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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Review de Pokémon X & Y

Estamos naquela época de novo, o lançamento de um novo jogo da série Pokémon, o qual por falta de cores agora se chama Pokémon X e Y para o Nintendo 3DS (Preparem-se para Pokémon Ponto & Vírgula daqui a alguns anos). Já estamos na contagem de mais de 700 monstros e uma das máximas continua: Bom mesmo era na época dos 151.

Professor Caco Barcellos coloca uma equipe
de treinadores novatos para fazer seu trabalho
A história

Pokémon X começa como a sua tradicional aventura Pokémon. Você é um treinador novato escolhido por um professor para ajudar a completar a Pokédex, viajando por esse mundo onde existem criaturas chamadas Pokémon. Toda a sociedade gira ao redor deles, sendo usados para tarefas domésticas e até para batalhas (PETA disapproves).

A primeira novidade é que há mais coadjuvantes do que nunca. Quatro outras crianças irão acompanhar você durante a jornada. Uma delas será sua rival, enquanto as outras parecem um pouco inúteis, como se só estivessem lá para esfregar na sua cara o PODER DA AMIZADE.

Todos os personagens são bastante estereotipados, o que poderíamos considerar como incapacidade de criar coadjuvantes interessantes, mas também poderíamos perdoar pelo jogo ter um foco maior no público infantil. De qualquer forma não são personagens muito agradáveis de se acompanhar se você tem mais de 12 anos.

No meio da sua jornada eventualmente você encontrará a organização do mal da vez, o Team Flare, que deseja destruir o mundo por motivos razoavelmente bons. Há uma história periférica sobre um Rei, que poderia trazer um pouco mais de profundidade ao enredo, mas apenas é mencionada superficialmente, apesar de ser relativamente importante.

Gráficos e som

Pela primeira vez Pokémon realmente embarcou nos gráficos 3D, tanto no mapa a se explorar quanto nas batalhas, e inicialmente isso gerou grande expectativa. Porém, muito do que a Nintendo mostrou acabou se provando propaganda enganosa. Apesar dos gráficos 3D, Pokémon continua tão bidimensional quanto sempre foi.

Promessa
Realidade
Pokémon finalmente vira uma aventura 3D... NOT

Há muito tempo os jogadores estão pedindo por um jogo de Pokémon totalmente em 3D. Porém, esse pedido pela transição do 2D pro 3D é mais do que o pedido de uma transição gráfica, é um pedido por transição de filosofia. Elas querem que Pokémon se aproxime mais do que é no desenho, mais do que é na imaginação deles.

Os jogos que começaram a febre, Pokémon Red & Blue e Pokémon Gold & Silver, para o primeiro GameBoy, captaram a imaginação dos jogadores e a levaram muito além do que eles esperavam. Porém, desde então a série saiu de sintonia com o que esses jogadores esperavam, não vem captando a imaginação deles.

Nesse sentido, Pokémon X & Y ainda não é o jogo 3D de Pokémon que as pessoas queriam. A visão aérea permanece, dando a impressão de gráficos 2D mesmo em 3D. Você nunca tem a impressão de que há um grande mundo a ser explorado a sua frente. Não fossem por pouquíssimas transições de câmera e umas duas ocasiões onde os gráficos se sobressaem, nem haveria necessidade de ser 3D.

Nas batalhas os gráficos em 3D impressionam nos monstros, mas os cenários deixam um pouco a desejar. Há detalhes interessantes, como o vento correndo pela grama, mas boa parte do cenário de fundo é apenas algo 2D pintado como se fosse o cenário de E O Vento Levou. Os efeitos dos golpes começam como algo impressionante, mas logo ficam genéricos demais.

Ligue o efeito 3D e o jogo fica mais lento que os slides das férias do seu tio

Esse tempo todo em que a produtora GameFreak evitou lidar com gráficos 3D aparentemente também era incompetência, pois o jogo possui algumas quedas de FPS (taxa de quadros) inexplicáveis. Quase sempre que o jogo exibe dois Pokémons ao mesmo tempo na tela, tudo fica lento. Se você tentar ligar o efeito 3D, fica ainda mais lento.

O som é o que estamos acostumados a receber da franquia. Sons distorcidos para as "vozes" dos Pokémons, músicas um pouco esquecíveis com exceção das clássicas remasterizadas e nada de dublagem.

Jogabilidade

A aventura em si está um pouco fraca, em parte porque as situações apresentadas não são excitantes e em parte porque os personagens que acompanham são chatos. As batalhas também estão fáceis demais, o que tira um pouco a graça. Passar por todos os oito ginásios e a Elite Four não foi desafio algum. Até passei boa parte de um ginásio de Planta com um Pokémon de Água.

Os Líderes de Ginásio não oferecem desafio e nem contam com muito carisma

A seleção de monstros que podem virar membros da sua equipe é boa, contando com muitos retornos clássicos e uma boa seleção de novos Pokémons. Nem todos os novos Pokémons são bons, mas há um bom equilíbrio com os antigos, mantendo um ambiente agradável para tipos diferentes de fãs que possam ter abandonado a franquia e retornado.

Aparentemente, fãs que retornam são um grande ponto do jogo. Finalmente alguém na GameFreak parece estar pensando que precisam lidar com o gigantesco êxodo de público que a franquia Pokémon tem. Às vezes até parece que Pokémon X & Y pedem desculpas por não ser Red & Blue.

Em vários momentos eu vi menções a pontos marcantes de Red & Blue, chegando até a um nível desconfortável. Quando monstros antigos figuram em certos locais, tudo bem. Quando me mandaram escolher entre um Bulbasaur, Charmander e Squirtle como segundo pokémon inicial, eu já achei um pouco forçado.

Pokémon X & Y apela para a nostalgia ao adicionar Andy Panda no elenco

Mas quando um Snorlax apareceu dormindo no meio do caminho e foi preciso usar a PokéFlauta para acordá-lo, eu senti como se os desenvolvedores estivessem esfregando o jogo na minha cara e gritando "Lembra do Snorlax? Lembra? LEMBRA?!".

Conclusão

Todas as novidades que Pokémon X & Y tenta apresentar, como Mega Evoluções, o novo tipo Fada, batalhas aéreas, acabam sendo adições vazias que em nada mudam realmente o jogo. Com certeza é algo que os entusiastas irão pirar, mas eles piram em qualquer coisa.

Vi pela internet muitos comentários de jogadores dizendo que não há muito o que fazer no jogo após terminá-lo, mas não foi bem isso que eu vi. Após finalizar minha aventura ainda havia uma boa parcela de coisas pendentes para fazer. Porém, capturar todos os Pokémons com certeza não era uma delas.

A fórmula de sucesso de Pokémon garante que X & Y sejam jogos sólidos, porém sólido não garante mais do que essa nota. Pokémon X & Y caem em uma certa mesmice. São jogos bons o bastante para que você não durma enquanto joga, mas não bons o suficiente para evitar que você boceje.

Nota: 7/10

domingo, 1 de setembro de 2013

Nintendo 2DS? Aí cê casa bem


Durante o dia eu estava trabalhando quando apareceu na minha caixa de notícias: "Nintendo anuncia novo portátil Nintendo 2DS". Eu parei um instante... tentei lembrar em que mês estamos, conferi o relógio duas vezes, e vi que realmente não era primeiro de abril. Repeti todo o processo e pensei: "Está cedo para o Dia de Los Santos Inocentes também".

Faz tanto tempo que a Nintendo não faz algo certo que eu me assustei quando soube do Nintendo 2DS. A partir de 12 de outubro (junto com Pokémon X & Y) eles estarão lançando uma versão do Nintendo 3DS que não possui efeito 3D e custará US$ 130 ao invés dos US$ 170 do 3DS atual e US$ 200 do 3DS XL.

Esse era o melhor movimento que a empresa poderia fazer para cortar custos, lançar um 3DS sem 3D, com um preço de entrada mais acessível e que ainda assim deverá dar lucro. Estamos em uma crise econômica, é hora dos videogames ficarem mais baratos do que nunca para sobreviverem.

Nesses tempos em que queremos gastar menos dinheiro, fica cada vez mais difícil relevar erros nos produtos. Por que eu vou comprar um videogame que me obriga a levar uma função que claramente é cara, mas que eu não desejo? Por que comprar um 3DS se eu não quero 3D? Por que comprar um Wii U se eu não quero um controle tablet? Por que comprar o Xbox One se eu não quero Kinect?


Todo esse potencial de pessoas não comprando (Tier 2) ficam na espreita, esperando o momento em que o preço caia até o patamar que elas estão esperando pagar, ou seja, o preço que acham justo pelo produto subtraindo-se suas excentricidades. O 2DS vai dar certo porque é exatamente a escolha para quem não quer pagar por um efeito 3D que não pretende usar.

Isso não significa no entanto que a Nintendo despertou do seu coma onde ela imagina estar no país das maravilhas. Ela acertou sem querer. Para eles a função do 2DS é apenas aumentar as vendas de Pokémon X & Y entre crianças abaixo de 7 anos, que não podem usar o efeito 3D de qualquer jeito. Por isso a horrenda escolha de design da Fisher Price.

Inicialmente o Nintendo 2DS venderá para esse público, pois seu lançamento será de precisão cirúrgica, no mesmo dia de Pokémon X & Y, na época de festas, quando pais querem comprar algo legal para seus filhos, especialmente algo que eles já vêm pedindo há algum tempo e não cabia nas contas antes.

Porém, as altas vendas desse modelo manterão estoques deles nas lojas e algo acontecerá. Logo a Nintendo perceberá que ele não está vendendo apenas para crianças abaixo de 7 anos, mas para um público que ela não esperava, gente que queria comprar um 3DS mas não queria pagar pelo efeito 3D, passando por cima até de coisas como o design horrendo e a péssima disposição dos botões.


O real problema no entanto, continua. O Nintendo 3DS ainda partilha da falida filosofia do GameCube, assim como os jogos que a Nintendo está produzindo. Até a empresa perceber a mudança de público e imaginando que ela começasse a produzir jogos de acordo, já terá se passado mais de um ano, é tempo demais.

O que o Nintendo 2DS realmente pode fazer é melhorar as finanças da Nintendo. A empresa já postou dois anos seguidos de prejuízo e um terceiro ano poderia ser fatal para o atual presidente, Satoru Iwata, então eles precisam inflar os números com urgência para postar um resultado positivo em março de 2014.

Infelizmente não foi possível ver como o mercado reagiu ao Nintendo 2DS, pois a Nintendo mordeu e assoprou. Ao mesmo tempo em que anunciou um novo modelo mais rentável de seu portátil, prometeu um corte de preço de US$ 50 para o Wii U. Isso aumentará o prejuízo da empresa consideravelmente e derrubou suas ações logo em seguida.

Reginald Fils-Aime, presidente da Nintendo da América, também disse que a empresa não está se afastando de todo o conceito do 3D, e não é difícil imaginar a Nintendo em negação, já que é tudo que ela tem feito ultimamente. Para vender Pokémon eles acham que precisam de um portátil mais barato e sem 3D, mas no geral, pretendem manter o 3DS.

O Nintendo 2DS é um passo incrivelmente acertado em uma empresa que só tem dado passos errados, mas não significa uma total mudança de pensamento, nem uma arrancada da vitória. O Nintendo 3DS irá vender mais, assim como o GameBoy Advance quando resolveu seus problemas no GameBoy Advance SP, mas ele ainda ficará longe do que o Nintendo DS foi.

Com o Nintendo 2DS aí cê casa bem.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

New Super Mario Bros. 2 não é Mario

Não sei se alguém estranhou no artigo sobre o Nintendo 3DS XL o fato de eu não ter mencionado New Super Mario Bros. 2, afinal eu já espero que os leitores do blog tirem algumas conclusões sozinhos, mas vamos revisar para quem acabou de chegar. É óbvio que não o mencionei porque New Super Mario Bros. 2 não é um Mario de verdade.

Assim que New Super Mario Bros. 2 foi anunciado eu fiquei bastante animado, não pelo jogo em si, mas porque seria um exercício de observação de forças soberbo. O Nintendo 3DS fazendo força para baixo, já que os consumidores o rejeitam, e New Super Mario Bros. 2 fazendo força para cima, pois é um sucesso de público.

Porém, algumas coisas vinham me incomodando desde o anúncio. O tempo de produção foi muito pequeno, os gráficos eram idênticos aos do Nintendo DS e o jogo iria inaugurar a era de vendas digitais da Nintendo. Todos esses eram sinais de que havia algo errado com o título, mas eu não pensei que pudessem estragar Mario 2D.

Ironicamente eu não ando pessimista o bastante para acertar as previsões por completo. Quando finalmente a Nintendo exibiu New Super Mario Bros. 2, eu tive certeza que aquilo não era Mario.


Todos os princípios de plataforma foram trocados por um gimmick, um artifício barato, a coleta de moedas. Agora o objetivo do jogo não é mais atravessar uma fase do início ao fim passando por desafios, mas sim passar de fase tentando coletar o máximo de moedas durante a fase. Desafios são trocados por colecionismo e quebra-cabeças.

Isso transformará New Super Mario Bros. 2 em um spin-off, um jogo paralelo derivado do original, e não um título da série principal de Mario, não uma verdadeira sequência de New Super Mario Bros. Alguns até acham que ele virou um jogo da série Wario.

É também por esse motivo que ele será o jogo que abrirá a estratégia digital da Nintendo, porque jogos digitais, jogos vendidos por download, são inferiores a jogos vendidos em caixa, esses sim são jogos de verdade. Ao menos é o que a Nintendo pensa.

Vamos lembrar, a Nintendo não é a Apple, ela acredita que jogos digitais têm depreciado o valor dos jogos. Só porque ela vai começar a vender também os seus jogos online, não significa que ela tenha mudado o seu pensamento.


Apenas New Super Mario Bros. 2 estará disponível. Por que não Super Mario 3D Land? Porque este ela considera um jogo de verdade. A Nintendo trata Mario 2D como um minigame, um produto inferior ao Mario 3D, colocando-o na linha de frente de sua empreitada digital e do Wii U, não por ser forte, mas por ser descartável. Há muito tempo ela quer que o público de Mario 2D migre para o 3D.

Por último, o preço. New Super Mario Bros. 2 será vendido por US$ 39,99, tanto em versão física quanto online. Este preço não faz o menor sentido para a versão digital, parece até que a Nintendo não quer vender o jogo online.

E esse é o ponto principal, ela não quer. A Nintendo está sentindo a perda do monopólio dos portáteis para jogos mais baratos, ela não quer se igualar a eles, quer estabelecer uma linha de valor e deixar bem claro que ela é diferente, que tem qualidade.

Porém, os jogadores não se voltaram para os jogos mais baratos para gastarem menos, eles têm dinheiro para gastar com seu lazer. O problema é que os jogos atuais não estão compensando seu investimento por não terem qualidade, por não darem o entretenimento que o jogador espera.

Esse círculo vicioso continuará quando consumidores satisfeitos de New Super Mario Bros., esperando encontrar mais do que gostaram no jogo original, se depararem com uma mecânica completamente diferente. O mesmo tipo de rejeição acontece toda vez que fãs de Mario 2D encontram um jogo diferente no Mario 3D: "Isso não é Mario".


Uma decisão errada em uma série não costuma se refletir no capítulo que errou, mas sim nos capítulos futuros. Muitos jogadores satisfeitos com o primeiro jogo comprarão a sequência sem pestanejar, mas se ficarem decepcionados com esta, não comprarão o próximo com tanta facilidade e nem recomendarão para outros jogadores.

Por isso não acredito que New Super Mario Bros. 2 venderá mal, mas ele deixará um gosto amargo, e tem potencial para acabar com uma das maiores qualidades de Mario 2D, as pernas longas, o evergreen, a capacidade de continuar vendendo por longos períodos de tempo, reservada apenas aos jogos verdadeiros da série.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Por que lançar o Nintendo 3DS XL agora?


Na madrugada do dia 22 de junho, a Nintendo anunciou em uma conferência um novo modelo do Nintendo 3DS, o Nintendo 3DS XL, com telas 90% maiores, bateria que dura mais e um cartão SD de 4 GB. Agora, a grande questão, por que ela resolveu lançá-lo agora?

A resposta para essa pergunta está na engenharia reversa de uma previsão que eu fiz, mas não cheguei a postar por falta de tempo. Eu já esperava que a Nintendo revelaria um novo modelo do Nintendo 3DS, porém, eu pensei que seria na E3 2012, entre os dias 5 e 7 de junho.

Quando a Nintendo não anunciou o novo portátil na E3, fui revisar minhas teorias para ver se havia algo errado, mas não havia. Também havia previsto que muitas empresas boicotariam a E3, evitando fazer anúncios na feira, mas nem minhas previsões mais pessimistas imaginariam que a Nintendo boicotaria o evento.

Fiquei mais tranquilo quando vi que a teoria estava correta, pois prever algo nada mais é que usar conhecimento e experiência para analisar sinais sutis, que podem passar despercebidos para outras pessoas, para determinar o curso de ação e as consequências mais prováveis.

Ergo, os sinais que me levaram a prever o surgimento de um novo modelo do Nintendo 3DS, são a resposta para a pergunta "Por que lançar o Nintendo 3DS XL agora?".

O presidente da Nintendo, Satoru Iwata, anunciou que quer vender 18,5 milhões de Nintendo 3DS no ano fiscal de 2012 e um dos problemas é que a Nintendo não tem a menor ideia de como fazer isso. Então eles apenas farão parecer que conseguiram chegar lá.


No ano fiscal de 2011, o Nintendo 3DS vendeu 13,5 missões e para tanto, precisou de um corte de preço monstruoso e teve jogos apressados, como Super Mario 3D Land e Mario Kart 7. Ela acha que vai conseguir um resultado ainda superior com um novo Paper Mario, Luigi's Mansion 2 e o Nintendo 3DS XL mais caro?

Há alguns meses comecei a notar sinais nas atitudes da Nintendo que indicavam vendas infladas. Não foi difícil encontrar ou interpretar esses sinais pois eles são na verdade especialidade da Sony, que inflou bastante suas vendas na época do PlayStation 2.

Enquanto o Nintendo DS XL era focado em um público idoso, com dificuldade de enxergar a tela do Nintendo DS comum, o Nintendo 3DS XL é focado diretamente no público hardcore, mas não qualquer público, exatamente o mesmo que já comprou o Nintendo 3DS.

A Nintendo quer enganar seus investidores com múltiplos portáteis para a mesma pessoa, dando a impressão de que tem mais clientes do que realmente tem. Na Europa e Japão ela nem está dando o carregador junto com o portátil, já que ele é compatível com o anterior.

Não só isso, ele será lançado em 19 de Agosto. Curiosamente, Satoru Iwata comentou que a empresa pararia de perder dinheiro com o Nintendo 3DS em setembro. É provável que ele se referisse ao lançamento do novo modelo.


De acordo com o que já sabemos sobre a Espiral da Morte, Satoru Iwata não tinha escolha, como havia comentado com Sean Malstrom. Ele está apenas tentando salvar seu próprio traseiro, pois precisa manter as previsões e os números de vendas altos e lucrar muito.

Inclusive, não acho improvável que a Nintendo revise sua projeção de vendas durante a próxima reunião com investidores, dizendo "Ops! Ganhamos mais dinheiro do que esperávamos!", como também acredita Ben Gilbert da Joystiq.

Números inflados terão consequências a longo prazo, é como construir um castelo nas nuvens, eles apenas enganam os investidores por enquanto e fazem Satoru Iwata ganhar tempo. Até agora o Presidente da Nintendo ainda acha que o Nintendo 3DS vai engatar no futuro e resolver seus problemas.

E apenas para não perder o hábito. As ações da Nintendo caíram de novo após o anúncio.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Nintendo 3DS é um sucesso, só que ao contrário

Algumas coisas me incomodam sobre o comportamento das pessoas, como a falta de vontade que elas demonstram para ver além do óbvio ou aceitar que nem sempre um evento é motivado pela força que a lógica delas presume.


Não há nada demais em errar, como presumir que um objeto mais pesado cairia antes do mais leve, antes de Galileu provar que a força que atuava sobre eles era diferente da qual a lógica propunha, gravidade e não peso. Porém, até hoje é fácil surpreender as pessoas com isso e mesmo que você explique, algumas insistem no erro.

Em termos de disrupção, Christensen chama estas pessoas de homens-pássaro, pois acreditam que para voar, só precisam amarrar asas em seus braços e batê-las rapidamente. Se não der certo, só não as estão batendo rápido o suficiente. Não preciso dizer que o homem somente voou quando abandonou essa ideia e descobriu a aerodinâmica.

Nosso mundo está cheio de homens-pássaro, presumindo várias coisas que os fatos provam contrárias. Pirataria não diminui vendas, as aumenta; deixar um funcionário mais livre não o torna um vagabundo, mas sim mais dedicado e produtivo; competir ferozmente com um concorrente é menos proveitoso do que ignorá-lo; e a lista continua indo longe.

Então quando eu disse que o Nintendo 3DS iria falhar, pois não tinha aerodinâmica, a reação das pessoas foi basicamente: "Você não sabe de nada, olhe para aquelas asas majestosas, claro que vai voar".

Bom, o Nintendo 3DS foi lançado e foi um fracasso total. No Japão, suas vendas eram quase as piores de todos os tempos, apenas vencendo do WonderSwan, um portátil da Bandai, exclusivo do Japão.


As ações da Nintendo atingiram seu patamar mais baixo em décadas, pela primeira vez em sua história, a empresa previu um enorme prejuízo, o presidente da empresa, Satoru Iwata cortou seu próprio salário, junto com o de vários empregados. Um corte de preço drástico veio para o aparelho em agosto, antes de 6 meses no mercado, algo que a companhia nunca havia feito, desculpando-se em uma carta para seus consumidores.


Após o corte de preço e o lançamento de Super Mario 3D Land e Mario Kart 7, as vendas dispararam. E o que eu ouço? "Veja! O Nintendo3DS é um sucesso!". Bom, o que eu vejo é o mesmo homem-pássaro, jogando uma pedra com boias em um lago e dizendo: "Veja! Pedras não afundam!".


Até mesmo o GameCube teve um pico de vendas com Super Mario Sunshine e Mario Kart Double Dash, mas isso não impediu suas vendas totais medíocres. O Nintendo 3DS está com suas vendas infladas pelo corte de preço e pelo lançamento de títulos fortes. Mario Kart 7 é inclusive o tipo de "software certo" ao qual me referi neste artigo, mas depois vi que não bastava software certo, a filosofia do produto estava errada demais.

Agora, as vendas do 3DS tiveram este pico e muitos acreditam que ele é um sucesso. Porém, suas vendas são erráticas. A Nintendo, tentando construir confiança para o portátil, comenta como ele vendeu mais que o Nintendo DS em seu primeiro ano. Como isso pode ser uma coisa boa?


O Nintendo DS não vendeu mais do que o GameBoy Advance em seu primeiro ano. Poderíamos dizer até que "o Nintendo DS não vendeu mais que o Nintendo DS", pois ele não precisou vender mais do que vendeu para ser um sucesso e nem precisou desse tipo de afirmação, não precisou ser defendido. Na verdade, como todo produto disruptivo, o primeiro ano do Nintendo DS, foi o seu pior, enquanto tomava forma.

Enquanto o Nintendo DS foi ganhando volume aos poucos, conforme o fenômeno crescia, ganhando cada vez mais jogos, o Nintendo 3DS irá queimar toda a sua energia no início de sua vida. Já vimos isso com o GameCube que em seus primeiros anos ganhou exclusividade da série Resident Evil só para perdê-la no fim.


E você acha que nos próximos anos, quando o Nintendo 3DS vender menos que o Nintendo DS vendeu no mesmo período, a Nintendo irá comentar isso? Ou pior, acredita que o 3DS será um fenômeno maior que o DS? Eu não preciso convencer as pessoas de que o 3DS é um fracasso, em alguns anos a história mostrará.

Enquanto isso, o PS Vita foi lançado no Japão e suas vendas estão baixas. Curiosamente, de repente estão falando em fracasso, dois pesos e duas medidas? Porém, mesmo vendendo menos, ele está melhor que o Nintendo 3DS, pois está saudável, tem uma filosofia melhor e um objetivo mais modesto.

O PS Vita, herda mais do legado do Nintendo DS do que o próprio 3DS. Também já vimos isso antes, quando o primeiro PlayStation herdou mais do Super Nintendo que o Nintendo 64. Mas a principal diferença está em seus objetivos. O PS Vita só precisa vender para o mesmo público do PSP. Se ele alcançar 60 milhões, ou um pouco mais, já terá cumprido seu objetivo, perigando até a superá-lo. Esta é mais ou menos a realidade de vendas que eu espero para os portáteis:


Enquanto isso, o Nintendo 3DS tinha como objetivo superar o Nintendo DS, segundo o presidente da Nintendo, Satoru Iwata. Um aparelho que tem como objetivo vender mais de 150 milhões e está consumindo recursos como tal, falha miseravelmente se atingir apenas 80.

Uma analogia que já usei bastante, é que se o Nintendo 3DS e o PS Vita fossem trens, o 3DS estaria indo mais rápido, não por ser uma máquina mais eficiente, mas por estar consumindo mais carvão. Este carvão são os recursos que a Nintendo angariou durante o sucesso do Nintendo DS e Wii, sendo gastos no lugar errado.

Mas afinal, venda é venda, certo? Por que desprezar essas vendas do Nintendo 3DS? Primeiro porque a Nintendo está perdendo dinheiro. A empresa anunciou que o prejuízo que previu, será muito maior, porque está subsidiando o portátil, vendendo-o a um preço menor do que custa para produzir. (o que poderia ser mortal para a empresa)

Segundo porque não se pode ter sucesso em um mercado de competição, oceano vermelho, em encolhimento. O mercado de jogos do Japão tornou a encolher, após o crescimento com o DS e Wii. Não se pode ter real crescimento se seu produto não atingir as três camadas do mercado, os 3 tiers.


Pense que há um abismo com uma piscina do seu produto no fundo dele. Haverá aqueles na ponta, dizendo: "Uma piscina cheia de Nintendo 3DS, acho que vou mergulhar nela".Estes são os jogadores harcore. Eles estão perto e só precisam de um empurrãozinho.

Mas quem são os outros dois grupos? São pessoas mais distantes, que pensam: "Será que vale a pena ir ver esse abismo? Será que vale a pena mergulhar?", e um grupo ainda mais distante, que diz : "Que abismo?".


Cada grupo é mais numeroso que o anterior em proporções que desconhecemos. Para manter tudo relativamente simples, vamos atribuir fatias iguais de 50 milhões de pessoas para cada grupo, assim atribuindo um teto de 150 milhões, que são as maiores vendas de videogames já registradas.

O primeiro grupo, os hardcores, irão se mover em direção ao abismo. Independente da velocidade, eles irão. Cedo ou tarde um hardcore acaba comprando um videogame, os esforços da empresa só dizem quando.

O segundo e terceiro grupos no entanto, precisam ser conquistados. O Nintendo DS conquistou todos, chegando quase a 150 milhões de unidades vendidas. O Nintendo Wii tinha o mesmo potencial, mas abandonou a corrida.


Agora, ciente da existência das camadas de mercado, provavelmente você já entendeu por que as vendas do Nintendo 3DS não são um bom sinal. Tudo que a Nintendo fez foi apressar o primeiro grupo, facilmente conquistável com um corte de preço, enquanto continua sem apelar aos outros dois grupos, sobre os quais não tem poder devido à filosofia errada do portátil.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Os primeiros meses do Nintendo 3DS


Não, esse não é um artigo de "Eu avisei!". Também não é um churrasco de línguas, apesar de parecer. Este é um artigo de referência para um outro futuro artigo que estará no Balada em breve. Por ora, a idéia é só demonstrar os fatos e determinar que o Nintendo 3DS não está nada bem, além de questionar uma coisa bastante óbvia que falarei a seguir.

Às vezes as pessoas subestimam a análise que fizemos no ano passado. Não foi fácil. Como um amigo me falou: "O Nintendo 3DS tinha tudo pra dar certo. A Nintendo vinha do sucesso do Nintendo DS e Wii, vários jogos de peso foram anunciados para ele, toda a opinião da mídia era positiva e havia grande expectativa por parte dos jogadores. Como você previu isso?".

Mas a verdadeira pergunta é "Por que ninguém mais previu?".

Agora, o site Eurogamer fez uma análise dos primeiros seis meses do portátil. Eles são um site mais focado no mercado europeu e isso é bom, pois lá havia uma peculiaridade, outro sinal positivo, o Nintendo 3DS quebrou vários recordes de pré-venda, os quais não se reverteram em vendas reais.

Todos os jornalistas que experimentaram o portátil durante a Electronic Entertainment Expo, E3, disseram que o 3D sem óculos era algo incrível e que seria o futuro. Várias empresas de peso anunciaram jogos de renome para ele.

Porém, Johnny Minkley, que escreveu o artigo, comentou algo sobre mostrar o portátil para sua mãe e ela ter dito: "O 3D é irritante. Qual o objetivo? E eu não gosto de nenhum desses jogos", depois dizendo que o portátil parecia um retrocesso quando comparado ao Nintendo DS.

Esta simples senhora estava mais sintonizada com o pensamento do mercado de jogos do que todos os jornalistas especializados e todos os frequentadores de fóruns de videogame. Não são eles que deveriam entender do assunto?


Após um lançamento até bom, as vendas caíram um bocado. No Japão, o Nintendo 3DS era o segundo pior portátil de todos os tempos em matéria de vendas, perdendo apenas para o WonderSwan, um aparelho da Bandai exclusivo do Japão.

Satoru Iwata afirmou em Março que esperava que o Nintendo 3DS vendesse mais que o Nintendo DS. Eles esperavam que ele atingisse 4 milhões mundialmente no final de março, sendo que ele apenas atingiu 5 milhões recentemente, após o corte de preço e mais devagar do que o PlayStation Portátil.

No eBay o aparelho era vendido abaixo do preço do mercado, isso porque pessoas compraram o portátil para revender e não encontraram demanda. O site de leilões é um ótimo termômetro para produtos. O Nintendo Wii, por exemplo, era vendido lá por um preço maior do que nas lojas.

O corte de preço, enorme corte, diga-se de passagem, veio em menos de seis meses de lançamento, o que a própria Nintendo reconheceu ser algo sem precedentes em sua história. Para compensar quem comprou antes, ela deu jogos de Nintendo 8 Bits e GameBoy Advance e os chamou de Embaixadores, ou seja, otários.

O lançamento de novas cores e o corte de preço aumentou um pouco as vendas, mas não é algo que irá durar. Terá pernas longas, pois como dito, foi um corte muito expressivo. Foi como empurrar várias pessoas que estavam à beira de um abismo de indecisão ao mesmo tempo.

Porém, ainda há muito mais pessoas afastadas do Nintendo 3DS, um público que ele não conseguirá conquistar. Então uma vez que esse novo grupo que o preço ajudou a alcançar, comprá-lo, as vendas voltarão a cair vertiginosamente.

Ainda no Japão, o aparelho está tendo uma dificuldade imensa para se manter à frente do PlayStation Portátil, que é da geração passada e já estaria morto, se a Nintendo não tivesse abandonado o Nintendo DS. As pessoas estão tendo dúvidas ao escolher entre o Nintendo 3DS e o PSP, imagine quando chegar o novo portátil da Sony, o PS Vita.

Algo que eu mencionei na recente análise do Wii U, dizendo que ele iria falhar como o Nintendo 3DS, era sobre a falta de diferenciação entre o Wii e o Wii U, da mesma forma que ocorre com o Nintendo DS e 3DS, um ponto que os jogadores não entendem que atrapalha.


No Reino Unido, lojas estão colando adesivos para diferenciar as caixas do 3DS, pois clientes estão comprando os jogos do novo portátil pensando que funcionarão no seu Nintendo DS. Estas pessoas não são idiotas, como a indústria quer que você pense.

Essas mesmas pessoas disseram que não tem interesse no efeito 3D. Em uma recente pesquisa, 51% das pessoas disseram que se sentiriam incomodadas se o efeito se tornasse padrão nos videogames. Já havíamos dito isso há muito tempo. Agora a Nintendo está se esforçando em demonstrar que o 3D pode ser desligado e mudar o foco do portátil, como indicam algumas propagandas europeias, mas isso não é mais possível.

Notem que a maioria dos sinais de fracasso estão vindo da Europa. O que eu reparei recentemente é que a Nintendo da Europa já notou que o Nintendo 3DS e o Wii U não vão dar certo. Eles prepararam uma versão mais barata do Wii para permanecer no mercado e expandiu sua linha de jogos, com Xenoblade Chronicles, The Last Story e Pandora's Tower, pois sabe que terá que apertar o cinto depois.

O repórter da Eurogamer encerra sua análise cometendo o mesmo erro que todos cometeram no lançamento do Nintendo 3DS, achando que basta esperar Super Mario 3D Land e Mario Kart 7 serem lançados. Assim como antes as pessoas achavam que bastava lançar The Legend of Zelda: Ocarina of Time, ou no tempo do PSP, esperavam Grand Theft Auto.

Mario 64 e Mario Kart 64 não impediram o Nintendo 64 de perder a liderança pro PlayStation, Mario Sunshine e Mario Kart: Double Dash!! não impediram o GameCube de perder a liderança para o PlayStation 2.


O aparelho tem sua própria identidade a qual se reflete nos jogos que serão lançados para ele. E se Super Mario 3D Land e Mario Kart 7 não farão nada por ele, Luigi's Mansion 2 e Kid Icarus também não, nem Tales of the Abyss ou Metal Gear Solid 3D. Nem mesmo Nintendogs+Cats ajudou, pois como vimos, não era para o público expandido.

Eu fui em vários fóruns, comunidades e blogs onde o artigo "Por que o Nintendos 3DS vai falhar" foi postado e colhi os comentários feitos, incluindo aqui no blog. Alterei um pouco e misturei para que as pessoas não pudessem ser identificadas, já que a ideia não é realmente caçoar delas, mas sim demonstrar que a imensa maioria (90%) das pessoas que deveriam ser os "especialistas" apontavam na direção errada.

Aposto que neste exato momento a mãe do repórter está dizendo que o Nintendo 3DS vai falhar, mas ele continua escrevendo coisas positivas sobre ele. Por que a mãe de Johnny parece saber mais sobre o mercado de jogos do que um jornalista de jogos e frequentadores de fóruns de videogame? Isso é assunto para o outro artigo.

Fiquem com a lista de respostas, posts e comentários. A minha preferida é "Vai falhar o sistema de tanto vender".
  • "Mesma declaração da Outerspace sobre o Nintendo DS: "O portátil errado na hora errada""
  • "Nem preciso ler, a Nintendo já fez o nome com o DS, agora vai continuar vendendo"
  • "Sei... lá vamos nós de novo..."
  • "Acredito que o 3DS terá apelo aos jogadores casuais"
  • "Pior coisa que já li nos últimos tempos"
  • "A pessoa tem que se informar antes de falar pra não dizer besteira. Nintendo DS e Wii são os maiores sucessos e 3DS será também"
  • "O achismo não leva a lugar nenhum. Melhor esperar os fatos"
  • "Ah sim! Vai ser um fracasso! Como o Wii e o DS *ironia*"
  • "Só achismo e prepotência"
  • "O cara cria um artigo desses só pra chamar atenção, deve ser Sonysta"
  • "Sou obrigado a ler uma coisas dessas..."
  • "A Nintendo voltará a se focar no público hardcore, sem esquecer o casual! É uma fusão perfeita!"
  • "O preço está um pouco alto, mas será um sucesso"
  • "Argumentos péssimos, o cara é muito mal informado"
  • "A Nintendo não abandonou o público casual"
  • "O preço é alto, mas os jogos estão ótimos!"
  • "Se você é tão bom assim de análise vai ser Presidente da Nintendo"
  • "Ri muito do artigo"
  • "Ah, claro! Vai falhar sim! Espera sentado *ironia*"
  • "Quando o 3DS estourar em vendas vou esfregar esse artigo na sua cara"
  • "Em que mundo você vive?"
  • "Um dos artigos mais idiotas que já li"
  • "Meu Deus, mas quanta bobeira"
  • "Tanta bobagem escrita num texto só..."
  • "Não vai falhar, disseram o mesmo do Wii"
  • "Nem li e já digo que está errado, não vai falhar, só por ser o sucessor do DS"
  • "Nunca houve um portátil da Nintendo que falhou"
  • "Não vai falhar, tem apoio das third parties"
  • "O cara se baseia em teorias universitárias e se esquece da prática. Todos estão apoiando o 3DS, vai ser sucesso"
  • "Às vezes me pergunto se liberdade de expressão é uma coisa boa..."
  • "Nunca li tanta idiotice na minha vida"
  • "O 3DS é a oportunidade perfeita de fundir os públicos hardcore e casual"
  • "Nintendo irá dominar todo o mercado, harcore e casual"
  • "É tão cheio de achismo que chegar a dar vergonha. Você não entende nada de jogos. Guarde sua opinião pra você"
  • "Duvido! No Japão só dá Nintendo!"
  • "O cara lê livro de Oceano Azul ou Oceano Vermelho e acha que é tudo exercício de escola"
  • "Nem preciso ler o texto pra saber que é um lixo"
  • "Nintendo sempre foi e sempre será líder nos portáteis. Agora mais do que nunca"
  • "Em pouco mais de seis meses já vai estar passando até o PSP"
  • "Confio em Shigeru Miyamoto"
  • "Análise prematura, as coisas ainda podem mudar"
  • "3DS será um sucesso! É inovador, tem uma biblioteca para hardcore e casuais e ainda conta com as franquias da Nintendo: Zelda, Mario, Pokémon"
  • "Não vai falhar de jeito nenhum. Não em vendas"
  • "Só falou besteira"
  • "Nintendo continuará expandindo o público. Satoru Iwata já disse isso"
  • "O único problema é o preço"
  • "Se fosse tão ruim não teria apoio de tantas empresas"
  • "3DS não é hardcore, vai ter Nintendogs, Mario Kart, Animal Crossing. Vai fundir hardcore com casual"
  • "O único incômodo do 3DS é a falta de um segundo analógico, só precisam resolver isso"
  • "Quanta besteira, a Nintendo não está abandonando os casuais"
  • "Isso é só medo da novidade, depois passa"
  • "Ah sim, o senhor excelentíssimo dono do blog "Na Balada do Mario Bros" deve saber mais de mercado do que a Nintendo *ironia*"
  • "Tem que ser muito burro pra apostar contra o Nintendo 3DS"
  • "Os jogadores casuais serão atraídos pelo 3D sem óculos"
  • "Viajou muito pra querer pagar de analista"
  • "Já cansei de falar o quanto este artigo está errado. 3DS será o maior lançamento da história dos videogames"
  • "A Nintendo não cometeria um erro desses"
  • "As pessoas diziam a mesma coisa do Nintendo DS"
  • "Não li, não lerei e afirmo que é impossível o 3DS falhar"
  • "Só vai falhar em atender toda a demanda gerada"
  • "3DS faz tudo que o antecessor fazia e ainda tem 3D. Quem escreveu esse artigo deve estar zuando"
  • "o 3DS é disruptivo, venderá muito, assim como o Wii e DS"
  • "Falou a Mãe Dináh"
  • "Claro que não vai falhar. A Nintendo continua no Oceano Azul"
  • "Nintendo domina os portáteis"
  • "Vou rir muito quando o 3DS for um sucesso estrondoso"
  • "Não consigo entender como existem pessoas que apostam contra o 3DS. A Line-Up inicial é uma das melhores que já vi"
  • "Li até a metade e não aguentei de tanta besteira. Em todos meus anos de vida nunca vi tanta aceitação quanto com o 3DS"
  • "Volto pra cobrar depois"
  • "Vai falhar que nem o Nintendo DS... oh wait *ironia*
  • "As mesmas previsões foram feitas contra o Nintendo DS. Não tem como não ser sucesso um aparelho desses"
  • "Vai vender muito mesmo sendo caro, como produtos da Apple"
  • "Só quem vai falhar é você"
  • "Estou muito satisfeito com o que a Nintendo apresentou. Acredito que o portátil será sucesso com o público e ditará tendências"
  • "Só a mãe do cara pra falar bem desse texto"
  • "Essa teoria toda é muito furada"
  • "Besteira, Nintendo não vai abandonar o mercado casual"
  • "Isso é choro de Sonysta"
  • "O DS fez um nome de força, o 3DS explodirá logo no lançamento"
  • "Para de pedir pra sua mãe elogiar o texto"
  • "Nem vou ler. Falavam a mesma coisa do Nintendo DS"
  • "Vai imprimir dinheiro"
  • "HAHAHAHA! Quem escreveu essa baboseira? Claro que o público está doido por 3D sem óculos"
  • "Muito fantasioso e cheio de suposições"
  • "Um portátil que terá The Legend of Zelda: Ocarina of Time não pode falhar"
  • "Só sua família pra dizer que gostou disso"
  • "Muita bobagem, não aguentei ler até o fim. 3DS não vai falhar, tem o nome do DS e tem ótimos jogos"
  • "O cara é vidente *ironia*"
  • "A Nintendo só vai falhar em produzir tanto 3DS. Como o Wii que faltava nas lojas"
  • "Você nem deve ter lido A Estratégia do Oceano Azul, ou se leu, não entendeu. Está muito errada essa análise"
  • "Como diz que um console que nem foi lançado vai falhar ou não?"
  • "Falou bobagem aí, campeão"
  • "Li e digo que o 3DS não vai falhar, tem muitos jogos bons"
  • "Não pode falhar, porque vai ter jogos como The Legend of Zelda, Resident Evil, Star Fox"
  • "Vou lembrar desse artigo quando o 3DS for um sucesso"
  • "Discordo. Não há motivo para se pensar que a Nintendo voltou para o público hardcore"
  • "Vai falhar trazendo uma tecnologia inovadora? Não mesmo"
  • "O cara só quis falar mal de algo que todos falam bem pra ganhar audiência. Depois que o 3DS for um sucesso, ninguém vai mais lembrar dele"
  • "Deviam proibir esse cara de escrever, nunca vi tanta besteira"
  • "Quase me convenceu"
  • "Coisa de Sonysta querendo que o portátil falhe"
  • "Viajou legal hein. O 3D é uma evolução natural"
  • "Analistas nunca acertam nada"
  • "Impossível dar credibilidade pra uma análise dessas. Não vai falhar porque tem The Legend of Zelda: Ocarina of Time"
  • "Diziam o mesmo do Nintendo DS e deu no que deu"
  • "Vai falhar o sistema de tanto vender"

domingo, 17 de abril de 2011

Nintendogs+Cats não é pro público expandido


Vamos analisar o fenômeno Nintendogs por um instante. O Nintendo DS acabara de chegar, com muita desconfiança em toda sua idéia de "Touching is Good", na verdade ainda sob a alcunha de último portátil da Nintendo que seria esmagado pelo PlayStation Portátil.

Nintendogs acabou com toda a desconfiança no Japão, faturando um 40/40 na Famitsu, na época que a revista ainda tinha altos critérios pra dar notas máximas (depois virou um samba danado). O jogo foi um grande fenômeno e prosseguiu em vender milhões por todo o mundo.

Quando eu disse que O Nintendo 3DS não tinha jogos para o público expandido e esse seria parte do problema pelo qual ele não atrairia público, me responderam: "Você não sabe de nada, tem Nintendogs+Cats", mas eles não entendiam que esse não era um jogo para esse público.

Isso se deve em parte ao fato da ótica Casual X Hardcore, o que não é hardcore, é casual. Aquela falácia que já estamos carecas de saber, dizendo que o que é casual estoura em vendas porque as pessoas são idiotas e compram qualquer porcaria. Sabemos que não é assim.

Os jogadores existem em ciclos de três etapas: os que não jogam, os que estão jogando, os que pararam de jogar. Para ter um mercado saudável, Satoru Iwata disse que eles deveriam apelar para todos esses mercados.

Nintendogs atingiu o público que não estava jogando, isso é óbvio, mas acho que não deve ser tão óbvio assim se é necessário explicar pras pessoas logo em seguida por que Nintendogs+Cats pro Nintendo 3DS não o faz.

Por encarar os casuais como criaturas inferiores, acreditam que tudo que precisam fazer é continuar alimentando-os. Eles gostaram de Nintendogs? Dê mais Nintendogs pra eles. Sem surpresa alguma, o público de Nintendogs não comprou o Nintendo 3DS. Por que?

Porque não se trata de alimentar, dar sempre mais do mesmo, trata-se de expandir. Você consegue imaginar dilatação utilizando-se alargadores sempre do mesmo tamanho? (Eu pensei em orelhas suas mentes sujas!)

Nintendogs expandiu até um certo ponto, uma sequência não conseguiria expandir muito além, é necessário algo novo, tão expansivo quanto Nintendogs, porque o público que não jogava antes, agora é o público que já joga.

Sempre haverá novos jogadores chegando, jogadores no meio e jogadores cansados da maioria dos jogos. Se você falhar em atender qualquer um desses grupos, causa desinteresse. Por que o Nintendo DS é o console mais vendido de todos os tempos? Porque ele atendia todas essas necessidades.

Nintendogs+Cats não supre essa necessidade, com isso a linha de jogos do Nintendo 3DS falha em atender as duas pontas do ciclo.

domingo, 27 de março de 2011

Analisando Super Mario 3DS em 30 segundos

Recentemente na Game Developers Conference 2011, durante a palestra de Satoru Iwata, Presidente da Nintendo, foram mostradas imagens de um novo "Super Mario 3DS" por uns trinta segundos, junto com um logo do jogo, e apesar de muito do que podemos ver ser óbvio, acho que vale a pena darmos uma analisada.


Obviamente, esse é um jogo que vai dar errado, acho que nem preciso explicar muito. Super Mario 64 DS não ajudou as vendas do Nintendo DS, fazendo ele perder pro PSP, só quando New Super Mario Bros. entrou em cena que as coisas mudaram de figura. É isso que as pessoas querem, Mario 2D, não Mario 3D, porque são jogos diferentes. Para não me alongar demais sobre o tema, vou explicar pela ótica de Sean Malstrom:


Mario 2D tem um design perfeito sobre correr por uma fase tentando chegar ao final dela, tendo várias opções de como fazer isso, como cortando caminho por canos e pegando Power-Ups. Você pode terminar o jogo como Mario pequeno, ou como Fire Mario, a experiência muda, você não é obrigado a nada.

Mario 3D é um jogo sobre pegar estrelas, onde só há um caminho certo e você tem que resolver um quebra-cabeça para fazê-la surgiur ou chegar até ela e Power-Ups só são usados para resolver esses quebra-cabeças, tendo até mesmo tempo limite. Você não tem tempo limite para uma flor de fogo em Super Mario Bros., tem?

Não estamos falando do estilo gráfico, como se 2D fosse superior ao 3D, estamos falando de dois jogos completamente diferentes que levam o mesmo nome. Quando Mario foi convertido para o 3D, e isso vale para muitas outras séries, como Sonic, MegaMan, Castlevania, esqueceu seus valores originais, e o público rejeitou.

É como tentar vender Nescau sabor morango, o público tem uma expectativa sobre aquele nome e espera que ela seja cumprida. Mario 3D dá sabor de morango para quem espera o sabor de chocolate de Mario 2D.

A imagem que mais chama atenção é a da parte inferior esquerda. Nela vemos um Mario pequeno, um Goomba e uma disposição de blocos extremamente familiar, lembrando a da primeira fase de Super Mario Bros., o que não é uma coisa muito boa, estão apelando para nostalgia, a qual não é a resposta. Querer os valores de antigamente não é o mesmo que ser nostálgico.

É possível que o novo sistema de Mario pequeno e Mario grande remova a barra de energia, o que deixa a questão de pra que servem as moedas agora. Podemos ver que não parecem haver paredes nas fases, o que remete a algo no estilo de Super Mario Galaxy ou Super Mario Sunshine, nas fases sem Fludd.



Para quem teve a chance de jogar Super Mario Sunshine, deve lembrar dessas fases e deve saber que sentíamos algo de estranho nelas. Era quase como se aquelas fases fossem o verdadeiro Mario 2D convertido para o 3D, mas ainda não era bem aquilo.

Mesmo que eles tragam a idéia de uma fase para se percorrer do início ao fim com Power-Ups como antigamente, apesar de já ser um grande avanço sobre o estilo de Mario 3D atual, ainda assim não será a verdadeira conversão de Mario 2D e o público tende a continuar rejeitando.



Por que? Estão faltando dois elementos essenciais: Conteúdo e Escolhas.

São objetos aleatórios flutuando criando um percurso de obstáculos. Eles não estão inseridos em um mundo que ofereça conteúdo, como o Reino dos Cogumelos, só há um único objetivo, chegar ao final, e só há uma forma de fazê-lo, sendo que o único obstáculo é a dificuldade. Você não vê caminhos alternativos, só há a opção de seguir em frente.

No artigo sobre segregação mencionei que os jogos antigamente tinham vários objetivos, várias formas de cumprí-los, e é isso que falta em Mario 3D. Olhando para as fotos de Super Mario 3DS, o que vemos? Mais objetos flutuando.



Por fim, a Nintendo soltou o logo do jogo, que possuía um rabinho nele. Isso signifiva o retorno da roupa de Mario Raccoon, a roupa de guaxinim que podia voar em Super Mario Bros. 3 e depois foi trocada pela menos excitante capa de Super Mario World e o razoavelmente interessante boné com asas de Super Mario 64.

O que isso significa realmente? A Nintendo está soltando os jogos de uma fase onde ela está ouvindo o que os consumidores queriam. Pediram remakes de Pokémon Gold & Silver? Eles foram feitos. Pediram um novo Donkey Kong Country? Aí está ele. Querem a volta da roupa de Raccoon pra Mario? Estamos providenciando.

Isso não é bom.

Em "The Innovator's Dilemma", que Satoru Iwata tem como uma inspiração, você se depara com o problema de que você não pode perguntar ao seu consumidor como ele quer ser surpreendido.

Citando o eterno exemplo de Henry Ford: "Se eu perguntasse ao meu cliente o que ele queria, ele diria: um cavalo mais rápido", e a talvez não tão conhecida frase de Samuel Rothapfel: "Dar às pessoas o que elas querem é um erro desastroso. Elas não sabem o que querem... Dê-lhes algo melhor".

Por um tempo a Nintendo fez o que queria, criando jogos "revolucionários", como Donkey Kong: Jungle Beat, agora ela está dando exatamente o que o consumidor está pedindo, como Donkey Kong Country Returns, mas ambas as decisões são erradas (outro dia falo mais sobre Returns).

Super Mario 3DS está fadado a falhar em trazer o público de Mario 2D como de costume, mas será que a Nintendo sabe? Eles precisarão de um New Super Mario Bros. 3DS urgentemente se quiserem se salvar do poço que estão cavando.

Eu estou na dúvida em quanto de vendas apostar. New Super Mario Bros. é um jogo de pelo menos 20 milhões de unidades. Tanto Super Mario 3DS pode ser rejeitado logo de cara e ter vendas de por volta de 8 milhões como Super Mario Galaxy ou ele pode na verdade enganar o novo público que comprou New Super Mario Bros. e vender por volta de 16 milhões.

O perigo seria a Nintendo queimar Mario com esse novo público, que rejeitaria os futuros jogos do personagem, sejam 2D ou 3D.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Impressões sobre o 3DS

Após o evento que aconteceu em São Paulo nos dias 11, 12 e 13 , muito tem se falado sobre o 3DS, o qual estava exposto para o publico testa-lo. Embora muitas opiniões sejam coerentes, temos muitos ufanistas e haters de plantão que estão distorcendo algumas informações. Portanto resolvi fazer uma analise das impressões que tive ao testar o novo portátil da Nintendo, sem cair nessas provocações. Creio que muitos estão interessados em saber como realmente o portátil funciona.

Bom, de inicio eu já afirmo, o 3D funciona muito bem e é igual ao dos cinemas. É igual também as TVs 3D e ao 3D Vision da Nvidia. Com um porém, o tamanho da tela. Diferente dos cinemas e das telas LCD, seu campo de visão é limitado, logo é totalmente perceptível, por mais que o efeito funcione, que não passa de uma ilusão. Não que nas outras telas não se tenha essa impressão, mas para quem já foi em um IMAX sabe que a tela ocupa todo o seu campo de visão, não dando para notar os limites da tela, ao menos que vire a cabeça é claro. Esse é um ponto negativo apenas para efeitos de saída de tela, já que a profundidade não é afetada, realmente parece que há um mundo além do portátil.

Se o tamanho é uma desvantagem, o regulador é o diferencial mais importante. É possível ajustar o efeito a seu gosto, aliviando assim possíveis desconfortos. Não sei se todos sentiram, mas jogar com o efeito no máximo me causou cansaço visual, mesmo com pouco tempo de jogo. O regulador pelo menos deve ajudar a amenizar esse desconforto.

Não ter óculos para se ver 3D é realmente fantástico e parece magica. A principal vantagem é que as cores não são distorcidas. Os óculos do cinema escurecem a imagem e alguns detalhes são perdidos. No 3DS isso não ocorre e as cores continuam vivas. Além de é claro não ter o desconforto de usar aquelas coisas terríveis na cara. Mas nem tudo é perfeito, e o preço pago por isso é a limitação de movimento. Uma simples inclinação e o efeito se perde. Vamos ser sinceros, a maioria aqui não joga em uma montanha russa nem possui mal de Parkinson a ponto de ficar toda hora mudando o portátil de posição, apenas segurar o portátil como de costume já resolve. O problema disso ao meu ver é outro. Uma das caracteristicas do 3DS é um acelerometro, ou seja, é possível fazer movimentos com o vídeo game para jogar, logo os desenvolvedores ficarão em uma encruzilhada: utilizar o 3D ou o sensor? Em um aparelho cujo o nome é Nintendo 3DS, não é muito difícil imaginar qual será a escolha.

Sobre os jogos não tem muito o que ser dito. A maioria é port, remake ou continuação. O único novo ali era Steel Dive, jogo em que é possível controlar um submarino. Na touch screen se manipula movimentos de artilharia e mergulho. O objetivo é simplesmente afundar navios inimigos, mas como visto em imagens, deve ser apenas um modo do jogo. A grande sacada do jogo esta no acelerometro, se virar o corpo em 360º o cenário muda da mesma forma, como se estivessemos controlando o seu visor. Nesse caso o sensor de movimento não afeta o 3D já que o movimento é feito pelo corpo do jogador. Os gráficos são fracos, visto que originalmente era para o DS. O efeito 3D é um pouco sem graça, tendo apenas a percepção de profundidade dos navios, nada incrível.

Dos jogos com melhores efeitos estão Nintendogs+Cats, Zelda Ocarina of Time e Asphalt 3D. Super Street Fighter 4 funciona bem, mas jogar com a visão nas costas do personagem é desconfortável, principalmente para o controle. Os movimentos muito rápidos também atrapalham. Pro Evolution Soccer foi o mais decepcionante. A única diferença que observei foi do campo parecer "afundado" na tela, e só. Apenas nos replays era possível verificar algum efeito mais acentuado. Talvez com uma câmera mais dinâmica, como a por trás de cada jogador, o efeito seja mais perceptivel. Infelizmente não joguei PilotWings nem testei os jogos de Realidade Aumentada, vou ficar devendo.

Outro ponto que gostaria de destacar é o Circle Pad, o analogico do 3DS. Eu via com maus olhos a substituição do D-Pad, que foi jogado para uma posição muito desconfortável. por um analógico. Mas não é que o safado funciona bem? Funcionou muito bem até em Street Fighter. Quem joga sabe da dificuldade de se jogar jogos de luta em controles analógicos, mas o CirclePad conseguiu ser muito funcional. Talvez seja cedo e eu precise jogar mais, mas arrisco dizer que seja melhor que qualquer analógico já feito.

Uma pena que a Nintendo tenha abandonado a touch screen. Falo isso porque ele ainda é single touch. Broxante no mínimo. As duas telas da a vantagem de se poder transformar a touch screen em uma extensão para se controlar o jogo, um multi-touch poderia acrescentar novas experiências como controlar um volante. Steel Dive, por exemplo, ficaria mais interessante e confortavel de se jogar na touch screen.

Por fim, apenas digo que o 3DS cumpre o que prometeu, um efeito 3D sem oculos com eficiência. O visual dos jogos é agradavel, por enquanto no mesmo nivel que o PSP. Cicle Pad me impressionou e a touch screen desapontou. O portatil é leve e muito bonito.

Espero ter iluminado as pessoas que estavam curiosas. O 3D funciona, nada de outro mundo mas impressiona pelo fato de não utilizar oculos. Se isso vai fazer diferenças nos jogos ou não, bem, já é outra história.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Mito do Oceano Roxo


Quando se fala de Oceano Azul e como a Nintendo venceu a disputa recorrendo à essa estratégia, parece até que se fala de mágica. A verdade é que o Oceano Azul só funciona porque a economia está em crise como um todo, as falhas do capitalismo vêm se mostrando falhas mortais e a estratégia acaba por ir contra as concepções do modelo.

No capitalismo, presume-se que a competição gera o melhor produto e grandes empresas provém grandes inovações. No entanto, ocorre justamente o contrário, quanto maior a empresa, mais ela quer um modelo de exploração seguro e estável ao invés de agradar o público com inovações relevantes.

As empresas trabalham com demanda. Problemas geram demanda e resolvê-los acabaria com mercados lucrativos. Produtos devem ter uma durabilidade máxima, para poderem ser substituídos, ou como uma empresa faria mais dinheiro? Por isso trocamos nossos aparelhos em ciclos de alguns anos.

O Oceano Azul vai contra tudo isso, dizendo coisas que contrariam o sistema. Vale lembrar que a estratégia é baseada em um extensivo estudo, onde houve a observação de que a inovação viria com mais frequência das empresas menores, sentindo necessidade de conquistar espaço no mercado.

Por fim, as pessoas acreditam que a Nintendo conquistou o mercado ao procurar o que chamaram de "público casual", um outro mito da indústria que precisava nomear seu inimigo para torná-lo palpável.


Sean Malstrom corretamente apontou essa atitude como "Homens-Pássaros e a Falácia Casual" (tradução livre). Ao atribuir o sucesso da Nintendo aos casuais, equipara-se aos primeiros homens que tentaram voar, criando asas de vários tipos e batendo os braços (ou pernas no caso da máquina voadora de da Vinci). Eles nunca procuraram entender o conceito de aerodinâmica.

A Nintendo saiu de um Oceano Vermelho, caracterizado pela competição acirrada, corrida tecnológica desnecessária, preço de produção determinando preço de venda e baixo lucro para um Oceano Azul, sem competição, utilizando-se de tecnologia bem difundida, com o valor determinando o preço de venda e assim altos lucros. Que empresa não quer isso?

Aparentemente, a Nintendo não quer. A estratégia do Oceano Azul diz que quando um Oceano Azul se torna Vermelho, ou seja, quando os competidores vêm pras suas águas, você pode gastar tudo que ganhou para brigar nesse mesmo Oceano Vermelho ou criar um novo Oceano Azul.

Vale lembrar que Sony e Microsoft não chegaram ao Oceano Azul da Nintendo. Empreitadas como o PlayStation Move ou o Kinect não atingem o público dela. No Oceano Azul, continua sem concorrentes. Por que sair dele? Talvez ela acredite no Mito do Oceano Roxo.

Nem tão ao Sul nem tão ao Norte, o Mito do Oceano Roxo seria um equilíbrio entre Azul e Vermelho. Para os jogadores "hardcore" que acreditam na "falácia casual", obviamente isso é uma ótima solução para eles não perderem sua parcela de mercado. Ah se a vida fosse assim, ao invés de escolher um lado, a melhor opção para se bater um pênalti seria jogar a bola bem no meio do gol.

É óbvio que o Oceano Roxo não passa de um mito criado por uma visão superficial do mercado, quase infantil. Oceanos Azuis e Vermelhos são como água e óleo, são completamente opostos, entram em contradição. É como tentar unir o alto ao baixo e esperar chega a um "altobaixo" ao invés de um "médio".

A Estratégia do Oceano Azul só é possível ao se descartar o Oceano Vermelho, porque ela requer coisas como "Valor Excepcional" e "Picos de Valor", coisas que o Oceano Vermelho não tem, por tentar nivelar tudo por cima, o que acaba em um nivelamento pela média. Abaixo, um exemplo de gráficos comparando Oceanos Azuis e Vermelhos em suas respectivas cores.


O Oceano Vermelho é caracterizado por dispersar a mensagem. Por exemplo quando vemos produtos híbridos que fazem muita coisa mas que não nos passam uma imagem de confiança sobre nenhuma delas. "Praticante de todas as artes. Mestre de nenhuma". O Oceano Azul passa uma clara mensagem: "Somos excepcionais neste ponto específico".

Produtos como o iPhone mostram especificamente características do Oceano Azul, como por exemplo quando a estratégia diz "Pegue tudo que é considerado essencial e descarte". Isso porque no Oceano Vermelho, acontece uma bola de neve de "agregação" de valor, que se torna ineficiente.

Uma empresa inova, atendendo uma demanda, como por exemplo, colocando uma câmera no telefone, então todas as empresas copiam e agora câmeras são consideradas essenciais, de repente o custo de produção de todos os telefones celulares aumentou, porque todos tem que ter um câmera. Quando o iPhone foi lançado sem câmera, foi considerado loucura. Como quando o Wii foi lançado sem gráficos de ponta.

Não existe um Oceano Roxo. A Nintendo está rumando de volta para o Oceano Vermelho, talvez confusa, talvez totalmente ciente, mas de um jeito ou de outro, há tubarões nele.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Que maus ventos trazem o Nintendo 3DS?

Uma coisa que eu já estou acostumado é a não receber crédito. Você diz que algo vai dar errado, aponta as falhas, mas ninguém diz que você tem razão, ninguém ouve quando você avisa e ninguém gosta do cara do "Eu te avisei". Mas então, você se acostuma.

Não será surpresa se quando o Nintendo 3DS falhar, apesar do artigo Porque o Nintendo 3DS vai falhar, apontem vários outros motivos para isso ter acontecido ao invés dos que eu mencionei.

Na verdade isso me acontece muito com jogos. Como Game Designer você tenta apontar as falhas e dizer o que vai afastar e causar rejeição do público em um jogo, mas os criadores preferem acreditar no que é mais perceptível pra eles, tecnicamente, como gráficos ou jogabilidade ruins, do que em alguma coisa abstrata.

Somos humanos, é o abstrato que nos define, não existem fórmulas matemáticas para nossas emoções, então tudo que podemos esperar é analisar o comportamento humano e tentar prever as reações.

Mas por que estou aqui me desmanchando no meu drama pessoal (eu quero um abraço) se ainda é meio cedo pra choradeira? Bom, assim como eu tento prever as suas reações para criar produtos interessantes, há pessoas na indústria que são pagas para manipular as suas reações para vender produtos desinteressantes ou atender a outros interesses.

É bom avisar que eles são invisíveis. Você nunca ouviu falar deles e nunca os viu, mas eles fazem a opinião deles se infiltrar lentamente no inconsciente popular através de associação, metáforas, notícias manipuladas, etc. Você talvez se lembre deles do artigo do Kinect e o Lobbismo. Apesar de algumas pessoas os chamarem de Marketeiros Virais, eu prefiro o termo Lobbistas.


Enquanto Game Designers usam seus poderes para o bem, utilizando seu conhecimento sobre o ser humano para criar jogos que eles sentirão prazer em jogar, Lobbistas são como o lado sombrio dos Jedis, falsos videntes usando seu conhecimento das reações para enganar o público.

Toda essa pequena introdução para chegar ao assunto que eu realmente quero falar, a recente onda de notícias negativas do Nintendo 3DS. Bom, eu mais do que ninguém acredito que o portátil não dará certo, mas até então devia ser um dos únicos. O que mudou nesse meio tempo que de repente se instaurou essa crise de desconfiança?

Nos últimos dias houve uma enxurrada de notícias negativas sobre o portátil:

1) Tempo de bateria entre 3 a 5 horas, com tempo de recarga de 3 horas e meia. Acredito que nenhum portátil com menos de oito horas de autonomia realmente valha a pena nos dias de hoje. Quanto mais o meu PSP descarregava mais eu passava a utilizar o meu Nintendo DS.

2) Efeito 3D poderá causar efeitos adversos, como enjôos, dores de cabeça, problemas de visão, além de não ser recomendado para crianças menores de seis anos que ainda estão formando sua visão e poderia causar problemas.

3) O portátil teria que estar bem firme para obter um efeito satisfatório do 3D. Essa chega até mesmo a lembrar o "tripé" e a fita para prender na cabeça que vinham com o antigo Virtual Boy.

4) Jogos mais caros do que os atuais. Algo que aconteceu também com o Xbox 360 e PlayStation 3, mas note que em nenhum momento gerou tamanha repercussão negativa nestes. Na época os Lobbistas consideravam muito justo aumentar o preço já que eles nunca foram atualizados segundo a inflação, mera falácia.

5) O Nintendo 3DS será o primeiro portátil da Nintendo com trava de região, que significa que jogos japoneses e europeus não rodam no aparelho americano e vice e versa.

Alguns desses pontos são válidos e realmente vão incomodar, como a bateria curta e os jogos mais caros, mas os outros são pedaços de notícia exagerados que não afetarão a maior parte dos consumidores.

Já comecei a ver alguns "analistas de videogames" começando a tirar suas fichas do Nintendo 3DS, estes tão capazes de prever o rumo do mercado quanto apostadores de corrida de cavalo.

No fundo tudo o que importa é o software, os jogos. O software certo vende até areia no deserto. O PlayStation vendeu mais do que o Nintendo 64 e o Sega Saturno mesmo tendo falhas monstruosas, como gráficos muito inferiores ao console da Nintendo e enormes Loadings obrigatórios antes dos jogos começarem. No mês de lançamento de Mario Kart: Double Dash!!, o GameCube conseguiu superar o PlayStation 2 em vendas.

Agora vem a parte engraçada, nem todas essas notícias são realmente novas. Algumas já haviam sido comentadas antes, mas misteriosamente voltaram como se tivessem virado novidade mais uma vez. Todas ao mesmo tempo, um ataque em larga escala.

Então eu fiquei curioso. Se a indústria estava satisfeita com o Nintendo 3DS... quem o estava atacando? É difícil conhecer seu inimigo pois raramente ele se revela com clareza. Só podemos interpretar os sinais e ligá-los aos maiores interessados.

Só que este não é um jogo de dois jogadores. Qual não foi minha surpresa ao pensar bem e ver que o maior interessado em diminuir o Nintendo 3DS, tão perto de seu lançamento, era a própria indústria.

Para a indústria se sobressair ela precisa de um ambiente propício, normalmente criado pela guerra de duas empresas. Assim ela fatura o máximo possível vendendo as armas para ambos os lados: títulos exclusivos, parcerias, conteúdo especial, etc.

Não é interessante para a indústria ter uma empresa mais forte que a outra, como a Nintendo nos últimos anos, mantendo um monopólio nos portáteis. A especialidade deles é sentar acima do monte de corpos e quanto mais mortos no processo, mais no topo eles estarão.

Quando o PlayStation 2 monopolizou o mercado, as empresas foram rápidas em embarcar no Xbox 360, pois para elas é interessantes o equilíbrio de poder. A Microsoft pagou muito dinheiro nos primeiros anos do console para retirar exclusividades do PlayStation 3.

Como todos sabemos da matemática das guerras, nenhum lado vence. O dinheiro gasto em uma guerra nunca retorna, é todo o processo do durante que é realmente lucrativo para as empresas envolvidas.

Agora os Lobbistas estão tentando freiar o Nintendo 3DS o máximo que podem. Eles não entendem Blue Ocean, não sabem que o 3DS é um barco que já zarpa com um buraco no casco. Agora eles estão fazendo tudo que podem. Serrando remos, recortando velas.

É pouco provável que o ataque já tenha acabado. Nos próximos dias novas notícias de possíveis "problemas" deverão aparecer sobre o aparelho. Fique atento.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Porque o Nintendo 3DS vai falhar

Bom, eu já venho estudando o Nintendo 3DS desde a data de sua revelação em Março de 2010 e desde então estou incrivelmente insatisfeito. Como tantas empresas que encontraram sucesso no Oceano Azul, a Nintendo está tomando o único caminho para ser desbancada, sabotando a si mesma.

O assunto é incrivelmente longo, então ao tocar no assunto com alguns amigos fez-se necessário escrever um post, já que é uma análise de muitas informações e não dava pra explicar tudo "on the fly". A preguiça vinha me impedindo de fazê-lo até agora, mas não mais... eu acho.

Vamos começar entendendo por que o Nintendo DS e o Nintendo Wii deram certo em primeiro lugar. O Nintendo DS, um portátil mais fraco, competiu contra um portátil mais forte da Sony, o PlayStation Portátil (PSP), mas ainda assim, o fez comer poeira como nunca antes.

Isso significa que depois do GameBoy, do GameBoy Color, do GameBoy Advance, portáteis que praticamente ficaram sozinhos no mercado, o Nintendo DS, sem o nome da marca, ainda vendeu mais do que todos eles com concorrência pesada. Como isso é possível?

Vou citar um pedaço da Wikipedia para se ter idéia do fenômeno Nintendo DS:

Com apenas 4 anos e poucos meses o Nintendo DS vendeu mais de 130,000 milhões no mundo inteiro, quase ultrapassando o playstation 2 que está no mercado há mais de 10 anos e vendeu 150 milhões.

Vários analistas disseram que o Nintendo DS pode ultrapassar o playstation 2 se tornando o videogame mais vendido do mundo, em menos tempo que o playstation 2, o Nintendo DS só teve 4 anos e pouco de vida, enquanto o playstation 2 teve 10 anos e pouco de vida.

Nintendo anunciou em 15 de Fevereiro de 2006, que no Japão o Nintendo DS atingiu 10 milhões de unidades vendidas em menos de 10 meses de seu lançamento, o que marca um recorde para um video-game no Japão.

E acredito que vocês tenham experienciado o fenômeno também. Suas irmãs que nunca ligaram pra videogame pedindo Nintendo DS, suas mães passando pela sala e olhando você jogar Wii Sports com interesse até se juntar a você, sua tia impressionada com Wii Fit e como era divertido fazer exercícios.

Na minha sala de aula de música eu via o Nintendo DS ser assunto entre pessoas que nunca antes tocariam em um videogame. Isso porque o Nintendo DS não vendeu simplesmente para o mesmo público de sempre. Pessoas que nunca tiveram um videogame antes, compraram o Nintendo DS e o Nintendo Wii.

Brain Training fez idosos comprarem videogames. Note como o Nintendo DS tem software não convencional para todos os públicos. Brain Training, Picross, Sudoku, 100 Classic Book Collection, My Japanese Coach, Flash Focus: Train your Vision, etc. No Nintendo DS você encontra softwares de culinária, como treinar seu cachorro, guias de viagem, um mercado inteiro novo e interessado.

E então o que você faz depois que isso tudo faz sucesso? Você o joga fora. É isso que o Nintendo 3DS representa, todo o fim dessa idéia de expansão. Todos os jogos de lançamento e que estão sendo desenvolvidos pra ele são jogos extremamente complexos, como Resident Evil, Metal Gear Solid, franquias que os jogadores hardcore gostam, mas que não oferecem valor para o público expandido.

Às vezes é necessário se perguntar se a Nintendo foi Oceano Azul realmente. Como o Oceano Azul atinge uma nova curva de valor?

"A Estratégia do Oceano Azul" - W. Chan Kim & Renée Mauborgne

Lembra quando diziam "A Nintendo abandonou os hardcore"? Nesses tempos o Wii estava vendendo muito bem e era assim que ela deveria continuar. Ela estava oferecendo novos valores para o público que não consumia videogame, os "não-clientes" do Oceano Azul.

Mas em algum momento, sabe-se Deus por que, ela resolveu parar. As vendas do Wii caíram e ela agora está numa bela sinuca de bico. A situação é bem parecida com a do Nintendo DS.

Ninguém sabe bem quais os motivos da Nintendo. É uma vingança pessoal contra a Sony? É um medo de sofrer uma ruptura pela Apple? É um plano suicida onde talvez ela nunca quis salvar o mercado, só queria ser a rainha desse reino destruído? São muitas possibilidades, mas o fato é que a Nintendo cedeu. Cedeu pra quem? Para a indústria. Quem é a indústria?

Há muitos anos atrás, no tempo do NES / Nintendo 8 Bits, a Nintendo tinha uma mão de ferro com a qual controlava as empresas que faziam jogos para ela. Eventualmente a Sega entrou no mercado e questionou esse monopólio. Ainda assim, Nintendo e Sega controlavam o que entrava em seus videogames.

Nessa época a Nintendo era considerada uma carrasca, cortando muita coisa e não permitindo que fossem vendidos vários jogos no Super NES / Super Nintendo por exemplo. Todos devem se lembrar como foi difícil para Mortal Kombat.

No entanto, Sega e Nintendo mantinham acorrentado um perigoso monstro, a indústria. Todas as empresas estavam sob seu domínio e precisavam passar pelo seu aval para lançarem jogos. Então chegou a Sony.

A Sony literalmente fez um pacto com o demônio, abrindo a caixa de Pandora. Com a ajuda da indústria, a Sony foi levada aos céus. O problema de se fazer acordos com um monstro é que assim que você não for mais útil, ele te descarta.

O monstro foi se alimentando na época do PlayStation 1 e 2, até estar forte o bastante para se livrar da mão que o alimentava. A indústria boicotou o PlayStation 3 em favor do Xbox 360, só para depois voltar atrás e manter o equilíbrio de poder. Sony e Microsoft agora são como dois servos se degladiando para ver quem lambe melhor os pés do mestre.

Quem é esse monstro? Como ele afeta sua vida? Bom, o monstro da indústria é um monstro que você não vê, mas as ações dele afetam muito você. Foi ele que aumentou o preço dos jogos, de $50 para $60. Foi ele que inventou a distribuição digital para diminuir os próprios custos, tirando direitos seus como revenda. É ele que quer tirar o seu direito de vender e comprar jogos usados. Ele que inventou o DLC, (Downloadable Content, conteúdo para Download), que tem deixado os jogos incompletos para serem vendidas partes extras depois, algumas até já presentes no disco, sendo só desbloqueadas.

Se você já comprou um jogo mais caro, já teve que comprar um jogo online que gostaria de ter em disco, já comprou um jogo usado, já comprou uma roupa alternativa de Street Fighter IV, então você olhou o monstro nos olhos e pagou o pedágio para atravessar a ponte.

Tudo estaria funcionando muito bem para o monstro, mas o Nintendo Wii mostrou que eles não precisam do monstro para obter sucesso. Obviamente isso irrita o monstro e eles entram em uma guerra fria. Em algum momento, como dito antes, sabe-se lá o motivo, a Nintendo cede ao monstro.

O Nintendo 3DS não segue a mesma linha do Nintendo DS e Nintendo Wii, ele cede à indústria. O que esperar? Jogos mais caros, DLC, quem sabe até uma trava para que o jogo só possa ser jogado em um sistema? Todos os modernismos da indústria que vem destruindo os jogos.

Não se pode descartar o fato que talvez a Nintendo queira fazer parte do clubinho da indústria, ser aceita. Este é o Oceano Vermelho, e a Nintendo está caminhando diretamente para ele.

A Estratégia do Oceano Azul se foca no não-cliente e como oferecer valor para ele através de um pico na curva de valor. Veja o exemplo do vinho Yellow Tail, um grande sucesso pois atravessa a curva de valor.

Enquanto vinhos de alta qualidade e vinhos medianos oferecem tudo que se espera deles e atingem sempre o mesmo público, sem surpresas, o Yellow Tail oferece algo diferente, mira nos clientes que não consumiam vinho e se torna mais bem sucedido do que todos os outros vinhos. Isso é Oceano Azul.


É quando você vê aquela pessoa dizendo: "Não me importa quanto isso custe, eu quero". É como o iPhone, o iPod, o Nintendo Wii, você não escolhe uma alternativa semelhante, pois ela não oferece o mesmo valor. O Oceano Azul torna a concorrência irrelevante.


O Oceano Vermelho envolve se focar sempre nos mesmos clientes, oferecer a eles o que eles querem, ou pensam que querem, cada vez tornando sua oferta mais específica, insossa, pois você tem custos de competição com outras empresas fazendo benchmarking, e reduzindo seu mercado em uma espiral descendente. Todos se lembram de Henry Ford quando dizia: "Se eu perguntasse aos meus clientes o que eles queriam, eles diriam: Um cavalo mais rápido".

É isso que acontecia no mercado de jogos, três consoles com pouquíssimos diferenciais visando conquistar mais público que o outro. Era uma corrida ao fundo do poço que levava para a destruição do mercado por desinteresse do público. Retire os números do Nintendo Wii da corrida e temos um encolhimento natural do mercado.

Para não mencionar o fato que o mercado não cresce desde os anos 80 com o NES / Nintendo 8 Bits, a taxa de penetração é a mesma, ficamos estagnados por mais de vinte anos acreditando que crescimento de vendas era crescimento de mercado, sem nunca considerar crescimento populacional.

O que aconteceu? O mercado entrou em crise quando houve decréscimo populacional no Japão, o que significa que o mercado não estava crescendo como se esperava. Ainda assim, no Japão, o Nintendo DS foi um enorme sucesso. Isso não vai se repetir com o Nintendo 3DS.

Vamos lembrar de uma máxima aqui. Software vende hardware. Os jogos que venderam o Nintendo Wii são Wii Sports, Wii Fit, New Super Mario Bros Wii, jogos que fizeram as pessoas pensarem: "Agora esse videogame vale a pena pra mim". New Super Mario Bros também foi um grande killer app do Nintendo DS, vendendo mais de 20 milhões.

Quando Reggie, Atual Presiente da Nintendo of America, disse que New Super Mario Bros Wii venderia mais do que Call of Duty: Modern Warfare, as pessoas riram dele, mas os números se comprovaram. Você imaginaria então que o Nintendo 3DS seria lançado com mais jogos como New Super Mario Bros Wii, mas não, ele vai ser lançado com mais jogos como Call of Duty.

Qual a lista de lançamentos do Nintendo 3DS? Temos jogos do Nintendo 64 portados, jogos que parecem ter saído diretamente do PlayStation 2 e com certeza podemos contar com a Capcom para portar tudo que eles tem em estoque.

Agora eu pergunto. Se o Nintendo DS vendeu mais do que todos os consoles da história, por que não seguir a mesma linha? Ao invés disso a Nintendo está colocando jogos de Nintendo 64 e jogos do estilo do GameCube no portátil. Aonde isso irá levá-la? A vendas de Nintendo 64 e GameCube.

Não bastasse o software ser inadequado, o próprio hardware tem falhas de conceito que apontam a direção que a Nintendo está tomando e isso não será possível reverter depois. Pra início de conversa, vamos analisar toda a obsessão da indústria com o efeito 3D.

Hollywood está em crise, há muito tempo. Ao invés de solucionarem sua crise, eles tiveram a mesma atitude que o exército americano na Guerra do Vietnã. Ao perceberem que não podiam vencer sob a ótica correta de vitória, eles inventam uma ilusão de vitória.

Na Guerra do Vietnã, como eles nunca poderiam vencer realmente, inventou-se a contagem de corpos, na qual o exército americano contava quantos vietcongs foram mortos e quantos deles foram mortos e um saldo positivo indicaria vitória. É surreal.

Mas o mercado faz a mesma coisa. Na incapacidade de vencer pela ótica correta, inventa-se uma nova. Não podendo atrair mais público, Hollywood começou a contar vitória por "arrecadação", uma ilusão conveniente que finge que o mercado está sempre em crescimento, quando na verdade está diminuindo e cada vez menos pessoas vão ao cinema.

Sem qualidade, precisam inventar algum truque pra que as pessoas ao menos vão lá e digam: "Oh, isso é novo", antes de rejeitarem de novo e irem embora. Entenda uma coisa, não-clientes normalmente estão boicotando a indústria por não tentar impressioná-los, eles são como uma namorada que não diz o que você fez de errado e se você não descobrir logo, vai continuar dormindo no sofá.

A teoria de que a Nintendo está querendo se vingar da Sony fica mais plausivel quando pensamos que ela veio com o Nintendo 3DS logo depois da Sony começar a se focar no 3D do PlayStation 3. O fato do Nintendo 3DS não usar óculos é muito legal e realmente arrasa com a estratégia da Sony, mas é irrelevante.

Você pode causar ruptura em qualquer produto, mas sem um mercado consumidor é irrelevante! É como se alguém inventasse um produto superior para competir com o N-Gage. Ninguém está comprando o N-Gage em primeiro lugar, que público você quer conquistar?

Assim como ninguém está interessado no 3D em jogos do PlayStation 3! O que está vendendo agora é o Nintendo Wii e seu Oceano Azul! Voltem pra lá! Sair de um mercado mais próspero para atacar seu concorrente é um movimento de uma estupidez fora do comum, a Nintendo está fazendo questão de sujar seus sapatos de lama só para chutar um cachorro morto.

Não bastasse o 3D por si só ser um movimento falho, ele ainda consegue destruir todos os movimentos válidos que a Nintendo fez até agora. Talvez ela ainda ache que o efeito 3D seja o que esteja faltando para o público saltar de vez para os jogos em 3D poligonal.

A Nintendo não entende que as pessoas não rejeitam Mario 3D porque ele é difícil, elas não gostam tanto de Mario 3D quanto de Mario 2D! Sabe por que? Porque são jogos diferentes! A única coisa em comum entre os dois é o personagem, mas toda a estrutura difere! Não adianta colocar um DVD com o jogo explicando como jogar, elas não querem jogar Mario 3D!

Então eles pegam o Nintendo DS e o que eles fazem? Primeiro, adicionam um analógico, para os maravilhosos jogos 3D que as pessoas não querem jogar. Segundo, colocam uma tela Widescreen, pois a indústria precisa de mais espaço para mostrar seus lindos jogos. Tornam essa tela mais cara com o efeito 3D, aumentando assim o custo de produção.

Colocam uma tela de toque, que se tornou inútil, pois agora a tela que recebe atenção é a superior, que exibe gráficos 3D, enquanto a tela de toque fica na de baixo, a qual não exibe gráficos 3D. Eles conseguiram minar seus próprios sucesso! O que aconteceu com "Touching is good?".

Nintendogs+Cats do Nintendo 3DS, sucessor de Nintendogs, um dos maiores sucessos do Nintendo DS, terá dificuldades por isso. Se antes você podia tocar no seu filhote, agora você toca em uma sombra na tela de baixo, destruindo completamente o contato.

Se você acha que os primeiros jogos do Nintendo DS ignoravam a tela de baixo, desperdiçando-a com mapas e outras besteiras, espere só até ver o que a indústria fará com o 3DS.

Ele ainda vem acompanhado de um giroscópio, que significa que ele percebe sua posição em relação a si mesmo. Inclinar o portátil pode ter efeitos no jogo, etc. Essa é uma função bem legal e que também será vastamente ignorada pelas empresas.

Veja o Nintendo Wii e como a indústria deliberadamente escolhe ignorar as capacidades dele. A indústria não gosta do Wii e DS, mas não se incomoda em pisar neles para ganhar um dinheiro a mais.

Se o Nintendo Wii fosse lançado com o mesmo poderio gráfico do Xbox 360 e PlayStation 3, teria falhado miseravelmente, pois seria inundado com conversões de jogos da indústria que só semeiam o desinteresse dos não-clientes.

Veja que nunca foi uma questão de controles de movimento contra controles convencionais, mas de jogos feitos para conquistar novos clientes e jogos que visavam só tirar cada vez mais dinheiro dos clientes já existentes. Para a indústria, você não é um consumidor, você é uma carteira ambulante.

Por isso a indústria não consegue vencer no Wii, ela quer jogar pelas suas regras de Oceano Vermelho em um mundo onde as regras são de Oceano Azul. Satoru Iwata disse: "O jogo mudou, e a forma como o jogo é jogado tem que ser mudada". Mentes pequenas verão só uma declaração de controles de movimento contra controles convencionais.

Uma questão é definir as condições da falha. Para quem a Nintendo vai perder? Em primeiro lugar, para ela mesma. Tanto o Nintendo DS quanto o Nintendo Wii não tiveram estratégias perfeitas, apesar de muitas vezes brilhantes, cometendo erros grotescos durante sua trajetória.

Isso significa que um novo DS e Wii com estratégias otimizadas poderiam atingir um sucesso ainda maior do que os produtos atuais. Obviamente não considerando uma possível mancha na imagem da marca, já que os erros grotescos podem afastar futuros clientes de comprarem um novo produto da empresa acreditando que o produto original não atendeu sua demanda.

Logo em seguida vem os concorrentes. O iPhone pode se tornar um concorrente de respeito se não cair no Oceano Vermelho também, algo que já está acontecendo, mas não se pode prever se é um movimento estável ou uma moda passageira. Se nossa experiência com videogames valer, eles se afundarão em Oceano Vermelho, mas não sabemos se as pessoas por trás do iPhone são as mesmas por trás de videogames, então elas podem ter reações inesperadas e não cair nessa armadilha.

Da parte da Sony temos um possível PSP 2, que no caso seria um portátil mais potente que o Nintendo 3DS e com perfil de jogos de console. Tal portátil apanharia do DS assim como o PSP original, mas faria uma competição ferrenha pelo mesmo mercado do 3DS, complicando a vida da Nintendo em vender seu elefante branco.

Por outro lado temos uma incógnita, o PlayStation Phone. O público não gosta de mensagens misturadas. Você é um telefone ou um videogame? Decida-se! Por um lado, o público comum não quer videogames em seus telefones, mas por outro, jogadores de videogame podem querer telefones em seus videogames. Nesse caso ele pode ter mais sucesso que o Nintendo 3DS.

E então há sempre a possibilidade de um novo competidor. Não é o competidor que diz a hora certa de entrar no mercado, são as empresas sobre as quais ele quer causar uma ruptura. Com tantas mensagens confusas, falta de foco, preços caros, surge o espaço para um novo portátil tomar as rédeas do mercado com facilidade.

Algumas pessoas consideraram que o Nintendo 3DS iria falhar por causa do preço. Mas não é assim que funciona. O preço exorbitante é só a cereja no topo do bolo para transformar nosso querido portátil no sucessor espiritual do PlayStation 3.

Quando as pessoas estão convencidas que algo lhes oferece o valor que elas querem e o preço está dentro da sua realidade, elas compram. Por isso o Nintendo Wii continuava vendendo mais que o Xbox 360 e PlayStation 3 mesmo quando os preços se emparelharam, por isso o GameCube continuava vendendo menos que o PlayStation 2 mesmo quando oferecia um pacote muito mais completo e mais barato.

O Nintendo 3DS está fadado a falhar. Mas não é inevitável. Há possibilidades para salvação se tudo que vimos até agora for alguma espécie de mentira, enganação, um embuste talvez para enganar seus concorrentes e lançá-los na direção errada.

Digamos que de repente a Nintendo anuncie que as câmeras do 3DS permitam que você interaja diretamente com os objetos "fora da tela" em 3D utilizando a caneta Stylus, preparada com algum tipo de detector (há patentes suspeitas sobre isso).

Parece utópico? Não é muito. O sistema tendo uma câmera, sabendo o que procurar, poderia fazer uma triangulação com a posição dos objetos, a posição 3D, a qual é determinada por um botão regulável à direita da tela do console, e a posição da caneta Stylus. Esse é o tipo de valor de inovação que aliado a software adequado tornaria o produto Oceano Azul.

Nem mesmo é de todo improvável, já que até agora nenhum jogo foi mostrado para o Nintendo 3DS, somente demonstrações, algo muito estranho considerando vir da Nintendo. Até agora só o efeito 3D foi mostrado, sem qualquer porção de jogabilidade real, com exceção de um demo de Nintendogs+Cats da própria Nintendo.

Outra coisa que poderia salvá-lo, apesar de ser uma situação mais difícil para a Nintendo, seria se eles finalmente percebessem que estão no caminho errado e começassem a fazer os jogos certos para o público expandido. Independente do hardware não ter esse valor todo, se o software fosse bom, poderia vender.

Se nada parecido com isso acontecer, se não surgir alguma inovação que agregue valor a ele, o Nintendo 3DS irá falhar, porque o público não vê valor no efeito 3D e com certeza não vê valor nos jogos da indústria.