Lomadee

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Como, não porque, criamos.

Existem aquelas perguntas básicas que todos nós temos internamente. Questionar sempre foi de nossa natureza e isso é o que nos motiva a buscar conhecimento. Afinal por que estamos aqui? Por que amamos? Por que sentimos frio? Aposto que todos nós já nos perguntamos isso. Mas e se eu disser que sempre estivemos fazendo as perguntas erradas? Que não devemos perguntar o "por que" e sim "como"?

Menino Chato: -"Que porcaria é essa? Vai dar uma de filósofo agora?"

Eu: -"Calma pequeno morimbundo. O que eu quero mostrar é como a industria do entretenimento, ciência e até sua vida social podem mudar com isso."

Não foi perguntando por que os pássaros voam e sim 'como' que foi possível construir o avião.

Essa idéia me veio enquanto assistia a um filme no final de semana. O filme era legal mas algo me incomodou. O seu final era explicativo e não solucionador. Como assim? Vou demonstrar. Um final explicativo mostra o porque de tudo o que aconteceu. Todo enredo é construido para o final explicativo. Geralmente são surpreendentes e causam uma reviravolta na trama. O problema desses finais é que eles são auto-destrutiveis. Uma vez executados todo o resto da história é sucateado, já que o todo o universo foi direcionado a um unico ponto. Pense em uma charada, depois de solucionada, ela se torna sem graça. Por outro lado um final solucionador mostra a conclusão de todo um processo. Geralmente uma conclusão confortante. O problema que desencadeia toda a história é solucionado e as coisas voltam a seguir o seu rumo. Nada é respondido mas sim finalizado.

Se pararmos para pensar em um jogo fica bem mais evidente. Em Super Mario Bros. o seu enredo é baseado em "como você deverá salvar a princesa" e não o "por que". Por que Mario deve salvar a princesa? Porque ele é o herói. Simples. Se você cair na rotina de perguntar os porques, nunca terá a solução. Para solucionarmos o que envolve o jogo Super Mario Bros. devemos perguntar como devemos salvar a princesa. É justamente nesse ponto que todo o jogo se desenvolve. Como o Mario vai salva-la? Atravessando oito mundos de Mushroom Kingdom. Como ele vai atravessar esse mundos? Pulando sobre os inimigos e obstaculos. Como ele vai derrotar seus inimigos? Com super poderes , como bolas de fogo, pulo sobre as cabeças e estrelas mágicas. É perguntando "como" que o universo de um jogo é criado, e não o "por que".

Pobre Mario, a princesa nunca está no castelo. Por que? Pouco me importa, quero é saber como vou acha-la!

Por que Luke Skywalker derrotou o Império Galatico? Por que ele é um herói determinado e bom. Como Luke Skywalker derrotou o Império Galático? Bom... você tem tres filmes maravilhosos para descobrir.

Por que Frodo vai destruir o Um Anel? Por que é do mau. Como ele vai destruir o Um Anel? Prepare-se para uma das maiores aventuras da literatura.

O que se nota é a fixação de por que as situações acontecem em histórias e não como. Por que o vilão é mau? Por que o mocinho é bom? Por que o mocinho quer derrotar o vilão? Nada disso importa. O bem sempre vai lutar contra o mau. É subjetivo e a explicação disso será entediante. Agora como o bem vai lutar com o mau é onde começamos a criar uma nova história.

Alguém sabe por que só o Frodo pode destruir o Anel? Existem teorias, mas isso não faz a menor diferença.

Um jogo precisa ser criado baseado em como. Os melhores jogos são os que nos motivam a descobrir como superaremos os desafios e não "por que". Muitos jogos atuais tentam explicar o por que de você precisar salvar o mundo. Enchem de histórias e situações para te colocar em um contexto explicativo. Mas pouco me importa o porque, ele pode ser simples como "Salvar o mundo". Eu quero é saber "como". Vou usar armas de fogo? Vou ter poderes especiais? Vou pular sobre inimigos? Vou me esconder e atacar sorrateiramente? Essas possibilidades que nos excitam e criam expectativas.

Devemos parar de explicar o que nos rodeia e sim tentar entender-los. Uma definição pode ser achada em um dicionario, mas entender o seu significado é um processo que exige raciocinio. Se deseja criar, solucionar e executar, ao invez de tentar entender por que as coisas são o que são, comece a perguntar como elas são.

4 comentários:

  1. Texto excelente...é o que sempre imaginei no caso dos games..o herói é o herói pronto e acabou.

    Quanto mais queremos explicação...mais nos f@#$#%

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  2. A questão é que por que e como diferem pois um se foca em algo pontual e outro se foca no processo. O pontual é finito, estanque, imutável. Enquanto que o processo é variável, vasto, instigante.

    A diferença se evidencia quando tenta-se explicar uma piada ao invés de conta-la. Uma boa piada tem que ser contada direito, o processo se sobrepõe até a história da piada. A forma como eu conto a piada vai influir nela ser engraçada ou não.

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