Lomadee

domingo, 25 de novembro de 2012

Jogos são arte, mas não como você pensa


Existe uma eterna discussão entre o mundo dos jogos e o "mundo exterior", sobre jogos serem arte ou não. É uma discussão que envolve egos por parte de quem joga e uma certa falta de consideração por quem não joga, sendo difícil se chegar a uma conclusão, como em toda disputa de "lados".

Porém, jogos são sim arte, mas não como nenhum dos lados pensa.

Para a maioria dos jogadores de videogame, a dúvida não existe, pois eles acreditam que é óbvio que jogos são arte. Títulos como ICO, Shadow of the Colossus, Okami, o mais recente The Journey e muitos jogos indie, como Passage, são considerados exemplos de jogos artísticos.

Já para o grande público, jogos muitas vezes são "gueimes" ou "joguinhos", nomenclaturas que carregam diminuição e até um certo desprezo. Como boa parte desse público nem mesmo vê jogos como algo além de perda de tempo, os jogadores sentem a necessidade de combatê-los, combater essa percepção como um inimigo.

Já dizia Nietzsche, que "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro ". Quando utilizamos as armas erradas para combater esse inimigo, ficamos ainda mais longe da solução, da resposta definitiva do dilema.

Não é tão óbvio assim que jogos sejam arte. Não basta que os analistas de alguns sites conceituados se emocionem jogando ou um punhado de jogadores "intelectuais" em um fórum na internet se impressionem com ele. O poder de decidir isso não está nas mãos deles e por não terem esse poder de proclamar os jogos como arte, proclamam dentro de seu próprio nicho e tentam invadir a opinião do grande público como em uma campanha militar.

E então vem a parte chocante. Não são jogos como ICO, Shadow of the Colossus, Okami, The Journey e Passage, que são arte.


Arte, em sua definição mais básica e simplista, é tudo que expressa o interior do ser, seja alma, coração, imaginação ou criatividade, despertando algum sentimento ou pensamento em quem a observa. Morder uma maçã não é arte, é um processo mecânico. Uma maçã mordida pode ser arte, simbolizando várias coisas.

Existem artistas dispostos a desafiar os limites do que é arte, colocando mictórios em exposição como Marcel Duchamp, ou defecando em uma lata, como Piero Manzoni, mas não é sobre isso que vamos falar. O motivo de esses jogos não serem arte não está na delimitação da palavra ou seu significado, como muitas vezes se fala nesse tipo de discussão.

A questão é que nenhum desses jogos apresenta uma obra de arte própria. Pois para considerarmos jogos uma arte, eles não podem ser apenas outras artes empilhadas.

Normalmente quando os jogadores hardcore consideram um jogo artístico, querem dizer que a história, o estilo gráfico, a trilha sonora, são obras de arte. Mas cada um desses elementos, mesmo quando em conjunto, ainda são obras de artes por si só, como livros, quadros ou músicas. Ou seja, não são jogos, e meramente uni-las também não cria um jogo.

Significa que um jogo é mais do que um conjunto de artes unidas. Então tirando-se todas essas artes, um jogo ainda é arte?


Isso nos leva a um pequeno exercício de imaginação. Imagine alguns jogos que você considera artísticos nesse momento. Tire deles história, gráficos e som. O que sobrou? Se você pensou em jogabilidade, errou. Porque morder uma maçã não é arte. O que mais sobrou? O jogo.

A estrutura básica, sobre a qual todas as artes são sobrepostas é um jogo, puro. O que é então um jogo puro? Ele é a origem de todos os esportes do mundo, ele é a premissa de um desafio a ser realizado, o qual você pode ou não realizar, dependendo de vários fatores. Porém, jogar apenas por jogar não é menos mecânico que morder uma maçã para comer.

O segredo está na razão e no objetivo dos jogos. Séculos atrás, contadores de histórias mostravam que não era a história o importante, mas sim contá-la bem, prendendo a atenção na plateia. Pois não importava a história, as imagens que ele mostrasse ou os sons que fizesse, aquelas pessoas estavam lá por um único motivo.

Um bom exemplo de jogo que é arte, é Super Mario Bros. Isso porque independente de todas as outras artes contidas neles, jogos também são arte, mas são a arte de entreter.


9 comentários:

  1. cara , tem muita coisa errada nesse texto , primeiramente se os jogos que você usou de exemplo não são arte , super mario bros logo tbm não é , artisticamente falando não tem essa de "Essi é arti puqe eu goxto C:"

    ResponderExcluir
  2. Para dizer que jogos como Okami e Shadows of the Colossus não são exemplos de arte,ou pelo menos visualmente artisiticos, tem que ter muita falta de tato. Parabéns, vc se superou!

    ResponderExcluir
  3. Já dizia um conhecido meu: "Se a maioria concordar comigo, algo de errado certamente estou escrevendo".

    ResponderExcluir
  4. vendo pela parte de quem não ve jogos como arte, além do motivo citado, há outros fatores, como o gosto, o entendimento de cada um de o que é arte, e um argumento que pesa muito para que ele não seja visto como "arte" seria o argumento de que "é um produto para ser vendido".
    Mas atrás desse preconceito, há muita contradição, pois então cinema, música moderna, desenhos que estão em catedrais famosos, (inclusive muitos famosos) deixariam de ser arte, pois elas foram feitas para se ganhar dinheiro.
    Então o que é arte? arte é arte oras, varia do gosto e do entendimento de cada um, do mesmo modo que uma pessoa pode ver um ferro contorcido por uma pessoa propositalmente e achar isso arte, ou a mãe de muitos assistirem novela e achar aquilo legal, gente que compra rabiscos feito por animais (digo no sentido literal da palavra como cães, elefantes) a preços absurdos, entre outros. para esses, aquilo é arte e para quem não curte, aquilo não passa de lixo.
    Então, games são artes? sim e não! sim pra quem gosta e não pra quem não gosta, e gosto é que nem bunda, cada um tem a sua (ou não... sei lá... isso pode soar meio homossexual...)

    Ah, quer um bom argumento para falar de um jogo que não foi feito por lucro? Popolocrois (http://pt.playstation.com/psp/games/detail/item48175/PoPoLoCrois/), inicialmente o autor da história de popolocrois imaginou um conto infantil, ele queria fazer um livro infantil, fez a história e apresentou ela a varias empresas e a maioria recusava, dez anos depois, o autor recebeu a notícia que iria ser um jogo, e um rpg para a plataforma playstation (top na época) na época o autor cita emocionado na entrevista onde li, que ele estava a procura de uma editora, nem que seja pequena para publicar seu singelo conto, que no final acabou virando jogo. (a entrevista lí em uma revista especializada em games quando foi lançado o primeiro da saga) Popolocoois teve depois disso várias continuações (popolocrois 2, popologue) remake pra psp, anime entre outros.

    ResponderExcluir
  5. Qual o problema em vender arte? É um trabalho como outro qualquer. O fato de ninguém querer comprar não torna aquilo que vc criou um lixo mas comercialmente inviável. Os recursos são limitados, sem um mercado regulando o que deve ser feito ou não cada um estaria criando o que lhe der na telha abusando de recursos que não seriam suficientes. Eu vou explicar mais sobre isso em um artigo futuro...

    ResponderExcluir
  6. Eu concordo com o autor. Acho que, pra os games serem artes, deve ter linguagem artística própria. Deve fazer o jogador refletir ou se emocionar a partir do seu diferencial, que é a interatividade. Tem um joguinho bem simples que ilustra bem o que eu digo: One Chance. É um jogo em Flash que se joga online. Os gráficos são muito toscos, mas a forma como você interagem com o game te faz refletir. Também colocaria Braid nesse panteão. Já esses jogos com roteiro pré-fixado, em que você, de qualquer forma, chega ao mesmo final, não deveriam ser considerado games artísticos, apesar de ter músicas, enredo, direção de artes belíssimos...

    ResponderExcluir
  7. nossa...tem pessoas que acreditam que realmente se coloca um "peso" ou "valor" na arte?...na minha opinião a arte é algo que não se pode comparar ou julgar ou definir. arte é algo livre e transcende essa necessidade patética do homem em julga-la. todos os exemplos são formas diferentes de arte. coisas criadas pelo homem. então por favor, não julguem a arte, façam arte.

    ResponderExcluir
  8. Pessoas,

    O texto foi bem elaborado, mas "desmontar" um jogo para justificar que ele não é arte é, no mínimo, injusto e é possível fazer isso com uma pintura: tire as tintas e as cores. O que sobrou? Você deve ter respondido a moldura. Errado. Ficou a mente do pintor e a única forma que ele encontrou de exprimir sua visão foi usar as tintas, o pincel e a moldura.

    Arte é uma das sete visões científicas. Na definição mais simples "Arte (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra". Um jogo bem produzido causa exatamente todos os efeitos supracitados. Reflita bem, os jogos que você citou realmente não causam essas reações em você?

    Mesmo assim, obrigado pelo texto e pela discussão que trouxe um conhecimento mais abrangente do assunto.

    Um forte abraço.

    ResponderExcluir
  9. Excelente matéria! Eu fiz um som falando de games principalmente tentando resgatar a memoria dos jogadores que começaram a jogar na década de 80 assim como eu.

    Segue o link da musica, tem q ativar as legendas do youtube para aparecer a letra da musica. Valew!

    https://www.youtube.com/watch?v=CkQbULJKR2c

    ResponderExcluir