Uma coisa que eu sempre me lembro bem sobre a E3 2016 é como The Legend of Zelda: Breath of the Wild foi mal apresentado. Umas 6 horas de transmissão direta mostrando quantidades enormes do jogo até o nível de saturação. Até mesmo eu que adorei o jogo, achei essa forma de mostrá-lo péssima, faltou tato da Nintendo de saber mostrar seu próprio produto.
Do outro lado, Sea of Thieves, o novo jogo online da Rare para o Xbox One teve apenas alguns minutos, mas foi apresentado como se fosse um gameplay entre amigos. Um jogo pelo qual ninguém dava nada de repente teve toda a sua imagem alterada em poucos minutos. Bastou um pouco da boa e velha diversão (e claro, edição).
Infelizmente ter boa vontade do público não é suficiente para fazer de um jogo um sucesso. Há muitos defeitos no jogo e para piorar ele está no Xbox One, um console que está afundando feito pedra. Porém ele também irá ganhar uma versão para PC, o que pode ser a diferença entre a vida e a morte para ele, pois a comunidade no PC é muito mais aberta para jogos online.
Ainda assim, o que me deixa curioso é que Sea of Thieves me lembra muito um outro jogo: No Man's Sky. Em seu novo trailer revelado para a Gamescom 2016, vemos que Sea of Thieves tem muitas partes paradas, que podem até parecer monótonas para alguns jogadores, assim como acontece com No Man's Sky, porém em multiplayer.
Eu ainda não joguei o suficiente de No Man's Sky para fazer uma review completa, mas uma coisa já posso afirmar com certeza e dar uma amostra do que será dito no review: Ele é voltado para fãs de ficção científica e esse gênero sempre foi de nicho. Devido ao hype (expectativa) várias pessoas que achariam esse conteúdo desinteressante, acabaram comprando o jogo.
Alguns jogadores poderiam dizer que falta ação em No Man's Sky, como inimigos assassinos, grandiosos combates, mas o jogo nunca foi vendido sob essa ideia, ele sempre foi sobre explorar um universo semi-infinito. Porém também não é errado que você queira que o seu jogo tenha ação e por isso talvez Sea of Thieves possa ser o No Man's Sky para você que nem mesmo o próprio No Man's Sky conseguiu ser.
A temática de piratas é muito mais interessante para o público em geral do que espaço, pois como já falamos incontáveis vezes, o espaço é algo com o qual não podemos nos relacionar. O espaço só apetece a pessoas escapistas, pois é muito distante da vida cotidiana de uma pessoa comum para que ela possa se sentir conectada com aquelas situações. Por isso a ficção científica permanece um gênero de nicho.
Outro ponto negativo que Sea of Thieves possui é que ele é desenvolvido pela Rare. Lembram-se? Antiga parceira da Nintendo? Claro que sim. Há muito tempo todo o talento da Rare foi destruído e ela só vinha fazendo jogos periféricos horríveis. A Rare que conhecíamos simplesmente desapareceu devido a aquisição da Microsoft.
Porém, já tem um bocado de tempo, não é? Tudo que a Rare foi na época da Nintendo já deixou de ser e a Rare atual como conhecemos não é muito boa, mas já faz tanto tempo que ela já pode estar começando a virar alguma outra coisa. Sea of Thieves pode ser um jogo de virada para a Rare voltar a ser um estúdio razoável, apesar de eu não apostar além disso.
Da mesma forma que No Man's Sky, Sea of Thieves também não será um jogo para todo mundo e nem mesmo é um jogo para mim. Me parece que ele irá encarar os mesmos problemas com reviews negativas dizendo que ele é chato, assim como ocorreu com No Man's Sky, mas em uma escala bem menor, já que a expectativa não está tão alta. Talvez ele até mesmo seja elogiado.
Ainda assim, como eu estou me divertindo com No Man's Sky, posso imaginar pessoas se divertindo com Sea of Thieves, vendo nesse jogo uma realização melhor da ideia de exploração com ação e multiplayer.
The Legend of Zelda: Breath of the Wild foi o nome oficial dado pela Nintendo na E3 2016 para o novo The Legend of Zelda que estava sendo produzido para o Nintendo Wii U e que agora será lançado simultaneamente para o futuro Nintendo NX em 2017. A tradução seria como "Sopro silvestre" já que o Wild do título se refere mais à natureza do que a algo selvagem.
O jogo foi exibido durante muitas horas no evento Nintendo Tree House, aproximadamente 6 horas de gameplay. Ainda assim a Nintendo afirmou que o demo presente na E3 era o equivalente a apenas 1% do jogo completo. Sugiro conferir um pedaço grande do gameplay do jogo para continuarmos a falar sobre ele.
A primeira coisa que surpreende é que este novo The Legend of Zelda é um jogo como eu faria. Se ele tivesse sido revelado como um novo Majora's Mask, Wind Waker ou Skyward Sword eu estaria preparando um artigo da série Mesinha de Chá explicando exatamente como o próximo The Legend of Zelda deveria ser como Breath of the Wild.
O mundo é enorme e aberto. Você pode se mover por Hyrule livremente com várias opções de locomoção, algumas que são novidades para série como pular, escalar, esquiar em seu escudo, voar com uma "asa-delta" primitiva e muitas outras. Para melhorar, você simplesmente é largado em um ponto e começa sua aventura, sem mais nada, como no The Legend of Zelda original do Nintendo 8 Bits.
Essa nova Hyrule é tanto reativa como é ferramenta. Duas coisas que eu faria exatamente iguais, são a forma como Link pega cavalos aleatórios para usá-los como locomoção e a forma como os inimigos não ficam vagando por aí, eles firmam acampamentos, os quais você pode atacar para obter itens.
A quantidade de ações simultâneas nesta cena impressiona (perdão pelo gif pesado)
A forma como você pode interagir com vários elementos no mundo é muito remanescente de Minecraft, mas com um toque próprio. Poder usar um machado para cortar uma árvore e ganhar madeira é algo comum em um jogo de sobrevivência. Porém utilizar um tronco para formar uma ponte, não como um quebra-cabeça específico para passar de uma parte da aventura, mas como uma de muitas soluções para um problema, é genial.
O sistema de combate talvez fique levemente cansativo, já que as armas do jogador desgastam rapidamente e há pouco espaço em seu inventário. A forma como cada arma e roupa possui status diferentes apela fortemente para a veia RPG da série que sempre defendi que existia. Armas e armaduras que alteram seus status sempre existiram em The Legend of Zelda, só não havia números que mostravam isso.
Aparentemente temos menos quebra-cabeças no mundo e "templos" dedicados especificamente para eles, os quais você decidirá se completa ou não. Há também muita física envolvida no jogo, como se a Nintendo tivesse descoberto agora conceitos da Gravity Gun de Half-Life 2 ou de Portal, os quais são bem interesantes.
Chega de empurrar a caixa pro buraco em formato de cubo
Em um dos dungeons, por exemplo, uma das pessoas que demonstrava o jogo remove bolas de metal com espinhos do seu caminho com um ímã e as joga longe. Não se tratava de um quebra-cabeça com resolução única, era apenas um obstáculo no caminho. Alguns jogadores poderão tentar desviar delas normalmente, outros podem ainda achar novas formas de superá-las e assim por diante.
Existe uma grande liberdade de ação e recompensa pela imaginação do jogador em todos os locais do jogo, tanto no mundo aberto quanto dentro dos templos. Alguns templos parecem canstivos, mas como nem todos precisam ser completados, talvez possamos evitar os que achemos chatos. Ainda não vimos os Dungeons tradicionais, mas se seguirem esses moldes podemos esperar que sejam tão incríveis quanto.
É possível pegar vários itens pelo mundo, como frutas, flores, madeira, insetos, de uma forma que é muito semelhante a The Elder Scrolls 5: Skyrim. No entanto isso significa trazer também os problemas de inventário da série, como a constante falta de espaço e monótona administração de itens.
No começo o espaço do inventário é bem limitado
Há muito que o novo The Legend of Zelda partilha com The Elder Scrolls 5: Skyrim, e assim como sempre falei que The Elder Scrolls 5: Skyrim era a evolução da série The Legend of Zelda atualmente, também sempre disse que um The Legend of Zelda feito direito superaria Skyrim graças a um design superior tradicional dos jogos japoneses. The Legend of Zelda: Breath of The Wild parece ser esse jogo.
Enquanto os RPGs orientais se concentraram em histórias e tirar a liberdade do jogador através de linearidade, os RPGs ocidentais ofereciam cada vez mais opções, um mundo onde você poderia fazer o que você quiser enquanto salva o mundo, porém sem foco. O excesso de escolha pode cegar tanto quanto a falta, mas na ausência de bons RPGs japoneses, os ocidentais passaram a dominar como alternativa.
Eu gostaria de só falar coisas boas sobre The Legend of Zelda: Breath of the Wild, mas é claro que há coisas que me deixam com o pé atrás também. A tecnologia no mundo de Zelda é algo que nem sempre me cai bem, especialmente quando lembramos dos ridículos robôs de The Legend of Zelda: Skyward Sword.
Aqui vemos o Zelda tirando uma selfie
Também não sabemos o quanto essa demo representa o jogo final. Há promessas que não sabemos se serão cumpridas. Eiji Aonuma disse que jogadores podem apenas explorar, vencer dungeons e chefes sem nunca sequer tocarem na história do jogo, o que seria ótimo, mas será que é completamente verdade?
Na demo apresentada praticamente não havia NPCs nem cidades, mas eles estarão lá na versão completa. Será que para conseguir os melhores itens, ou mesmo dinheiro que agora não cresce mais no mato, precisaremos realizar missões para eles? Há perguntas que ainda podem colocar tudo a perder, mas é uma direção que eu não faço questão de seguir no momento.
Isso porque o que nos foi mostrado na demo é glorioso. É The Legend of Zelda em sua forma mais pura desde o original do Nintendo 8 Bits. É tudo que sempre pedimos da Nintendo. É uma chama de esperança após anos de Skyward Swords, Wind Wakers e Wii Us. É uma lenda que podemos chamar de nossa e de mais ninguém.
Mais um ano se passou e estamos na E3 2016, o maior evento de jogos do mundo, que foi realizado entre os dias 14 e 16 de junho. Este foi um dos anos mais mornos do evento, com muitas empresas caindo fora e outras não surpreendendo em nada a não ser negativamente. Então vamos lá: Quem ganhou a E3 2016? Sony, Nintendo ou Microsoft? (Adivinha... Foi a Sony).
Um dos problemas esse ano é que a conferência da Microsoft vazou toda, então não houve qualquer surpresa do lado da empresa. Porém, eu não conferi o conteúdo vazado justamente para ter surpresas e... não tive nenhuma. A Sony por outro lado conseguiu guardar quase todas as suas cartas na manga e jogá-las na hora certa. Mesmo informações que vazaram não eram dadas como certas até acontecerem, como o novo God of War nórdico.
E a Nintendo... ah a Nintendo.... Cinco anos atrás eu falei sobre a queda da empresa e duvido que alguém imaginou que cinco anos no futuro pela primeira vez veríamos a Nintendo sem uma apresentação na E3. A empresa teve um estande e mostrou alguns jogos, mas não houve nem conferência, como já não havia nos últimos anos, nem um evento digital, como os mais recentes.
Foram simplesmente apresentados gameplays de jogos na "Nintendo Tree House", com pouquíssimos anúncios e sessões intermináveis de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, um jogo ótimo mostrado da pior maneira possível: à exaustão, com mais de 6 horas de gameplay através do dia.
Vamos analisar a presença das três grandes no evento.
Microsoft
Eu não sei por que a Microsoft continua insistindo em ser a primeira a se apresentar na E3, quando ano após ano ela acaba sendo ofuscada pela Sony e sua conferência praticamente desaparece. Esse ano ainda foi pior pois todo o conteúdo vazou na internet antes e a empresa ficou sem nenhuma surpresa.
A Microsoft abriu com o Xbox One S, um modelo menor do Xbox One que em teoria custaria mais barato. A Microsoft já perdeu a corrida dos consoles, o melhor que ela poderia fazer atualmente é cortar custos e diminuir seu preço para vender bem como segundo console, algo que o Xbox One S não fez muito bem. Isso porque o preço anunciado de US$ 299 na conferênicia não é bem o que ela vai lançar, haverá modelos de US$ 299, US$ 349 e de US$ 399, com mais ou menos HD interno.
Ela também tentou disfarçar sua derrota com a campanha Xbox Play Anywhere, dizendo que agora você pode jogar os jogos do Xbox One em qualquer lugar. Por exemplo, ao comprar certos jogos do Xbox One você ganha uma versão para Windows 10 do mesmo jogo. A Microsoft tentou reverter o fato de que o Xbox One não terá mais exclusivos e dividirá todos os seus jogos com o PC em uma vitória. É bom para o consumidor, mas não para quem comprou um Xbox One pelos seus exclusivos.
Gears of War 4 teve um gameplay bem fraco, muito scriptado e cheio de coisas que não tem nada a ver com a série. Já ficou claro que quem fez a franquia se tornar popular não é mais quem está por trás dela e a insistência da Microsoft em continuá-la só vai criar jogos fracos.
Killer Instinct resolveu inserir um personagem extra de Gears of War, eu me animei. Resolveu que esse personagem seria o General Raam, joguei os papéis pro alto e fui embora. Foi a pior escolha possível, quando poderiam ter Marcus Fênix ou o novo protagonista J.D. Fenix.
Forza Horizon 3 está incrível, é um lindo jogo de corrida, talvez o melhor atualmente e valeria ter o console, porém se Forza Horizon 2 não te fez comprar um, não vai ser o 3 que fará. Final Fantasy 15 não tinha motivo para estar lá, o PlayStation 4 já teve uma demo exclusiva bem antes e não faz sentido a Microsoft enaltecer que só agora vai ter uma também.
Battlefield 1 veio em seguida, mas a Microsoft não aproveitou o suficiente a opinião pública favorável do jogo em relação a Call of Duty: Infinite Warfare. As pessoas estão querendo gostar de Battlefield 1, mas estão com um pé atrás devido aos últimos jogos da série, era uma boa hora para anunciar um bundle com o jogo, um DLC grátis no Xbox One, mas não rolou.
Houve alguns anúncios menores sobre a Xbox Live e Minecraft, mas cá entre nós nada muito relevante. Minecraft está mofando desde que a Microsoft o comprou e algumas ideias como Minecraft Realms e crossplay com o Windows 10 e a Pocket Edition não são bem a evolução que ele merece.
Alguns jogos Indie apareceram, com um bocado de tempo dedicado para We Happy Few, que marca todos itens da lista de artifícios artísticos para ganhar sua carteirinha de Indie e andar com as crianças legais. Cuphead por outro lado, finalmente ficou interessante, já que abandonou o conceito de contar apenas com lutas contra chefões e agora terá fases de fato. Não parece incrível, mas pelo menos deverá ser razoável.
As empresas terceirizadas vieram em seguida com alguns jogos menos interessantes, como Gwent, o jogo de cartas originário da série The Witcher e a confirmação de que Tekken 7 sairá no Xbox One também, quando já estava confirmado para o PlayStation 4 desde o início.
Dead Rising 4 foi bacana, apesar de ter pegado mal pra Microsoft anunciá-lo como um exclusivo apenas para dias depois a Capcom confirmar que é exclusividade temporária, assim como Rise of the Tomb Raider. Essa situação diz mais sobre a derrota do Xbox One do que a Microsoft provavelmente gostaria.
Scalebound parece estar se firmando como um futuro Vanquish mais do que um Bayonetta, um bom jogo da Platinum, aclamado, porém sem aquele grande apelo para o público. State of Decay 2 não foi bem uma surpresa, mas foi bem-vindo depois do sucesso do primeiro jogo e Halo Wars 2 precisa de um upgrade para dividir espaço com jogos como XCOM 2.
Talvez a única surpresa do evento da Microsoft tenha sido Sea of Thieves, o novo jogo multiplayer de piratas da Rare, pelo simples motivo que as expectativas estavam tão baixas. Apresentado de uma forma criativa, com uma edição de gameplay de pessoas jogando e se divertindo, Sea of Thieves instigou muito mais a imaginação das pessoas do que as 6 horas de gameplay de The Legend of Zelda na Nintendo.
E então veio o fim da conferência, o anúncio do "Project Scorpio", um novo modelo de Xbox One que será mais potente e promete apagar a divisão entre gerações, com a capacidade de videogames upgradeáveis. Depois de trazer tanta coisa dos PCs para os videogames, a Microsoft quer cruzar a última linha, colocar um hardware mais potente para rodar os mesmos jogos com melhorias.
Assim como um futuro 24 horas conectado, um futuro onde seu videogame é capaz de espionar você e um futuro no qual jogos não podem ser emprestados ou comprados usados, um futuro de videogames upgradeáveis é tenebroso. Mais uma vez a Microsoft mostra-se uma jogadora perigosa, capaz de mudar o mundo dos videogames, não para melhor, de forma que prejudique até ela mesmo.
Como na fábula do escorpião e do sapo, a Microsoft não consegue se controlar, essa é sua natureza.
Sony
A conferência da Sony começou em altíssimo estilo, com uma orquestra, algo que sempre dá um "tchun" no espetáculo. Infelizmente essa orquestra abriu o show para um novo God of War que tem tudo de errado. Em um único gameplay conseguiram destruir tudo que fazia a série ser legal antes e transformaram em uma mistura de Tomb Raider com The Last of Us.
Capitão Kraaaaaatos e o seu filho, Caverninha
Ele foi seguido por Days Gone, que voltou depois no final do evento e por isso falaremos dele mais tarde, e por um novo trailer de The Last Guardian, um jogo que não precisava exatamente estar lá, mas que novamente eu respeito a Sony por finalmente entregá-lo ao invés de cancelar.
Logo depois Horizon: Zero Dawn... que não deveria estar ali. O jogo foi atrasado e não chega mais em 2016, não tem por que mostrar um gameplay agora. Basta lembrar de como foi frustrante ver No Man's Sky por uma segunda E3 sem que ele fosse lançado no mesmo ano.
Detroit (not Rock City) veio em sequência com um trailer muito interessante de um jogo que não será tão interessante assim no final. A forma como há várias opções para tentar resolver um problema lembra Until Dawn e apesar de muito aclamado em seu lançamento, rapidamente Until Dawn ficou esquecido.
A primeira boa surpresa da Sony foi ao começar uma sessão dedicada ao PSVR, o visor de realidade virtual ex-Project Morpheus. Uma demo muito interessante e promissora e... Pá! É Resident Evil 7! Foi uma grande surpresa e conseguiu permanecer oculta por muito tempo, e a melhor parte, a demo foi lançada logo depois do evento e o jogo já sai no início de 2017 (tá, altas chances de atraso).
O resto desse segmento não foi muito interessante e não fez nada bem para o PSVR. Tivemos anúncios de jogos novos com grandes nomes para o aparelho, como Star Wars Battlefront: Xwing VR Mission (grátis pra quem comprou Battlefront), Batman: Arkham VR e Final Fantasy 15 VR Experience, porém com gameplay mínimo e a maioria era desinteressante.
Uma coisa estranha é que essa sessão de PSVR não foi finalizada direito, de repente estávamos em um gameplay de Call of Duty: Infinite Warfare e ninguém sabia direito se ainda era PSVR. A rejeição do novo Call of Duty está alta e com razão, a guerra futurista que eles mostram está horrível e nada parecido com o que levou a franquia às alturas. Ironicamente logo depois é mostrado Call of Duty: Modern Warfare Remastered, um remake do jogo que fez a franquia se tornar referência no gênero.
A parte mais triste da conferência veio a seguir. O palco se iluminou com um background de Crash Bandicoot e todo se prepararam para o anúncio de um novo jogo. Então é dada a grande notícia de... remasters. Versões remasterizadas de Crash Bandicoot 1, 2 e 3 do PlayStation One para o PlayStation 4. Provavelmente são mais remakes e reimaginações do que remasters como o anunciado, mas foi decepcionante.
Apesar de ser bom rever Crash, o anúncio foi meio decepcionante
Para arrastar mais Crash no chão, ele também foi mostrado como um convidado especial no próximo Skylanders Imaginators, que tomou uns minutos na conferência seguido também por LEGO Star Wars: O Despertar da Força. Ambos os jogos pareciam deslocados e provavelmente só estavam lá para mostrar algo ao público infantil.
A Sony estava deixando a peteca cair quando veio então o anúncio de Death Stranding, novo jogo de Hideo Kojima que surpreendeu por trazer o ator Norman Reedus de The Walking Dead. Norman estava escalado para participar do jogo Silent Hills com Kojima e Guillermo Del Toro, porém a Konami o cancelou antes de mandar Kojima embora. Pouco foi mostrado do jogo, mas foi bom para dar alguns tapas na cara da Konami.
As coisas ainda melhoraram ainda mais quando em seguida um dos rumores que rondava a conferência se comprovou, um jogo exclusivo do Homem-Aranha para o PlayStation 4, produzido pela Insomniac, os mesmos caras por trás de Sunset Overdrive. O trailer inicial foi bacana e muita gente está esperançosa, mesmo com o histórico recente dos jogos do personagem.
O final da Sony foi um pouco morno, com um gameplay de Days Gone. Inicialmente ele parece bem genérico, um pós-apocalíptico zumbi, porém a forma como ele se desenvolve impressiona bastante. Aqui os zumbis vêm em grandes hordas violentas e você precisa arranjar formas de diminuir a quantidade deles enquanto foge pra não ser pego. Não era algo bom o bastante para terminar o evento, mas pelo menos foi original.
Só para registro, essa foi a primeira E3 sem nada do PS Vita. Apesar de a Sony já ter abandonado o portátil há algum tempo, essa é a primeira vez que ela não mostrou absolutamente nada dele, nem mesmo um vídeo com futuros jogos como na E3 2015.
E o mais importante, nada de PlayStation 4 Neo. A Sony conseguiu fazer o mais improvável, não falar dele. A única chance de esses consoles mais potentes serem algo positivo é se eles forem versões de luxo que o grande público nem fique sabendo, apenas para jogadores hardcore.
Não acho que a Sony vá conseguir fazer isso, mas por ora não falar foi a coisa mais positiva que ela poderia fazer.
Nintendo
Assim que a Nintendo começou a transmitir a Nintendo Tree House, toda a esperança que os jogadores tinham de que talvez ela participasse da E3 como antigamente, se foram. Não haveria evento digital nem conferência, apenas horas e horas de cobertura com jeito de comercial da Polishop. No total acredito que a Nintendo apresentou 6 jogos, a maioria deles com 1 hora e The Legend of Zelda por umas 6 horas.
A Lenda de Zelda: Bafo Selvagem
Agora com nome oficial, The Legend of Zelda: Breath of the Wild está um pitel, realmente sensacional, é um jogo sobre o qual falaremos depois no blog. Porém, a Nintendo escolheu uma péssima maneira de apresentar um ótimo jogo. Ela o largou em um stream durante aproximadamente 6 horas, dividido em trechos com os apresentadores.
Foi cansativo, foi exposição exagerada, nos deu uma ideia muito clara do que esperar, mas não deixou muito espaço para imaginação. A Nintendo disse que a demo da E3 exibia apenas 1% do jogo, mas ela se referia ao conteúdo, como os locais do mapa, templos e etc. Na prática, ela mostrou uma porcentagem enorme do jogo, pois mostrou extensos gameplays que revelaram praticamente toda a jogabilidade.
Houve outros jogos como Pokémon Sun & Moon, porém sem informações muito relevantes, anúncio de uma nova franquia simpática chamada Ever Oasis e mais alguns títulos como Pokémon Go, Paper Mario Color Splash. Tirando o gameplay de The Legend of Zelda, não houve nada de interessante na transmissão e obviamente nada a respeito do futuro console Nintendo NX.
Algumas pessoas ainda acham que a Nintendo foi muito bem, por The Legend of Zelda: Breath of the Wild estar tão incrível e ter sido considerado por muitos como o jogo do evento. Porém, é ridículo imaginar que uma das maiores empresas do mundo dos jogos agora está reduzida a isso, apenas um único jogo bom.
Conclusão
Ao fim da conferência da Microsoft eu estava convencido de que este ano haveria um empate. Microsoft e Sony completamente mornas e Nintendo bem atrás. No entanto a conferência da Sony foi uma grande surpresa, muitos anúncios inesperados, apesar de poucas ideias originais.
Não houve bombas como as do ano anterior, até porque acho que seria impossível bater Final Fantasy 7, Shenmue 3 e o retorno de The Last Guardian, porém houve outras. A Sony está com a fórmula certa de sucesso para a E3, cheia de anúncios, um atrás do outro sem deixar o jogador respirar nem ficar muito desapontado se não gostar de algo.
A Nintendo foi patética, completamente desconectada da realidade em sua forma de pensar e pela primeira vez passou uma E3 batida. Não importa o quão bom o novo The Legend of Zelda seja, se ela não mudar suas atitudes, ninguém irá comprar um videogame só para jogá-lo.
Como já é o terceiro ano que a Sony ganha a E3, ela já pode pedir música aqui no blog.
O maior evento de jogos do mundo, a E3 2015, foi realizada nos últimos dias 16 e 18 de junho em Los Angeles, apresentando alguns dos jogos e anúncios mais esperados do ano. Talvez pela primeira vez em anos, eu passei o evento saudável, cobrindo-o no TechTudo como de costume. Ao fim do evento resta a pergunta: Quem ganhou a E3 2015? Sony, Nintendo ou Microsoft? (Spoilers, foi a Sony).
Diferente da E3 2014, que foi bastante entediante, Sony e Microsoft trouxeram boas armas para a disputa. A Microsoft seguiu por uma direção um pouco ruim, a qual falaremos daqui a pouco, enquanto a Sony conseguiu surpreender com bombas nucleares, megatons, de tal forma que talvez não vejamos mais por muitos anos. Esta E3 pode ter sido uma das melhores de todos os tempos.
Até mesmo a E3, que vinha perdendo espaço em relevância, se recuperou bastante e foi palco para grandes anúncios como deveria ser. A única que realmente demonstrou uma forte queda de qualidade em relação à E3 2014 foi a Nintendo, a qual se mostrou muito desconectada da realidade, jogando a toalha esse ano.
Vamos analisar as três grandes e uma surpresa.
Microsoft
Mais uma vez, entre as três grandes, a conferência da Microsoft foi quem abriu a E3. Não foi uma conferência particularmente empolgante e as coisas que não estavam presentes nela diziam mais do que as que realmente estavam.
A conferência teve Rise of the Romb Raider, Forza 6, Halo 5, Plants Vs. Zombies 2, um novo Gears of War e um remake do primeiro, coisas bastante previsíveis e em alguns casos franquias até um pouco cansadas. Mas onde estava Call of Duty? A principal série cuja exclusividade a Microsoft pagava não estava na conferência.
Retrocompatbilidade é vantajoso, mas não era a hora certa para o Xbox One
As coisas começaram a ficar interessante quando Phil Spencer anunciou que o Xbox One receberia retrocompatibilidade com o Xbox 360. Após uma geração tão longa quanto a do Xbox 360 e PlayStation 3, foi muito chato os novos consoles não terem suporte aos jogos antigos. Porém, valem algumas ressalvas.
No momento do anúncio é como se fosse uma retrocompatbilidade total. Depois é anunciado que será para apenas alguns jogos e então chegamos a apenas umas duas dúzias. Este é o jeito tradicional da Microsoft fazer as coisas. O Xbox 360 tinha retrocompatibilidade com o Xbox original também, mas ela era restrita e nem sempre funcionava bem.
Apesar de uma boa notícia, não é algo exatamente positivo. A Microsoft está perdendo feio para o PlayStation 4 e sua E3 deveria ser mais focada no que ela vai fazer daqui para frente, não em rodar jogos antigos de quando ela era líder do mercado. Seria ótimo se ambos tivessem retrocompatiblidade, mas essa janela já se fechou.
Vale também mencionar que essa é mais uma mudança na filosofia do console que antes já exigia conexão permanente com a internet, não permitia venda de jogos usados nem trocas com amigos e só funcionava com o Kinect conectado. Podem parecer mudanças para melhor, mas no fundo indicam o que a Microsoft realmente quer fazer com seu console.
Mas nem tudo foi negativo sobre a retrocompatibilidade, pois ela ajudou a trazer Rare Replay, uma coletânea comemorativa da Rare que traz alguns dos jogos mais legais da empresa para o Xbox One. São 30 jogos por US$ 30 e por volta da metade são ótimos títulos.
Com mais jogos esta coletânea poderia ter sido perfeita
A coleção traz Nomes como Banjo-Kazooie, Conker's Bad Fur Day, Viva Piñata, Perfect Dark, Blast Corps e Battletoads. Há a ausência monstruosa de Goldeneye 007, e sem dúvida a maioria dos melhores títulos é da época do Nintendo 64, mas ainda parece um ótimo negócio. Se a coletânea fosse um pouco melhor, eu compraria um Xbox One só por ela.
Alguns jogos indie bem charmosos foram mostrado, como Unravel e Cuphead, porém Unravel sairá também para PlayStation 4 e Cuphead decepciona um pouco pois apesar de ser muito bonito, aparenta trazer apenas luta contra chefes, sem fases. Poucos dos outros jogos originais da Microsoft empolgaram, não vi potencial em Recore, por exemplo.
A série Gears of War apareceu no show com dois títulos. O primeiro é um remake (não remaster) do primeiro Gears of War, um bom jogo que sem dúvida pode usar a camada extra de tinta, mas que perde o sentido devido ao segundo título. O segundo é Gears of War 4, um novo jogo de uma série que não precisava realmente de mais capítulos.
Tanto Halo quanto Gears of War já estão se estendendo demais, ultrapassando seus arcos originalmente planejados em nome da popularidade das franquias. O mesmo provavelmente pode ser dito também de Uncharted 4. As empresas precisam investir em criar novas séries.
O show terminou com o HoloLens, um óculos de realidade aumentada da Microsoft, demonstrado com Minecraft. Muitas pessoas ficaram impressionadas com a tecnologia, mas se você se lembra do Kinect, sabe que não há muito motivo para isso. A Microsoft costuma demonstrar a tecnologia e não realizar o seu potencial.
O HoloLens não traz uma experiência muito diferente da Realidade Virtual
Um dos problemas do HoloLens é que, diferente do Oculus Rift ou Morpheus, ele possui hardware próprio para rodar os jogos, não faz apenas stream. Isso irá encarecê-lo bastante, ao ponto de ninguém cogitar a compra. Muito menos por um "God Mode" de Minecraf como mostrado no vídeo.
Sony
Apesar de alguns altos e baixos na conferência da Microsoft, a impressão geral da apresentação havia sido bem positiva, melhor que todas as de 2014, com certeza. A retrocompatibilidade parecia um fator determinante que a Sony precisaria responder em sua conferência e havia uma boa chance de não haver uma resposta satisfatória, como não houve.
No entanto, os rumores da conferência da Sony estavam muito fortes. Assim que a conferência começou vimos a concretização do primeiro deles, The Last Guardian estava vivo, respirando e seria lançado no próximo ano. Exigiu culhões da Sony colocar um jogo tão antigo logo no início.
Sony apostou alto ao abrir a conferência com The Last Guardian
The Last Guardian não faz o meu estilo, é o tipo de jogo artístico demais como o Team ICO costuma fazer, mas é importante para uma empresa ter um certo nível de compromisso. Quem viu esse jogo ser revelado, agora terá como jogá-lo. Independente de atender ou não as expectativas, isso demonstra respeito.
Em seguida veio uma surpresa bem agradável. Horizon: Zero Dawn, novo jogo da Guerrilla Games, criadora de Killzone. Apesar de alguns vazamentos anteriores, ele surpreendeu bastante com um jogo promissor onde você caça grandes criaturas mecânicas usando vários artifícios inteligentes, com dano de partes e armas que reduzem a mobilidade do inimigo. É difícil acreditar que a mesma empresa que cria Killzone tenha tato para desenvolver isso na direção certa, mas podemos pagar para ver.
O novo Hitman também vazou antes do show e não teve um grande impacto. Hitman Absolution foi bacana, mas não o suficiente para nos empolgarmos com uma sequência, um pouco como em Deus Ex. Enquanto isso, Street Fighter 5 não estava apresentando nada muito impressionante.
Horizon é bastante promissor, mas precisa crescer na direção certa
Voltamos então para outro grande promissor título do PlayStation 4 e PC, No Man's Sky, que oferece um universo gigantesco com vários planetas gerados aleatoriamente. Ainda há muito pouca informação sobre o que fazer no jogo e quando finalmente vamos jogá-lo, e a produtora perdeu mais uma oportunidade de nos empolgar com isso. É promissor, mas está distante demais.
A Media Molecule, criadores de LittleBigPlanet, trouxe Dreams, um jogo onde você pode criar sonhos. Lembra um pouco um antigo jogo do PlayStation One chamado LSD: Dream Simulator e a impressão é realmente de que os produtores usaram LSD. Definitivamente a E3 não é o lugar certo para esse tipo de jogo ser apresentado.
A E3 não é o lugar para ficar mostrando jogos experimentais de nicho
Destiny teve um pouco de espaço para falar de seu novo DLC. The Taken King, o que não é muito interessante para nós, mas tem lá seu público norte-americano. Falando em DLCs, mais tarde Call of Duty: Black Ops 3 afirmou que a nova casa da série era o PlayStation 4. Este foi um golpe pesado na Microsoft, que pagou por exclusividade temporário pelos DLCs por muitos anos.
A maior surpresa no entanto, viria logo depois. Adam Boyes, vice-presidente da Sony América, confirmou um remake de Final Fantasy 7 para o PlayStation 4. (revelaram também um jogo chamado World of Final Fantasy que pareceu bonitinho porém ordinário, deixemos de lado por ora).
Não chegou a aparecer quase nada do remake de Final Fantasy 7, mas é um anúncio que fãs estão esperando há umas duas gerações. Por incrível que pareça, esse era um jogo que eu já esperava que fosse aparecer. Porém, nada poderia me preparar para a próxima surpresa.
Yu Suzuki, uma das antigas mentes da Sega aparece para anunciar Shenmue 3. Para jogadores mais jovens, Shenmue é uma franquia de RPG complexa que começou no Dreamcast, passou pelo Xbox e ficou incompleta desde então. Shenmue 3 supostamente irá encerrar essa trilogia que imaginava-se que ficaria em aberto para sempre.
Shenmue 3 tirou lágrimas de alguns jornalistas no local
Há vários problemas sobre o anúncio de Shenmue 3. O que foi anunciado não era o jogo em desenvolvimento, mas uma campanha de financiamento coletivo no site Kickstarter. Ele foi financiado rapidamente, porém levantou várias questões se uma empresa deveria anunciar um Kickstarter, ainda mais na E3.
Apesar de tudo, assim como The Last Guardian, não importa a qualidade que Shenmue 3 possa ficar, pois se trata de um sonho realizado para os fãs. Mesmo que daqui para frente várias empresas comecem a abusar do Kickstarter, a Sony o usou como uma boa ferramenta no exato momento em que ele está no seu ápice.
Alguns jogos foram apresentados em vídeo e se tem uma coisa que acontece todos os anos é que a Sony sabe montar melhor vídeos para excitar os fãs. Jogos para o PS Vita foram mostrados, porém no exato momento em que eles estavam sendo exibidos, a câmera se afastou, tornando impossível identificá-los. Acredito que esse vídeo oficial mostre alguns deles. A Devolver Digital também apresentou títulos bem legais, mas foi difícil diferenciá-los uns dos outros devido a estilos gráficos semelhantes.
Sony deixou o PS Vita de lado durante a apresentação, como de costume
A apresentação se encerrou com Uncharted 4: A Thieve's End, porém não sem imprevistos. Na hora que a demo começou a ser apresentada, o personagem não se movia na tela e precisou ser reiniciada. No início pensei ser um problema técnico causado por wireless, pois a Nintendo já teve muitos desses, mas foi apenas confusão de bastidores.
Os gráficos de Uncharted 4 estão bonitos e deverão agradar um pouco os fãs, mas assim como Halo, é uma franquia que está se estendendo desnecessariamente porque não surgiu ainda uma opção melhor. Apesar disso, as surpresas da apresentação da Sony surpreenderam a ponto de torná-la uma das melhores de todos os tempos.
Nintendo
A conferência da Microsoft havia sido agradável e no mesmo dia a Sony havia batido um Home Run para fora do estádio. A Nintendo... o que falar da Nintendo... Há alguns anos a empresa não tem mais uma conferência física na E3. Eles estão lá, oferecem demos para jornalistas, fazem campeonatos, mas não há apresentação, é soltado apenas um vídeo na internet, uma Nintendo Direct especial.
Alguns jogadores ficaram animados com o Nintendo World Championship, uma antiga competição que a Nintendo realizava e resolveu trazer de volta durante essa E3 2015. Ouvi coisas positivas sobre a competição, mas não me agradou, pois não me parece algo que combine com a cultura da Nintendo atualmente. Me soa falso apelar para valores que atualmente ela não pratica.
No dia seguinte às conferências da Microsoft e Sony, a Nintendo soltou o seu evento digital e foi simplesmente "meh". A falta de contato com o público está deixando a empresa isolada em um mundo a parte onde tudo está bem para ela. Um dos principais pontos da E3 é que sua conferência pode ser ajustada para contra-atacar adversários se necessário. Com o evento digital da Nintendo isso não é possível.
De todas as coisas mostradas na E3 da Nintendo, eu compraria esses bonecos
Enquanto as outras empresas têm executivos que vem ao palco para dar a cara a tapa, o evento da Nintendo começou com fantoches, tipo Muppets, do Presidente da empresa, Satoru Iwata, o game designer Shigeru Miyamoto e o presidente da filial americana, Reginald Fils-Aime. Nada contra os bonecos, até gostei, mas quem eles acreditam ser o público para isso?
Star Fox finalmente foi revelado para o Wii U e apesar de até parecer interessante, com transformações dos veículos, é difícil encarar os gráficos mostrados e a baixa velocidade da Arwing. Mais tarde saberíamos que a Platinum Games está envolvida na produção.
Parece haver muitos elementos do clássico Star Fox 2 cancelado que não encaixam realmente com a série. Corneria foi mostrado no trailer, mas outros vídeos de áreas disponíveis para jogar na E3 apresentam um jogo muito diferente do que se esperaria da série, e muito monótono em vários momentos.
Uma parceria sem sal com a Activision foi anunciada para colocar novos amiibos de Donkey Kong e Bowser como personagens especias da série Skylanders. Considerando como a Nintendo não está conseguindo produzir amiibos suficientes, parece má ideia continuar anunciando novos.
Um jogo inesperado foi anunciado depois, The Legend of Zelda: Triforce Heroes, uma espécie de "Four Swords" porém apenas com 3 pessoas. Apesar da boa intenção, a série Zelda já está sendo explorada demais e um novo jogo multiplayer com um mundo voltado para moda sem dúvida não ajudará a torná-la mais relevante.
Agora além de ter nome de menina, o Zelda também usa vestido
Felizmente logo depois tivemos Hyrule Warriors Legends, uma conversão do jogo Hyrule Warriors do Wii U para o Nintendo 3DS. Ainda resta ver quão bem o 3DS vai encarar as hordas de inimigos, mas é um jogo que eu estou verdadeiramente animado. É um jogo que eu gostaria de ter no Wii U, mas que não compraria o videogame apenas para isso.
Voltando a jogos irrelevantes e que mais insultam suas franquias do que ajudam, temos Metroid Prime Federation Force, um jogo multiplayer que traz elementos esportivos e... ah deixa pra lá. É raro eu ver um título para videogames e pensar que a empresa ficaria melhor sem lançá-lo. Federation Force invoca essa rara ocasião. A recepção foi tão negativa que o trailer do jogo tem 10 vezes mais dislikes do que likes no YouTube (mais de 60 mil dislikes no momento que escrevo).
Xenoblade Chronicles X apareceu com uma data um pouco decepcionante para dezembro, mas pelo menos sai esse ano. Por outro lado, o novo Animal Crossing: Amiibo Festival me fez perguntar "Por que?", transformando a franquia em uma coletânea de minigames, um deles sendo uma espécie de tabuleiro como Mario Party.
Yoshi Woolly World é o tipo de jogo que não empolga, assim como o antigo Kirby Epic Yarn. São jogos onde o objetivo é apenas olhar para os gráficos e interagir com objetos enquanto pensa: "Que bonitinho os personagens feitos de lã", "Olha ele se transformando porque é feito de lã" e "Haha! Essa interação com o cenário é diferente porque ele é feito de lã".
Uma fase incrivelmente chata do novo Star Fox para Wii U
Yo-Kai Watch é uma aposta arriscada da Nintendo para o 3DS. No Japão a série ficou muito popular, acompanhando um anime, assim como Pokémon. No entanto, se você achava que acusações populistas de que alguns desenhos animados japoneses são satânicos era algo comum, espere até Yo-Kai Watch ficar popular e as pessoas descobrirem que youkais são como demônios no Japão.
Mario & Luigi: Paper Jam foi uma surpresa agradável, por mesclar os mundos de dois RPGs da série Mario, por um lado a cômica Mario & Luigi e por outro a mais criativa Paper Mario. Apesar de um potencial interessante, ambas as séries tiveram capítulos bem fracos recentemente, então há de se manter um pé atrás.
O final da apresentação veio com Super Mario Maker, um software de criação e edição de fases para Super Mario comemorando os 30 anos do mascote. Como sempre falamos aqui no blog, foco em conteúdo criado pelos usuários só significa falta de conteúdo criado por profissionais. As possibilidade podem parecer incríveis, mas na prática não é divertido.
Bethesda
A grande surpresa dessa E3 2015 foi a presença da Bethesda com uma conferência. Enquanto a maioria das empresas está tentando escapar de fazer uma apresentação, a Bethesda entrou no circuito e mostrou que veio para brigar. Seus principais jogos foram Fallout 4 e o reboot da série Doom.
Aqui vemos a Minecraftização de Fallout 4
Fallout 4 aparenta ser tudo que os fãs poderiam querer, um pouco mais do mesmo em relação a Fallout 3, mas também com algumas novidades significativas, como a possibilidade de criar sua própria casa montando-a nos mínimos detalhes. Houve ainda outros anúncios interessantes, como uma edição especial com um Pip-Boy real e o lançamento de Fallout Shelter, um minigame para iOS (e futuramente Android).
Doom me decepcionou um pouco, pois apesar de ter sido anunciado como gameplay, não me pareceu ser uma pessoa jogando de verdade. A empresa mostrou também Dishonored 2, que deverá agradar aos fãs do primeiro jogo, e o menos relevante Battlecry, um jogo multiplayer online gratuito. Fallout 4 roubou o show com uma apresentação extensa e interessante com lançamento já no final do ano.
Conclusão
Caso as conferências da Microsoft, Sony e Nintendo tivessem sido tão fracas quanto as da E3 2014, não seria difícil imaginar a Bethesda levando a vitória, um baita azarão. Porém a E3 2015 se recuperou bem, voltando a se tornar relevante para novos anúncios e exibição de gameplay de verdade, ao invés de apenas trailers.
Não há dúvidas que a vitoriosa esse ano foi a Sony devido a uma convergência de fatores que tornou essa uma das melhores conferências da E3 em muitos anos. A trindade formada por The Last Guardian, o remake de Final Fantasy 7 e Shenmue 3 foi grandiosa, porque eram grandes títulos que sumiram há anos e ninguém esperava mais vê-los. Trazê-los de volta foi algo grande e ganhou tantos pontos com os fãs quanto um MMORPG de Pokémon ganharia.
Claro, essas grandes bombas que foram mostradas na conferência da Sony são para 2016 e até mesmo 2017, e ainda vão aparecer em futuras E3, o que normalmente tira um pouco o impacto desse tipo de anúncio. No entanto, eles eram exatamente o que o público queria e precisava, promessas e esperanças para o futuro do console.
Diferente de consoles Nintendo, que quando um The Legend of Zelda sofre atraso não há nada mais para compensar, tanto PlayStation 4 quanto Xbox One receberão muitos jogos ainda esse ano, como Batman: Arkham Knight, Fallout 4, Star Wars: Battlefront 3, Just Cause 3, além dos tradicionais Call of Duty e Assassin's Creed. Ninguém ficará sem jogar esse ano apenas porque os maiores anúncios da conferência são para o ano que vem.
A E3 2014, a maior feira de jogos do mundo, aconteceu nos últimos dias 10 a 12 de junho em Los Angeles, apresentando as novidades do mercado de videogames. Como de costume, eu passei o evento ausente aqui do blog, doente e trabalhando, cobrindo tudo no TechTudo. Mas afinal, quem ganhou a E3 2014? Sony, Nintendo ou Microsoft?
No fim das contas a real pergunta seria, quem foi menos pior? Nenhuma das empresas ganhou nada, com certeza as três perderam com apresentações aquém do esperado. Esse ano de transição entre plataformas da Sony e da Microsoft e a forte queda da Nintendo fizeram o show ficar aguado.
Para não mencionar que a própria E3 vem a cada ano ficando menos relevante. Os grandes anúncios acabam não vindo mais da feira e um dos maiores mercados do mundo, o de smartphones e tablets, não comparece em peso no evento. Apenas as três grandes, que têm toda a atenção da imprensa, ainda ganham vantagem.
Vamos começar a analisar cada uma das três grandes.
Microsoft
A Microsoft foi a primeira a se apresentar e a conferência da empresa foi apenas constituído por apresentações de jogos, um atrás do outro. Alguns poderiam dizer que isso é uma coisa boa e em certas situações talvez até fosse. Porém, a situação da Microsoft não era boa.
Quando o Xbox One foi concebido ele era um console que ficaria conectado 24 horas, daria o pontapé inicial para um videogame quase que 100% digital, cheio de limitações, mas com um caminho claro a seguir. Desde então a Microsoft voltou atrás em todas as decisões que tornavam o videogame o que ele era.
Aqui vemos o principal personagem da série, o Halo
A mais recente escolha desfeita dela foi o Kinect, que deveria ser um diferencial do Xbox One e agora nem mesmo será mais vendido na caixa com ele. Acabou para a Microsoft, ela está feito uma barata tonta, sem filosofia, com um console equipado com snorkel, boia e pé de pato para competir em um rally no deserto.
A conferência da Microsoft não optou por mostrar só jogos. A verdade é que a Microsoft não podia mostrar mais nada. Quando não se apoia seus produtos ou suas filosofias, você fica fraco, pois seus clientes param de confiar em você. Como a Sega que perdeu vários clientes futuros ao abandonar acessório após acessórios, console após console.
O que a Microsoft poderia apresentar sem que as pessoas pensassem "Será que ela vai mudar de ideia sobre isso também?".
Nintendo
Uma coisa ridícula sobre a Nintendo é que, desde que ela começou a cortar os seus laços com a realidade, ela não tem mais uma conferência na E3, apenas um evento digital pré-gravado que é transmitido ao vivo em uma hora predeterminada. A questão aqui é ter o máximo de controle possível, sem aplausos e sem vaias.
Quando The Legend of Zelda: Twilight Princess foi revelado na E3, mostrando um Zelda adulto e realista, o público vibrou pelo retorno de uma direção mais madura para a série, após o Zelda criança e cartunizado de The Wind Waker. Não havia ninguém para vaiar o Zelda cartunizado de The Legend of Zelda anunciado para o Wii U.
O garoto Zelda além de nome de mulher fica cada vez mais afeminado
De todas as empresas, a Nintendo apresentou alguns bons jogos, porém como era de se esperar, todos para 2015. Até mesmo títulos que ela confirmou para 2014, como Xenoblade Chronicles X, foram jogados para 2015. Vale lembrar ainda que não sabemos se a Nintendo quer trazê-lo para o ocidente, já que até agora ele continua sendo apresentado em japonês nas conferências.
Já havia falado com um amigo no Twitter o quanto duvidava que Xenoblade Chronicles X, na época apenas X, seria lançado em 2014. A Monolith Soft demora para produzir, a Nintendo demora para traduzir e o interesse de levar a série para o ocidente é mínimo, como aconteceu com o primeiro Xenoblade Chronicles, que quase não foi lançado.
Eu já esperava que a Nintendo apresentasse jogos distantes de seu lançamento, algo que vai contra a nova política da empresa. Isso porque ela precisa convencer as pessoas de que vai dar apoio ao Wii U, mesmo que pra isso tenha que mostrar até coisas que não vão sair tão cedo, o que inclui o novo Star Fox, que nem saiu de um conceito ainda e ainda deve levar 2 anos para ficar pronto, isso se for lançado.
A Nintendo usa o primeiro ano de uma plataforma para lançar ideias, o segundo para lançar seus maiores projetos e o terceiro para projetos atrasados e remakes, já diminuindo o suporte e deixando espaço para empresas terceirizadas. Podemos ver isso com o 3DS que esse ano recebeu/receberá Kirby, Yoshi e Super Smash Bros., contra um ano bem mais agitado em 2013.
Foram mostrados alguns dos melhores jogos do Wii U em 2015 para convencer você a comprar o console, mas e depois? É bem possível que haja uma seca, como houve com o Wii depois de 2009, mais uma vez fazendo o consumidor de otário.
As figuras Amiibo mostradas pela Nintendo são um conceito interessante, mas não foram mostradas com um bom jogo para acompanhá-las. No momento a Nintendo já está comendo poeira de Skylanders e Disney Infinity antes mesmo de lançar. Não é algo do feitio da Nintendo, simplesmente ir atrás e fazer o que todos estão fazendo.
Sony
A conferência da Sony foi a mais chata, pois foi muito sem ritmo, como nos velhos tempos da empresa. A da Microsoft pode não ter sido excitante, mas pelo menos foi ágil. Na verdade, Sony e Microsoft parecem ter trocado de lugar nessa feira. Antes a Sony costumava mostrar mais jogos e a Microsoft mais serviços e firulas.
Apesar de alguns anúncios interessantes, como Dead Island 2, a Sony também mostrou poucos jogos exclusivos ou relevantes. Não acho que precise explicar por que LittleBigPlanet 3 não é grande coisa. O PlayStation 4 continua seguindo como um ótimo console, sem nenhuma opção de bons jogos.
Enquanto isso, o Uncharted continua dormindo
Houve certos pontos na apresentação da Sony que foram pontos positivos, porém mal apresentados, o que acaba deixando a situação ruim para a conferência da empresa, mas traz um quadro geral interessante. Vou falar mais sobre eles abaixo na conclusão para não me repetir.
Conclusão
Nenhuma das 3 empresas apresentou bons jogos, ou títulos interessantes que pelo menos tivessem uma data de lançamento definida. Os três maiores exclusivos das empresas: Halo 5, The Legend of Zelda e Uncharted 4, foram reduzidos a teasers de poucos segundos que estarão de volta na E3 2015, o que chega a ser patético ao acontecer com as três ao mesmo tempo.
Ninguém ganhou realmente quando o assunto são jogos, todas as três empataram em mediocridade. Porém, a Sony foi a única que apresentou mais do que jogos, o que demonstra o DNA da própria empresa, que não é unicamente uma empresa de videogames como a Nintendo.
Durante sua conferência na E3 a Sony apresentou, muito mal, três produtos/serviços: PlayStation Now, PlayStation TV e o Project Morpheus. Cada um deles é disruptor de sua própria maneira. Ser disruptor significa mudar valores e puxar tapetes e empresas. A Sony conseguiu fazer isso com todos esses 3 produtos.
A PlayStation Now é a de que menos podemos falar, pois depende apenas da tecnologia. Assim como o Netflix foi um disruptor do modelo da Blockbuster, podemos ter de volta conceitos como alugar um jogo no final de semana e terminá-lo, ao invés de ter que comprar todos os lançamentos. Isso é algo que me excita, mas apenas se funcionar bem.
Project Morpheus pode não ser a resposta, mas ninguém vem fazendo as perguntas
A PlayStation TV é um hardware de US$ 99 que roda alguns jogos de PSOne, PSP e PS Vita e ainda serve para funções como assistir Netflix. É um concorrente atrasado para o Chromecast e Apple TV, mas também é um ótimo produto para países emergentes como o Brasil, passando uma rasteira na Nintendo que pretende fazer um console voltado para esse público.
Por último o Project Morpheus, que pegou o vácuo do Oculus Rift e pode chegar ao mercado antes do mesmo. O Morpheus tem uma base melhor por se escorar no PlayStation 4, enquanto o Oculus Rift depende do PC. Isso significa que o Morpheus terá mais jogos que o utilizem de maneira interessante, enquanto o Oculust Rift terá mais projetos bizarros.
Realidade virtual não é realmente o caminho pelo qual deveríamos estar indo, já que o jogo deveria estar saindo da TV e não o jogador entrando nela. Porém, pode ser algo grande devido à falta de tecnologia para tirar o jogo da tela.
A Sony mostrou várias ideias disruptoras que podem dar em alguma coisa, mesmo que tenham sido mal apresentadas. São direções interessantes, que mesmo não sendo as direções certas, mesmo podendo não dar em nada, podem nos levar a destinos prazerosos. Isso a torna a menos pior da E3, mas definitivamente não houve vencedores.
Neste domingo, 3 de junho, que antecedeu a Electronic Entertainment Expo, E3 2012 (entre 5 e 7 de junho), o presidente da Nintendo, Satoru Iwata, realizou uma conferência mundial, a Nintendo Direct, que é parte de uma série de conferências que a empresa realiza pela internet, porém normalmente voltadas para o Japão.
No dia 5, a Nintendo terá sua conferência pré-E3, então a conferência de domingo foi a conferência pré-conferência pré-E3, ou como eu chamo, a conferência "vou botar só a cabecinha do Wii U". Nela, a empresa se focou em explicar o seu novo videogame que será lançado ainda esse ano, o Wii U, explicando o controle e os elementos sociais.
Devido à cobertura da E3, eu não terei muito tempo livre para escrever artigos, e como parte da minha preparação para o evento, é óbvio que fiquei doente. Porém, acordei às 6 da manhã para escrever algo para os que estão ansiosos. Então vamos pular direto para o que importa: a filosofia do Wii U e o que ele representa em relação ao Wii.
A indústria está em crise, isso não é uma opinião, é um fato. As vendas desse ano da indústria de jogos caíram 32% e essa é uma tendência que deverá piorar. Esta crise a Nintendo previu ainda em 2004, apontando fatos como:
- Os custos de produção dos jogos estão muito altos
- A corrida gráfica está chegando ao fim
- Há um grande desinteresse do grande público em jogos
- Temos mais idosos do que nunca
- Muitas pessoas acham jogos complicados demais
- Se a indústria continuar diminuindo ao invés de expandir, irá acabar
Satoru Iwata fez uma análise dos fatos perfeita. Analisando todos esses fatos, ele decidiu que precisavam de videogames que diminuíssem os custos de produção, que não competissem na corrida gráfica, que combatesse desinteresse, que atraísse uma faixa etária maior, que fosse simples e acessível e que expandisse a indústria.
A resposta para isso foi o Nintendo DS e o Nintendo Wii, as plataformas mais vendidas da Nintendo até hoje. Elas venderam mais do que o Nintendo 8 Bits, mais do que o Super Nintendo, mais do que o GameBoy e muito mais do que o Nintendo 64 ou o GameCube.
Alguns anos depois, em 2007 para o DS e 2009 para o Wii, a empresa abandonou completamente as plataformas. Com o grande sucesso do DS, o abandono foi um pouco menos sentido, pois muitas empresas terceirizadas continuaram lançando ótimos jogos para ele, mas o Wii entrou em um período de grande escassez de jogos.
Este período de escassez foi criado artificialmente pela própria Nintendo, que começou a mover seus esforços de desenvolvimento para outras plataformas, o Nintendo 3DS e o Nintendo Wii U. A questão aqui é: Por que? E a resposta é incrível. Eles acham que o DS e o Wii deram errado.
Muitas pessoas discordaram quando eu apontei que o 3DS era voltado para o público hardcore. Hoje Satoru Iwata diz com todas as letras: "Estamos indo atrás do público hardcore". Eles acreditam que perderam seus fãs mais leais com o DS e o Wii, por serem voltados para "casuais", sem nunca considerarem que perderam muitos fãs desde que abandonaram conceitos do Nintendo 8 Bits e Super Nintendo.
O jogador "casual" é uma invenção da indústria. "Casual" é na verdade uma rebeldia contra o sistema atual de jogos. São jogadores que querem jogar um jogo, não assistir um jogo, são pessoas que estão jogando Angry Birds no Facebook porque lá o objetivo não é conversar com um personagem para poderem progredir na história, é algo mais excitante.
Qual o papel do jogador nesse trailer?
Alguns dos jogos de maior sucesso atualmente, são jogos com objetivos simples, como a série Call of Duty. É só atirar em tudo que se mexe, eu não preciso de grandes explicações ou histórias pra isso.
Essas pessoas não se voltam para esses jogos porque são burras, idiotas ou não sabem ler, mas porque querem jogar, elas querem ser o personagem principal, não assisti-lo. Elas são 2/3 do mercado de jogos atual. O DS e o Wii não as tratavam como idiotas, ao menos até 2009, e eles fizeram muito sucesso por isso.
Atualmente a Nintendo está mal. Suas ações estão valendo 70 vezes menos do que em 2009, estão no mesmo patamar de 2003, a época em que o GameCube afundou em um grande abismo. Suas finanças estão fracas e o Nintendo 3DS não vende sem que ela o empurre com grandes quantidades de dinheiro, o qual ela ganhou com o Wii e o DS.
Enquanto a figura do Wii era a de uma família que jogava junta na sala de estar, a figura do Wii U é a de um jogador de videogame que joga isolado da família. Na época que idealizou a filosofia e os conceitos do DS e do Wii, Satoru Iwata mencionou que tinha lido The Innovator's Dilemma (O Dilema da Inovação) de Clayton M. Christensen e A Estratégia do Oceano Azul, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne, livros que usamos extensivamente aqui no blog.
Para o Wii U, ele citou um novo livro: Alone Together, de Sherry Turkle, o qual obviamente eu nunca li ou ouvi falar, portanto não poderei falar muito a fundo sobre ele. O subtítulo diz: "Por que esperamos mais da tecnologia e menos um do outro". É um livro sobre como as interações digitais nos deixam mais próximos e ao mesmo tempo mais distantes.
É muito difícil sacudir a percepção inicial que o livro passa. Somos levados a entender que é ruim sermos levados para interações menos pessoais e mais digitais. A conferência da Nintendo mostrou uma imagem de pessoas "Alone Together", que traduzindo significa "sozinhas juntas". E se é algo ruim, por que a Nintendo está perseguindo isso?
Vou pegar este ponto para recuar um pouco no tempo e entender do que estamos falando em relação ao Wii e ao Wii U. Provavelmente ninguém aqui pegou o tempo do rádio, quando as famílias uniam-se ao redor da caixa que trazia mensagens de todo canto, mas há uma pequena chance que tenham pegado o tempo da Televisão única.
Houve uma época em que televisões eram caras o bastante para só haver uma na casa e quem decidia o que era visto, era o pai, assim como na época do rádio, a figura masculina mandava nessa época. Havia divergência de gostos na casa, mas todos assistiam o que o pai queria assistir.
Com o passar do tempo, as televisões ficaram mais baratas e as casas passaram a ter mais delas. O importante aqui é que cada pessoa da casa ganhou uma "tela" e passou a se isolar no seu quarto para assistir o que era de seu interesse. O mesmo aconteceu com computadores, que começaram como uma única máquina para toda a família e hoje já não é incomum haver dois ou três por casa.
Todos têm uma "tela" hoje, seja um notebook, um smartphone, um tablet, um videogame portátil ou um controle do Wii U. Os quartos agora são metafóricos, não queremos que ninguém olhe para nossa tela sem antes bater na porta para pedir permissão. Podemos estar todos no mesmo cômodo e todos separados, "sozinhos juntos".
Este é o conceito do Wii U. A letra U no nome, significa "You", "Você" em inglês, ele é uma máquina para o jogador hardcore da casa, como Satoru Iwata diz, ele serve para você continuar jogando quando outros membros da família não deixarem você utilizar a tela da sala por tanto tempo.
Porém, se tentarmos jogar no Google o termo "Family Wii", o que acharemos não serão famílias jogando Wii juntas? Não era essa a ideia por trás do console da Nintendo? E quando pessoas da família que não jogavam, se sentiam impelidas a jogar e todos comentavam isso com mais pessoas, não era assim que o mercado se expandia?
O Wii U por sua vez, trocará isso tudo por interações dentro dos jogos, como se fossem do Twitter ou Facebook, com amigos e conhecidos da internet, tendo assim uma rede constante bastante invasiva. Se você já está cansado de requisições de jogos no Facebook, tem uma ideia do que pode acontecer.
Além do mais, antigamente tínhamos um nome para pessoas que ficavam atrás de você dando palpites em jogos, principalmente em fliperamas e locadoras: "Sapo". É um nome pejorativo, porque é chato ter alguém falando enquanto você está tentando jogar.
Assim como a Nintendo tentou vender o Nintendo 3DS pelo seu efeito 3D e não conseguiu, depois tendo que enfatizar que o 3D poderia ser desligado, ela pode tentar vender o Wii U com base nessa rede social que o acompanha e depois ter que ressaltar que ela pode ser desligada.
Ao ligar o Wii U, a interface de canais do wii, feita para lembrar uma televisão, foi substituída por uma praça constituída por pessoas da sua rede social, com ícones flutuando na frente delas. Quem diabos acharia interessante se ao ligar seu computador, houvesse um monte de bonecos do Facebook ao fundo falando coisas aleatórias?
Como Leonardo da Vinci disse, a simplicidade é o máximo da sofisticação, e cada vez estamos mais distantes da época em que um videogame era simples. A própria natureza que deu origem ao videogame era a de um computador para jogar de maneira simples, mas como David Jaffe, criador de God of War, uma vez já comentou, o tempo entre ligar o videogame e chegar ao jogo, fica cada vez maior.
Parte da crise da indústria está no preço dos jogos. Antigamente, um jogo custava US$ 50, hoje ele custa US$ 60, mas durante a geração ainda surgiram mais custos, como DLCs, Season Pass, Online Pass e alguns como Call of Duty tem até seu próprio serviço de assinatura.
Isso não é coincidência. Os custos para produção dos jogos não param de subir e somos cada vez menos jogadores. Só existem duas formas de uma indústria continuar aumentando seus lucros: aumentar o número de clientes ou aumentar o lucro por cliente. E a única que poderia nos salvar de sermos explorados, colocou o anel das trevas em seu dedo ao invés de destrui-lo.
Com esta filosofia, a conferência da Nintendo será bem deprimente, retrógrada, focando-se no isolamento do jogador em seu quarto metafórico na tela do Wii U. Obviamente haverá excitação no anúncio de novos jogos, mas ela acabará assim que os jogadores perceberem que o videogame vai na direção oposta daquela que poderia salvar a indústria e da que criou o sucesso do Nintendo DS e Nintendo Wii.
Falta pouco tempo para o grande evento dos vídeo games, a E3. Todo ano a mesma coisa: empresas divulgarão suas estratégias para o ano, jogos, consoles, mulheres semi nuas. Esse ano vamos ter de novo tudo isso. Então que tal brincarmos de adivinhação?
Procure por E3 no google imagens e você entendera essa foto.
Sony
O que a Sony deve mostrar? NGP é claro. o PSP2 deve ser o grande destaque da conferencia. Vão mostrar os futuros jogos, as caracteristicas do portátil , funcionalidades e acredito muito que vai estar disponivel para teste. Sobre o aparelho vai ser o mesmo que ja foi apresentado. Touch Screen vai estar la e espere por jogos de uso intenso desse artificio, mais precisamente "mini-jogos" com o intuito de mostrar superioridade ao Nintendo DS e Iphone. Também teremos jogos com super gráficos e vídeos duvidosos. Muito provável que anunciem uma total compatibilidade com o PSP1 e com a PSN.
Para o Play Station 3 não vamos ter muito o que esperar de diferente. Continuações de jogos já manjados como God of War e talvez um Final Fantasy ou até Kingdom Hearts. Anúncios para o Move também serão feitos, duvido que algum será impactante.
Playstation Network? Se falarem sobre ela vai ser muito pouco, depois dos vexames recentes vão preferir ficar bem quietinhos.
Por fim, acredito muito no anuncio de um Play Station 4. Não vão mostrar todos os detalhes, muito menos jogos de verdade. Esperem por videos teasers, ou seja, pequenas amostras do que estará por vir. Por que penso nisso? A Sony não vai deixar a feira inteira falando só do novo console da Nintendo, ela vai querer distrair a imprensa antes.
Microsoft
Kinect. Jogos de tiro. X-box 3. Mais ou menos isso. Não tem muito o que ver de novo no X-box que não tenha no PS3 alem do Kinect. Talvez o jogo de Star Wars que controla o jogador seja revelado, ou não. Jogos da Rare também vão aprecer. Projeto Milo? Não me faça rir!
Se tem algo que eu arriscaria é a possível entrada da Microsoft na luta pelos portáteis, é difícil de acreditar nisso mas com a crescendo da Apple no mercado eu não duvidaria. Talvez um super tablet ou algo do tipo.
Os jogos pro Xbox 360 vão ser o que já estamos acostumados. Jogos exclusivos como Halo devem dar as caras. Aposto em mais super gráficos e jogos multi plataformas mostrados como exclusivos.
Sobre o Xbox 3 devem mostrar alguns detalhes básicos, o visual e o alguns jogos que poderão vir. Algo mais concreto que o Play Station 4.
Nintendo
Como todos ja sabem, a Nintendo vai revelar o Projeto Café, sucessor do Wii (ou quae isso). Já rolaram muitos rumores sobre ele e o que acredito estar mais perto da verdade é o aquele mesmo do controle touch screen com botões, e uso de stream para jogos.
A Nintendo ja vem mostrando uma preocupação com o crescimentos dos smartphones e tablets, alem de uma palestra em que o Iwata reclamava da concorrencia da TV com os Video Games. A idéia do streaming vem justamente para combater isso. Jogue na TV ou no proprio controle. Mas e os sensores de movimento? Aposto na retrocompatibilidade com o Wii e principalmente do wiiremote. Isso mesmo, o projeto café deve ter jogos com sensores que usem wiiremote. Outro grande foco sera o online. Espere por novidades bem interessantes. Sobre os jogos eu aposto em algum Zelda (talvez um MMORPG!) e Super Smash Bross. Jogos que mostrem os graficos HD do console e o uso do controle com touch screen.
3DS tera um grande espaço também, principalmente pela constante queda nas vendas. Jogos e mais jogos, os de praxe é claro: Mario Kart, Animal Crossing, Super Mario 3D. Mais suporte com futilidades como netflix e jogos de realidade aumentada.
O pobre Wii ficará de lado pra variar. Surgiram rumores sobre um New Super Mario Bros 2. Eu adoraria e faria muito sentido, mas duvido muito, muito mesmo, se anunciarem serei pego com as calças arriadas. Mais sobre Zelda e alguns jogos que usem o Motion Plus . Além de Kirby e algum titulo sem graça de uma third party.
Enfim, vai ser uma E3 de muita frustração de minha parte. Se algo nela me fizer realmente feliz será algum jogo que pareça divertido para o Wii. Algum jogo que reacenda o espirito dos video games novamente. Ou seja...not!