçador de Pipas não é um livro sobre violência. Escrito por Khaled Hosseini, afegão-americano, O Caçador de Pipas é um livro sobre redenção, sobre uma chance de ser bom novamente.

A violência em O Caçador de Pipas, tanto do começo do livro até a instauração do regime militar do Talibã, é apenas uma coadjuvante, o perigo que paralisa de medo e o perigo que precisa existir para que a coragem se sobreponha. Não agir por medo pode assombrar uma pessoa pelo resto da vida. É um livro extremamente profundo que recomendo a todos.

1º Jogo: Pokémon Blue
GameBoy

No início, videogames portáteis não tinham muita graça pois eram em maioria versões capadas de outros jogos (BEM capadas). Por que eu pagaria tão caro para jogar Kirby em preto e branco, sem poder pegar os poderes dos outros inimigos? Por que jogar um Mario com controles ruins, sem Yoshi, com um submarino... argh.

Então surgiu Pokémon. Antes mesmo da febre do desenho eu vi aquele estranho cartucho me encarando e parecia ter algo especial nele. Comprei sem pestanejar e eu que nunca havia passado mais do que meia hora num portátil fiquei o dia inteiro colado no meu GameBoy (um tijolo preto gigante)

Pokémon se tornou algo muito importante para mim com aquele jogo tão especial, aquele universo tão rico, apesar de não gostar muito do desenho animado. Os primeiros jogos que eu criei foram jogos baseados em Pokémon. Mais de 100 mil pessoas jogaram na época e eu tinha fãs que até hoje valorizo muito, gente que chega para mim hoje em dia e fala "Você fez parte da minha infância", uma coisa que não tem preço.

Apenas pelo jogo, Pokémon não me marcou tanto para estar em primeiro lugar e poderia perder para Alex Kidd, mas ele me levou por caminhos realmente inesperados que foram essenciais para me tornar quem eu sou hoje.

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